Como suporte para a recolha das respostas, foram criados dois modelos de questionário, um para ser entregue no cenário sem música, e o outro para ser entregue nos dois cenários com música, este último
contendo um conjunto de questões adicionais (a versão final encontra-se no anexo 2.5). Adaptando as linhas orientadoras de Cirrincione et al. (2014), o questionário encontrava-se dividido em duas partes:
Parte I: Avaliação
Inicialmente foi solicitado aos participantes que usassem uma escala de 5 itens (o 1 representativo do nível mais reduzido, e o 5 do mais elevado) para expressarem as suas perceções quanto a cada uma das pinturas observadas, indicando o nível de entusiasmo e prazer por elas induzido, a preferência pessoal pelas mesmas, e ainda em que medida estariam interessados em possuí-las, numa situação hipotética em que não fossem equacionados outros fatores, tais como o preço de compra (Tabela 2). Com base na resposta a estas questões, foram mensurados os estados afetivos de entusiasmo (uma medida do nível de estimulação experienciado ao observar a arte) e prazer (uma medida da sua valência hedónica), bem como as intenções de compra da amostra, dimensões conceptualizadas como variáveis do modelo. A par disto, foi ainda medido o nível de apreço pelas obras, resultando na dimensão “gosto/preferência”.
Tabela 2 – Estudo I: Itens do Questionário Relativos à Fase de Avaliação
Itens Escala Fonte
Quão estimulante é para si a obra que visualiza no ecrã? De 1 (“nada estimulante”) a 5 (“muito estimulante”)
Adaptado de: Cirrincione et al. (2014); Benfield et al. (2012); Weinstein (1978)
Qual o nível de prazer que a observação dessa obra lhe proporciona?
De 1 (“nenhum prazer”) a 5 (“muito prazer”) Tendo em conta as suas preferências pessoais, em que
medida aprecia a obra que está a visualizar?
De 1 (“não gosto nada”) a 5 (“gosto muito”) Numa situação hipotética, estaria interessado em
adquirir / possuir a obra que observa?
De 1 (“nada interessado”) a 5 (“muito interessado”)
Fonte: Elaboração própria.
Após completa a avaliação das obras, os participantes foram convidados a classificar, numa escala de 6 itens (o 1 representativo do nível mais reduzido, o 6 do mais elevado), a sua impressão geral quanto à experiência vivida (“muito negativa” a “muito positiva”), através da qual foi medida a sua resposta cognitiva, relacionada com a avaliação da experiência. Esta primeira secção do questionário continha ainda as questões de cariz metodológico, nas quais os participantes foram convidados a identificar as artistas, caso as reconhecessem, e a caracterizar os seus estilos ( “totalmente opostos”, “com traços em comum” e “muito parecidos”, indicando, assim, se encontravam parecenças entre si). Adicionalmente, nas réplicas da experiência em que a música foi incluída como variável, foram questionados se haviam
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ou não dado pela sua presença (tendo por base as opções de resposta “não dei conta”, “apercebi-me, mas achei incómoda” e “apercebi-me e achei agradável”). Foi-lhes ainda pedido que, numa escala de 6 itens (“não gostei nada” a “gostei muito”), opinassem quanto à música ouvida.
O questionário usado no cenário com música continha um último conjunto de questões (ver Tabela 3), formadas pelos cinco itens que compõem a versão mais reduzida da Escala de Sensibilidade Auditiva (Benfield et al., 2012), em relação aos quais foi pedido aos participantes que indicassem o seu nível de concordância, tendo por base uma escala de Likert de 6 itens (sendo que quanto maior o score obtido, maior a sensibilidade manifestada pelo respondente (Weinstein, 1978).
Tabela 3 – Estudo I: Itens do Questionário Relativos à Mensuração da Sensibilidade Auditiva
Itens Escala Fonte
Sou sensível ao ruído.
De 1 (“discordo totalmente”) a 6 (“concordo totalmente”) Adaptado de: Weinstein (1978); Benfield et al. (2012) É difícil para mim relaxar num local barulhento.
Costumo enervar-me com as pessoas que, por fazerem barulho, me impedem de adormecer ou de realizar as minhas tarefas. Fico incomodado quando os vizinhos fazem barulho. Habituo-me facilmente aos diferentes ruídos que me rodeiam.
Fonte: Elaboração própria.
Com efeito, o som pode impactar o indivíduo de formas diferentes, não só em função de características intrínsecas ou do seu estado de espírito, mas também da sua sensibilidade auditiva, definida com o estado interno que conduz ao aumento do nível de reatividade ao som (Benfield et al., 2012; Novak et al., 2010). Assim, os indivíduos podem responder de diferentes formas a alterações nos níveis de som, sendo aproximadamente uma em cada cinco pessoas considerada muito sensível aos estímulos sonoros moderadamente elevados (Novak et al., 2010). Segundo Weinstein (1978), a sensibilidade auditiva pode ser medida, sendo a Weinstein Noise Sensitivity Scale um ferramenta para o fazer. Atendendo a que a WNSS é um instrumento demasiado extenso para ser administrado em estudos experimentais nos quais se verifiquem restrições temporais, Benfield et al. (2012) criaram uma versão mais curta e mais fácil de aplicar (composta por apenas cinco dos 21 itens originais), que as evidências demonstram ser estruturalmente idêntica, logo, tão fiável e válida como a original, tendo sido essa a escala usada nesta estudo. Para estabelecer um maior controlo sobre as condições experimentais, e identificar possíveis efeitos adversos do nível de audição (Novak et al., 2010), foi ainda pedido aos participantes que autoavaliassem a capacidade do seu aparelho auditivo, indicando (numa escala de 1 a 6, de “discordo” a “concordo totalmente”) o grau de concordância com a afirmação “Não tenho problemas de audição”. A par disto, o questionário continha algumas questões sociodemográficas específicas, nomeadamente relacionadas com o género, a idade e a ocupação profissional (atual ou anterior) (Novak et al., 2010), dos participantes, bem como com os seus hábitos de visita a exibições de arte (“nunca”, “raramente”, “às vezes” e “regularmente”).
49 Parte II: Teste de Memória
Na segunda fase do procedimento, a memória dos participantes foi testada, tendo-lhes sido pedido que visualizem um novo conjunto de imagens e que, de entre elas, identificassem as 16 “repetidas” e as 16 “novas”, respondendo uma das três opções (instruções adaptadas de Cirrincione et al. (2014), Rajaram (1993) e Taylor, Buratto e Henson (2013): (i) “recordo-me perfeitamente” (caso se lembrassem de ter visto a obra em questão anteriormente, ou se recordassem de algum aspeto particular do seu contexto); (ii) “é-me vagamente familiar” (caso estivem convictos de ter visto a obra, embora não recordassem nenhum aspeto particular desta ou do seu contexto); (iii) “não me lembro de todo” (caso estivessem convictos de não ter visto a obra de arte em questão, na fase anterior).