A investigação no domínio da obesidade infantil e juvenil, nomeadamente ao nível do comportamento alimentar, estilo alimentar e autoconceito, tem conseguido um acrescido interesse. Dada a importância da temática, na sociedade contemporânea, tal temática tem cada vez mais incutido interesse em investigadores e clínicos.
Ariza, 1998). A investigação na população portuguesa deste tema defrontava-se com a existência de alguns instrumentos validados para esta população, facilitando assim a obtenção de resultados um tanto ao quanto conclusivos nestas dimensões.
Vários aspetos psicossociais estão associados à patologia da obesidade infantil e juvenil. Neste estudo, demos uma maior ênfase ao constructo do autoconceito. Importância do autoconceito tem vindo a ser progressivamente salientada ao nível da Psicologia da Educação, da Psicologia Social ou da Psicologia Clínica. Sendo considerado por vários autores como um constructo multidimensional (Marsh et al., 1991, 1997; cit in Skaalvik e Rankin, 1992).
O CEBQ constitui-se como um instrumento com validade e precisão na população portuguesa, para estudar o comportamento alimentar das crianças e jovens portuguesas. A sua tradução e validação para a população portuguesa permitem a sua utilização no nosso país, constituindo-se como um instrumento inovador em Portugal no estudo do comportamento alimentar e crianças e adolescentes. O
CEBQ foi criado com base no conhecimento teórico atual sobre as causas alimentares da obesidade,
entre elas, as determinantes comportamentais (Viana & Sinde, 2003).
A sua utilização poderá trazer contributos não só a nível da investigação, nomeadamente ao nível do aprofundamento da compreensão do comportamento alimentar das crianças e adolescentes obesos mas também da intervenção em diversas áreas, nomeadamente a psicoterapêutica, sendo que este instrumento pode ser útil para orientar os profissionais e os próprios cuidadores a respeito das diferentes dimensões constituintes do comportamento alimentar das crianças e adolescentes obesos portugueses.
Todavia, neste estudo, utilizou-se um outro instrumento para a recolha e fomentação da amostra: PHCSCS-2. O Piers-Harris Children's Self-Concept Scale é um instrumento de avaliação do autoconceito. Sendo frequentemente utilizado na investigação científica, culminado com um cuidadoso processo de revisão, surge a versão do PHCSCS-2 reduzida a 60 itens (Piers & Herzberg, 2002), de cuja versão é adaptada ao contexto português. O facto de se tratar de um instrumento de autorelato e torna a sua aplicação simples e facilita a recolha de dados, de forma rápida.
A grande potencialidade deste estudo, está relacionada com o facto de termos tido a oportunidade de aplicar dois instrumentos, que se encontrarem validados para a população portuguesa, e também pelo fascínio e beleza do estudo, no sentido que relacionar uma patologia tão presente na nossa sociedade, como é o caso da obesidade, com um dos enviesamentos que esta pode acarretar, no que concerne ao autoconceito, foi uma mais-valia. Também pelo facto de termos incluído um dos progenitores neste estudo, neste caso a mãe, também se revelou uma mais-valia, na medida, foi possível garantir o rigor e desejabilidade quanto às respostas.
Uma das limitações do presente estudo tem a ver com a utilização de uma amostra relativamente pequena, podendo a generalização dos resultados ficar comprometida. Uma outra limitação diz respeito ao facto, que tendo como objetivo central obter mais crianças e adolescentes obesos e não obesos, para efeitos de estudo, as categorias de IMC só foram classificadas à posteriori,
neste caso a categoria das crianças e adolescentes obesos. Podemos assinalar também como outra das limitações do estudo, diz respeito ao facto de a amostra ter somente sido recolhida, apenas num estabelecimento de ensino público, tendo sido mais proveitoso para efeitos de estudo, que tivesse sido recolhida, em mais um estabelecimento de ensino, quer fosse este público ou privado, de modo a que houvesse uma maior maximização dos resultados. Por fim, uma outra limitação decorre da utilização de um instrumento de autorelato, que obriga a uma relativização dos resultados, uma vez que é frequente o efeito da desejabilidade social na resposta a este tipo de instrumentos.
Apesar das limitações apontadas, parece-nos que o nosso trabalho poderá representar um contributo relevante para a conceptualização de novos estudos, assim como, permitirá, mais do que apresentar respostas ou conclusões, lançar novas e diferentes questões para o campo da investigação. No futuro, seria interessante relacionar o comportamento alimentar dos pais, com o comportamento alimentar dos filhos, bem como a possível influência dos estilos parentais, no comportamento alimentar dos filhos e até mesmo no autoconceito dos mesmos. Para além disso, parece-nos pertinente alargar este tipo de estudo a amostras com indivíduos com diferentes estilos de vida, a viver em diferentes condições e localizações, avaliando deste modo o impacto que o contexto cultural tem na obesidade e no autoconceito e, assim, ao invés de limitar o estudo à cultura dominante, estendê-lo aos efeitos dos contextos culturais. Desta forma, estudos futuros deveriam ampliar o tamanho da amostra a mais do que um contexto cultural e com outras características particulares.
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