4. Hvordan skape motivasjon gjennom styringssystemet
4.3 Beskrivelse av Statoil sitt styringssystem
Escorel (2003, p.148) observa a localização da população de rua em áreas centrais em cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Tal preferência deve-se ao fato de o Centro oferecer maiores condições de sobrevivência e também de privacidade doméstica, tendo em vista a retração da movimentação de pessoas no período noturno. De acordo com a autora, “a estreita relação entre a população de rua e as atividades de coleta de lixo é evidenciada em todas as cidades” (p. 150).
As atividades para a obtenção de dinheiro podem ser caracterizadas como lícitas, ilícitas, formais ou informais. Algumas das pessoas que moram nas ruas sobrevivem de doações, de esmolas, de pequenos furtos ou, até mesmo, de tráfico de drogas; outra parte sobrevive a partir de atividade produtivas desenvolvidas na própria rua. Além da coleta de lixo, de latas de refrigerante e cerveja, de papelões, ou de qualquer outro material reciclável comercializável, realizam outras atividades ocupacionais como guardadores e lavadores de carros, vendedores ambulantes, flanelinhas e ajudantes da construção civil são realizadas por essa população.
Vieira, Bezerra e Rosa (2004) observam a existência de uma desvalorização das atividades que realizam no próprio discurso do morador de rua. Segundo as autoras, muitos dos catadores de papel associados à Cooperativa dos Catadores de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (COOPEMARE), que têm trabalho permanente e com jornadas extensas, reconhecem sua situação como temporária e dizem que logo conseguirão emprego.
Diversos estudos referem-se ao nomadismo da população de rua. Magni (1994) denomina essa população como nômade urbano, por estar em mobilidade constante. Analisando a realidade da população moradora de rua do Rio de Janeiro, Escorel (1999) se refere ao nomadismo ocupacional da seguinte forma: "apresenta-se sob uma elevada taxa de rotatividade (tempo de permanência no emprego anterior inferior a um ano) e configura situações de trabalho irregular, descontínuo, parcial, intermitente, ocasional, eventual, sazonal, temporário ou de duração determinada" (ESCOREL, 1999, p.185).
Kasper (2006, p.85-87) adverte que o uso comum do termo nomadismo para referir-se aos moradores de rua transmite a ideia de uma errância incessante, caracterizadora da vida nas ruas, havendo, porém, diversos modos de permanência nesse espaço. Assim sendo, esse estudioso distingue quatro desses modos. Chama de persistentes, as pessoas que permanecem mais de um ano exatamente no mesmo lugar. Os denominados alternantes são
aqueles que moram na rua parte do tempo, mas têm acesso a outro tipo de moradia. Cita como exemplo os moradores de rua que possuem uma ‘casa’ na periferia, mas ganham seu sustento pela coleta de materiais recicláveis ou com emprego precário no centro. Considera como outro tipo de alternância: a dos usuários de albergues que, interditados periodicamente por motivo de embriaguez, ficam na rua até encontrar uma vaga em outro albergue. O grupo dos itinerantes inclui os carroceiros e os trecheiros, que circulam de cidade em cidade e podem acampar, por um período variável, num lugar fixo. Finalmente, fala dos deslocados, indivíduos ou casais que permanecem alguns meses ou mais em uma região, mas, ou por não suportarem a pressão de remoções periódicas ou pelo fechamento do espaço que ocupavam, instalam-se em outro ponto da mesma região.
Vieira, Bezerra e Rosa (2005, p. 93-96) identificam três situações diferentes em relação ao tempo e à permanência nas ruas: ficar na rua (circunstancialmente), estar na rua (recentemente) e ser da rua (permanentemente). Segundo as autoras, essas situações podem ser postas em um continuum, tendo como referência o tempo: à medida que aumenta o tempo na rua, a condição de morador vai se tornando mais estável.
A situação ficar na rua circunstancialmente categoriza aqueles que, sem recursos materiais e não encontrando vaga em albergues, dormem em rodoviárias ou outros espaços públicos movimentados. Esse grupo é composto geralmente pelos que ficam desempregados e perdem a moradia, ou por aqueles que chegam recentemente à cidade em busca de emprego, de parentes ou de tratamentos de saúde e não têm para onde ir. Segundo a autora, as pessoas que se encontram nessa situação rejeitam serem identificadas como moradores de rua e se distanciam desses.
Estar na rua corresponde à situação daqueles que, alternadamente, pernoitam nas ruas, albergues, pensões baratas, depósitos de papelão e casa de parentes. A alternância é observada também nos trabalhos temporários. É comum frequentarem instituições assistenciais, locais de distribuição de comida gratuita e lugares onde se reúnem as pessoas que se encontram na mesma situação. As pessoas que pertencem a esse grupo apresentam-se como trabalhadores desempregados, na tentativa de se diferenciarem dos moradores de rua.
Já o ser da rua á a situação daqueles que estão permanentemente na rua e “desenvolvem formas específicas de garantir a sobrevivência, de conviver e de ver o mundo”. Essas pessoas têm a rua como um espaço de moradia, de relações pessoais, de trabalho e de obtenção de recurso de toda natureza.
