8 Concluding reflections: disaster, social change and beyond
8.3 The role and application of anthropology in disaster research
8.3.1 Bridging the worlds of development and faith
diagnóstico de gestação em fêmeas caprinas
Todas as fêmeas inseminadas (n=53) foram submetidas à coleta de sangue para a dosagem de progesterona plasmática entre 19 e 21 dias após a inseminação artificial
(D33), e à avaliação ultrassonográfica aos 21 e 60 dias ou aos 30 dias, dependendo do lote ao qual pertenciam, para a confirmação da condição gestacional. Os valores médios de progesterona foram de 9,36 ± 0,50 e 6,72 ± 1,18 ng/mL (P<0,05) para as fêmeas consideradas gestantes ou não gestantes, respectivamente (Tabela 4.36).
X ± EP Valores máximos Valores mínimos
Gestantes 27 9,36 ± 0,50a 13,93 1,00
Não gestantes 26 6,72 ± 1,18b 20,77 0,00
Total 53 8,06 ± 0,65 20,77 0,00
a,b
Médias na coluna seguidas por letras diferentes, diferem (P<0,05)
Tabela 4.36. Valores médios de progesterona plasmática aos 23 dias após a primeira aplicação de Prostaglandina F2α (19 a 21 dias após a inseminação artificial) em fêmeas caprinas da raça Toggenburg, gestantes ou não
Valores de progesterona (ng/mL) n
Condição gestacional
A concentração de progesterona plasmática pode ser avaliada 23 a 28 dias após a cobrição ou inseminação artificial com elevada acurácia (Thimonier, 2000; Léga et al., 2005). Alguns fatores podem levar a resultados falso positivos, tais como duração do ciclo anormalmente longa ou curta, ocorrência de mortalidade embrionária e em casos de pseudogestação. Thibier et al. (1982) citados por Ishwar (1995), quantificaram a progesterona plasmática em cabras de raças leiteiras no
21º e 22º dia após a cobrição, e encontraram uma acurácia de 86% e 100%, para gestação positiva e negativa, respectivamente. Similarmente, a concentração de progesterona plasmática avaliada em ovelhas, no 18º dia após a cobertura, mostrou que todas as fêmeas diagnosticadas como não gestantes, não pariram, contra 83,5% daquelas diagnosticadas como gestantes (Thimonier et al., 1977 citados por Thimonier, 2000). Fonseca (2002) observou ao 18º dia após a
99 inseminação, aproximadamente, que cabras
gestantes da raça Alpina e Saanen apresentaram valores superiores (P<0,01), de 6,97 ± 0,66 e 7,50 ± 1,32, respectivamente, aos das cabras vazias de ambas as raças (0,17 ± 0,08 e 1,15 ± 1,47, respectivamente). Resultados similares foram reportados por Léga et al. (2005) com concentrações médias de progesterona em cabras gestantes e não-gestantes, ao 23º dia pós-acasalamento, de 7,86 ± 0,18 ng/mL e 0,12 ± 2,60 ng/mL, respectivamente, apresentando diferenças estatisticamente significativas entre elas (P<0,05).
Embora os resultados do presente estudo tenham demonstrado diferenças (P<0,05) quanto aos valores de progesterona entre fêmeas gestantes e não gestantes (Tabela 4.36), eles diferem dos encontrados por Fonseca (2002) e Léga et al. (2005), principalmente no que se refere às fêmeas não gestantes. Estes autores encontraram valores médios de 0,17 ± 0,08 e 1,15 ± 1,47 (Fonseca, 2002), para cabras não gestantes, ao passo que Léga et al., (2005) registraram valores de 0,12 ± 2,60 ng/mL, concentrações bem inferiores aos 6,72 ± 1,18 ng/mL, observados para o mesmo período, no presente estudo. Vale ressaltar neste momento, que 33,96% (18/53) das cabras apresentaram ciclos curtos (<10 dias) após a segunda aplicação de PGF2α (Tabela 4.28). Este grande percentual de ciclos curtos, observados no presente estudo, explicam de certa forma as diferenças observadas.
Embora a dosagem da progesterona venha sendo utilizada para o diagnóstico precoce da gestação em ruminantes, não há um consenso quanto à concentração utilizada para diferenciar animais gestantes de não gestantes. Valores variando de 0,5 a 4,0 ng/mL têm sido reportados, além do uso de diferentes métodos, como radioimunoensaio (RIA) e enzimunoensaio (EIA), que
aditivamente tem dificultado a sua interpretação (Boscos et al., 2003).
