Virkning og gjennomføring av planer
9.5 Behov for å knytte flere virkemidler til planene
A atmosfera tem recebido considerável atenção na literatura desde que Kotler (1974) fez uso do termo atmospherics para referir o design consciente do ambiente de consumo, no propósito de influenciar as respostas afetivas, cognitivas e comportamentais do consumidor. Atualmente, é também amplamente reconhecida a ideia de que o constructo da atmosfera é aplicável a todo o tipo de organizações, sendo dada maior relevância ao seu uso no setor das artes (Colbert, 2003; Lehman, 2012). Considerando as
125 alterações estruturais que vêm ocorrendo ao nível das instituições do setor, hoje muito mais que locais de divulgação passiva de arte, assim como a crescente necessidade de dilatar audiências, uma maior orientação de mercado é essencial para o sucesso neste setor (Butler, 2000; Colbert, 2003; Petkus Jr., 2004). Museus, galerias e outros espaços de divulgação de arte desempenham um papel de relevo na sociedade, ao promoverem a educação e a aprendizagem. Deste modo, devem continuar a ser capazes de educar o consumidor, de forma cada vez mais eficaz. Não obstante, torna-se irrazoável admitir que o consumidor de arte é movido apenas pela vontade de enriquecimento cultural. Hoje em dia, este é movido pelo desejo de entretenimento e pela busca de benefícios hedónicos. Por esse motivo, devem ser igualmente capazes de oferecer experiências cativantes, que possam ser em si mesmas um meio de promover a aprendizagem, de cimentar relacionamentos duradouros, de atrair novos visitantes (através do passa-a-palavra) e de maximizar o seu impacto no público, canalizando maiores financiamentos. Neste campo, a individualidade do espaço e os estímulos nele presentes são peças vitais da experiência da arte. Assim, numa abordagem às noções de marketing experiencial e sensorial, aplicadas ao setor artístico, a presente investigação vem introduzir evidências que pretendem enriquecer o conhecimento teórico e empírico sobre o papel da atmosfera na resposta do consumidor de arte. Ao integrar a análise ao efeito de uma variável específica do ambiente, a investigação realizada pode vir a revelar-se útil, ou pelo menos, ser vista como ponto de partida para entender o modo como a música afeta este processo de consumo. No geral, constata-se que o efeito de estímulos musicais, que a literatura atesta moldarem emoções e comportamentos no retalho e nos serviços, não é totalmente válido para o contexto da arte, assumindo-se a sua influência mais complexa que o antecipado. Por um lado, as evidências do estudo I sugerem que os consumidores que experienciem a presença de música na atmosfera de uma galeria ou museu, por exemplo, deverão sentir-se menos estimulados e agradados com a arte, podendo tal reação despoletar comportamentos menos favoráveis e manchar a sua impressão quanto à experiência. Pelo contrário, as evidências do estudo II, não sendo totalmente conclusivas, ilustram a tendência da música para gerar um apelo mais favorável juntos do visitante, imergindo-o numa experiência sensorialmente mais rica, e, dessa forma, reforçando a sua avaliação afetiva da mesma, potenciando a sua recordação, e, por meio de emoções e memórias positivas, conduzindo a comportamentos mais favoráveis.
Algumas aplicações práticas derivam de tais descobertas. Muito embora não se constitua como prova irrefutável, poderemos especular que a observância de um efeito negativo fornece indicações de que a introdução de música em locais primordialmente destinados ao contacto com arte pode conduzir a perceções de desconfirmação em relação ao ambiente (de barulho, confusão), levando a que este seja encarado, não como potenciador, mas como contaminador da experiência artística central. Com efeito, mais importante que a presença de música num ambiente é a perceção de que a música é adequada a esse ambiente, sendo dela que resulta uma experiência positiva (Vida et al., 2007). Neste campo, a hipótese de sobre-estimulação ganha força, podendo a introdução de estímulos musicais acarretar o risco de sobrecarga sensorial. Sendo a experiência da arte marcada pela busca de momentos de
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estimulação artística, logo, pela presença de fortes estímulos visuais (ao contrário do que acontece, por exemplo, da experiência no retalho, onde a atividade central é, na sua essência, utilitarista), é razoável admitir-se que a existência de múltiplos estímulos no espaço obrigue a um maior esforço de processamento por parte dos visitantes, impedindo que estes se possam sentir positivamente estimulados.
