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Atua de forma a conduzir as pessoas a acreditarem que são dignos de crédito. É construída a partir de uma identidade discursiva de “sério”, “virtuoso” e competente. Na busca de ser aceito, constrói essa imagem possuidora das qualidades acima. Dentre as condições impostas no momento em que se julga se um indivíduo é merecedor de crédito ou não estão: a) condição de sinceridade: quando se verifica se o que é dito pelo sujeito corresponde aos seus pensamentos; b) condição de performance: quando se

observam as condições, os meios que o sujeito têm em colocar em prática suas promessas; c) condição de eficácia: quando se comprova que suas ações são seguidas de efeitos positivos (CHARAUDEAU, 2005).

Iniciamos, então, com alguns exemplos de constituição do ethos,

retirados de diversos discursos pronunciados por Sarney ao longo de sua trajetória política:

5.1.1 O ethos de sério

Sarney explora essa parte constitutiva do ethos com muita segurança. Faz parte dos ethé de credibilidade e depende, é claro, do que cada grupo social ou auditório entende por “ser sério”. A postura corporal, a expressão facial, o autocontrole, diante de situações críticas, demonstração de disposição e força para o trabalho, tom de voz firme e comedido, sem usar “frases de efeito”, uso de palavras e construções sintáticas simples e ainda declarações a respeito de si mesmo, principalmente ao que concernem às ideias que fazem parte do fazer político do sujeito (CHARAUDEAU, 2005, p. 120-122).

Nessa forma de ethos, nota-se a noção que o político possui de realidade e de realizável. Mostra não fazer promessas impossíveis e não possui sonhos utópicos de melhoria:

O Deus da minha fé, que me guardou a vida, quis que eu presidisse a esta solenidade. Ele não me teria trazido de tão longe, se não me desse também, na sua bondade, as virtudes da paciência, do equilíbrio, da coragem, do idealismo, da firmeza e da visão maior das nossas responsabilidades perante esta Nação e sua História (trecho do discurso proferido em 15/03/85, ao empossar o Ministério).

5.1.2 Ethos de Virtuoso

Como se notará, em todos os dicursos analisados, a ideia de virtuoso perpassa a construção da imagem de Sarney. As imagens de virtuoso, (sinceridade, fidelidade, honestidade) são construídas com o tempo. Tais

características são observadas nas atuação do político, tanto na sua vida pública, quanto na sua vida privada. O ethos de virtuoso só acontece quando o orador consegue dizer o que pensa, consegue ter uma vida transparente. Essa, com certeza, não é uma das características de Sarney, mas seu discurso constitui-se num mostra/esconde que ressalta apenas o que é possível de ser dito sem ferir a ideia de virtuosidade.A característica que marca este ethos é o tom de resposta que o orador transmite à instância cidadã:

Assim como não lhe faltei com a minha lealdade no período do seu calvário, saberei honrá-lo após a sua morte, e não deixarei murchar a chama da esperança que plantamos no Brasil (trecho do discurso proferido em 21/04/85, ao anunciar a morte de Tancredo Neves). Deus me poupou do sentimento do ódio e do ressentimento, da inveja e do desejo de vingança. Nunca tive inimigos e mesmo com os adversários tive sempre um convívio em que os tratei com cordialidade e amizade (trecho do discurso de despedida...).

É esta emoção me leva a dizer que não estou fazendo um discurso de despedida, mas quero dizer que a motivação de estar aqui é apenas uma palavra: a palavra de gratidão. Ela me obriga a não seguir o meu desejo de sair como entrei aqui que foi, pálida e modestamente, na Câmara dos Deputados, com um discurso meio pequenininho sobre o fechamento da Ação Católica na Argentina. Gratidão ao povo do Amapá, que me deu três mandatos de Senador. Gente boa, generosa, humana, trabalhadora, que vai cumprir o destino de construir – não tenho dúvida disto – um dos maiores Estados da Amazônia. Gratidão ao povo do Maranhão, minha terra, minha paixão, onde meus olhos se abriram para o mundo.Gratidão ao povo brasileiro, que me deu oportunidade de ser Presidente da República, de contribuir para melhorar a vida de nossa gente e de fazer a transição para a democracia — com os tempos de maior liberdade, plenos direitos civis, verdadeira cidadania. (trecho do discurso proferido em 18/12/14).

