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Building a lean warehouse

1. INTRODUCTION

5.1 L EAN

5.1.7 Building a lean warehouse

Além das teorias já referidas sobre a origem da vida, a mais recente delas – que não nega, mas apenas complementa a perspectiva da evolução química – denomina-se ―Mundo RNA‖. Sendo assim, essa nova perspectiva da evolução molecular, além de ser uma extensão das proposições de Oparin e Haldane, tem como ponto de partida a molécula de RNA e se preocupa menos com os modos como a matéria orgânica teria se organizado, focalizando seu interesse em um segundo momento: aquele onde um ser – molecular – já organizado adquire funcionalidade. Nesse sentido, o ―Mundo RNA‖ está muito mais próximo a uma perspectiva funcional, que remete à compreensão fisiológica do que meramente estrutural.

Os defensores da ideia do "mundo do RNA" acreditam que foi nessa etapa da história da vida que a seleção natural passou a atuar. Quando se multiplicavam, as moléculas de RNA podiam produzir versões ligeiramente diferentes umas das outras; algumas delas tinham maior capacidade de se perpetuar e de se reproduzir, transmitindo essas capacidades à descendência. Acredita-se que esse foi o primeiro passo em direção ao desenvolvimento de um "sistema genético", que pode ter surgido antes mesmo do aparecimento de sistemas isolados por membranas (AMABIS e MARTHO, 2006,p.15)

Embora seja uma espécie de reelaboração da evolução química, esse novo/outro olhar se resume à maneira sobre como essa primeira forma de vida organiza-se fisiologicamente e de que maneira exerce controle sobre essa funcionalidade. Aprimora a observação acerca da composição molecular dos seres e pela primeira vez na história das teorias sobre a origem da vida incorpora aspectos da genética, considerando os seres vivos como um sistema regido pelo RNA (ácido ribonucleico): um tipo de material genético de estrutura mais simples quando comparada à do DNA (ácido desoxirribonucleico). A matéria orgânica que integra e que ao mesmo tempo se submete a um controle também molecular. Uma primeira forma de vida – complexa – como um sistema genético que se autorregula no exercício de suas funções, um modo de existir peculiar cujos efeitos resultaram na interferência do meio e contribuíram para sua transformação, sua modificação.

Com isso, observa-se um conceito de vida para a ação (para ―o agir‖), não mais apenas em termos de estruturação, mas na perspectiva de sua funcionalidade/atividade, enquanto que a teoria de Oparin propiciou à ciência um

entendimento sobre a organização material das formas de vida. Com o ―Mundo RNA‖ também se simplifica essa primeira organização proposta pela evolução molecular de um jeito em que se pode compreender melhor os vírus: micro- organismos cuja morfologia irregular – pelo fato de serem acelulares – chama a atenção dos cientistas. Os vírus como uma forma de vida irregular, tanto na forma quanto em atividade. Também dotados de material genético (DNA ou RNA), mas incapazes de sintetizar suas próprias proteínas. Um metabolismo que depende de outra forma de vida, uma célula hospedeira.

Com isso, a teoria do ―mundo RNA‖ parece encerrar a discussão em torno dos vírus. O fato a que me refiro diz respeito à organização da estrutura viral ser diferenciada da organização celular, uma das premissas basilares, fundamentais – presença de células – que constam nos livros didáticos de Biologia para a definição entre vivos e não vivos.

Figura 12 – Do mundo “RNA” ao mundo “DNA”. Como poderia ter sido a transição de um para outro, enquanto ácido nucleico que controla as atividades celulares (UZUNIAN & BIRNER, 2008, p.1014).

Os vírus apresentam uma estrutura mais simplificada, em termos estruturais, frente às células e seus componentes celulares. Esses organismos microscópicos nada mais são do que envelopes ou cápsulas, envoltórios proteicos que encerram em si moléculas de ácidos nucleicos – DNA (adenovírus) ou RNA (retrovírus) -,

nunca ambos. Sendo assim, ao contrário da célula, apresentam envelopes membranosos, mas não a estrutura – mosaico fluido – da membrana plasmática, tampouco citoplasmáticas, pelo simples fato de não os possuírem. Além disso, seu tamanho é inferior em relação à média do tamanho das células. Reside nessa simplicidade estrutural a suspeita de que poderiam ter se organizado como as primeiras formas de vida e que, a partir deles, das possíveis associações entre esses organismos na Terra primitiva, possa ter se originado a primeira forma celular um tanto mais complexa e dotada de DNA pela possível junção entre dois RNA‘s.

De acordo com a hipótese do "mundo do RNA", tais organismos posteriormente teriam originado moléculas de proteína e de DNA, o qual, então, teria assumido as funções originalmente desempenhadas pelas moléculas de RNA (UZUNIAN e BIRNER, 2008, p.1014).

Aqui há uma questão interessante. Analisando a possibilidade de duplicação conduzida pela molécula de RNA – o ácido nucleico primordial – é possível suspeitar que a atividade dessas moléculas teria atuado como outros formando estruturas proteicas mais complexas e essenciais à estruturação da própria matéria. Além disso, essa organização em torno do RNA pode sugerir a origem dos vírus de RNA; reafirmando então a suspeita dos cientistas adeptos a essa teoria, nos deparamos com a possibilidade de que a partir de uma estrutura viral, como essa, mais simples, poderiam ter se organizado as primeiras células.