Atende-se, portanto, que embora estímulos sensoriais possam, em teoria, ser usados por instituições de arte para atrair visitantes (Carù e Cova, 2005), funcionando como attention-creating medium (Kotler, 1974), na prática, o seu uso não devidamente planeado poderá revelar-se prejudicial. Esta descoberta é importante pois sugere que as instituições de arte que utilizam a música no ambiente das exibições, assumindo que esta torna a experiência de visita mais agradável, devem planear melhor o modo como gerem tal componente sensorial, para que esta não se torne contra produtiva. Neste cenário, é possível avançar que os modelos propostos pelo marketing experiencial não devem ser transferidos direta e integralmente para o contexto da arte, devendo ser usados com a devida cautela.
Perante tal descoberta, poderíamos ser levados a admitir não existir margem real para instituições de arte arquitetarem atmosferas musicais (caso ainda não o façam) ou para continuarem a incluir a música no ambiente das suas exibições. Porém, ao investigar o processo cognitivo, associado à assimilação e à recordação da arte, concluiu-se que o mesmo é favorecido pela presença de música. Esta constatação sugere a necessidade de um trade-off, entre proporcionar um ambiente calmo e silencioso, no qual o consumidor se possa sentir mais estimulado pela arte em si, potencialmente desenvolvendo interesse pela sua aquisição, e proporcionar uma atmosfera musical, onde a assimilação da arte saia beneficiada. Paralelamente ao fornecimento de contributos sobre o papel específico da música, este estudo revelou também as relações entre a experiência hedónica inerente à visita a espaços artísticos (ao consumo de arte, em sentido mais lato) e as dimensões pós-experiência, sugerindo que podem afetar a satisfação e a lealdade dos visitantes, medidas pelas suas expetativas futuras de relacionamento com a organização. Experiências positivas, que envolvam o indivíduo emocionalmente, irão conduzir a maiores intenções de regressar, recomendar a outros ou eventualmente de efetuar uma compra imediata, como forma de intensificar a experiência. Os resultados do estudo II mostram que os estados de estimulação positiva estão diretamente associados a intenções de consumo mais pronunciadas, evidências que ilustram a importância de medir as emoções do consumidor, visto serem, em última instância, determinantes da sua fidelização. Apelar ao uso dos sentidos, estimular a reflexão, a curiosidade e a aprendizagem são alguns ingredientes que concorrem para despertar emoções positivas, as quais podem, por sua vez, tornar a experiência memorável. Por outro lado, quanto mais positivas forem as emoções induzidas pela experiência, e quanto mais favoráveis as memórias criadas, mais reforçadas sairão as intenções de consumo. Como tal, criar mecanismos que reforcem o desenvolvimento de emoções positivas poderá contribuir para que se observem nos visitantes os comportamentos mais desejados.
127 Assim, cabe às instituições de arte fidelizar os seus visitantes, proporcionando-lhes experiências tão estimulantes e prazerosas quanto possível. Neste domínio, o estudo II contribuiu com evidências de que a música, ao amplificar a natureza sensorial da visita, poderá, na realidade, desempenhar um papel benéfico, considerando o seu poder para moldar estados de espírito e para potenciar a função memória. Com efeito, a música pode ter um efeito amplificador do impacto da experiência, revelando tendência para aumentar a probabilidade de esta ser percecionada como estimulante e agradável, de se tornar memorável, e de ser repetida ou recomendada a outros.
Em síntese, as evidências de que reações à música estão associadas a respostas à própria arte sugerem que as instituições do setor devem ponderar devidamente o uso de atmosferas musicais, considerando as suas especificidades próprias, e não fazer uso da música apenas em função das preferências ou dos interesses da gerência (a decisão de introduzir música é muitas vezes intuitiva, não sistemática e pouco planeada, apenas porque a sua presença é apreciada pelo staff, potencialmente impedindo a criação da atmosfera mais adequada à experiência hedónica dos visitantes). Assim, é vital que planeiem antes de decidir criar ambientes musicais e que, caso o desejem fazer, selecionem com cautela quais as músicas a usar, de modo a que estas possam potenciar, e não distorcer, a experiência como um todo.
