• No results found

KAPITTEL 3: Teoretiske perspektiver

3.1.6 Betingelser for integrering

Relendo o livro como objeto

Durante a oficina iremos investigar o mistério que rondam os livros. Alguns jogos, brincadeiras e uma leitura coletiva podem ser nossos aliados. Cada participante também poderá contribuir criando um livro e compartilhando suas descobertas.

*Título retirado do livro: SMITH, Lane. É um livro. Tradução de Júlia Moritz Schwarcz.

Editora Companhia das letrinhas, 2010.

Camila Feltre

Tudo é uma simples brincadeira que recomeça a cada vez que o livro é aberto Suzy Lee

Podem ser muitos os motivos por quais criamos afetividades com certos tipos de livros e que nos acompanham a vida toda. Normal- mente, essas experiências vem da infância, quando estamos mais aber- tos as descobertas e novidades. Elas interferem nas escolhas, interesses e gostos durante a nossa trajetória. Deste modo, incentivar as crianças a gostarem de livros é muito importante para a formação de um adulto leitor, e consequentemente, um ser crítico e pensante.

“...nos livros está o saber, que graças a eles o indivíduo pode conhecer e

compreender melhor os fatos, que os livros podem despertar outros interesses que ajudam a viver melhor” Bruno Munari

“O livro é um volume no espaço. Livro é uma sequência de espaços (pla- nos) em que cada um é percebido como um momento diferente.

O livro é, portanto, uma sequência de momentos” Julio Plaza

O objetivo da oficina é proporcionar vivências das crianças com livros que exploram a sensorialidade, por meio de propostas que envolvam jogos, leituras e produções, explorando a diversidade de olha- res e estimulando a imaginação.

O que quero dizer com

LIVROS QUE EXPLORAM A SENSORIALIDADE?

Chamei deste modo, no atual momento da pesquisa, livros que estimulam outros sentidos além da visão. Ou seja, a vivência pode acon- tecer por meio de leituras feitas pela percepção de todo o corpo, e não somente com a Visão, sentido que geralmente somos mais estimulados a utilizar. São livros que estimulam a fruição por meio do sensível.

Durante os encontros, iremos aprofundar no livro como lingua- gem artística. Em cada oficina poderá ser explorado um dos aspectos do livro como componente da narrativa, como por exemplo: movimen- to, ritmo, material das páginas, formato, técnicas de ilustração, margens, relação texto e imagem.

ETAPAS

1. Jogo: acolher e brincar

O jogo, no início da atividade, tem como objetivo criar uma apro- ximação entre os participantes de forma descontraída. Apresentação de cada um, do educador e da proposta da oficina. Também pretende-se pelo jogo iniciar um pensamento que instigue diferentes formas de olhar para um objeto.

Serão utilizados jogos conhecidos, inventados ou de autores como Viola Spollin e Augusto Boal. Ex: Jogos de imagem - o objeto transfor- mado.

“Pegando os objetos trazidos por alguém, os participantes mudam o seu significado, usando-os de diferentes formas ou em diferentes contextos, seja como cenografia ou figurino” Augusto Boal

De preferência em um local ao ar livre.

• Material: Pode ser qualquer objeto (caneta, lenço, bola...) e um livro. • Tempo aproximado: 20 min.

2. Explorando

Em roda, iremos conhecer vários tipos de livros, dependendo do tema escolhido, para que os participantes possam escolher um para a leitura coletiva.

• Materiais: livros infantis, depen- dendo do tema.

• Sugestões: Onda (Suzy Lee), Es- pelho (Suzy Lee), Sombra (Suzy Lee), Meu leão (Mandana Sadat), A toalha vermelha (Fernando Vilela), Na Noite Escura (Bruno Munari), Filó e Marieta (Eva Furnari).

• Tempo aproximado: 15 min.

