1. Introduksjon
1.8 Isotermisk titreringskalorimetri (ITC)
1.8.4 Begrensninger ved ITC
Acredita-se, que a propriedade não se configura apenas status social ao produtor, pois além de dotá-lo de condições de acesso a financiamentos bancários, possibilita a uma melhor exploração da unidade produtiva. Além do que, essa condição de ocupação da propriedade permite uma avaliação dos resultados econômicos e financeiros da atividade com mais precisão.
Quase não há diferenciação entre as condições de ocupação das unidades produtivas entre grupos, quando se comparam os produtores da região como um todo com os produtores apenas do pólo Petrolina-Juazeiro, a não ser pela maior concentração de irrigantes de projetos públicos entre os produtores do Pólo (tabela 11).
A quantidade de produtores do Pólo pertencente ao Grupo A é quase três vezes superior à quantidade de produtores do Nordeste nesse mesmo grupo, fenômeno que não ocorre entre os produtores do Grupo C, que se equiparam entre os dois universos de estudo.
Assim, pode-se deduzir que a exploração da fruticultura entre irrigantes de projetos públicos deve ser mais eficiente entre os produtores do pólo que entre os produtores de toda a região. Essa dedução é possível, haja vista que se quantitativamente os produtores do Grupo C têm uma semelhança, pode-se creditar a maior eficiência aos irrigantes do Pólo, que apresentam indicadores bastante superiores às demais regiões do Nordeste.
TABELA 11 – Comparativo da condição de exploração da unidade produtiva
Discriminação Grupo A Grupo C
NE Pólo Dif NE Pólo Dif
Proprietário 69,8% 47,8% 22,0% 50,2% 59,1% -8,9%
Arrendatário 4,0% 0 4,0% 1,2% 0 1,2%
Posseiro 0,8% 0 0,8% 4,3% 0 4,3%
Cessionário 0 0 0,0% 8,5% 4,5% 4,0%
Irrigante de projeto público 16,7% 47,8% -31,1% 24,9% 22,7% 2,2% Assentado de reforma agrária 8,7% 4,3% 4,4% 10,1% 13,6% -3,5%
Parceiro 0 0 0,0% 0,4% 0 0,4%
Outros 0 0 0,0% 0,4% 0 0,4%
Total 100,0% 100,0% 0,0% 100,0% 100,0% 0,0% Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
6.2.5 - Tipologia da fruticultura
A prática da irrigação constitui-se uma variável de sucesso para fruticultura regional, constatada a irregularidade e a má distribuição das chuvas, o que torna a agricultura de sequeiro muito mais vulnerável.
Todos os entrevistados da amostra no Pólo utilizam a prática de irrigação, resultado diferente do encontrado para todo o Nordeste, em que cerca de 27% dos produtores do Grupo A e de 36% do Grupo C não utilizam esta prática (Gráfico 2).
GRÁFICO 2 – Classificação da tipologia de fruticultura desenvolvida pelos produtores do Pólo Petrolina –Juazeiro e do Nordeste.
0 20 40 60 80 100 120 Grupo A no Polo Grupo C no Polo Grupo A NE Grupo C NE Irrigado Nao Irrigado Misto
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Sabe-se que a prática da irrigação na fruticultura, por si só, não pode garantir bons resultados econômicos e sociais para os fruticultores, já que os resultados finais dependem do bom funcionamento dos demais elos do agronegócio das frutas. Entretanto, no caso do Nordeste e principalmente no Semi-Árido, a prática da irrigação constitui-se numa das variáveis potencializadoras do sucesso – ao menos no que respeita aos aspectos produtivos – pela redução das vulnerabilidades dos cultivos aos problemas climáticos, propiciando maior produtividade e regularidade na oferta de frutas.
De um modo geral, a prática da irrigação constitui uma das variáveis responsáveis pelo êxito da fruticultura no Nordeste, uma vez que 73% dos fruticultores do grupo A utilizam um ou mais métodos de irrigação, contra 64% no grupo C.
