• No results found

Beregning av dimensjonerende flom i regulerte vassdrag – en

Somente o primeiro elucidário, e a sua respectiva ficha de classificação, levam em conta a antiga sede do Colégio, pois para os efeitos de manutenção da equiparação seria considerado exclusivamente o prédio da Vila Mariana. O Arquidiocesano deixava para trás o lugar das “tradições” e se alinharia, agora também visualmente, às novas concepções educacionais sem, no entanto, prescindir de sua vinculação com aquilo que havia de mais conservador no catolicismo.

A segunda ficha de classificação foi preenchida em 15 de janeiro de 1934, um ano antes da mudança para a sede da Vila Mariana, e todos os seus dados dizem respeito a ela. O elucidário desta ficha é composto por apenas nove páginas e bem mais simples se tomarmos como referência aquele elaborado em 1933, pois o inspetor federal o Sr. Egberto de Assis Silveira optou por realizar descrições sintéticas, e anexaria itens que comprovavam a existência do novo prédio, tais como algumas páginas da revista Ecos e três plantas.

Para que pudesse ir para a Vila Mariana o Colégio registrou um pedido formal junto ao MESP, cuja aprovação somente seria recebida em janeiro de 1935, no entanto, o prosseguimento das obras aponta que a diretoria do instituto não tinha a menor dúvida sobre esta concessão. Acredita-se que faça parte dos procedimentos de autorização para

97

uma mudança de localização a elaboração de um elucidário como o de 1934, que inclusive foi elaborado por um inspetor federal estranho à instituição, pois ainda estava vinculado ao Arquidiocesano o Dr. Manuel do Carmo.

A construção da nova sede também levaria em consideração as prescrições relacionadas à Reforma Francisco Campos, no entanto, apesar da melhoria na pontuação obtida pelo Colégio, esse ainda seria considerado bom, embora de 8.601, esta subiria para 9.193 pontos, um aumento interessante. Supõe-se que tal resultado não tenha agradado aos Irmãos, pois o investimento feito na construção fora muito alto.

Apesar de sucinto em todo o elucidário o Sr. Egberto não deixaria de registrar seu contentamento

Não posso esconder a V. Excia, a admirável impressão resultante dessa inspeção. É uma obra notável e representa um esforço digno de todos os encomios a realizada pelos Irmãos Maristas.

Inverteu esta congregação cerca de 4.000 contos na consecução do que se havia proposto.

Numa área de 31.600m2 empregaram sua longa experiência

como factor coadjutor de uma engenharia moderna e sobria

[grifo nosso]. Como consequencia nos seus minimos detalhes o collegio Archidiocesano alcança pontos difficeis de serem superados130.

O relato do inspetor confirmaria a forte impressão causada pela nova sede, no entanto, apontaria ter sido essa erguida a partir da combinação entre conhecimentos construtivos atuais e a experiência que os Irmãos possuíam com relação a edifícios escolares.

O elucidário de 1940 se mostraria muito completo, pois além das descrições era composto por 31 fotografias que registravam perante o governo federal a existência de uma estrutura que em muito superava os itens exigidos pelo MESP. Optou-se por destacar aqui algumas imagens consideradas emblemáticas e também aquelas que dizem respeito às Salas especiais, que se apresentavam inadequadas no antigo edifício.

A primeira foto do relatório (Figura 18) destacaria a monumentalidade do edifício da Vila Mariana, e ao mesmo tempo se demonstraria a tranquilidade do local escolhido para a instalação do novo Colégio.

98

Figura 18

Fachada para a Rua Domingos de Moraes - Vila Mariana

Fonte: Processo de Equiparação, 1940 (MCMA)

Se por um lado a imagem acima remete ao grande investimento financeiro feito pela congregação, a fotografia abaixo nos levaria por outro caminho, temos informações sobre as vinculações políticas com as quais a instituição dialogava. Como paraninfo da turma de 1939 seria escolhido o interventor federal131 Adhemar de Barros (1901-1969), nomeado por Getúlio Vargas, e que se encontrava ao centro da imagem (Figura 19).

O envio dessa foto para o ministério é uma clara demonstração simbólica de poder, e na qual se registra a proximidade da instituição aos quadros políticos paulistas, e não somente com esses, mas também com importantes personalidades do laicato católico como, por exemplo, Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), um dos mais importantes intelectuais católicos dos anos 1930, forte opositor dos “escolanovistas” e paraninfo da turma de 1937.

