Contexto Internacional Guerra Fria – Polarização Modelos europeus na universidade
Globalização
Neocolonialismo no ensino superior
Contexto nacional Autoritarismo e transição para a democracia
Democracia liberal
Concepção geral Formar agente social Formar para o mercado de
trabalho
Doutrina dominante Segurança Nacional Neoliberalismo
Legislação Lei 5440, (1968) e AIs Lei 9394 (1996) 9870 (1999)
Finalidade Aspiração universal do saber
Preparação de mão-de-obra, lucro
Elemento determinante Vida social, profissional Mercado de trabalho Instituição Padrão Por
outro lado, está sendo atribuído um outro papel à universidade, que não lhe corresponde em outras partes do mundo, qual seja, ser
instrumento de profissionalização aligeirada, em
cursos de mais curta duração, sem ambiente de pesquisa verdadeiramente acadêmico, consti- tuindo-se na universidade(?!) de ensino.
Universidade Clássica Universidade e multiplicidade de IES
Princípios Ensino Pesquisa Extensão
Formar para a vida
Ensino pesquisa extensão produtividade
Operacionalidade para o mercado, serviços
Linguagem Acadêmica Língua do mercado,
empresarial
Acesso Vestibular seletivo Vestibular seletivo nas
grandes instituições, nas demais pró-forma
IES Uma rede restrita de IES
Públicas e privadas. Uma rede diversificada de IES Crescimento acelerado do setor privado
Ensino Ensino Presencial Ensino Presencial e à
distância
Avaliação Na pós-graduação Periódica em todos os
cursos – SINAES
Acesso Classe Média e Classe Alta
Expansão Controlada
Classe Alta, Média e Setores das camadas populares Expansão acelerada. Fonte: ROSSATO, 2011, p. 32.
Os ideais neoliberais buscam estruturar as novas oportunidades educacionais a partir das tecnologias de comunicação, considerando como
tendências de mudanças na educação superior as seguintes características:
- quebra do monopólio geográfico, regional ou local, com o surgimento de novas forças competitivas;
- mudança do modelo organizacional do ensino superior, que passa de um sistema federado e frouxo de faculdades e universidades, servindo apenas às comunidades locais, para uma “indústria” do conhecimento, operando em um mercado global, altamente competitivo e cada vez mais desregulamentado;
- transformação das universidades amplas, fortes e verticalmente integra das em instituições mais especializadas e centradas no aluno (e não no professor);
- significativa reestruturação da educação superior, implicando no desaparecimento e fusão de universidades, bem como no fortalecimento das interações entre elas, visando o intercâmbio de atividade e o desenvolvimento e operação de projetos comuns (PORTO & RÉGNIER, 2003, p. 19).
Com esses novos ideais, são apontadas também, as tendências das novas configurações das estruturas formativas, redesenhando o padrão universitário cuja composição esperada se compõe da seguinte forma:
- Universidades corporativas, patrocinadas ou administradas por grandes empresas, visando a aprendizagem contínua e especializada de seus quadros;
- Empresas instrucionais - instituições terceirizadas que prestam serviços às universidades no próprio domínio do ensino superior em nichos especializados do conhecimento, dos processos pedagógicos ou da clientela, através de contratos definindo indicadores e metas de resultados e as condições desejadas de ensino-aprendizagem;
- Entidades de Intermediação, cuja função é fazer a ponte entre os provedores de educação superior e os “consumidores”, visando apoiar, inclusive financeiramente, os futuros alunos, fornecer-lhes orientação e informações relevantes e certificar o conhecimento por eles adquiridos. Podem ainda atuar na defesa dos interesses dos alunos, mobilizando estudantes e negociando cursos específicos e descontos junto às instituições de ensino, além de promover a busca de emprego e trabalho para os concluintes.
- Organizações não-Tradicionais. Entrada no setor de novos tipos de protagonistas, oriundos de outros segmentos da economia, tais como, empresas de telecomunicação, de informática e informação, de entretenimento, bem como organizações governamentais e do “terceiro setor” engajadas na educação, treinamento e desenvolvimento profissional. Embora tradicionalmente tais instituições tenham sido consideradas basicamente como fornecedoras ou clientes dosistema de educação superior, devem passar a ser vistas agora como parte dele e,portanto, como colaboradoras e/ou competidoras potenciais. (PORTO & RÉGNIER, 2003, p. 19-20).
Além disso, o novo modelo das universidades, inspirado nas organizações idealizadas pelo neoliberalismo transforma a Instituição em uma
prestadora de serviços do conhecimento, cujo modo de execução tem como proposta:
- Evolução do atual “modelo artesanal” de produção para um outro mais próximo da “produção em massa” da era industrial e com fortes influências do modelo adotado na indústria de entretenimento;
- Os métodos de ensino - aprendizagem e os papéis dos professores estão submetidos a fortes pressões para mudança, principalmente em função das novas tecnologias da teleinformática e do surgimento de uma “geração digital”, com suas demandas por novos processos e relacionamentos. Assim, outras formas de ensino, muitos mais interativas e suportadas pelas novas tecnologias, deverão se intensificar, com o professor afastando-se da “sala de aula” para assumir funções de geradores e administradores de novos experimentos de aprendizagem e de consultores e orientadores dos alunos, como aliás já ocorre na pós-graduação;
- O desenvolvimento da pesquisa também deverá sofrer grandes alterações. Os processos de criação tornar-se-ão muito mais coletivos e multidisciplinares, tendo em vista tanto os recursos tecnológicos disponibilizados, como a natureza dos novos conhecimentos demandados pela sociedade.