5.1.3 Ethos de competência

Nesse aspecto Sarney é extremamente hábil. É encontrado nos discursos em que o sujeito político faz declarações enfatizando seu percurso político, sua experiência, seus estudos e funções exercidas na carreira. Ele comprova sua competência elencando seus feitos. Nele o orador mostra que conhece os mecanismos que impulsionam a politica. No dizer de Charaudeau

(2008, p. 125) é um ethos difícil de ser construído por um político jovem, pois não contam com muita experiência para ser mostrada:

Governador, a primeira coisa que fiz foi procurar, justamente, inovar, fazer a reforma administrativa do Estado, convocando a Universidade de Miami e o Instituto de Serviço Público da Bahia, para que nós pudéssemos fazer uma nova estrutura dentro do Estado, o que fizemos... fui o primeiro governador que trouxe ao Nordeste do Brasil o primeiro computador que surgia... também como Presidente, convoquei a Constituinte [...] (trecho do discurso proferido em 02/02/09 durante o lançamento de sua candidatura a presidência do Senado).

Governador do Maranhão em 1966, eu vejo o Estado, hoje, como o 16º PIB do Brasil, acima de Mato Grosso do Sul. Vejo o Maranhão como o segundo complexo portuário do Brasil, o do Itaqui; como o Estado que mais cresceu, 10,3%, índice chinês; com o 13º lugar na criação de empregos e grande atração de investimentos; com a segunda melhor relação dívida-receita do País, 0,41, absoluto controle de contas públicas e responsabilidade fiscal; com as despesas com saúde tendo crescido 138% diante dos 39% que cresceu o Brasil; com educação tendo crescido 75% contra 22% do Brasil; e com segurança pública tendo crescido 53% contra 16% do Brasil (trecho do discurso proferido em 18/12/14).

Evitei por duas vezes o fechamento do Projeto Jari, o grande Projeto Jari. E levei investidores para a área mineral do Amapá. Hoje, o Estado é vocacionado para esse ramo. Sem ser nenhuma vez executivo no Amapá, consegui estas conquistas, além de terem passado por minhas mãos quase todos os benefícios, verbas e melhorias do funcionalismo (trecho do discurso proferido em 18/12/14).

5.2 ETHÉ DE IDENTIFICAÇÃO

Sarney já teve milhoões de “fiscais do Sarney”. O fato objetivo que gerou essa subserviência temporária nasceu como fruto de um discurso inflamado por ocasião do lançamento da moeda Real. Tais ethés estão relacionados ao discurso afetivo, pois o auditório se indentifica com o político por meio de um processo irracional.

Assim, o ethos político se constrói a partir de uma mistura, na busca de alcançar a identificação com o maior número de eleitores, “(...) de traços pessoais de caráter, de corporalidade, de comportamentos, de declarações verbais, tudo relacionado às expectativas vagas dos cidadãos, por

meio de imaginários que atribuem valores positivos e negativos a essas maneiras de ser” (CHARAUDEAU, 2008, p. 137).

Os ethé existentes no discurso político, segundo o autor acima, são direcionados para sim mesmo, para o cidadão e para os valores que indicam o imaginário da instância cidadã. Isso explica o motivo de um mesmo político, em um mesmo momento, apresentar figura de moderno, mas também de tradicional:

Não falo de moralização dessa Casa, porque ela não está desmoralizada. Nem aceito que seja chamada indigna. A dignidade dessa Casa é dada pelos homens que a compõem. São homens dignos, são homens que se prezam[...] (trecho do discurso proferido em 02/02/09 já mencionado).

Percebi que era preciso voltar. A situação no Maranhão já tinha degringolado e a nacional também merecia atenção. Além disso, eu havia criado um círculo de amigos na presidência que ficaram órfãos. Como o Amapá pertencera ao Maranhão, eu não me senti um estranho la (SARNEY, 2015).

5.2.1 Ethos de Potência

Nos discursos analisados neste trabalho, não encontramos nenhum exemplo de ethos de potência, embora saibamos que, principalmente no Maranhão, são imputados a Sarney e seu grupo, a autoria de atos de truculência, ameaças, chantagens na busca da manutenção do poder.