3. Lendo o objeto livro

Escolhido o livro, iremos realizar uma leitura coletiva. Iremos ler em conjunto o livro como um todo, ou seja, o texto, se houver, a ima- gem, o formato, o ritmo e todos os detalhes que façam parte dele. Serão estimuladas diferentes leituras sobre o mesmo objeto, propondo uma leitura de livro mais aberta, em que o leitor também é autor.

Após a leitura, será conversado sobre percepções que tiveram da experiência. Costumam surgir comentários muito interessantes, inter- pretações diversas; é um mundo que se abre.

• Tempo aproximado: 30 min.

4. Transformar e criar Cada um, estimulado pelos livros que conheceram, pelo diálo- go e pela leitura, irá produzir um livro.

• Materiais: Diferentes tipos de pa- péis: crepom, de seda, laminado, cartão, camurça, lixa, transpa- rente; tecidos, barbante, gram- peador, furador, fitas adesivas, tesouras e colas.

5. Mostrar

Cada um apresentará o seu livro inventado.

Em um espaço amplo e arejado, cada participante irá mostrar o livro e contar sobre o processo de sua produção. • Tempo aproximado: 10 min

6. Guardar, memorizar Finalizar o encontro com uma conversa. O que ficou? • Duração: 10 min

OBSERVAÇÕES

A pesquisa envolve perguntas sobre o conceito de livro para as crianças. Assim, durante o encontro, principalmente no início e no fi- nal, haverá perguntas que estimulem os participantes a pensarem sobre o livro. A proposta será adaptada ao espaço e as condições do espaço. A atividade pode ter alterações de acordo com o interesse dos participan- tes e ao desenvolvimento da oficina.

AUTORES QUE AJUDARAM NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Augusto Boal (Rio de Janeiro, 1931-2009) foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro con- temporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido.

Bruno Munari: (Milão, 1907 - 1998): Entre os campos da arte, do design e da educação, Bruno Munari participou na Itália dos movi- mentos futurista e de arte concreta. Criou livros, como os “pré-livros” e os “livros ilegíveis” e dedicou-se à atividade didática.

Julio Plaza: (Madri, Espanha 1938- São Paulo SP 2003). Artista intermídia, escritor, gravador e professor. Veio para o Brasil em 1967, participando da Bienal de São Paulo e em 1975 publica junto com Augus- to de Campos os livros “Caixa Preta” e “Poemóbiles”.

Suzy Lee: Nasceu em Seul, na Coreia do Sul, estudou pintura e concluiu pós-graduação no College of Art. Como ilustradora foi home- nageada pelo Prêmio Luís Jardim que agraciou “Onda” como o melhor livro de imagem.

BIBLIOGRAFIA

BOAL, Augusto. Jogos para atores e não-atores. Rio de Janeiro: Civili- zação Brasileira, 2011.

MUNARI, Bruno. Das coisas nascem as coisas. São Paulo: Martins Fon- tes, 1981.

VAN DER LINDER, Sophie. Para ler o livro ilustrado. São Paulo: Cosac & Naify, 2011.

LEE, Susy. A trilogia da margem: o livro-imagem segundo Suzy Lee. São Paulo: Cosac & Naify. 2012. MORAES, Odilon; HANNING, Rona; PARAGUASSU, Maurício (orgs.). Traço e Prosa. São Paulo:

Cosac & Naify, 2012.

PLAZA, Julio. O livro como forma de arte (I). In: Revista Arte em São Paulo, n.6 em.7, São Paulo, abril e maio de 1982.

POWERS, Alan. Era uma vez uma capa. Tradução: Otacílio Nunes. São Paulo: Cosac & Naify, 2008.

SMITH, Lane. É um livro. Tradução de Júlia Moritz Schwarcz. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2010.

SPOLIN, Viola. Jogos teatrais: o fichário de Viola Spolin. São Paulo: Perspectiva, 2001.

Oficina “É um livro...?”, na Fábricas de Cultura Vila Curuçá em 10/12/2013. Fonte: acervo pessoal.

Oficina “Idas e Vindas: Encontros entre palavras e imagens”, no Museu Lasar Segall em 18/08/2013. Fonte: acervo pessoal.