Comumente, em função do tempo que estão nas ruas, sofrem um processo de debilitação física e mental, seja pela má alimentação, pelas condições precárias de higiene,
pelo uso constante de álcool ou pela vulnerabilidade à violência. As autoras afirmam que as pessoas pertencentes a esse grupo dificilmente são aceitas em trabalho temporário, ainda que seja recorrente o discurso do trabalhador desempregado que perdeu os documentos.
Apontada em vários estudos como um fator determinante da situação de rua, a separação da família pode se dar por diversos motivos, tais como perda da casa, da família, desavenças. Vieira, Bezerra e Rosa (2004) observam que o tema família é um assunto delicado de se tratar em entrevistas, pois traz à tona rupturas, decepções, sentimentos de abandono. Frequentemente, a separação conjugal ou a morte da esposa são fatores que levam os chefes de família a viverem em situação de rua.
Já o motivo que leva os jovens a viverem nas ruas é a expulsão de casa ou o abandono das famílias em razão, geralmente, de maus tratos, violência ou conflitos com pais e parentes próximos.
As pesquisadoras ressaltam que, mesmo distante, a família permanece como referência e valor para quem vive em situação de rua, e buscam em Telles observações importantes em relação ao papel da família na elaboração do projeto de vida as classes trabalhadoras:
[...] frente a uma experiência de sociedade, que se faz sob as formas da insegurança e da instabilidade, da exclusão e da legitimidade de vozes e estratégia de vida, a família se constitui simbolicamente em algo como um ponto fixo em torno do qual homens e mulheres podem contar uma história e montar uma biografia, atribuir sentido às suas existências e montar projetos de futuro, tornando o mundo, no qual estão mergulhados, um mundo plausível de ser vivido. E é nisso que o modelo de chefe provedor se reafirma, como referência de uma vida decente, mesmo que não se realize e nem tenha condições de se realizar plenamente nas situações concretamente vividas. (TELLES, apud VIEIRA, BEZERRA e ROSA, 2004)
Além de variáveis ligadas à família e ao trabalho, o alcoolismo é apresentado como um dos principais fatores que levam as pessoas a viverem em situação de rua. Vieira (1995, p. 44) ressalta a importância do álcool como um elemento de integração nos grupos de rua: "nesse processo [socialização na rua], o álcool é um elemento fundamental. Não se fala aqui apenas do alcoolismo, mas do álcool como elemento socializador, que integra o que parece tão fragmentado".
2.2.4 O que dizem os censos
Este tópico inicia-se com a apresentação do grupo de dados de pesquisa nacional realizada em 71 municípios brasileiros. Tal pesquisa não abrange as cidades de São Paulo, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte, tendo em vista que as mesmas desenvolveram estudos próprios. Considerando que os entrevistados desta dissertação pertencem às duas primeiras cidades, os dados estatísticos das mesmas aparecem nos subitens seguintes.
Realizada em 2007 e 2008, a Pesquisa Nacional sobre a População de Rua, feita em parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, identificou 31.922 pessoas, predominantemente do sexo masculino (82%), com 18 anos completos ou mais, vivendo em situação de rua em 71 cidades brasileiras.
Essas pessoas vivem em calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, postos de gasolina, praias, barcos, túneis, depósitos e prédios abandonados, becos, lixões, ferros-velhos ou pernoitam em instituições (albergues, abrigos, casas de passagem e de apoio e igrejas). A maioria (69,6%) costuma dormir na rua; 22,1% costumam dormir em albergues ou outras instituições e 8,3% costumam alternar entre dormir na rua e em albergues. Entre aqueles que manifestaram preferência por dormir em albergues, 69,3% apontaram a violência como o principal motivo da não preferirem dormir na rua e 44,3% apontaram a falta de liberdade como o principal motivo de dormirem na rua e, não, em albergue. Os locais utilizados pelas pessoas em situação de rua para tomar banho são a rua (32,6%), os albergues/abrigos (31,4%), os banheiros públicos (14,2%) ea casa de parentes ou amigos (5,2%).
Os principais motivos pelos quais essas pessoas passaram a viver e morar na rua se referem aos problemas de alcoolismo e/ou drogas (35,5%); desemprego (29,8%) e desavenças com pai/mãe/irmãos (29,1%). Dos entrevistados no censo, 71,3% citaram pelo menos um desses três motivos, que podem estar correlacionados entre si ou um ser consequência do outro. Dos entrevistados, 51,9% possuem algum parente residente na cidade onde se encontram, entretanto, apenas 34,3% dos entrevistados mantêm contatos frequentes com os mesmos.
Grande parte da população em situação de rua (70,9%) é formada por trabalhadores que exercem alguma atividade remunerada. A maior parte dos trabalhos realizados situa-se na chamada economia informal: apenas 1,9% dos entrevistados afirmaram estar trabalhando atualmente com carteira assinada. Das atividades apontadas, destacam-se: