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Bred men sen inddragelse af interessenter i prioriteringen af forskning

In document Evaluering av NANOMAT (sider 54-57)

4 Fra forskerprojekter til nationale strategiske satsninger

4.4 Bred men sen inddragelse af interessenter i prioriteringen af forskning

O excerto apresentado a seguir teve lugar na 1ª sessão reflexiva com a professora, após as duas primeiras aulas observadas. O encontro aconteceu em horário de HTPC, na sala dos professores. A pesquisadora estava com o caderno com os registros feitos sobre as questões que seriam aprofundadas, fazendo anotações e gravando a discussão.

O excerto revela os sentidos iniciais da professora sobre o papel do professor na relação ensino-aprendizagem. A pesquisadora inicia perguntando sobre os objetivos do ensino de Ciências.

¾ Excerto 1 (23 de setembro de 2009)

Pesquisadora: Qual seu objetivo em ensinar ciências? (Pergunta aberta para

posicionamento)

Professora: ah, o objetivo de Ciências é colocar o aluno a par de tudo aquilo que é natural,

dentro do meio ambiente. É ... se você for ver bem, Leticia, na realidade, pra nós, professores de Ciências, esse conteúdo sobre Rochas, que você teve oportunidade de tá, é... (professora responde a pergunta da pesquisadora com foco na transmissão de conteúdo)

Pesquisadora: assistindo... (pesquisadora complementa a fala da professora

multiplicando os reguladores verbais de escuta, ampliando a interação e construção de um bom vínculo)

Professora: assistindo, fica um pouco difícil dentro do conteúdo programático, mas nós

temos que, de uma certa forma, dar esse conteúdo interdisciplinar. Ou seja, a matéria de Ciências, a disciplina Ciências tem que estar interagindo com a de Geografia e assim simultâneamente... (professora responde iniciando a sua fala repetindo em forma de eco, multiplicando os reguladores verbais, fortalecendo a interação para revelar sentidos iniciais de transmissão de conteúdo e de interdisciplinaridade com foco no conteúdo)

Pesquisadora: ah , tá... (pesquisadora concorda evitando apontar contradições na fala da professora)

Professora: quer dizer, o objetivo é que ele conheça, dentro do meio ambiente, algo que é

natural, que é renovável, o que não é renovável ... e é por aí. (professora

enfocando os objetivos de Ciências)

Pesquisadora: e você trabalhou junto com o professor de Geografia? (pesquisadora faz pergunta para clarificar a questão sobre interdisciplinaridade)

Professora: sim, é interdisciplinar, sempre. (professora dá uma resposta simples, sem avançar na questão)

Pesquisadora: tá. (pesquisadora concorda sem fazer questionamento sobre as contradições percebidas entre teoria e prática na compreensão do conceito de interdisciplinaridade)

Professora: na realidade, quando eu estou passando esse conteúdo sobre Rochas, com

certeza o professor de Geografia, dentro da disciplina dele, também tá interagindo o mesmo conteúdo programático... (professora explicita o conceito de transdisciplinaridade)

Pesquisadora: ah ... (novamente a pesquisadora responde com um regulador verbal de escuta, dando sinais de interação, mas sem questionamento)

Professora:... é interdisciplinar. (salienta a compreensão de que ser inderdisciplinar é trabalhar o mesmo o assunto)

Pesquisadora: então você, você, acha importante, por exemplo, com os alunos, levantar

antes o que eles já sabem sobre cada assunto? (pesquisadora faz uma pergunta

para clarificar, para compreender melhor os sentidos da professora sobre interdisciplinaridade – revela contradição nos sentidos – pede posicionamento)

Professora: Com certeza. O que eles aprenderam, o que eles trouxeram de bagagem do,

do Fundamental I, para que você possa complementar... (professora responde com firmeza, concordado com a pesquisadora sobre a importância do conhecimento prévio, mas não se refere à professora de Geografia.)

Pesquisadora: tá... (pesquisadora aceita e concorda com a professora, preferindo nesse 1º encontro construir um bom vínculo, embora perceba que a professora não entendeu a pergunta)

Professora: e nem sempre, você também pode, com uma aluna de 5ª série, ir além daquilo

que ela tem como entender, porque tem coisas que não dá pra você passar, é muito complexo. Então, até isso você tem que dosar. (professora continua sua fala sobre sua visão de ensino-aprendizagem em Ciências e entra em contradição: o aluno tem uma bagagem, uma organização cognitiva que dá o limite do que ele pode compreender e você não pode ir além, para passar o conteúdo que ele não compreenderá. Revela que determina, a priori, o que o aluno poderá ou não compreender)

Pesquisadora: tá... (pesquisadora percebe a visão contraditória da professora, mas prefere concordar com sua fala e construir um diálogo aberto e um bom vínculo)