131Cargo equivalente a governador do estado, só que o acesso a esse ocorria de forma indireta, a partir da indicação do presidente da República.

99

Figura 19

Festa dos diplomandos

Fonte: Processo de Equiparação, 1940 (MCMA)

A ausência percebida em 1933 com relação à Sala de geografia não se repetiria em 1940, pois agora a instituição realmente possuía esse espaço (Figura 20). Nela seriam disponibilizados mapas físicos, políticos, quadros com mapas em alto relevo, globos terrestres, quadros parietais, amostras de madeiras, minerais, representação do sistema solar, etc e, além disso, fora idealizada uma estrutura que facilitava a fixação dos mapas nas paredes.

100

Figura 20 Sala de Geografia

Fonte: Processo de Equiparação, 1940 (MCMA)

No decreto “sem número” há poucas orientações com relação ao mobiliário e à disposição interna das salas especiais, e muitas no que diz respeito aos recursos que estas deveriam possuir, por isso se abria para os Colégios a possibilidade de adaptarem esses espaços de acordo com aquilo que acreditavam ser o mais adequado ou, o mais viável economicamente, pois a compra de instrumentos e demais itens exigia um investimento significativo.

Minhoto (2007) e Dallabrida (2009) apontam que o currículo prescrito pela Francisco Campos privilegiaria os conhecimentos científicos. A opção pelas Ciências Físicas e Naturais estava também atrelada à necessidade de um rompimento radical com a tradição humanista do ensino secundário brasileiro, e ao mesmo tempo existia a preocupação em preparar indivíduos que conseguissem lidar com as “novas necessidades do mundo que se modernizava rapidamente” (MINHOTO, 2007, p.141).

Esse panorama explica porque os espaços dedicados a esses ramos do saber receberiam uma atenção especial nas prescrições do decreto “sem número”, e com

relação aos quais não se localizou similaridades com os referenciais americanos.

Na Figura 21 temos uma parte do acervo do Gabinete de Física, que outrora era armazenado em estantes abertas e dispostas ao redor das paredes de uma das salas de aula da Avenida Tiradentes. Na nova sede este ganharia um espaço fechado no qual se

101

evitaria o contato direto desses objetos com os alunos. A opção pela guarda dos instrumentos em vitrines garantia visualidade sem, entretanto, facultar fácil acesso aos itens, pois este ficava numa parte do gabinete, cujo acesso era restrito.

Figura 21

Gabinete de Física (parte do acervo)

Fonte: Processo de Equiparação, 1940 (MCMA)

O laboratório de Química possuía as duas divisões principais, no entanto, naquele espaço optou-se pela disposição das cadeiras em níveis diferentes, tal qual num auditório, e a mesa de demonstrações posicionada à frente da plateia (Figura 22).

102

Figura 22 Laboratório de Química

Fonte: Processo de Equiparação, 1940 (MCMA)

O antigo espaço onde se encontrava armazenada a coleção de História Natural, e com ares de depósito, seria bem diferente na Vila Mariana, pois o Colégio optaria por uma disposição mais "museológica", sendo que esse passaria a ser conhecido como

Museu de História Natural (Figura 23).

As estantes desse espaço eram compostas por prateleiras divididas ao meio e que por isso possibilitavam o armazenamento de objetos de tamanhos diferentes dentro dos armários, de uma pedra a um esqueleto humano, além disso, possuíam laterais envidraçadas que possibilitavam aos alunos a observação de um determinado item a partir múltiplos ângulos, sem que houvesse a necessidade de manipular diretamente o acervo e as persianas internas garantiam uma entrada moderada de luz.

103

Figura 23

Museu de História Natural

Fonte: Processo de Equiparação, 1940 (MCMA)

No elucidário de 1940 ao serem apresentados as fotos dos ambientes do Colégio e o cuidado com que estes foram constituídos e organizados tem-se uma clara demonstração daquilo que foi percebido por Abreu (2010, p.294), quando esta afirmaria ter sido uma das pretensões dos padrões vinculados à Reforma Francisco Campos colocar fim ao improviso das estruturas dos ginásios, que antes se preocupavam somente em ajustar mais ou menos os edifícios para as atividades escolares.