Embora a estrutura celular atual, tanto eucarionte quanto procarionte tenha como ácido nucleico principal a molécula de DNA, e não RNA, acredita-se que possa ter avido uma associação molecular entre dois sistemas genéticos originando assim o DNA, a partir de uma possível junção de duas moléculas de RNA. Essa primeira forma de vida – muito semelhante a um vírus de RNA - teria dado origem, então, ao vírus de DNA e posteriormente a outros domínios de seres vivos como

Bacteria, Archaea e Eukarya.

Atualmente sabemos que o DNA é a molécula que abriga os genes e que estes, por sua vez, são os responsáveis pelo controle da informação genética dos seres vivos. O RNA é um derivado do DNA quando observamos a transcrição – parte inicial do processo de síntese proteica -, mas por apresentar-se estruturalmente mais simples acredita-se que sua formação teria ocorrido previamente à do DNA, sendo precursor deste. A discussão em torno do ―mundo

RNA‖ seria de ―como uma molécula de RNA poderia ter sido capaz de ativar o funcionamento de uma estrutura orgânica dando origem ao primeiro ser vivo?‖. Como poderia ter conferido a esta estrutura material capacidade metabólica que a diferisse das demais?

Partindo do princípio que as reações metabólicas que possibilitam a ocorrência e a manutenção da vida necessitam de uma série de enzimas que permitem a sua ocorrência, os cientistas acreditam que essas primeiras moléculas de ácidos nucleicos teriam tido atividade enzimática. As ribozimas teriam sido essenciais para essa organização inicial da vida. O vivo que pela primeira vez apresenta um centro operacional, uma molécula com informações capazes de definir e controlar suas atividades, de autoduplicá-lo - e também capaz de autoduplicar-se - perpetuando essas informações em outras partes de matéria dotadas com as mesmas características.

Figura 13 - Ribozimas, um RNA catalisador. Esquema do RNA catalisando reações de conversão de aminoácidos em proteínas (CÉSAR &SEZAR, XXXX, p.10).

Linhares e Gewandsnajder (2007, p.551), por sua vez, ressaltam:

A duplicação do DNA e seu controle da síntese de proteínas são mecanismos muito complexos, que exigem a participação de grande número de enzimas. Por isso é pouco provável que os primeiros genes fossem feitos de DNA. Alguns cientistas acham mais provável que o primeiro gene fosse feito de RNA ou de alguma molécula semelhante e mais simples. Hoje sabemos que, além das proteínas, moléculas de RNA também podiam funcionar como enzimas (ribozimas). Embora hoje nenhum tipo de RNA consiga se replicar sem auxílio de enzimas, o químico americano David Bartel e seus colaboradores conseguiram produzir em laboratório um RNA capaz de catalisar a união de nucleotídeos e formar um trecho de outro RNA. Essa experiência não prova que algo semelhante tenha acontecido na origem da vida, mas incentiva pesquisas nesse sentido (LINHARES & GEWANDSNAJDER, 2007, p.551).

A perspectiva que se apresenta a partir da teoria ―Mundo RNA‖ tem a ver não apenas com a estrutura propriamente dita da vida, mas de como essa estrutura funcional. O aspecto funcional se configura como importante porque o vivo é colocado em uma perspectiva de ação que o diferencia de outras formas manifestas de vida. A essência da vida cada vez mais parece ter de ser buscada no interior do vivo, nas reações que regem a vida.

Outra questão interessante é que nesse modo de se observar uma possível origem para a vida, se reforça aquilo que já na teoria de Oparin se começou a perceber. Os vivos, materialmente, apresentam uma organização comum, mas considerando o ―Mundo RNA‖ agrega-se a essa percepção a questão da hereditariedade. O que teria sido capaz de perpetuar a vida, a matéria com certas características especiais, teria sido o próprio RNA – e posteriormente o DNA – cuja função, hoje bem explicitada tendo em vista seus respectivos papéis no mecanismo de síntese proteica. Aqui se observa o papel da herança na perpetuação dos modos de ação, de execução de funções inerentes aos vivos.

Aquilo que o ―Mundo RNA‖ inaugura é exatamente de uma possibilidade de controle – genético/metabólico - da vida. Algo que consiga dirigir a própria vida, as formas de vida, e que estaria em um nível molecular atuando sobre a matéria viva sendo capaz de diferenciá-la da não viva. A atividade dos vivos é então regulada por fatores que emanam de uma organização material própria – no caso a molécula de RNA, ácido nucleico primordial – e em assim sendo o fenômeno da vida poderia ser em parte desvendado pelo conhecimento dessa organização material em termos não apenas de estruturação, mas de funcionamento. Cada vez mais- desde o criacionismo até a presente teoria - a busca pelo entendimento de como a vida poderia ter sido originada no planeta reside na própria vida. Seria preciso compreender tais mecanismos que regem a vida para delimitá-la – e assim o faz a humanidade, quanto mais se conhece dos vivos, mais se modificam as fronteiras entre a vida e a não-vida - mas ainda assim seria impossível defini-la.