A existência de cerca de 27,3% de fruticultores do grupo A da Região Nordeste que tem a fruticultura de sequeiro como única atividade econômica significa dizer que, no Nordeste, existem áreas com vocação para espécies frutícolas sem a adoção da prática da irrigação, a exemplo do litoral, Zona da Mata, inclusive o Recôncavo Baiano e o Extremo Sul da Bahia e as serras úmidas nordestinas. Nas áreas de São Domingos do Maranhão (MA), nos municípios litorâneos e Ibiapaba, no Ceará, Sapé (PB/PE), Sul de Sergipe (SE/BA) e Cruz das Almas (BA) a fruticultura é desenvolvida, predominantemente, sem a prática da irrigação (SANTOS et al., 2007).
Nas duas últimas décadas, a fruticultura irrigada no semi-árido, vem revelando-se uma atividade competitiva no contexto econômico nordestino. Ademais, dada a qualidade de seus produtos, a agricultura irrigada nordestina tem conseguido abrir espaços no mercado internacional que permitem projetar uma expansão ainda mais acentuada e em bases sustentáveis. Mais que tudo, a fruticultura irrigada do semi-árido resulta da consolidação do conhecimento das práticas de irrigação, propiciadas pelas quase três décadas de investimentos públicos e privados em projetos de irrigação na região (LIMA E MIRANDA, 2001).
6.2.6 - Tecnologias adotadas na fruticultura
6.2.6.1 - Tecnologias adotadas, segundo escala de produção
A evolução impressionante apresentada pela fruticultura brasileira nos últimos anos está diretamente associada à introdução de novas tecnologias e à potencialização dos recursos disponíveis nas diversas regiões.
Para classificação dos produtores quanto a tecnologia utilizada, esse critério apoiou-se no elenco de 41 técnicas utilizáveis na fruticultura, quando da aplicação dos questionários (ANEXOS). A classificação do fruticultor nordestino, quanto ao nível tecnológico, foi baseada na quantidade de técnicas utilizadas, obedecendo à seguinte escala:
a) até 10 técnicas – nível tecnológico tradicional; b) de 11 a 20 técnicas – nível tecnológico moderno; e
c) acima de 20 técnicas – nível tecnológico avançado ou de ponta.
Os resultados abaixo indicam a escala de tecnologia utilizada dentro dos grupos de estudo contrastantes, A e C, na região do Pólo Petrolina-Juazeiro.
GRÁFICO 3 - Tecnologia utilizada segundo a escala de produção dos fruticultores do Pólo Petrolina-Juazeiro
Fonte: Pesquisa Autor
O gráfico acima possibilita observar diferenças quanto a adoção de tecnologias entre os grupos contrastantes da pesquisa.
No grupo C verifica-se um equilíbrio entre as classes de tecnologias adotadas. No grupo A é possível identificar uma maior presença de propriedades com uso de tecnologia avançada ou de ponta o que demonstra a importância da adoção de tecnologias para o sucesso da fruticultura.
Utilizando-se da mesma metodologia de classificação do estudo aplicado ao Nordeste, verifica-se que os produtores do Pólo têm nível tecnológico elevado frente à média do Nordeste – diferença de 55,7% no Grupo A e 27,1% no Grupo C (Tabela 12).
Também é verificado que irrigantes com técnicas tradicionais têm maior participação no Grupo C.
A adoção de tecnologias adequadas à realidade de cada produtor, principalmente entre os pequenos, é considerada como condição fundamental para a transformação de sua realidade produtiva, com reflexos no desenvolvimento rural (SANTOS et al., 2006).
TABELA 12 – Comparativo das tecnologias usadas pelos produtores da região Nordeste e do Pólo Petrolina – Juazeiro
Grupo A Grupo C
Discriminação NE Pólo dif NE Pólo dif
Tradicional 27,3% 8,7% 18,6% 60,6% 36,4% 24,2%
Moderna 54,5% 17,4% 37,1% 34,7% 31,8% 2,9%
Avançada/ponta 18,2% 73,9% -55,7% 4,7% 31,8% -27,1%
Total 100,0% 100,0% 0,0% 100,0% 100,0% 0,0%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
A adoção de tecnologia avançada e de ponta é um dos maiores diferenciais entre os produtores do pólo e de toda a região Nordeste, tanto entre os produtores
do grupo A, quanto entre os produtores do Grupo C. Essa diferenciação é visível pela adoção desse tipo de tecnologia - sempre de forma preponderante pelos produtores do pólo Petrolina-Juazeiro, conforme se observa na tabela 12. Essa diferença é bem mais acentuada entre os produtores do grupo A (55,7 pontos percentuais), mas bastante elevada também entre os produtores do Grupo C (27,1 pontos percentuais).