Observamos esse tipo de ethos, nos casos em que é empregada a força física, virilidade sexual. Nele o orador exalta proezas físicas pessoais. Chega ao ponto de fazer uso de insultos, ameaças, etc. Nesse caso, o silêncio é enfático e muito persuasivo, pois evita as traições da enunciação no encunciado.

O tempo assegura segurança a Sarney. Assim como no ethos anterior, neste também observamos a presença da força por parte do orador. Porém, neste caso, a força a que nos referimos é a do espírito, a de quem sabe responder quando é provocado e , assevera que não consegue ficar calado diante de inverdades.

O político usa a estratégia da advertência para mostrar que tem bom caráter. Outra característica deste ethos é a chamada força tranquila. Nela, o orador coloca em destaque a perenidade, a tenacidade, e reforça sua atitude de não abandonar os compromissos, de pessoa que pensa no futuro e que alimenta sempre a vontade de vencer.

O caráter equilibrado caminha sempre perto deste ethos, fortalecendo seu controle sobre si. Por ele, o orador consegue pensar com frieza, independentemente da situação enfrentada. Transmite a ideia de homem que pensa antes de agir e avalia os prós e os contras antes de tomar qualquer decisão.

Ainda neste ethos, destaca-se a figura da coragem. O orador passa ao auditório a imagem de coragem, de enfrentador das eventuais adversidades no campo da política. As figuras de firmeza e moderação também estão presentes neste ethos. Sarney também explora bem as insinuações da firmeza.

A firmeza é encontrada naqueles sujeitos políticos que demonstram atitudes de reivindicação, de ação efetiva, de energia e determinação inabalável. A moderação aponta para o poder de intermediar conflitos, negociar e compor acordos entre partes contendoras:

Eu vi muitos discursos aqui. Uma parte eu quero, contudo, contestar, porque ela é injusta, porque desde que comecei como político eu sempre procurei caracterizar-me como um inovador...E ninguém me cobra nem vai me cobrar porque nasci assim com ânimo da conciliação, da prudência, da vontade de unir, de conjugar esforços[...] (trechos do discurso proferido em 02/02/09).

Ressaltar a inteligência e a lucidez é uma das características mais comuns no discurso de Sarney. Esse ethos provoca a admiração e o respeito do auditório para com o orador. A estratégia retórica de Sarney é bem construída nesse aspecto.

É de Charaudeau (2005, p. 145) a visão de que encontram-se duas figuras repesentativas deste ethos: a de homem astuto e a de homem culto. Segundo ele, o homem astuto, ou até malicioso é aquele que sabe jogar com o ser e o parecer. Dissimula as reais intenções, e leva o auditório a crer que tomará certas decisões, quando na verdade, fará o oposto.

A figura do homem culto é explicada, principalmente pela ideia de que “(...) um homem culto não pode ser senão um homem de bem” (CHARAUDEAU, 2005, p. 145).

São assim considerados aqueles que participam de programas culturais, exposições artísticas, escrevem livros, relembram os títulos universitários adquiridos por eles.

Este homem que está ali, patrono do Senado, com a minha idade, ele estava nos sertões da Bahia, candidato a enador, pedindo votos nas pequenas cidades. E ele chega a uma cidade, perto da fronteira de Minas Gerais e diz: vou falar baixo para que os mineiros não ouçam, que eu, o baiano Rui Barbosa, ainda estou aqui, velhinho, pedindo votos dentro da Bahia (trecho do discurso de 02/02/09).

5.2.4 Ethos de humanidade

Demonstrar sentimentos em alto grau de passionalidade é, também, uma das estratégias de Sarney. Neste ethos é observada a capacidade do indivíduo em demonstrar sentimentos, compaixão, confessa suas fraquezas e gostos pessoais, mostrando para o auditório seu lado humanístico, de pessoa comum que tem momentos felizes e tristes (CHARAUDEAU, 2005, p. 149-153).

A figura do sentimento é mostrada através das mídias quando o orador narra visitas a necessitados, demonstra condolências através de palavras e ações.

Por meio da figura da confissão, o orador mostra, ora um ar de fraqueza, ora um ar de coragem e sinceridade. Nele reconhece os erros e mostra seu poder de analisar a real situação do momento.

