5 Resultater
5.3 Resultat Blandinger
5.3.1 Blanding 1 ANL FA 5% L-stoff
A espécie Mimosa tenuiflora (figura 2) é uma árvore da família Leguminosae-
Mimosoideae e é conhecida popularmente como jurema-preta. Ela é uma planta
arbustiva, encontrada em larga escala no Nordeste brasileiro, estando disseminada principalmente nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia (OLIVEIRA et al., 1999). Ocorre, preferencialmente, em formações secundárias de várzeas, com bom teor de umidade, solos profundos, alcalinos e de boa fertilidade, onde chega a crescer vigorosamente. Suas raízes têm uma alta capacidade de penetração nos terrenos compactos. A jurema-preta possui grande potencial como planta regeneradora de terrenos erodidos; é uma espécie indicadora de uma sucessão secundária progressiva ou de recuperação, e sua tendência, ao longo do processo, é de redução da densidade. No início da sucessão, formam matas quase puras; seus folíolos caem e se refazem continuamente, cobrindo o solo com uma tênue camada, que se decompõe, formando ligeiras camadas de húmus; ela também participa da
recuperação do teor de nitrogênio do solo – preparando, dessa forma, o solo para o aparecimento de outras plantas mais exigentes (MAIA, 2004).
Figura 2 – Mimosa tenuiflora. Fonte: br.oocities.com
Essa é uma planta típica das áreas semiáridas do Brasil. Apresenta de 5 a 7 m de altura e tem porte arbustivo, formando hastes de mais de 1,5 m de altura, com acúleos esparsos, eretos e bem agudos. Possui caule ereto ou levemente inclinado, com ramificação abundante, desprendendo-se em porções delgadas escamiformes e ramos castanho-avermelhados, esparsamente aculeados. Apresenta casca rugosa, fendida longitudinalmente, pouco fibrosa (OLIVEIRA et al., 1999). A madeira dessa planta apresenta textura média, grã-direita, de alta resistência mecânica e grande durabilidade natural – ela é empregada, apenas localmente, na região Nordeste, para obras externas, como moirões, estacas e pontes; também pode ser utilizada em pequenas construções, como rodas, móveis rústicos, bem como para lenha e carvão. Suas flores são apícolas. A
M. tenuiflora é uma planta pioneiramente utilizada em reflorestamentos heterogêneos,
com fins preservacionistas (LORENZI, 1998).
A jurema-preta, bem como outras espécies do gênero Mimosa, são utilizadas por tribos indígenas do Nordeste brasileiro para a fabricação de uma bebida alucinógena
chamada de “vinho da jurema”. Esse alucinógeno era utilizado em cultos por divesas
dessas tribos, como os Truká (Ilha da Assunção, em Cabrobó/PE) e os Kambiwá Ibimirim (Inajá e Floresta/PE) (GRÜNEWALD, 2002).
Na medicina popular, a casca do caule é a principal parte da planta, utilizada no tratamento de diversas enfermidades, como queimaduras e inflamações. A etnofarmacologia indica o decocto da casca do tronco para lavagem de feridas da pele e queimaduras infectadas. No Herbário Nacional do México, há citações do uso dessa
planta por grupos indígenas – sendo assinalado que “da casca desta árvore é produzido
um pó que seca feridas” (GONÇALVES et al., 2005).
A literatura reporta que trabalhos realizados no México, avaliando as propriedades antimicrobianas do caule de M. tenuiflora, demonstraram a ação inibitória dos seus extratos aquosos e etanólicos contra bactérias gram-positivas, gram-negativas e fungos dermatófitos (LOZOYA et al., 1989; PEREIRA et al., 2009). Em estudos sobre as propriedades farmacológicas in vitro de vários extratos do caule de jurema-preta, o extrato do caule inibiu o crescimento de diferentes microrganismos (MECKES- LOZOYA et al., 1990; BEZERRA et al., 2009). Pesquisas sobre a atividade antimicrobiana de algumas árvores nativas do Brasil (Gonçalves et al., 2005) observaram uma excepcional atividade antimicrobiana do extrato hidroalcoólico de jurema-preta sobre Escherichia coli, Streptococcus pyogenes, Proteus mirabilis,
Shigella sonnei, Staphylococcus aureus, Staphylococcus spp. coagulase – apresentando
halos que variavam entre 12 e 33 mm.
