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Calling the Church of Christ back to humility, integrity and simplicity Walking is the biblical metaphor for our way of life and daily conduct. Seven

Os procedimentos utilizados na seleção e na análise dos dados desta pesquisa estão em relação estreita com a trajetória dos fatos mencionados. Para tanto, descrevo quais e quando foram realizados os primeiros passos no sentido de empreendê-la.

28 A Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior – CONAES – é o órgão colegiado que coordenação e supervisão do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES, instituído pela Lei nº 10.861 de 14 de abril de 2004. Fonte: http://portal.mec.gov.br

Meu ingresso, como docente da instituição, em 2001, coincidiu com o momento um pouco anterior ao de seu credenciamento como Centro Universitário. Durante esse período, ministrei algumas disciplinas em cursos voltados para a área da Saúde, considerados, desde sua fundação, como os cursos de referência. Neste período, por questões de ordem burocrático-administrativa, entrei em contato com alguns textos que forneciam informações e apresentavam os regulamentos e prescrições a que eu, como professora, estava submetida. Basicamente, eram documentos a que todo funcionário/docente está exposto, mas que, pela minha formação em Lingüística, passaram a receber de mim especial atenção e interesse. Comecei a observar o seu funcionamento e a sua circulação.

Colaborei na revisão de alguns desses textos. Ainda no ano de 2001, trabalhei na revisão final do documento de avaliação institucional, elaborado como resposta à parte dos requisitos exigidos pelo Conselho Superior de Educação para o seu recém-credenciamento como Centro Universitário. A partir daí, fui gradativamente ampliando meu espaço de participação no esquema de revisão de textos, desde aqueles de natureza institucional/acadêmica (atas, portarias, comunicados, normas e prescrições, manuais de secretaria e de professores ingressantes, anais de congressos e simpósios, etc.) aos de caráter mais promocional (notícias em periódicos, informativos, divulgação de eventos festivos, celebrações, formaturas, festas, feira de profissões, cursos de extensão, etc.)

Ainda no ano de 2001, com a criação do Instituto Superior de Educação (ISE), novos cursos foram lançados (licenciaturas e tecnólogos), a Instituição praticamente triplicou de tamanho, passando de oito para vinte cursos, até o final de 2002. Fui convidada a ministrar cursos em ambas as modalidades (licenciaturas e tecnologia) e, em relação a eles, pude perceber que novos materiais publicitários foram

produzidos para circularem por ocasião das datas dos processos seletivos. Passei, então, a colecionar parte desse material, para fins de pesquisa futura.

Porém, somente em 2005-2006, já no doutorado, centrei minha atenção neles. Meu interesse devia-se ao fato de que tanto as peças publicitárias como as de outros gêneros (projetos pedagógicos, comunicados, planos de ensino, manuais), utilizavam vocabulário próprio do universo empresarial, como gestão, cliente, mercado, produto, produtividade, inovação, etc, prática até então pouco usual na instituição. Observei que, de um modo geral, havia uma nova postura discursiva sendo gradativamente assumida, que se coadunava com uma visão mercadológica, uma concepção de administração universitário-empresarial que se traduzia na prática docente diária.

A idéia de importar desta área estratégias competitivas relaciona-se à forte tendência de considerar que a universidade possa se beneficiar dos modernos métodos de administração utilizados pelas empresas ou da implantação de um sistema universitário baseado no modelo administrativo das grandes empresas, diminuindo assim o poder de intervenção do Estado na educação, diante da suposta alegação de que este é incompetente para gerenciar as atividades educacionais, e da crescente pressão por parte do setor empresarial para que estas deixem de ser um direito público e se tornem um bem de consumo (CHAUÍ, 2000:36).