Já o gosto literário, artístico, culinário, vestuário, entre outros, mostra a figura do gosto, relacionada à vida privada do orador. Nesta mesma linha aparece a figura da intimidade, assim entendida como coisas descobertas sobre o orador, que ele não faria em público.

Aqui vemos a indignação perante certos acontecimentos, momentos de fúria, confidências, entre outros:

Neste momento, em sua honra e em sua memória, diante deles, como Presidente deste País, eu penso nos pobres, penso nos humildes, penso nos que sofrem, penso nos que estão sedentos de justiça (trecho do discurso proferido em 21/04/85, durante o sepultamento de Tancredo Neves).

5.2.5 Ethos de chefe

Um chefe de Estado, um senador, um deputado, na condição de homem público, se vê obrigado a, de algum modo, prestar contas de seus atos. Sarney não é exceção.

Demonstra, porém, o que na visão de Charaudeau, ao prestar contas de seus atos aos cidadãos o faz como forma de retribuir a confiança nele depositada. Isso cria uma relação de dependência entre orador e auditório, faz surgir várias figuras de chefe: a de guia, a de soberano e a de comandante. Sarney não omite nenhuma dessas funções em sue discurso. Parece achar-se ma espécie de guia supremo é escolhido por um grupo social que se mostra incapaz de determinar seu destino.

É o chefe que conduz esse grupo em meio às tribulações do tempo, à fortuna e aos acontecimentos do mundo. Prosseguimos na análise, e vemos as figuras do guia pastor, que é responsável por reunir o rebanho.

A figura do guia soberano carrega em si a posição que o político deve assumir de fiador dos valores daquela sociedade. Isso é feito através de discursos que mostrem seus valores, com posicionamento acima do conflito

para mostrar que não participa de “joguinhos politiqueiros”, mostrando a incapacidade dos adversários na direção da nação e por último, deixando que terceiros construam sua imagem.É aqui que encontramos a figura do comandante.

Segundo Charaudeau (2008, p. 159), o (...) comandante deve ter uma visão clara do que faz a diferença entre o bem e o mal, e, consequentemente, ao dizer-se esclarecido por uma força sobrenatural, indicar a via que segue para combater as forças do mal.” “O Deus da minha fé, que me guardou a vida, quis que eu presidisse a esta solenidade” (trecho do discurso proferido em 15/março/1985).

Essa figura é muito encontrada nos “líderes populistas”. Transmite a imagem daquele que é capaz de conduzir multidões. Existe, todavia, duas possibilidades de rerovação dessa figura: a primeira é quando ele age como comandante modesto. Se foge do combate ou se retira após uma derrota, pode ser recriminado pelo povo que acredita que um comandante não abandona seu exército, mas morre com ele. A outra possibilidade é quando se comporta como um general, de forma excessiva e autoritária. Nesse caso, a recriminação vem através dos cidadãos ao lembrarem de que fora eleito por eles e por isso lhes deve explicações.

Aqui estou, meus compatriotas, sob o peso de um instante que não pedi e não desejei...Asseguro à Nação, com todas as forças da vontade e da coragem, que o legado de Tancredo Neves permanecerá vivo... Saberei ser o responsável pelo Estado, pela Nação e pela visão histórica da Pátria. Saberei ser o comandante Supremo das Forças Armadas, patrióticas, mantenedoras da ordem e das instituições, bem como o condutor firme das nossa sofrias forças políticas, a que me orgulho de pertencer (trecho do discurso proferido em 21/02/85).

Eu tenho autoridade, portanto, para falar dessa maneira e chamar todos nós a um trabalho conjunto. Eu sei que aqui não é o Presidente. Quando se fala: o Presidente vai fazer isso, não; o Presidente preside a Mesa. Eu reunia toda semana a Mesa. Eu nunca decidia autocraticamente. Estou aqui com muitas pessoas que trabalharam comigo. Eu decidia sempre em conjunto, em equipe. Eu procurava ouvir, porque sempre soube ouvir. E isso, nós vamos continuar a fazer (trecho do discurso de 02/02/09).

Sarney não perde oportinidades para mostrar-se solidário e consolidar seu ethos. O ethos de solidariedade caracteriza-se pela vontade que o sujeito político mostra de estar junto do povo, de não fazer distinção entre os membros do grupo de unir-se a eles em momentos difíceis, mostrando que não está apenas ciente de determinada situação, mas que é responsável por ela, ou pela sua resolução. É assim utilizado para conseguir a simpatia da população (CHARAUDEAU, 2008, p. 163-166).

