5. VALUE AND MOMENTUM COMBINED
5.1 C ONSTRUCTION OF THE V ALUE S TRATEGY
Em todas as coroas analisadas, ocorreu uma propagação da fratura em forma de cone (cone crack) na cerâmica de cobertura, a partir do ponto de aplicação da carga, como ilustrado na figura 21.
Figura 21 - Padrão de fratura em forma de cone (cone crack) da cerâmica de cobertura: exemplo de chipping da cerâmica, em forma de cone, sem fratura da infraestrutura de uma coroa do grupo V1R. Imagem em estereomicroscópio (7,5x).
A análise das falhas mostrou que o cone crack se iniciou na subsuperfície, alguns micrômetros abaixo da superfície externa (Figuras 22 a 24).
Figura 22 - Imagem em estereomicroscópio (10x) de uma coroa do grupo P2L com fratura por chipping. As flechas pretas indicam a direção de propagação da fratura na cerâmica de cobertura; a flecha vermelha indica a região da provável origem da falha e as flechas brancas indicam as arrest lines, linhas perpendiculares à origem da falha. F: cerâmica de cobertura feldspática.
F F
Figura 23 - Fotomicrografias em MEV, de uma coroa do grupo P2L com fratura por
chipping. a) Visão geral da fratura (24x); b) Visão aproximada da área demarcada pelo
quadrado vermelho (Figura 23a): região de aplicação da carga (seta vermelha); presença de wake hackles (setas pretas) que indicam a direção de propagação da fratura (70x); c) Visão aproximada da área demarcada pelo quadrado verde (Figura 23b): região da aplicação da carga (elipse branca). Pode-se observar que na técnica prensada a cerâmica apresenta menos porosidade (90x). F: cerâmica de cobertura feldspática.
F F F c 1 mm a 5 mm b 2 mm F
Figura 24- Fotomicrografias em MEV, de uma coroa do grupo V2R com fratura tipo
chipping. a) Visão geral da fratura (22x); b) Visão aproximada da área demarcada pelo
quadrado vermelho (Figura 24a): região de aplicação da carga (seta vermelha); presença de wake hackles (setas pretas) que indicam a direção de propagação da fratura (60x); c) Visão aproximada da área demarcada pelo quadrado verde (Figura 24b): região da aplicação da carga. Pode-se observar a presença de muitas bolhas devido à técnica estratificada (150x). F: cerâmica de cobertura feldspática.
Nos grupos nos quais a Triluxe Forte (TF1 e TF2) foi utilizada (Técnica CAD/CAM/Rapid Layer), a fratura provavelmente teve origem na interface entre o cimento resinoso e a cerâmica feldspática de cobertura (Figura 25 e 26). F F F c F 1 mm a F F 5 mm b F 2 mm
Figura 25 - Imagem em estereomicroscópio (10x) de uma coroa do grupo TF2 com fratura por delaminação e perda de metade da cerâmica de cobertura. A seta vermelha indica o ponto de aplicação da carga. F: cerâmica de cobertura feldspática; C: cimento resinoso; Z: zircônia.
F
C
Figura 26 - Fotomicrografia em MEV (150x) correspondente à área demarcada em vermelho na fotomicrografia menor (70x), na qual é possível observar o cone crack (seta branca). Região de origem da fratura da coroa do grupo TF1. A flecha vermelha indica a provável região da origem da falha. F: cerâmica de cobertura feldspática; C: cimento resinoso; Z: zircônia.
5.5 Análise de Elementos Finitos
Os critérios de deformação total e de von Mises mostraram a coerência da simulação. O modelo TF1 mostrou maior concentração e maior área de estresse de tração que o modelo TF2 (Figuras 27a, 27b). Esta concentração do estresse de tração é observada no centro da face vestibular (Figuras 27c, 27d). Os estresses de tração induziram estresses compressivos na superfície externa do cimento resinoso, com maiores valores para TF1 (487,65 MPa) do que para TF2 (275,15 MPa). Consequentemente estes estresses passaram para a infraestrutura na forma de estresse de tração na superfície axial (Figuras 27e, 27f). Observando a superfície interna da cerâmica de cobertura (Figuras 27g, 27h), o modelo TF1 mostra maior concentração dos estresses de tração na interface entre a cerâmica de cobertura e o cimento resinoso. Isto também pode ser observado no corte mesio-distal do modelo (Figuras 27i, 27j).
Vista oclusal externa da coroa Vista vestibular da coroa Coroa 1 mm a Coroa 2 mm b Coroa 1 mm c Coroa 2 mm D Vista externa do cimento resinoso Vista oclusal interna da coroa Coroa 1 mm e Coroa 2 mm f Coroa 1 mm g Coroa 2 mm H Corte mésio-distal da coroa e do cimento
Coroa 1 mm
i
Coroa 2 mm
J
Figura 27 - Estresse Máximo Principal resultante dos modelos de estudo submetidos a uma carga vertical de 10000 N. Escala padronizada.
6 DISCUSSÃO
Vários estudos clínicos têm mostrado uma taxa de sucesso aceitável para restaurações totalmente cerâmicas com infraestrutura de zircônia (Sailer et al., 2007; Christensen, Ploeger, 2010; Heintze, Rousson, 2010), mas a literatura também evidencia que o índice de fratura da cerâmica em coroas com infraestrutura de zircônia é maior do que em coroas metalo-cerâmicas (Goodacre et al., 2003; Sailer et al., 2007; Christensen, Ploeger, 2010; Della Bona, Kelly, 2010; Heintze, Rousson, 2010).
Diversos fatores são apontados como possíveis causas para estas fraturas: resistência e tenacidade a fratura, compatibilidade entre os Coeficientes de Expansão Térmica (CET), susceptibilidade à corrosão por estresse, comportamento de relaxamento das moléculas, temperatura de transição vítrea e magnitude e orientação das cargas oclusais (DeHoff et al., 2008), suporte anatômico, forma e espessura da infraestrutura e da cerâmica de cobertura, técnica de aplicação da cerâmica, estresse térmico residual e processamento laboratorial (Molin, Karlsson, 2008; Beuer et al., 2009a; Lorenzoni et al., 2010).
Algumas pesquisas estão sendo realizadas com a finalidade de minimizar os problemas observados nas coroas totalmente cerâmicas. Novas tecnologias estão sendo testadas para obtenção das coroas (Beuer et al., 2009b; Choi YS et al., 2012; Schmitter et al., 2012a; Preis et al., 2013; Schmitter et al., 2013), assim como diferentes protocolos de resfriamento com a finalidade de diminuir ou eliminar o estresse térmico residual (Guazzato et al., 2010; Choi JE et al., 2011b; Tholey et al., 2011; Belli et al., 2012; Tan et al., 2012).
Em busca de respostas para estes problemas, o presente estudo testou dois protocolos de resfriamento e avaliou três técnicas para obtenção de coroas totalmente cerâmicas, sendo uma delas, a CAD/CAM/Rapid Layer, uma técnica recente e com apenas um relato na literatura sobre sua resistência (Schmitter et al., 2013). A análise de Elementos Finitos foi realizada apenas para esta técnica para esclarecer melhor o comportamento e a origem das fraturas observadas.