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Music and the Gothic in a Modernist Tune: The Transitional Discourse of Jean Toomer’s Cane

3. Cane’s Part Two: Jazz and the City; a Metropolitan Gothic

Os estudos em historiografia vêm desenvolvendo, desde os Annales, a possibilidade do trabalho realizado entre a história local e a história global, principalmente para se levar em consideração aspectos mais abrangentes das duas facetas, ampliando discussões e interpretações, interligando-as. Como discorremos na introdução desta pesquisa, assim como uma instituição escolar está interligada com o painel educacional nacional, pois é regida por uma legislação que abrange todo o país e recebe influências culturais e sociais, uma cidade está interligada com o seu entorno e com o projeto da nação17.

No período de instalação do Educandário Ituiutabano (1954-1958), o Brasil vivia um momento conturbado politicamente: a transição do segundo governo de Vargas para o de Kubitschek. Após o suicídio de Vargas, o país passou por um curto governo transitório, findado por um golpe de estado, em que o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, garantiu a posse de Kubitschek, contrariando as forças da UDN, que acreditava assumir o poder. E, mesmo apesar do inconformismo dos derrotados, o novo presidente estabeleceu a liberdade, não havendo presos políticos. Por meio de seu programa, houve um clima de paz social, aliado à melhoria das condições de vida, conciliando o modelo político-nacional- desenvolvimentista com o modelo econômico.

Havia predominância do capital estrangeiro para controlar o setor industrial, havendo assim aumento nas possibilidades de emprego, mas concentrando os lucros marcadamente em

16 Ituiutaba ganhou o título de a “capital do arroz” do Triangulo Mineiro devido à sua forte produção desse grão

e ao destaque atingido na economia brasileira entre as décadas de 1950 e 1970. A pequena cidade tornou-se pólo agropecuário, atraindo trabalhadores rurais e investidores para a pequena indústria derivada que se desenhou.

17 Para nos aprofundarmos nos trabalhos desenvolvidos em história local e global, ver: CARVALHO, Carlos

Henrique. A história local e regional: dimensões possíveis para os estudos histórico-educacionais. Cadernos de

setores minoritários internos e, mais que tudo, externos (RIBEIRO, 1992, p. 135). Pelo seu

plano de metas, Kubitschek buscou colocar o Brasil na modernidade, implementando a construção de usinas hidrelétricas, indústrias automobilísticas, abrindo rodovias como a Belém–Brasília e ampliando a produção de petróleo. O presidente Bossa-nova, como era chamado, pela valorização da cultura nacional, procurou colocar o Brasil na rota da modernidade em variados aspectos, mas é evidente que com uma política de caráter desnacionalizador, aumentando a dívida externa e deixando as portas do país abertas à entrada de empresas multinacionais. Os trabalhadores ficaram descontentes com o avanço de seu projeto, principalmente pelos baixos salários, pois a inflação estava elevada devido às obras públicas. Atrás da modernidade, do desenvolvimentismo industrial e do crescimento do Brasil, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, milhares de trabalhadores do campo foram atraídos para as cidades em busca de melhores empregos e salários, trocando apenas a pobreza do campo pela exploração das cidades. Foi nesse viés que Ituiutaba ganhou o título de “capital do arroz” do Triângulo Mineiro, pois mesmo indo contra o projeto nacional industrial, estava na esteira desenvolvimentista de crescimento do país.

O objetivo aqui é visualizar esse momento econômico, político e educacional que a cidade passava no período de instalação do Educandário para compreendermos as lutas que seus fundadores enfrentaram e os elementos facilitadores que auxiliaram na instalação dessa escola, observando que Ituiutaba, com suas singularidades, estava incluída nesse contexto maior. Para isso, segue-se uma pequena introdução sobre os primórdios da cidade, chegando até a década de 1950, observando que Ituiutaba desenvolveu-se no entorno da fé católica.

A gênese dessa pequena cidade não fugiu à regra: esteve arraigada ao catolicismo, dominante e predominante durante quase um século, o que foi muito comum no início das cidades brasileiras. O professor Edelweiss Teixeira escreveu, na Enciclopédia dos Municípios

Brasileiros, publicada em 1950, que Ituiutaba, cidade localizada no estado de Minas Gerais,

não passou de um pequeno lugarejo nascido no entorno da capela fundada pelo padre Antônio Dias de Gouveia, em 1832, dono da sesmaria das Três Barras, próxima ao rio Tijuco. Em 1833, o primeiro capelão, padre Francisco de Sales Souza Fleury, chegou ao lugarejo que se formou em torno à capela, assentada como o casario, às margens do córrego Sujo, numa parte baixa do lugar. Foi o povo que resolveu instalar a capela numa parte mais alta, com maior visibilidade. Em 1839, surgiu a Paróquia de São José do Tijuco, criada pela lei 138, de 3 de abril de 1839. Essa paróquia

(...) compreendia os curatos do Carmo, de Morrinhos da Prata e de São Francisco das Chagas de Monte Alegre. Em 1840 foi tornada sem efeito a lei nº 138, e, em conseqüência, a criação da paróquia de Prata. Em 7 de novembro de 1866, foi, novamente criada a freguesia de São José do Tijuco, desmembrada de Nossa Senhora do Carmo do Prata, no local da antiga capela edificada em 1839, José Martins Ferreira e José Flauzino Ribeiro, à frente da população de São José do Tijuco, edificaram a matriz que concluíram em 1862 (ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS, 1959, p. 305).

Verificamos nesta passagem, numa breve explanação dos primórdios da cidade, que desde o seu surgimento Ituiutaba fundamentou-se, como inúmeras cidades brasileiras, sob a égide da igreja e da fé católica. Com a chegada do padre Ângelo Tardio Bruno, em 1833, a cidade tomou novo impulso, contando, em 1890, com 5.067 habitantes. Padre Ângelo também fundou a primeira escola da localidade, substituído por José Antônio Januzzi e, mais tarde, por João Teixeira. Em 1901, foi elevada à condição de município, pela lei 319, de 16 de setembro, passando a ser chamada Vila Platina. Em 1915, passou a chamar Ituiutaba. O topônimo “Ituiutaba”, etimologicamente, significa: I (rio), TUIU (tijuco, lodoso, sujo) e TABA (cidade). Portanto, assim criado por estar a cidade situada às margens do rio Tijuco (OLIVEIRA, 2003, p. 31). Esse nome foi dado pelo senador Camilo Chaves, espírita filho da região.