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6. BEITEVERDI OG BEITEKAPASITET

6.5 Beiteareal og beitekapasitet for hver øy

NAS REGIÕES METROPOLITANAS*, 1991-2000, MÉDIA ANUAL Ano Taxa (%) 1991 4,8 1992 5,9 1993 5,3 1994 5,1 1995 4,7 1996 5,4 1997 5,7 1998 7,6 1999 7,5 2000 7,1

Fonte: IBGE (ajustada)

*Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador.

Conforme observado, verifica-se a ascensão do desemprego no país, ao qual como manifestação de superação dessa crise experimentada no mercado de trabalho, a economia solidária se legitima de fato como alternativa de reinserção do trabalhador às atividades de produção e consumo, ratificando a ideia de autores que compreendem a ES enquanto movimento que tão somente amortece as tensões sociais consequentes das ineficiências do capitalismo, mesmo não sendo essa nossa compreensão.

Num contexto cearense, de acordo com a Organização das Cooperativas

do Estado do Ceará – OCEC (1995), o cooperativismo é registrado na década de

1940, com a criação de cooperativas de crédito, tendo como destaque:

· A criação da Cooperativa Bancária Ltda em 1943;

· A Cooperativa de Crédito de Fortaleza em 1950 que em 1971 se transformaria em Banco Popular de Fortaleza – BANFORT;

· A criação da Cooperativa de Crédito Agrícola do Ceará Ltda em 1954; · A Cooperativa Serrana Agropecuária de Guaramiranga Ltda (1945); e · A Cooperativa de Crédito e Consumo Social Ltda (1951).

Conforme a OCEC (1995) o movimento cooperativista de nosso estado apresentou ainda uma segunda fase, datada da década de 1970 até os findos da década de 1980, apresentando como principal característica a queda das cooperativas de crédito e ascensão das cooperativas agropecuárias. Tal constatação ratifica o caráter local das experiências cooperativas, situado nas potencialidades de cada região, no caso específico de nosso estado, suas condições naturais para a prática de referida atividade.

Enfim, nas palavras de Singer (2006), a origem histórica da economia solidária é chamada de forma justa por “cooperativismo revolucionário”, uma vez que elucida a ligação essencial da economia solidária com a crítica operária e socialista do capitalismo vigente na Europa, berço de sua manifestação teórica e prática.

3.2.3. Valores da Economia Solidária

Partindo da ideia de se discutir novos caminhos experimentáveis e experimentados em se organizar sócio produtivamente, convém que nos lancemos a discutir e entender os valores que norteiam a Economia Solidária, cotejando-os aos valores predominantes no modelo econômico vigente.

O Fórum Brasileiro de Economia Solidária – FBES aponta que,

A Economia Solidária constitui o fundamento de uma globalização humanizadora, de um desenvolvimento sustentável, socialmente justo e voltado para a satisfação racional das necessidades de cada um e de todos os cidadãos da Terra seguindo um caminho Intergeracional de desenvolvimento sustentável na qualidade de sua vida.

Diante dessa compreensão, o FBES apresenta como princípios gerais28 que norteiam a economia solidária:

1. A valorização social do trabalho humano;

2. A satisfação plena das necessidades de todos como eixo da criatividade tecnológica e da atividade econômica;

3. O reconhecimento do lugar fundamental da mulher e do feminino numa economia fundada na solidariedade;

4. A busca de uma relação de intercâmbio respeitoso com a natureza; e 5. Os valores da cooperação e da solidariedade.

28

Complementa ainda que:

1. O valor central da economia solidária é o trabalho, o saber e a criatividade humanos e não o capital-dinheiro e sua propriedade sob quaisquer de suas formas.

2. A Economia Solidária representa práticas fundadas em relações de colaboração solidária, inspiradas por valores culturais que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, em vez da acumulação privada de riqueza em geral e de capital em particular.

3. A Economia Solidária busca a unidade entre produção e reprodução, evitando a contradição fundamental do sistema capitalista, que desenvolve a produtividade mas exclui crescentes setores de trabalhadores do acesso aos seus benefícios.

4. A Economia Solidária busca outra qualidade de vida e de consumo, e isto requer a solidariedade entre os cidadãos do centro e os da periferia do sistema mundial.

5. Para a Economia Solidária, a eficiência não pode limitar-se aos benefícios materiais de um empreendimento, mas se define também como eficiência social, em função da qualidade de vida e da felicidade de seus membros e, ao mesmo tempo, de todo o ecossistema.

6. A Economia Solidária é um poderoso instrumento de combate à exclusão social, pois apresenta alternativa viável para a geração de trabalho e renda e para a satisfação direta das necessidades de todos, provando que é possível organizar a produção e a reprodução da sociedade de modo a eliminar as desigualdades materiais e difundir os valores da solidariedade humana.

Diante desses valores e princípios gerais, verifica-se que a lógica que predomina na economia solidária repousa no desenvolvimento dos seres humanos e sua dignidade, tendo como elementos fundamentais, conforme elencados pela Pastoral Operária do Brasil29 (2007):

29

A Pastoral Operária do Brasil faz parte das Pastorais Sociais da Comissão para a Caridade, Justiça

e Paz da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Trata-se de uma pastoral a serviço da classe trabalhadora urbana, organizada, composta e dirigida pelos trabalhadores/as. Nela, propõe-se um espaço para reflexão da vida dos trabalhadores e das trabalhadoras à luz da Bíblia e da Doutrina Social da Igreja Católica.

· A SOLIDARIEDADE como compromisso ético-político com a igualdade entre os seres humanos e como prática de partilha da defesa da vida; · A SUSTENTABILIDADE dos processos de desenvolvimento,

articulando as dimensões sociais, ambientais, culturais e econômicas; e considerando as diversidades regionais e locais;

· A DIGNIDADE HUMANA E A QUALIDADE DE VIDA como exigências fundamentais para o desenvolvimento;

· A DEMOCRACIA como valor universal e como método de tomada de decisão institucional sobre os rumos nacionais, regionais e locais.

Por fim, mesmo diante da diversidade de sentidos e significados da Economia Solidária, os valores e princípios praticados e sugeridos nela são pontos de convergência, portanto, indiscutíveis dentro das mais variadas compreensões do que se entende e se pratica no escopo de referida proposta de organização socioeconômica alternativa.

3.2.4. O atual contexto da Economia Solidária

A economia solidária tem se manifestado de fato como uma resposta positiva não somente às mudanças observadas no mundo do trabalho, mas também como propostas alternativas de práticas de atividades econômicas mais comprometidas com a dignidade do ser humano e com a preservação e conservação dos ecossistemas locais, dadas as prementes discussões e diálogos entre economia e meio ambiente.

No Brasil tem se verificado uma ascensão dos números e da participação da economia solidária nas atividades produtivas. De acordo com dados recentes da Secretaria Nacional de Economia Solidária – SENAES30 (2007), publicados no Atlas da Economia Solidária, existem atualmente 21.859 empreendimentos econômicos solidários, distribuídos nas diversas regiões brasileiras conforme observados no Mapa 1:

30

Vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, tem o objetivo viabilizar e coordenar atividades de apoio à Economia Solidária em todo o território nacional, visando à geração de trabalho e renda, à inclusão social e à promoção do desenvolvimento justo e solidário.