3.2 Os inspetores federais

Em 1926 registrou-se pela primeira vez a presença de um inspetor federal no Arquidiocesano. O Dr. José Alberto Granadeiro Guimarães Junior foi nomeado pelo Departamento Nacional do Ensino para organizar as juntas examinadoras dos exames oficiais e seu relatório seria publicado, acredita-se que integralmente, na revista Ecos.

Esse relatório fora enviado para o então diretor do Departamento Nacional de Ensino, o Dr. Rocha Vaz, e era composto por um histórico, uma descrição da estrutura física. Além disso, nele o inspetor faria considerações sobre o método de ensino baseado na “Intuição e na Educação dos Sentidos”, destacando também o museu de História Natural e o laboratório de Física, além afirmar que os Irmãos Maristas seguiam à risca as prescrições do Governo (Ecos, 1927, pp.13-22).

104

Os Irmãos não acompanhavam somente as orientações legais, mas também observavam e divulgavam regularmente, informações sobre as mudanças nos quadros políticos dos órgãos relacionados à Educação, como num determinado excerto onde se destaca ter sido “(...) nomeado Delegado Geral para o estado de São Paulo o muito estimado Dr. Almeirindo M. Gonçalves” (Ecos, 1930, p.35). O Colégio possuía proximidade com o delegado geral, uma vez ter esse atuado junto ao Colégio como inspetor federal e retornaria num outro momento à instituição, em 2 de outubro de 1930, acompanhado por Carlos Braga, pois ambos foram encarregados pelo Departamento Nacional de Ensino de vistoriar os gabinetes de Física, Química e História Natural dos colégios, pois se havia solicitado Juntas Examinadoras132, e conforme registro os dois ficaram impressionados com relação aos espaços visitados (Ecos, 1930, p.80).

Os registros na Ecos até 1928 geralmente retratam os inspetores federais como estreitamente vinculados à organização e á aplicação das provas dos exames oficiais, talvez outro modo de fiscalizar os colégios, pois com o fim das equiparações também cessaria o envio dos relatórios semestrais e a presença “constante” dos delegados fiscais.

O Colégio eventualmente recebia, além dos inspetores, a visita de pessoas ligadas ao Departamento Nacional Ensino, como em setembro de 1929, ano em que os Irmãos iniciaram as obras da sede na Vila Mariana. O Dr. Pedro Carlos da Silva, era

chefe de seção133 no Departamento e estava participando de um congresso em São Paulo, mas não há informações sobre como ele chegou até o Colégio, no entanto, sabe- se que ele ficaria impressionado com os Gabinetes de Física, Química e História Natural, principalmente por ter encontrado ali uma grande quantidade de itens (Ecos, 1929, p.46).

Na Reforma Francisco Campos se instituiu a criação de um serviço de inspeção, subordinado ao Departamento Nacional do Ensino, sendo os inspetores nomeados por

132O decreto nº 16.782 de 13 de janeiro de 1925, “Reforma Rocha Vaz”, permitia a realização de exames oficiais dentro do próprio Colégio, por isso eram montadas juntas examinadoras sendo es tas compostas por “três membros de reconhecida competência didática nas matérias que tiverem de examinar”. Para conseguir autorização para a organização das juntas era observado o artigo 270 que fixava como exigências “ser a concessão proposta pelo diretor geral do Departamento Nacional do Ensino e deferida pelo Ministro da Justiça e Negócios Interiores, provar que o estabelecimento dispõe de corpo docente idôneo e observar nos seus cursos programa igual ao do Colégio Pedro II, depositar a quantia necessária para a remuneração dos membros das juntas examinadores e do respectivo fiscal, observar as prescrições constantes do regimento interno do Departamento Nacional do Ensino”.

133A revista Ecos não especifica a qual seção estava vinculado esse funcionário do Departamento Nacional de Ensino.

105

concurso, entretanto, estes só poderiam fiscalizar um mesmo colégio durante três anos, findo os quais eram obrigatoriamente designados para outra escola.