O diagnóstico de gestação através da dosagem de progesterona pode ser avaliado através da sensibilidade, especificidade e da acurácia dos resultados. Diversos estudos avaliaram a sensibilidade e especificidade através da percentagem de animais gestantes e não gestantes corretamente diagnosticados, respectivamente. A acurácia é determinada como a percentagem de animais que são corretamente diagnosticados, no total de animais avaliados (Engeland et al., 1997; Boscos et al., 2003; González et al., 2004). No presente estudo, as fêmeas submetidas à dosagem de progesterona tiveram a gestação confirmada pela ultrassonografia. Apenas uma cabra gestante (1/27 – 3,70%) apresentou ao D33, concentração de progesterona com o valor mínimo de 1,0 ng/mL (Anexo J). Esta fêmea perdeu a gestação entre 21 e 60 dias. Sendo assim, a sensibilidade observada no presente estudo foi de 100%. Quanto às fêmeas não gestantes, 65,38% (17/26) apresentaram concentrações de progesterona acima de 1,0 ng/mL, ao passo que apenas 34,62% (9/26) apresentaram concentrações inferiores a 1,0 ng/mL (Anexo J), indicando que a especificidade foi baixa, ou seja, poucos animais foram corretamente diagnosticados como não gestantes. A acurácia total foi de 67,92% (36/53). Diante destes resultados, a avaliação de progesterona entre 19 e 21 dias após a inseminação artificial, diferentemente dos achados de Thimonier et al. (1977), Thibier et al. (1982), Fonseca (2002) e Léga et al. (2005), não pode substituir o exame ultrassonográfico para o diagnóstico de gestação, neste período. Deve-se considerar que a presença da progesterona em concentrações elevadas indica apenas a existência de corpo lúteo funcional. Condição esta também presente em casos de hidrometra, piometra,
100
maceração e mumificação fetal. Ciclos de duração anormalmente longa ou curta, ocorrência de mortalidade embrionária, e casos de pseudogestação também podem levar a um diagnóstico falso positivo. Novamente, vale enfatizar que os 33,96% (18/53) de ciclos curtos observados após a segunda aplicação de PGF2α (Tabela 4.28) podem responder pela baixa acurácia da progesterona como indicativo de gestação neste experimento.
Quanto à avaliação pela ultrassonografia, verifica-se no Anexo J que das fêmeas diagnosticadas como gestantes, 80,95% (17/21) tiveram um diagnóstico de gestação positivo à ultrassonografia aos 21 dias, devidamente confirmado aos 60 dias. Por outro lado, 19,05% (4/21) apresentaram dúvida aos 21 dias, embora tenham sido confirmadas como gestantes, posteriormente, aos 60 dias. No que se refere às fêmeas não gestantes, 72,73% (8/11), foram diagnosticadas como não gestantes aos 21 dias, sendo confirmadas aos 60 dias. Neste grupo, 27,27% (3/11) das fêmeas apresentaram um resultado duvidoso de gestação, e foram confirmadas vazias, aos 60 dias. Diante destes resultados, observa-se que aos 21 dias, a ultrassonografia respondeu por valores de 80,95% (17/21), 72,73% (8/11) e 78,13% (25/32), no que se refere à sensibilidade, especificidade e acurácia do método, respectivamente.
Portanto, no presente experimento, a ultrassonografia realizada aos 21 dias de gestação conferiu maior acurácia que a dosagem de progesterona no mesmo período, tanto para gestação positiva quanto para negativa. Entretanto, a ultrassonografia requereu um exame complementar para dirimir as dúvidas, entre 30 e 60 dias. Poucos estudos compararam a eficiência da dosagem de progesterona com a ultrassonografia no que diz respeito à sensibilidade, especificidade e acurácia.
Neste sentido, González et al. (2004) avaliaram a sensibilidade, a especificidade e a acurácia do diagnóstico de gestação realizado pelos métodos de ultrassonografia trans-retal, dosagem de progesterona e dosagem da glicoproteína associada à gestação (PAG), em cabras. Todas as fêmeas gestantes apresentaram concentrações de progesterona acima de 1,0 ng/mL no dia 22, resultado similar ao observado no presente estudo. Quanto às fêmeas não gestantes, 34,4% apresentaram concentrações similares à das fêmeas gestantes (8,01 ± 0,75 ng/mL). Destas fêmeas, quatro (23%) passaram a apresentar concentrações basais de progesterona no dia 26, enquanto 17 fêmeas (77%) permaneceram apresentando concentrações médias de 7,72 ± 0,83 ng/mL, caracterizando a ocorrência de falsos positivos. Entretanto, no presente estudo, observou-se um número muito maior de falso positivos (65,38%) no período de 19 a 21 dias após a inseminação artificial (Anexo J).
Ainda de acordo com González et al. (2004), a ultrassonografia transretal forneceu uma maior acurácia (99,4%) no dia 26, enquanto a dosagem de progesterona foi muito efetiva (100%) em detectar animais gestantes no dia 22. Porém, a acurácia em determinar animais não gestantes foi mais baixa (82,8%), uma vez que concentrações de progesterona acima de 1,0 ng/mL no dia 22 podem ter ocorrido, segundo os autores, pela presença de um corpo lúteo de vida longa decorrente de outras condições além da gestação, o que levou a uma alta porcentagem de resultados falso positivos (34,4%). Engeland et al. (1997) avaliaram a sensibilidade, a especificidade e a acurácia das técnicas de RIA e da observação do estro ao 20º dia após a cobrição, em comparação à confirmação da gestação pela ultrassonografia no 50º dia. A sensibilidade de ambos os métodos em detectar animais gestantes foi de 100%, porém a
101 especificidade foi de 83 e 67% para a
técnica de RIA e a observação do estro, respectivamente, sendo a sua acurácia de 95% para a técnica de RIA e de 90%, no que se refere à observação do estro.
Observa-se que os resultados do presente estudo diferem dos reportados por González et al. (2004) e Engeland et al. (1997). No presente experimento, a técnica de RIA utilizada para o diagnóstico de gestação entre 19 e 21 dias após a inseminação artificial apresentou menor especificidade e acurácia do que a observada por estes autores, quando comparada ao exame ultrassonográfico no mesmo período. O método de diagnóstico através da ultrassonografia embora exija maior experiência do operador, fornece um resultado imediato, além de permitir a obtenção de informação sobre o número de embriões, enquanto a dosagem da progesterona requer análise laboratorial e não é capaz de diferenciar gestações únicas das múltiplas.
4.3. Influência do peso, do escore da