Professora: tá? (professora pergunta se eu concordei de fato)

sabe? (pesquisadora retoma a pergunta para clarificar e entender melhor a questão da interdisciplinaridade e prefere não criar uma situação de conflito, por ser o primeiro encontro)

Professora: ele já trabalhou

Nessa 1ª SR, os sentidos iniciais da professora sobre ensino-aprendizagem são revelados, mas também podem-se reconhecer sentidos iniciais da pesquisadora sobre o seu papel como formadora. A seguir, destaco os sentidos revelados pelas escolhas lexicais das participantes:

• Marislei:

9 A ação de ensinar como um processo de transmitir conhecimento (colocar o aluno a par, estou passando esse conteúdo);

9 A compreensão de interdisciplinaridade como um processo de enfocar o mesmo conteúdo programático (dar esse conteúdo interdisciplinar);

A concepção tradicional de ensino está embasada, por um lado, na compreensão de seu papel como transmissora de conhecimento do currículo escolar e como central para o desenvolvimento cognitivo do aluno e, por outro lado, na compreensão de que os alunos têm um desenvolvimento cognitivo que a impede de transmitir conhecimentos de maior complexidade ao mesmo tempo em que os impede de assumir papel mais ativo na compreensão e produção de conhecimento nas ações da sala de aula. Em suas palavras – [o aluno] Não pode ir além daquilo que ele pode entender. Pelo o que revela essa frase, na sua visão de professora, o aluno não aprende e desenvolve na colaboração com outros, como aponta Vygotsky, mediado por artefatos culturais, porque há um desenvolvimento cognitivo limitador. Os verbos de ação estão todos dirigidos para a função da professora: ela é quem passa o conteúdo, coloca o aluno a par do conteúdo. Não há compartilhamento de significados sobre o objeto da atividade.

• Letícia:

9 A formação é um processo de ensino-aprendizagem que necessita de um vínculo entre os participantes e esse vínculo se estabelece pela valorização das ações do interlocutor (então você, você, acha importante, por exemplo, com os alunos, levantar antes o que eles já sabem sobre cada assunto?)

Os meus sentidos como pesquisadora sobre as relações de ensino- aprendizagem, o papel do aluno, o papel do professor, e as funções da linguagem como mediadora na construção do conhecimento foram discutidos no capítulo teórico, perspectiva que contradiz os sentidos revelados pela outra participante. Porém, em conflito com os significados discutidos, minha ação revela um cuidado excessivo com a criação do vínculo com a professora – e só em alguns momentos – por meio de perguntas como a citada, bastante carregada de modalizadores: então você, você, acha importante, por exemplo, com os alunos, levantar antes o que eles já sabem sobre cada assunto?

Como apontei anteriormente, ao longo da Atividade de Pesquisa, várias das minhas ações revelam uma contradição entre o que acredito e o que consigo viver: exerço meu papel como colaboradora sem ser crítica, estabelecendo vínculo com Marislei ou, questionando, mas não mantendo uma postura crítica quando ela, intencionalmente evita respondê-las.

Revelo, ainda, neste primeiro excerto, sentidos sobre a importância de se dar mais espaço de protagonismo aos alunos, para saber quais seus conhecimentos sobre os conceitos discutidos, o que parece bastante coerente com meus cuidados com a professora enquanto participante de uma pesquisa de intervenção.

Em resumo, a análise linguística desse 1º excerto revela uma visão de ensino-aprendizagem em que o aluno aprende como resposta a ações do professor, conforme a discussão realizada a respeito do condicionamento operante (Skinner, apud Pisani, 1989), que percebe o aprendiz como um sujeito que responde a reforços positivos – que fortalecem o comportamento – ou negativos – que retiram a resposta do sujeito. Esses estudos skinnerianos contribuíram para o entendimento sobre o processo de aprendizagem humana e visavam a conhecer os princípios do comportamento para poder controlá-lo da maneira mais eficiente (Pisani, 1989: 128).

Essa visão do professor como central nas tomadas de decisão em sala de aula, como “o que ensina”, complementa a concepção do aluno como ouvinte, “o que aprende”. Revela, também, uma compreensão de um aluno cognitivamente pouco desenvolvido, o que é comum entre professores de escolas estaduais e está apontada na explicação de Marislei sobre a necessidade de dosar o que pode ‘transmitir’ aos alunos, pois, segundo a sua fala, o aluno não é capaz de aprender,

É importante salientar que, como pesquisadora, meu movimento inicial foi, na maioria das vezes, o de compreender os sentidos da professora, sem o estabelecimento da contradição, pois havia o receio de criar uma resistência na sua participação. Em alguns momentos aponto a contradição, mas não a sustento.

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