6.2.6.2 – Nível de tecnologia adotada – auto-avaliação dos fruticultores
A classificação do nível tecnológico dos fruticultores, baseada na autoavaliação, serve para aferir o seu posicionamento competitivo: se os produtores têm consciência de que se encontram defasados, vão as buscas de melhorias, quando se consideram iguais ou superiores aos seus concorrentes, não vêem motivo para melhora.
A tabela 13 apresenta os resultados comparativos do Pólo x Região NE e podemos constatar que os agricultores do Nordeste se classificam de uma forma mais conservadora quanto a adoção de tecnologias, predominando o uso de tecnologia tradicional, frente aos fruticultores do Pólo.
TABELA 13 – Comparativo das tecnologias usadas pelos produtores da região Nordeste e do Pólo Petrolina – Juazeiro, segundo a auto-avaliação dos produtores
Grupo A Grupo C
Discriminação NE Pólo dif NE pólo Dif
Tradicional 24,8% 8,7% 16,1% 64,0% 40,9% 23,1%
Moderna 36,4% 47,8% -11,4% 27,1% 40,9% -13,8%
Avanç/ponta 38,8% 43,5% -4,7% 8,9% 18,2% -9,3%
Total 100,0% 100,0% 0,0% 100,0% 100,0% 0,0%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
6.2.7 - Atividades não-agrícolas desenvolvidas pelo fruticultor
O exercício de alguma atividade não agrícola pode influenciar de forma positiva a exploração da fruticultura, considerando a possibilidade de que os
produtores possam vir a aportar recursos de outras fontes às suas atividades produtivas ou obter conhecimento com experiências gerenciais.
Os dados da tabela 14 podem contradizer a hipótese anterior. Eles demonstram que um dos grandes diferenciais do pólo Petrolina-Juazeiro está no não exercício de outras atividades além da atividade agrícola, tanto entre os produtores do Grupo A, como entre os produtores do Grupo C.
TABELA 14 – Relação das atividades não agrícolas desenvolvidas pelos fruticultores do Pólo Petrolina-Juazeiro e do Nordeste
Discriminação Grupo A Grupo C
NE Pólo dif NE Pólo dif
Comerciante 33,3% 13,3% 20,0% 20,8% 0,0% 20,8% Profissional liberal 12,5% 13,3% -0,8% 13,0% 5,3% 7,7% Industrial 6,3% 0,0% 6,3% 0,0% 0,0% 0,0% Funcionário público 20,8% 6,7% 14,2% 3,9% 0,0% 3,9% Aposentado 10,4% 6,7% 3,7% 31,2% 10,5% 20,6% Militar 0,0% 0,0% 0,0% 1,3% 0,0% 1,3% Autônomos (informal) 4,2% 0,0% 4,2% 14,3% 0,0% 14,3% Assalariado privado 8,3% 0,0% 8,3% 2,6% 0,0% 2,6% Outros 4,2% 0,0% 4,2% 13,0% 0,0% 13,0%
Não exerce outra atividade 0,0% 60,0% -60,0% 0,0% 84,2% -84,2%
Total 100,0% 100,0% 0,00% 100,0% 100,0% 0,0% Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Considerando apenas produtores registrados como Pessoa Física, verifica-se que 40% dos componentes do Grupo A exercem atividades extra-rurais. Por outro lado, esse percentual é de apenas cerca de 16% para os produtores do Grupo C. As relações são diferentes das encontradas no estudo de toda a região Nordeste, onde a totalidade dos fruticultores exercem outras atividades.
6.3 - Condições da Base Conceitual
A fruticultura, como atividade altamente competitiva no mercado internacional, não admite improvisação, nem amadorismo. Precisa desenvolver-se com sustentabilidade, profissionalismo e muita competência, apoiando-se no
conhecimento, nas informações de mercado, nas tecnologias inovadoras e na gestão profissional.
