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9 Alternative løsningsmodeller

9.1.1 Behov for et vern

No mercado português, em termos globais, o comércio internacional de vinho tem vindo a aumentar, sendo que de 2015 para 2016 houve um crescimento de 1,7% (INE, 2017). Os principais destinos da exportação são França e Inglaterra, e o principal produto exportado o Vinho do Porto.

No território nacional existem três tipos de produtores de vinho: os pequenos produtores e empresários a nível individual; os médios e grandes produtores; e, ainda, as adegas cooperativas. Segundo um estudo efetuado por Carla Vivas e António de Sousa em 2012, as empresas vitivinícolas portuguesas revelam-se ainda muito focadas nas suas estratégias no mercado interno ao invés de pretenderem alargar para o estrangeiro. Apesar

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deste percalço, algumas empresas expandem-se, maioritariamente através da exportação, quer indireta, quer direta.

As principais razões para a internacionalização mencionadas no estudo são a solicitação por parte dos clientes externos e o aumento da atratividade do mercado estrangeiro. Os autores referem também que as alianças estratégicas e a criação de redes ou ligações (networking) entre empresas deverão ser encorajadas de modo a existir uma partilha quer de recursos, quer de custos. Além destas formas de expandir o mercado em que operam, as empresas também podem usufruir de outros meios para lançar a sua marca no mercado internacional e, de forma mais profunda, no mercado nacional. Sendo assim, referem o turismo como um ajudante fundamental na propagação da notoriedade e presença da marca noutros países. De acordo com os autores a “…cooperação entre diferentes atores no setor do vinho e do turismo (enoturismo) revela-se igualmente importante como estratégia de diversificação, sendo uma via de projeção nos mercados internacionais.” (Vivas e Sousa, 2012, p.17).

Ao aliar a produção e consumo de vinho ao turismo, as empresas podem criar novas oportunidades para a comercialização do mesmo e também promover os seus produtos através do marketing “boca-a-boca” levado a cabo pelos turistas que experienciaram a atividade enoturística. Um exemplo marcante da utilização do turismo do vinho para maior publicitação e vantagem sobre os concorrentes do mesmo setor poderá ser encontrado na Symington Family Estates. Segundo Freitas Santos e Cadima Ribeiro (2012), o enoturismo funciona como uma oportunidade para expandir o negócio da empresa. Em julho de 2017, este facto verificou-se quando a Symington abriu aos turistas as caves da Cockburn’s. Além disto, no mesmo ano, uma das quintas vitivinícolas que possui – Quinta do Bomfim - foi distinguida internacionalmente ao se tornar a vencedora global nos serviços de enoturismo nos prémios Best of Wine Tourism (em pt.symington.com/noticias).

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4. Setor Vitivinícola

4.1. No Mundo

De acordo com Overton, Murray e Banks (2012), o vinho pode ser considerado como um artigo de consumo para as massas com um grau elevado de diferenciação, principalmente através do seu preço e da sua marca, os quais apelam a consumidores localizados em vários espetros do mercado. Isto é, o vinho, tendo uma ligação indissociável ao seu local de origem, poderá variar no sabor e na qualidade, obtendo-se produtos vitivinícolas altamente díspares dependendo de onde o mesmo é produzido. Desta forma, o terroir assume-se também como um fator-chave para a diferenciação deste produto, sendo que o conceito se refere a uma área ou espaço em que o conhecimento coletivo das interações entre as especificações do ambiente físico e biológico e as práticas desenvolvidas de vitivinicultura se desenvolvem, fornecendo características distintivas para os produtos originários desta mesma área (em www.oiv.int).

Adicionalmente, os mesmos autores (Overton, Murray e Banks, 2012) afirmam que a indústria do vinho está grandemente globalizada. Os países do Novo Mundo ou Novos Países Produtores (NPP), como a Austrália, Argentina, Chile, Nova Zelândia e África do Sul, procuraram beneficiar da alteração nas necessidades da procura internacional nos mercados a partir dos anos 70 (Morrison e Rabellotti, 2017). A partir desta década, o vinho tornou-se uma bebida cada vez mais popular, não só em países que o produziam, mas principalmente nos não- produtores. Apesar do sucesso dos NPP, devido à melhoria e modernização das técnicas de vitivinicultura e também das mudanças nas plataformas institucionais, nas quais foram criadas medidas de apoio à vitivinicultura, o estudo de Morrison e Rabellotti refere que as preferências dos consumidores se tornaram mais sofisticadas e estes mais informados em relação ao cultivo e ao terroir, privilegiando, desta forma, os países do Velho Mundo na competição deste setor.

Estatisticamente, em 2014, a área total dos vinhedos rondava 7,573 milhões de hectares. Nos últimos anos, na Europa, o número de hectares ocupados por vinhas foi diminuindo, enquanto o da China aumentava. Apesar do grande crescimento neste setor dos países do Hemisfério Sul, Estados Unidos e China, a Europa permanece na liderança (Vivas e Sousa, 2012).

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Relativamente à produção, o relatório de 2017 da OIV (Organisation Internationale de la Vigne et du Vin) relativo ao estado do mercado mundial da vitivinicultura, refere que a produção mundial de vinho decaiu comparada a 2015, permanecendo Itália, França, Espanha e Estados Unidos como principais produtores de vinho a nível global (OIV, 2017).

Em 2016, o consumo mundial de vinho demonstrou um crescimento comparativamente a 2015, sendo que os Estados Unidos reafirmaram a sua posição como principais consumidores, lugar que ocupam desde 2011. O comércio internacional foi pautado pela liderança de Espanha como principal exportador (OIV, 2017).

4.2. Em Portugal

Nos últimos anos, de modo a fazer frente à expansão da concorrência mundial no setor vitivinícola, Portugal apostou consistentemente no aumento da qualidade do vinho e na modernização da produção.

Em 2014, Portugal foi o 9º maior exportador de vinhos, demonstrando uma taxa de crescimento, consumo e produção constante, segundo a ViniPortugal (2014). Em 2016, de acordo com a OIV (2017), Portugal tinha cerca de 195 mil hectares ocupados por vinhedos. No entanto, em 2013 possuía 227 mil hectares. Ao longo dos anos verificou-se um decréscimo significativo do espaço ocupado por vinhas (OIV, 2017).

Em relação à produção, Portugal coloca-se no 11º lugar a nível mundial, constatando- se também uma diminuição no volume de produção desde 2013. Por outro lado, e apesar de algumas oscilações, o consumo nacional de vinho manteve-se constante, ocupando a 12ª posição a nível mundial (OIV, 2017).

Por fim, relativamente à exportação e comércio internacional, em 2014, Portugal foi o 9º maior exportador de vinhos, demonstrando até à data uma taxa de crescimento, consumo e produção constante segundo a ViniPortugal (2014). Atualmente, segundo a OIV (2017), permanece na mesma posição, estabilizando-se no panorama mundial.

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5. Metodologia

O presente capítulo tem o seu enfoque nos objetivos da investigação, assim como na descrição das fontes da investigação, primárias e secundárias, e também nos métodos utilizados para a recolha e tratamento de dados. Além disso, descreverá o processo metodológico imposto ao longo da realização e construção da dissertação.

5.1. Objetivos da investigação

O principal objetivo desta dissertação foi a averiguação da influência exercida pelo enoturismo na internacionalização dos vinhos portugueses, ou seja, verificar se a existência do turismo associado ao vinho promove uma maior divulgação e disseminação dos vinhos portugueses no exterior. Sendo assim, a perceção dos produtores de vinho, diretores de empresas de enoturismo e dos turistas foi fundamental para uma melhor compreensão deste panorama e da sua aplicação.

Através deste objetivo, pretendia-se também apurar qual o exato contributo do enoturismo para o aumento da internacionalização do setor dos vinhos nas últimas décadas, pressupondo-se que o mesmo existe e é já notável.

5.2. Processo de investigação

Primeiramente, é de referir que se efetuou uma pesquisa bibliográfica, de modo a se recolherem conhecimentos prévios sobre o setor vitivinícola em Portugal, o enoturismo e a internacionalização das empresas produtoras de vinho, dando, desta forma, uma contextualização aos temas centrais da dissertação, como se pôde verificar anteriormente.

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Em segundo lugar, foi utilizada uma abordagem combinada, isto é, quantitativa e qualitativa. Segundo Bryman (2012), a abordagem quantitativa implica a quantificação de dados, sendo apresentada através de estatísticas utilizando indicadores observáveis, enquanto a abordagem qualitativa, sendo subjetiva, enfatiza a perceção dos indivíduos do mundo social que os rodeia, focando-se mais nas palavras do que nos números.

A presente dissertação envolveu as duas abordagens. Por um lado, a realização dos inquéritos permitiu a averiguação estatística do tipo de turista que visita as caves de vinhos, desde a idade, habilitações literárias a país de origem. Por outro lado, as entrevistas realizadas levaram a um melhor entendimento da perceção do tema em estudo pela parte dos diretores de entidades enoturísticas e vitivinicultores.