Nos artigos de 55 a 57 do decreto 19.890 de 18 de abril de 1931, foram definidas quais as atividades a ser desenvolvidas pelos inspetores: relatórios mensais, dois relatórios anuais com considerações sobre métodos, assiduidade de alunos e professores, e sugestões de melhorias; assistir às atividades escolares (aulas, exercícios práticos, demonstrações); definir os temas das arguições, acompanhar e coordenar a realização das provas, bem como a atribuição das notas. Apesar de não sinalizado no decreto de 1931, sabe-se também que os inspetores seriam os responsáveis pela elaboração periódica dos elucidários.

As funções dos inspetores determinadas por meio da reforma indicariam a preocupação do governo em acompanhar também a ação pedagógica dos colégios, o outro lado da moeda, uma vez que por meio do decreto “sem número” de 1932 ficaria explícita sua atenção com relação à adequação física dos edifícios escolares, no entanto, para que se pudessem avaliar criteriosamente todas as áreas do conhecimento esse profissional deveria ser um profundo conhecedor de todos os ramos do ensino secundário (SILVA, 1969, p.291).

Os diretores de um colégio, e seu representante direto, o secretário escolar, sabiam muito bem o que significava manter boas relações com um inspetor, e esses por sua vez tinham pleno conhecimento de seu poder e influência junto ao instituto sobre sua fiscalização, no entanto, havia uma questão delicada entre ambos, o pagamento dos honorários era realizado pelo colégio. No entanto, tais valores eram depositados aos cuidados do MESP que somente pagava o inspetor após o envio dos relatórios mensais, cuja composição era variada, e para a montagem desses havia dependência das informações fornecidas pelo Colégio, ou seja, a Secretaria poderia facilitar muito o trabalho do representante do ministério e com isso se criava uma relação de interdependência que beneficiaria todos os envolvidos, caso se mantivesse de forma harmoniosa.

No Arquidiocesano, inspetores federais e secretários tinham seus livros de ata e neles registravam o andamento dos trabalhos burocráticos (emissão de certificados, transferências, entregas de documentações, organização de provas, etc), e por meio desse tipo de documentação é que se identifica como realmente eram realizadas as atividades de fiscalização, sendo importante destacar que os registros feitos pela Secretaria também eram alvo de verificação.

106

De um modo geral os relatórios eram quase sempre confeccionados pelo secretário, e ao inspetor cabia somente verificar se todos os itens estavam em ordem, e se procederia ao encaminhamento pelo correio das informações solicitadas pelo ministério, envio esse também feito pelo Colégio. A presença “constante” dos inspetores também não parece tão ostensiva assim, pois é significativo o número de lacunas ou registros genéricos, algo diverso quando se analisa a diligência desses quando eram aplicados provas e exames sob os quais tinham responsabilidade direta.

Dr. Manuel do Carmo, Padre Antonio Luis Florêncio Ráo, Dr. Augusto Leal Barros, Padre Heliodoro Pires, Dr. Helio Cyrino da Silva, Dr. Ubaldo da Costa Leite, foram os inspetores que acompanharam o Colégio entre 1931 e 1940, e a passagem deles pela instituição nem sempre se mostraria tranquila.

Dr. Manuel do Carmo acompanharia o requerimento da equiparação junto ao MESP, e por suas boas relações com o Arquidiocesano redigiria o elucidário graças ao qual seriam reconquistados os benefícios da equiparação.

Na Ecos temos referências sempre elogiosas à atuação do Dr. Manuel do Carmo, este seria chamado de "amigo sincero", "guia seguro", "judicioso", "criterioso", "competente" e era considerada uma pessoa de trato ameno. Chama a atenção o destaque que esse receberia nas situações mais diversas, como por exemplo, no enterro do Ir. José Borges, reitor do Arquidiocesano, ou com relação à leitura de poesias de sua "própria lavra" durante a recepção de políticos, no entanto, essa postura do Colégio com relação aos seus sucessores seria bem mais tímida, um indicativo de que talvez esses não tenham sido tão afáveis.

E seria justamente o Dr. Manuel do Carmo quem registraria uma situação delicada entre o Colégio e o governo federal.