Já iniciada em estudos sobre o trabalho em sua articulação com a linguagem29, vislumbrei uma nova concepção de educação se modelando dentro da Instituição, inspirada no modelo neoliberal. Tratava-se de uma oportunidade de 29 Refiro-me ao grupo Atelier Linguagem e Trabalho que, desde 1997, faz parte do Programa de Estudos Pós- Graduados em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem, LAEL/PUC-SP, desenvolvendo atividades voltadas para duas vertentes: (i) estudo de diferentes situações de trabalho com foco na linguagem e (ii) análise de discursos sobre o trabalho e que têm privilegiado, do ponto de vista das ciências da linguagem, a lingüística enunciativo-discursiva de Maingueneau e os resultados de pesquisas de lingüistas dedicados aos estudos sobre trabalho, reconhecendo nas práticas linguageiras, o lugar de construção de identidades, de apreensão dos espaços de trabalho produzidos por alianças e antagonismos que caracterizam as relações entre os diferentes atores sociais (SOUZA-E-SILVA, 2008).

promover um estudo mais aprofundado sobre os rumos que a educação vinha tomando no país, e o papel exclusivo do mercado nesse cenário, propondo soluções de ordem técnica para um ambiente (educacional) que sempre se pautou pela ordenação social e política.

Do ponto de vista dos discursos, o léxico e os temas que circulavam apontavam para a emergência de uma nova postura da Instituição, pautada pelo modelo neoliberal e submetida às novas exigências em relação aos mundos do trabalho e da educação. Diante disso, comecei a ler alguns teóricos do trabalho (Antunes; Sennet; Schwartz) e da educação (Mancebo; Gentili; Frigotto), de modo a compreender melhor o contexto social afetado pelas exigências do “capitalismo flexível”, assim como as repercussões desse modelo no mundo da educação.

Iniciei, então, a elaboração de um pré-projeto de pesquisa que investigasse a Instituição naquele momento de transição, cujo título era A construção de imagens discursivas (ethos) de um Centro Universitário paulista em processo de credenciamento à Universidade. Nele, me propus a discutir algumas peças publicitárias que estavam sendo veiculadas naquele momento e o seu projeto político-pedagógico (PPI), documento em processo de elaboração , que continha os parâmetros norteadores da Instituição, em sua trajetória à Universidade. O texto apresentava missão, valores, políticas a serem implementados em um período de quatro a cinco anos. A discussão, num plano maior, repercutiria sobre as relações entre linguagem e trabalho, visto que as mudanças introduzidas (impostas) no meio educacional estavam em consonância com aquelas operadas no mundo do trabalho. A fim de responder, ainda que provisoriamente, a essas questões, ampliei as leituras, selecionei alguns dados e comecei a testar, então, no material selecionado (peças produzidas para o vestibular), algumas categorias de análise. Para isso,

recorri às noções de cenografia e ethos, segundo a perspectiva de Maingueneau, pois tais noções iluminavam teórica e metodologicamente o material para a análise inicial: o catálogo de processo seletivo daquele ano (2007-2008).

Aos poucos, entretanto, fui me voltando para as outras campanhas publicitárias que estavam sendo produzidas. Procurei recuperar peças antigas, de épocas anteriores, tentando reconstituir, em termos publicitários, o percurso da Instituição, na última década. O foco da análise passou a estar centrado na noção de cena de enunciação, visto que, nessas propagandas, era possível encontrar cenografias que se organizavam de modo diferente, mas mantinham entre si traços comuns.

Ao mesmo tempo, por meio das leituras teóricas, levantei a hipótese de que os catálogos poderiam ser representativos de duas formações discursivas sobre o papel da educação nos dias atuais, o que indicava um certo funcionamento semântico-discursivo do seguinte tipo: as duas formações, por ocuparem o mesmo espaço discursivo, atribuiriam diferentes sentidos a qual deveria ser a função precípua da educação. Em uma, os semas fundamentais proviriam de lugares onde se encontra a idéia de educação como direito, enquanto na outra, a idéia de educação como serviço. A fim de testar essa hipótese, iniciei o processo de seleção e análise dos corpora da pesquisa.