- Centrada tradicionalmente na biblioteca e, portanto, suportada no formato impresso, a preservação do conhecimento talvez seja a função universitária mais suscetível a mudanças tecnológicas radicais. A tecnologia da informação – ou mais amplamente a “convergência digital” das várias mídias – já produz impacto significativo na preservação, divulgação e acessibilidade do conhecimento, tornando-se cada vez mais democrático e disponível a todos, não sendo mais apenas uma prerrogativa ou privilégio da comunidade acadêmica. Neste contexto, a “biblioteca” da Universidade do Século XXI, suportada por diferentes mídias, extrapolará de muito suas atuais funções e seus domínios tradicionais de abrangência.
- No campo da extensão, a aplicação dos conhecimentos continuará a ser ditada, cada vez mais, pelas necessidades e demandas reais da sociedade. Neste sentido, provavelmente a extensão constitui a função universitária mais suscetível às mudanças sociais, devendo sofrer conseqüentemente transformações profundas, à medida que a sociedade é transformada radical e aceleradamente. Dessa forma, a amplitude e diversidade de aplicação, a velocidade de atendimento e a capacidade de respostas concretas requeridas exigirão da extensão novos modelos e processos de produção (PORTO & RÉGNIER, 2003, p. 21-22)
A proposta para o ensino superior em que a formação institucional, tem por base que “a humanização é a prioridade da educação, pois transforma o homem em sujeito” (PINTO, 2009, p. 170) superada com a prevalência dos ideais neoliberais voltados para a qualidade, ou produção, “pergunta-se se é possível eleger a humanização como condição à qualidade da educação?” (ibid.).
O que se constata, diante do cenário atual em que o setor econômico impõe as regras, é que a universidade tende a declinar-se mais para o papel do
ensino do que da pesquisa, mantendo a tradição dos duzentos anos da criação do ensino superior no Brasil, continuando a considerar que a pesquisa na universidade não é um investimento útil.
Se, por um lado o grupo de trabalho da Academia Brasileira de Ciências apresentou, em 2004, o Manifesto de Angra, conclamando a sociedade como um todo: “à defesa da universidade pública brasileira e da pesquisa nela realizada, através de uma reforma urgente, com base no predomínio dos valores acadêmicos, da qualidade e da excelência (DAVIDOVICH, et. al., 2004, p. 2), por outro lado, três anos depois, em 2007, o Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior, apontam a prevalência das antigas ideias consolidadas na Velha República de que diante dos custos exigidos para um centro de excelência de pesquisas, se é favorável aos cursos laicos de orientação técnica profissionalizante (OLIVEN, 2002):
Por outro lado, está sendo atribuído um outro papel à universidade, que não lhe corresponde em outras partes do mundo, qual seja, ser instrumento de profissionalização aligeirada, em cursos de mais curta duração, sem ambiente de pesquisa verdadeiramente acadêmico, constituindo-se na universidade(?!) de ensino (CADERNO ANDES, 2007, p. 17).
Diante deste cenário social-político, é possível se constatar que a crise educacional no ensino superior se assenta em três vértices, a saber: a) O primeiro deles é histórico, e acompanha toda a trajetória do ensino superior desde a sua criação, sem ter uma solução, trata-se dos modelos educacionais que sempre tenderam para a formação profissional em detrimento da pesquisa, em que esta é considerada como investimento desnecessário; b) A par disto, também ocorreram as mudanças dos ambientes escolares com as novas tecnologias de forma contínua e rápida, sem contudo permitir ao professor a inclusão nesse novo universo; c) e, por fim, outro fator a interferir nessa crise, são os novos comportamentos e formas de relacionamentos sociais a partir das interações sociais mediadas pelo computador,
que exigem a reestruturação das metodologias educacionais na prática docente. As tecnologias não são portanto os principais fatores a produzir a crise atual no ensino superior, como se decorresse apenas da transposição da época sem tecnologias moderna para a pós-moderna com novas tecnologias, revelando, além disso, a alta complexidade que envolve valores sociais, formação tecnológica e metodologias educacionais.
Ao falarmos de crise no ensino superior, englobamos na composição deste termo a falta de definição da identidade ou do perfil do professor em sala de aula, além da ausência da definição do modelo educacional para as universidade diante da proposta do modelo para a educação e pesquisa e o modelo para a formação profissional, conjugadas ainda com as dificuldades das IES e professores com o planejamento de ensino e com o uso de tecnologias em sala de aula.
Assim, a mera introdução das novas tecnologias na prática docente não representará a solução desta crise, fazendo-se necessário, ao se imergir dentro desse novo universo, de uma definição para o real propósito da educação superior, com um modelo educacional claro, sob o risco do fracasso se essas tecnologias atuarem apenas como ferramentas: “auxiliares do processo educacional, de um processo "caduco", que continua sendo imposto ao cotidiano das pessoas que vivem um outro movimento histórico” (PRETTO, 2000, p. 2).
No próximo capitulo, serão discutidas as condições atuais da revolução tecnológica, o que nos levará ao tema central deste trabalho que está voltado para os desafios a serem enfrentados pelo ensino superior no momento atual.