1 Leders beretning
3.4 Brukeropplevelser
Como vimos no ponto anterior, a leitura é um processo complexo que envolve os conhecimentos que o leitor tem sobre a língua e sobre o mundo, bem como o modo como utiliza estratégias de compreensão de textos. Por isso, como afirma Sim-Sim (2007) “o ensino da compreensão da leitura tem de incluir, portanto, estratégias pedagógicas direcionadas para o desenvolvimento do conhecimento linguístico das crianças, para o alargamento das vivências e conhecimentos que possuem sobre o Mundo e para o desenvolvimento de competências específicas de leitura” (p. 9).
É nesta mesma linha de pensamento que Ezquero (2016)) apresenta o conceito de Cooperación Interpretativa que tem como objetivo:
que el lector desarrolle de forma compartida el conocimiento de la lectura abordada mediante la intervención en espacios de práctica colaborativa en los que el mediador estimula la reflexión conjunta. Esta técnica desarrolla la competencia interpretativa, esto es, la capacidad de comprender y de reconstruir el sentido de una obra entendida como un tejido complejo de significación (p. 1).
Assim, para que esta técnica seja eficaz, é necessário ter em consideração três questões fundamentais: (1) ”el contexto docente es interactivo y en él se construye el conocimiento mediante el uso de la palabra (…) (dinámica de grupos)”; (2) “el lector descodifica el texto y paralelamente lo completa a la luz de sus conocimientos y experiencias compartidas (…) (cooperación interpretativa)”; e por último, (3) “este intercambio se desarrolla en el espacio docente, esto es, a
41 la luz del currículum que establece unos objetivos explicitados como capacidades y competencias (integración curricular)” (p. 4).
No entanto, existem ainda outros autores que demonstraram a importância do trabalho colaborativo para a melhoria da compreensão de textos. Assim, sobre o uso da palavra e a troca de conhecimentos, Colomer e Camps (2002) defendem que:
a discussão baseada no texto ajuda os estudantes a enriquecerem a sua compreensão ao oferecer-lhes as interpretações dos demais, reforça a sua memória a longo prazo, já que devem recordar a informação para explicar o que entenderam, e contribui também para melhorar a compreensão em profundidade e o pensamento crítico quando os alunos têm de apresentar argumentos sobre as opiniões emitidas e têm de eliminar as incoerências e contradições lógicas do seu próprio pensamento com relação ao texto lido (p.85).
Através destes autores, rapidamente se percebe que a interação entre os alunos e o diálogo sobre o texto são fundamentais, uma vez que as estruturas cognitivas de cada um são determinantes para que consigam interpretar um texto. Assim, é lógico que um aluno com mais conhecimentos prévios sobre o mundo e sobre a língua terá uma maior facilidade em realizar esta atividade e um aluno com menos conhecimentos terá mais dificuldades, então, o ideal é que estes sujeitos possam partilhar entre si as informações que possuem de forma a que o sucesso de todos seja possível.
Avançando das estruturas cognitivas para a utilização eficaz de processos de interpretação (duas variáveis que não deixam de estar interligadas) é essencial perceber que na relação leitor- texto, a capacidade de usar adequadamente as estratégias de interpretação é fundamental e pode ser incrementada através da Aprendizagem Colaborativa pois, como afirmam Armbruster, Lehr e Osborn (2001):
cooperative learning instruction has been used successfully to teach comprehension strategies in content- area subjects. Students work together to understand content-area texts, helping each other learn and apply comprehension strategies. Teachers help students learn to work in groups. Teachers also provide demonstrations of the comprehension strategies and monitor the progress of students (p. 45).
Assim, à luz dos conhecimentos transmitidos por Giasson (1993), será de seguida analisado o porquê de a Aprendizagem Colaborativa ser fundamental para a implementação de atividades para desenvolvimento de macroprocessos, processos metacognitivos e processos elaborativos.
42 Tabela 2 – Relação entre os processos de compreensão de textos e o grau de proficiência dos
leitores
Processos Leitores hábeis / menos hábeis
Macroprocessos
Identificação das ideias principais
“os jovens leitores e os leitores menos hábeis revelam dificuldades em identificar a informação que o autor considera importante num texto (…) os leitores hábeis são mais flexíveis na sua busca de informações importantes” (p. 108).
Resumo
“Todos os leitores, ou seja, quer os bons quer os maus leitores, são bem-sucedidos na primeira atividade que consiste em reconhecer um bom resumo. Nas outras duas atividades [fazer um bom resumo e refletir sobre um resumo] têm mais sucesso os bons leitores” (p. 118).
Utilização da estrutura do texto
“os leitores eficientes utilizam a estrutura do texto para compreenderem melhor e para reterem a informação” (p. 132).
Processos de elaboração
Previsões
“os alunos menos hábeis deveriam ser sensibilizados a este processo de elaboração, que poderia torna-los mais ativos na compreensão dos textos” (p. 182)
Imagens mentais
“esta capacidade individual influencia a sua utilização na leitura, porque, evidentemente, os leitores mais aptos para criarem espontaneamente imagens, utilizam mais este processo de leitura do que os indivíduos que não veem nada na sua mente” (p. 187)
Respostas afetivas
“um leitor que se envolve emotivamente na leitura de um texto é mais ativo do que aquele que não se envolve nela com esta perspetiva, e, neste sentido, tem mais possibilidades de compreender e de reter a informação contida nesse texto” (p. 189)
Ligação com
conhecimentos “o leitor hábil relaciona a informação contida no texto com os seus conhecimentos” (195) Raciocínio “É essencial que mesmo os jovens leitores aprendam, ao seu nível, a fazer juízos sobre os textos” (p. 191)
43 Processos metacognitivos
“Se o leitor sabe o que é preciso fazer para ter sucesso numa atividade, é mais fácil proceder de modo a ser bem-sucedido na sua realização” (p. 201).
“A segunda componente da metacognição incide sobre a aptidão de utilizar processos de autorregulação. Graças a estes processos, o leitor verifica se a compreensão se faz bem” (p. 201). “Os processos metacognitivos são essenciais na leitura porque são eles que permitem que o leitor atinja a finalidade primeira desta atividade, ou seja, a compreensão do texto lido” (p. 216).
Como se pode depreender pela Tabela 2, o grau de eficácia de utilização dos diferentes processos de interpretação de textos varia consoante a habilidade que determinado aluno apresenta num determinado momento do seu percurso escolar, pois, como se percebe pelas palavras de Giasson (1993), os leitores serão tanto mais hábeis quanto mais eficazmente implementam as diferentes estratégias, o que leva a uma compreensão efetiva do texto. Por outro lado, os leitores menos hábeis apresentam dificuldades na aplicação das estratégias o que leva ao bloqueio da compreensão.
Ora, se refletirmos sobre o atual sistema de ensino português, que segue preferencialmente um modelo de ensino individualista, percebemos que os alunos com mais dificuldades dificilmente conseguirão ser leitores hábeis uma vez que sem interação será perpetuada a sua condição.
Concluindo, tendo em conta tudo o que tem sido abordado até então, parece indispensável que as atividades de compreensão de textos possibilitem aos alunos uma troca de experiências e de conhecimentos que, simultaneamente, lhes permitam desenvolver estratégias de compreensão de textos, de modo a incrementar a motivação para a leitura e o sucesso coletivo dos alunos.
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