Neste âmbito, não devem optar pela utilização de música ambiente sem considerar os propósitos da sua inclusão, em função dos objetivos estratégicos da organização. Se o intuito for o atrair um maior número de visitantes, incitando comportamentos de aproximação, uma inclusão da música, enquanto elemento diferenciador da oferta, poderá ser potencialmente justificada. Se o intuito for o de induzir os visitantes a permanecer mais tempo, esperando que uma visita mais prolongada lhes permita apreciar a arte de forma mais intensa e retirar melhor partido das vertentes sensorial e cognitiva da experiência, a música também poderá ter um papel-chave. Se o intuito for fomentar a aprendizagem e conhecimento da arte, a presença de estímulos sonoros poderá ser igualmente desejável. Neste cenário, não há como escolher entre música mais mexida e música mais calma sem considerar o contexto em que será usada e o tipo de oferta artística. No geral, música mexida tende a produzir efeitos mais positivos que música calma (em termos de avaliações e intenções de consumo), exceto ao nível da recordação. Em adição, há que acautelar para possíveis interações entre o estilo artístico representado e os estímulos sonoros do ambiente. Aparentemente, estilos mais contemporâneos, vanguardistas e modernos (como o estilo abstrato) são mais adequados para ser apreciados na presença de música – particularmente, de música mexida – do que os estilos mais clássicos ou mais tradicionalistas (como o estilo figurativo). Por outro lado, se o principal objetivo da organização passar por gerar impulso de compra imediata, mediante uma favorável avaliação da arte, a presença de música ambiente não terá, à partida, as potencialidades para despoletar o interesse do potencial comprador, sendo uma atmosfera silenciosa, de recolhimento e de contemplação aparentemente mais desejável.
Qualquer decisão estratégica ao nível do design da atmosfera implica conhecer as características do público-alvo a quem a organização se dirige, e bem assim as suas expetativas quanto à experiência de
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consumo. As galerias de arte, por exemplo, podem ter como público preferencial colecionadores ou os visitantes lúdicos, sendo estes teoricamente movidos por objetivos e motivações próprias. Igualmente importante será distinguir entre momentos e situações de consumo. Numa situação de consumo mais informal ou recreativa, associada, por exemplo, à atividade turística, a agradabilidade da visita poderá ser acentuada pela presença de estímulos na atmosfera. Nessas circunstâncias, a utilização da música certa poderá ajudar a converter uma atividade banal numa experiência única e memorável, trazendo consequências positivas, não necessariamente em termos da lealdade do consumidor, mas em termos da sua satisfação.
Concluiu-se ainda que o papel de alguns atributos demográficos dos visitantes, tais como a idade, não deve ser desprezado. De modo geral, os jovens são mais sensíveis às variáveis sensoriais. A sua mais negativa reação à arte na presença de música sugere que se o target são as faixas etárias jovens, há que evitar atmosferas com música. Ainda assim, em termos relativos, música mexida será tendencialmente mais apreciada que música calma. Por outro lado, se o target são as faixas mais altas, a utilização de música, sobretudo calma, poderá ser particularmente importante para potenciar a recordação da arte. Adicionalmente sabe-se que estímulos auditivos tendem a ser mais eficazes quando se atinge o nível ótimo de estimulação, o qual é função da preferência musical. Assim, o ritmo (à semelhança de outros elementos estruturais da música) deve ser cuidadosamente selecionado para ir ao encontro do perfil dos visitantes, o que obriga a um esforço de segmentação das audiências. A este nível, poderá ser útil separar os consumidores que procuram experiências sensoriais estimulantes, daqueles que as evitam. É uma tarefa deveras desafiante para as instituições de arte: por um lado, devem criar condições para atrair público às suas exibições, se possível diferenciando-se da concorrência, e estimular a compra, a recomendação da visita e o retorno; para isso, devem ser capazes de providenciar aos visitantes uma experiência sensorial, afetiva e cognitivamente estimulante, prazerosa, e suficientemente valorizada e memorável para gerar futuras intenções de comportamento favoráveis. Adicionalmente, têm também a missão de educar os visitantes; para isso, devem investir em estratégias que facilitem a apreensão da arte e estimulem a aprendizagem e a sua recordação, pois só arte que é compreendida e recordada pode ser verdadeiramente apreciada, contribuindo para garantir a lealdade do consumidor. Neste campo, o papel da música em desenvolver processos cognitivos não deve ser descurado.