6.3.1 - Faixa etária do fruticultor e ano de constituição da empresa frutícola
Se por um lado o produtor mais idoso tende a ter mais experiência, muitas das quais transmitidas de pai para filho, por outro lado esse produtor pode apresentar maior resistência a mudanças e adoção de novas tecnologias, notadamente quanto ao manejo e preparo de solo (SANTOS et al, 2006).
TABELA 15 – Faixa etária dos produtores rurais - pessoa física
Nascimento Grupo A Grupo C
NE pólo Dif NE pólo Dif
Acima de 83 anos 0,0 0,0 0,0 0,5 0,0 0,5 63 - 82 anos 11,2 13,3 -2,1 12,6 14,3 -1,7 43 - 62 anos 40,2 53,3 -13,1 52,9 42,9 10,1 23 - 42 anos 40,2 20,0 20,2 29,6 33,3 -3,7 18 a 22 anos 6,5 13,3 -6,8 4,5 9,5 -5,0 não informado 1,9 0,0 1,9 0,0 0,0 0,0 Total 100,0 100,0 0,0 100,0 100,0 0,0 Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
A Tabela 15 apresenta os resultados do Pólo e da região Nordeste e permite constatar que entre os produtores do Grupo A, no pólo há uma maior concentração dos que têm idades entre 43 e 62 anos, enquanto que os mais jovens, com idade entre 23 e 42 anos, têm uma maior participação percentual no universo da região Nordeste como um todo, em comparação com os resultados do pólo.
Já com os produtores do Grupo C, a maior diferenciação está entre aqueles com faixa de idade entre os 43 e 62 anos, que se concentram em maior número no universo da região Nordeste como um todo, do que no pólo estudado.
6.3.2 - Grau de instrução do fruticultor
O grau de instrução é uma das principais variáveis de sucesso da fruticultura nordestina, por ser voltada para um mercado de elevada competição em termos de qualidade, preço e regularidade na oferta.
GRÁFICO 4 – Nível de instrução do fruticultor por grupo de produtor no Pólo Petrolina-Juazeiro
GRÁFICO 5 – Nível de instrução do fruticultor por grupo de produtor no Nordeste
Fonte: SANTOS et al., 2007
Como esperado, e não divergente do que ocorre em todo o Nordeste, os classificados no Grupo A apresentam formação mais elevada que os integrantes do Grupo C, o que demonstra a importância da educação no sucesso da atividade, mesmo que essa formação superior não esteja relacionada com as ciências agrárias. Numa comparação entre a região Nordeste e o Pólo se verifica que os fruticultores do Pólo apresentam uma melhor qualificação. Observa-se, principalmente, o fator que muitos dos produtores do Vale do São Francisco são oriundos de grandes centros (Recife, Salvador e Sul do país) cuja média apresenta um nível satisfatório de qualificação, o que implica ser esse um dos fatores de diferenciação ante o Nordeste como um todo.
Contrastando com esse cenário, observa-se que a maioria dos fruticultores nordestinos e a abundante mão-de-obra utilizada na atividade frutícola são constituídas por analfabetos ou pessoas de baixo nível de instrução, sem qualificação suficiente para utilizar com eficiência as informações técnicas de produto, processo, ambientais, mercadológicas, organizacionais e de gestão.
6.3.3 - Experiência com a atividade frutícola
A maturidade do fruticultor depende do tempo em que ele vem explorando a fruticultura. Contudo, tem-se de levar ainda em consideração que os grupos de fruticultores, mesmo explorando as mesmas fruteiras, encontram-se em estágio de maturidade diferente SANTOS et al., 2007.
De fato, a experiência com a fruticultura representa um indicador que, em parte, pode suprir o baixo nível educacional do fruticultor, além de ser importante para compensar parcialmente deficiências da assistência técnica de terceiros, notadamente no que diz respeito à freqüência desse serviço.
O gráfico abaixo indica o quantitativo de fruticultores de acordo com o tempo de experiência na atividade nos dois grupos do pólo estudados. Os resultados indicam uma maior quantidade de fruticultores com maior tempo de experiência no grupo A quando comparado com o grupo C.