A atividade antiespasmótica foi observada na administração do extrato da casca em ratos e cobaias, quando houve uma inibição do peristaltismo intestinal, devido ao relaxamento do tecido muscular liso do íleo. Também causou um aumento do tônus muscular das paredes do estômago. O extrato da casca do caule, em baixas doses, apresentou atividade hemolítica, causando ruptura da membrana dos eritrócitos, com consequente hemólise; porém, em altas concentrações, apresentou atividade hemaglutinante (SOUZA et al., 2008).
Com relação à composição química, foi identificada a presença de dois alcaloides com atividade alucinógena: a N,N-dimetiltriptamina (MECKES-LOZOYA et al., 1990). Camargo-Ricalde (2001) isolou duas chalconas: kukulkan A (2’,4’-dihidroxi-
3’,4-dimetoxichalcona) e kukulkan B (2’,4’,4-trihidroxi-3’-metoxichalcona); três
saponinas: campesterol-3-O-beta-D-glucopiranosil, stigmasterol-3-O-beta-D- glucopiranosil e beta-sitosterol-3-O-beta-D-glucopiranosil; como também identificou o lupeol (ANTON et al., 1993). Os flavonóides, classificados como Tenuiflorina A-C, foram isolados do extrato das cascas por Leon (et al., 2004).
Os envenenamentos causados por animais peçonhentos não constituem doença transmissível, porém têm sido abordados juntamente com as zoonoses, uma vez que se trata de agravo, no qual ocorre a agressão por um animal, e quadro clínico, resultante da ação de toxinas inoculadas pela picada (CHIPPAUX et al., 1998).
O controle de acidentes por animais peçonhentos no Brasil teve início no ano de 1986, sendo os acidentes ofídicos os primeiros a terem notificação obrigatória. A partir de 1988, os dados sobre escorpionismo e araneísmo também passaram a compor essa lista (CARDOSO, 1993). Em 1995, o Ministério da Saúde criou o Sistema de Informações de Agravos e Notificação (SINAN), o único sistema nacional que possui módulo específico para tratar deste tipo de agravo à saúde (CARVALHO, 1997). Desde o ano de 2009, os acidentes por animais peçonhentos estão na lista das doenças tropicais consideradas negligenciadas segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) (GUTIÉRREZ et al., 2006; JORGE, 2015).
No Rio Grande do Norte, no período de 2010 a 2014, foram notificados, pelo SINAN, 22.405 acidentes por animais peçonhentos – dos quais 68% foram por escorpiões, 8% por serpentes, 3,4% por aranhas, 8,5% por abelhas e 1% por lagartas (SINAN, 2015), Em 2014 foi notificados em torno de 151.650 acidentes (SINAN, 2015). Os acidentes ofídicos constituem um sério problema de saúde pública e social, em função de sua frequência, morbimortalidade e sequelas deixadas nas vítimas (MINTON JR, 1974; JORGE, 2015).
1.2. SERPENTES
Os acidentes ofídicos representam sério problema de saúde pública nos países tropicais, pela frequência com que ocorrem e pela morbi-mortalidade que ocasionam. Existem, no mundo, aproximadamente 3000 espécies de serpentes, das quais de 10 a 14% são consideradas peçonhentas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que ocorram, mundialmente, 1.250.000 a 1.665.000 acidentes por serpentes peçonhentas por ano, com 30.000 a 40.000 mortes. A mortalidade dos acidentados varia nas diferentes regiões do mundo (PINHO; PEREIRA, 2001).
No Brasil, cerca de 25.000 casos são notificados ao ano, sendo em sua maioria causadas por serpentes do gênero Bothrops (Z+). Essas serpentes são conhecidas popularmente como jararacas, jararacuçu ou urutu, e são responsáveis por 90,5% dos acidentes ofídicos ocorridos no Brasil – seguidas das serpentes do gênero Crotalus (cascavéis), com 7,7% dos casos, das do gênero Lachesis (surucucus), com 1,4%, e das
Micrurus (“corais verdadeiras”), com 0,4% dos acidentes relatados (FUNDAÇÃO
relacionado com as Crotalus, seguidos dos relativos às serpentes dos gêneros Lachesis,
Micrurus e Bothrops, respectivamente (CARDOSO, 2003; JORGE, 2015).