Em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, seria convidado como paraninfo da turma de bacharelandos o Dr. Morais de Andrade, ilustre cidadão paulistano e que esteve vinculado ao movimento revolucionário. Conforme a praxe da colação de grau este falaria sobre a excelente educação oferecida pelos Maristas, a importância do catolicismo enquanto religião de unidade nacional, a esperança nos jovens e sua obrigação para com a sociedade, no entanto, ao finalizar seu discurso acabaria resvalando em questões políticas, em especial no que dizia respeito ao dever de todos os paulistas em "defender, dar a vida se for preciso, para o bem do nosso São Paulo, dentro do Brasil" (Ecos, 1932, p.[34]). Por conta desse convite feito aos jovens para que esses lutassem pelo estado de São Paulo contra o governo federal, caso isso fosse preciso, o

107

Dr. Manuel do Carmo se sentiria profundamente ofendido e registraria em seu livro de visitas134:

Deixo aqui [registrado] o meu protesto pela maneira pouco gentil com que foi tratado o representante do Sr. Ministro da Educação na pessoa do seu representante, o Inspetor Federal junto ao Colégio Arquidiocesano.

Lanço também o meu protesto relativamente ao discurso do Paraninfo, o meu particular amigo, Dr. Moraes de Andrade que aproveitou a solenidade para se extender em explorações políticas no final do seu discurso procurando desvirtuar a ação do Governo Federal para com S. Paulo, e buscando indispor a mocidade paulista com o resto do Brasil.

A atitude da Diretoria do Colégio, não tratando com a cortesia que é devida ao representante do Governo Federal merece censuras, o que deixo aqui expresso neste termo.

Estranhei a atitude da direção tanto mais quanto, em particular, sempre houve grande e mútua cordialidade entre o Inspetor e a Direção do Colégio.

Nunca poderia supor que houvesse falta de sinceridade nas manifestações de gentileza com que era recebido o Inspetor em particular e a sós.

Em frente ao grande público que enchia o salão de festas o que se quis foi fazer parecer que o Colégio não tinha ligações com o governo federal!135

A fala do inspetor traz muitos elementos com relação ao poderio com os quais estes estavam imbuídos pelo governo federal, ao qual o Colégio devia reverência e submissão. Um inspetor federal colocava-se como um representante direto da mais alta autoridade do MESP, ou seja, um braço direto do próprio ministro. Essa é uma das poucas situações onde se perceberia mais claramente um posicionamento político da instituição, que alinhada à Arquidiocese de São Paulo se mostrava favorável à Revolução de 1932, pois nada era publicado na revista Ecos sem o consentimento de seus diretores.

Os registros das visitas dos inspetores permitiram identificar que durante algum tempo estes se fizeram presentes dentro das salas de aulas e fariam referências aos métodos utilizados pelos professores para o ensino. Essa postura, entretanto, vai aos poucos desaparecendo e esses profissionais se dedicariam, quase exclusivamente, a cuidar dos aspectos administrativos relativos à fiscalização que incluíam a definição de calendários para as provas, organização da aplicação dos exames, assinaturas de

134Livro no qual os inspetores federais anotavam suas atividades, quase diárias, junto ao Arquidiocesano. 135Livro de visitas do inspetor federal (pp.52-53)

108

documentos, preenchimentos de relatórios, encaminhamento de orientações recebidas do MESP, definições de comemorações cívicas, etc.

Alguns inspetores são descritos como extremamente severos e enérgicos, como foi o caso do Sr. Dr. Helio Cyrino que teria vida breve junto ao Colégio, pois fiscalizaria a instituição entre 1938 e 1939. Esse curto período de vinculação de um inspetor ao Colégio, nos remete, ao que foi percebido por Minhoto (2007, p.149) com relação aos inspetores que observavam rigidamente as prescrições legais e acabavam por isso mesmo sendo mal vistos pela diretoria do Colégio, e pressionados a solicitarem transferência para outra escola. Apesar de não citar nomes, sabe-se que esta pesquisadora deparou-se com registros do conflito ocorrido entre o inspetor Padre Antonio Luis Florêncio Ráo e a diretoria do Arquidiocesano.

O Padre Antonio, faria no livro de visitas uma série de queixas com relação a não observância dos procedimentos legais da parte do Colégio, reclamaria diversas vezes ter sido impedido de desempenhar condignamente suas atividades, e se indisporia com a instituição causando com isso choque entre as esferas políticas e religiosas, pois na relação entre inspetor e Arquidiocesano estavam envolvidos indivíduos que faziam parte do corpo da Igreja Católica. Numa anotação de 1937 esse inspetor registaria que