GRÁFICO 6 – Tempo de experiência com a fruticultura dos produtores do Pólo Petrolina - Juazeiro
GRÁFICO 7 – Tempo de experiência com a fruticultura dos produtores do Nordeste
Fonte: SANTOS et al., 2007
Diferentemente do verificado no Nordeste, é mais amplo o percentual de participação de produtores com mais de 11 anos exercendo a fruticultura no Pólo (quase 70%).
6.3.4 - Acesso aos sistemas de irrigação
A irrigação constitui-se numa tecnologia indispensável no processo de produção tanto em regiões semi-áridas como em regiões de déficit hídrico. O emprego da irrigação na agricultura viabiliza a produção, regulariza e complementa o uso do solo aumentando a produtividade.
Considerando-se a irrigação como um complemento tecnológico capaz de garantir a produção agrícola e obter elevadas produtividades, envolvendo altos custos de instalação e manutenção, a aplicação de água deve ser feita na quantidade certa e no momento exato. A aplicação indiscriminada de água, sem bases técnicas, leva a perdas desnecessárias de água e energia, resultando em gastos e ao mesmo tempo contribuindo para a degradação ambiental.
GRÁFICO 8 – Comparação entre os métodos de irrigação utilizados pelos fruticultores do Pólo entre os dois grupos estudados.
Fonte: Pesquisa Autor
Analisando os resultados do Gráfico 8, constatamos que no Pólo, sistemas localizados de irrigação, que são mais eficientes, são amplamente utilizados por integrantes do Grupo A. O mesmo não é verificado para produtores do Grupo C, com amplo percentual de utilização de sistemas defasados.
A utilização adequada da água em cultivos irrigados tem condicionado aos produtores a garantia da produção. Todavia, a farta existência dos recursos naturais e o aumento da produtividade não se dão apenas com o fornecimento de água às culturas, mas também com a adequada aplicação de nutrientes tanto no solo como na planta.
No âmbito de cada área de concentração de fruteiras existem diferenças marcantes com relação aos sistemas de irrigação adotados, alguns deles já considerados obsoletos do ponto de vista tecnológico, com baixa eficiência na distribuição de água, dentre outras desvantagens técnico-econômicas. Além da prática da irrigação em si, importa também analisar os sistemas de irrigação utilizados. A irrigação localizada predominante no Pólo Petrolina-Juazeiro é a microaspersão, muito usada na videira.
O critério usado para considerar o sistema de irrigação localizada como uma tecnologia moderna está apoiado no fato dele reduzir os custos de produção,
economizar água e mão-de-obra (em muitos casos também energia), já que possibilita a aplicação de fertilizantes e de defensivos durante a irrigação, além de proporcionar o controle do processo de salinização dos solos.
GRÁFICO 9 – Comparativo entre os métodos de irrigação utilizados pelos fruticultores do Pólo e Nordeste no Grupo A
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
GRÁFICO 10 – Comparativo entre os métodos de irrigação utilizados pelos fruticultores do Pólo e Nordeste no Grupo C
No comparativo entre os fruticultores do Grupo A, não se verifica grandes diferenças entre o Pólo e o Nordeste (Gráfico 9). No Grupo C, uma diferença marcante é o uso da irrigação por sulco entre os produtores do Pólo, frente aos do Nordeste (Gráfico 10).
Apoiando-se, portanto, nas vantagens técnico-econômicas dos sistemas de irrigação existentes no mercado, nota-se, uma predominância da microaspersão nos pomares dos fruticultores nordestinos dos dois grupos de fruticultores, (73% no grupo A e 55% no grupo C). Contudo, observa-se que a utilização da microaspersão é 18 pontos percentuais maior no grupo dos produtores de melhores resultados.
O gotejamento, um dos sistemas de irrigação que apresentam, também, grande economia de água na fruticultura irrigada, tem uma participação relativa de 35,37% no grupo A (média do NE com o Pólo), enquanto entre os fruticultores do grupo C essa taxa alcançava somente 7,85%. Se considerarmos, conjuntamente, os dois sistemas mais economizadores de água – microaspersão e gotejamento – a sua presença é mais significativa no grupo A.