Na seara da política, a solidariedade émontada através de atos e declarações. Ocorre, por exemplo, quando o orador se mostra solidário de maneira silenciosa, ao participar de manifestações, passeatas. Pode ainda apresentar-se como pessoa que se coloca ao lado do povo através de seu apoio.

Segundo Charaudeu, ao pretender sustentar o ethos de solidariedade, o político deve mostrar-se interessado pelas necessidades do povo, consciente de seus deveres. Enfim, deve saber ouvir, já que ouvir é uma atitude imprescindível para o político. Isso denota sua consideração para com aquele que fala, mostra seu respeito diante do outro, fazendo-o existir.

Modesto, humilde, de boa convivência, eu reconheço que apenas uma coisa que não fiz nesta Casa: durante 50 anos, eu não consegui fazer um inimigo, não consegui fazer um desafeto. Por quê? Porque sempre foi do meu temperamento a convivência, o diálogo, o respeito às pessoas. Sempre fui assim e continuarei sendo assim (trecho do discurso proferido em 02/02/09).

Exerceremos os nosso deveres, eu e os Senhores, como escravos da Constituição, das Leis, do Povo e dos compromissos da Aliança Democrática, compromissos estes que com determinação jamais abandonaremos, das mudanças e das transformações (trecho do dicurso proferido em 15/03/85).

Lágrimas temos todos, das fronteiras escondidas no verde da Amazônia até o menor dos arroios que nos separa no extremo sul... O Governo dará prioridade aos pobres. Ninguém pode ser feliz num país em que milhões de pessoas não têm o direito à felicidade...Este é um momento de dor que compartilho com todos os brasileiros. Compartilho com a família Tancredo Neves...A memória de Tancredo Neves será nossa convergência,nossa inspiração, a vela acesa na escuridão de nossas tristezas. Ela nos manterá unidos: não nos dispersaremos (trecho do discurso proferido em 21/04/85).

Aprendi muito cedo a me preocupar com as causas sociais, recusando o marxismo, que seduzia pelo sonho belo e generoso da igualdade entre os homens. Sempre batalhei por uma sociedade mais

justa. Jovem líder da UDN, promovi no Partido um grupo renovador que Carlos Castello Branco chamou de Bossa Nova, cujo lema, frente ao desenvolvimento de Juscelino – o lema de Juscelino era só “Desenvolvimento” –, era “Desenvolvimento com Justiça Social”, como acrescentei.

Presidente da República, adotei o lema “Tudo pelo Social”: Programa do Leite, Seguro Desemprego, Vale Transporte, Vale Refeição, Universalização da Saúde e Farmácia Básica (trecho do discurso de 18/12/14).

Em nossa análise fizemos apenas alguns recortes ao longo do tempo, o que permite antever que os discursos de Sarney consolidam um

ethos, simultaneamente, de solidário, autoritário, humilde dentre outros. Ao

longo da análise iremos explorar mais detalhadamente a consolidação desse

ethos.

A seguir recortamos alguns trechos da fala do Senador José Sarney em diversas oportunidades de manifestação, principalmente no discurso de lançamento de sua campanha para o cargo de presidente do Senado Federal, cuja íntegra encontra-se no anexo deste trabalho:

a) O Dito: “Quero, em primeiro lugar, oferecer minha homenagem ao Senador Tião Viana, com quem sempre tive nesta casa uma convivência fraternal e amiga”.

a1) o ethos: Presença do ethos de identificação e de conciliador. a2) A estratégia: não acirrar os ânimos, haja vista que antecipadamente o Senador José Sarney sabia que a disputa seria dura e que o Senador Tião Viana poderia, inclusive, ganhar a eleição. Com o ato de estender a mão ao adversário, Sarney mostra grandeza de espírito, começando a moldar aí, seu ethos, neste momento. Mostra sua preferência pela civilidade e democracia. Com essa atitude, Sarney dá o tom do rumo que seu discurso tomará.

Não ataca o oponente, uma vez que declarou ter por ele sentimentos fraternos e de amizade. Sarney sabe que, independentemente do

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