Por outro lado, os dois sistemas de maior consumo de água – sulcos e aspersão convencional – estão muito mais presentes no grupo de pior resultado.
Observa-se, assim, uma tendência dos fruticultores do grupo A na utilização de sistemas de irrigação mais modernos existentes no mercado, principalmente entre aqueles com elevado nível de instrução e com mais facilidade de acesso às informações tecnológicas e ao crédito, resultando, portanto, em maiores possibilidades de sucesso na atividade.
A irrigação por sulco no Nordeste apresenta um cenário de declínio na exploração de fruteiras e está restrita às pequenas áreas com textura argilosa, posto que favorece o acúmulo de sais nos solos e o grande consumo de água, implicando a elevação do custo de produção. Em que pese a tais restrições, observa-se que, muitos agricultores do grupo C utilizam esse sistema.
Fica evidenciado que o uso de sistemas mais modernos de irrigação é um dos instrumentos importantes para o sucesso dos empreendimentos frutícolas, seja reduzindo o consumo de água e de energia elétrica, seja favorecendo a queda da incidência de pragas e doenças e de plantas invasoras no pomar. Ademais, a prática da fertirrigação terá de ocorrer através da irrigação localizada.
6.3.5 - Acesso à assistência técnica
As verificações realizadas e os estudos descritos no material, objeto do presente trabalho, atestam que “A assistência técnica e a capacitação dos recursos humanos são serviços considerados essenciais para se fomentar, diversificar e modernizar a fruticultura no Nordeste. Por meio desses dois instrumentos torna-se mais fácil substituir as tecnologias de produção e gestão tradicionais pelas avançadas. Identificar a qualidade ou estágio em que se encontram esses dois itens ajuda a complementar o quadro anteriormente traçado sobre o nível tecnológico. Ressalte-se que, historicamente, a assistência técnica sempre mereceu a especial atenção de todos os programas de fomento e modernização da fruticultura no Nordeste”.
Pelas pesquisas realizadas, com relação à disposição de assistência técnica no Pólo, percebe-se que esta tem composição diferente da verificada na região Nordeste, principalmente pela ampla utilização de assistência técnica própria pelos produtores. Vale destacar também o elevado percentual de produtores sem nenhum tipo de assistência técnica entre os componentes do Grupo C (Tabela 16).
TABELA 16 - Comparativo entre o Pólo e Região Nordeste do tipo de assistência técnica utilizada pelos fruticultores
Discriminação Grupo A Grupo C
Nordeste Pólo Nordeste Pólo
Própria 37,19% 73,91% 9,32% 45,45%
Terceiros 41,32% 13,04% 64,41% 0,00%
Própria e de terceiros 6,61% 8,70% 5,51% 9,09%
Sem assistência técnica 14,9% 4,35% 20,8% 45,45%
Total 100,00% 100,00% 100,00% 100,00%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
A natureza da assistência técnica com que contam os fruticultores nordestinos também tem um razoável poder de explicação dos resultados obtidos. Primeiramente, as parcelas sem assistência técnica em ambos os grupos se afiguram expressivas diante da importância desse serviço. Mesmo assim, vê-se que a falta de
assistência técnica é maior entre os fruticultores de pior resultado (Tabela 16). Verifica-se que no Nordeste, os fruticultores do Grupo A e C dependem muito mais da assistência técnica de terceiros , tendo como principal instituição o serviço estadual de extensão rural. Em outras palavras, na medida em que o fruticultor contar com assistência técnica própria, elevam-se as chances de sucesso dos indicadores satisfatórios na fruticultura. Evidentemente, essa análise não pode ser isolada de outros fatores explicativos: contar com assistência própria significa ter condições de pagá-la, o que, por si só, já é um indicativo dos resultados que vêm sendo obtidos.
A via natural para a ocorrência de mudanças ou inovações na conduta e a inserção do fruticultor nordestino no mercado bastante competitivo das frutas é a educação, o treinamento e a capacitação, na medida em que a experiência por ele acumulada, por si só, está aquém da desejada.
6.3.6 - Acesso à capacitação
6.3.6.1 - Participação em eventos e cursos sobre fruticultura
A participação dos fruticultores em eventos contemplando aspectos de