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Begrensninger/hindringer som seniorer opplever for

Quando o docente se ausenta dos atendimentos, ou até mesmo durante o processo de acompanhamento, as assistentes sociais e psicólogas responsáveis realizam contatos por telefone ou visita domiciliar; ou se dirigem às escolas, procurando resgatar o ―paciente‖. Quando o usuário não responde a essas intervenções ou deixa de comparecer ao atendimento psicológico por três vezes, ele é desligado do serviço para que a vaga possa ser preenchida por outros professores ou professoras.

Destaco que a Casa trabalha em parceria com a rede de saúde mental. Alguns sujeitos são encaminhados ao Hospital das Clínicas, onde funciona a clínica de saúde mental do Estado. Outros são encaminhados para o Centro de Atenção Psicossocial de álcool e outras Drogas (CAPS-AD) para tratamento paralelo, como é o caso de docentes com dependência química (alcoolismo e outras substâncias). Esses professores em tratamento simultâneo devem comparecer à Casa do Professor mensalmente, apresentando um documento de frequência do CAPS-AD, para que a psicóloga comunique, através de relatório, o tratamento do servidor às instituições interessadas, geralmente às escolas e à CRH/SEED.

Há casos de docentes que optam pelo tratamento em centros terapêuticos fora do Estado. Nesses casos, o servidor é liberado pela SEED, após a autorização da AMPREV, porém, o próprio servidor custeia o seu tratamento. O psicólogo da Casa, responsável pelo docente, continua a acompanhá-lo, com ligações telefônicas periódicas e recebimento de documentos que comprovam o tratamento realizado, ―para respaldo do próprio servidor‖, como assegura a psicóloga entrevistada.

Os procedimentos de acompanhamento são processos formais e contínuos, assumindo

performances ritualizadas. Na Casa do Professor existe um Regimento Interno que norteia e

regulamenta os procedimentos relatados. Ao ler e analisar os autores que tratam de rituais e performances foi possível observar que as ações e práticas realizadas, no locus empírico da minha pesquisa, são, em grande parte, ritualizadas.

Parece subjazer, nesses rituais, um rol de motivações políticas e administrativas que orientam as ações dos atores sociais na Casa, que se transformam em regras de conduta dogmatizantes e estruturantes a nortear o cotidiano dos procedimentos técnicos e também as formas de sociabilidades no exercício das ações. Esse comportamento de controle ideológico por meio de hierarquias institucionais sobre as práticas e ações dos indivíduos me remete a Mary Douglas (1998, p. 80) quando afirma que ―até mesmo os simples atos de classificar e lembrar são institucionalizados [...]‖. E a autora acrescenta:

as instituições dirigem sistematicamente a memória individual e canalizam nossas percepções para formas compatíveis com as relações que elas autorizam. Elas fixam processos que são essencialmente dinâmicos, ocultam a influência que eles exercem e suscitam emoções relativas a questões padronizadas e que alcançam um diapasão igualmente padronizado (DOUGLAS, 1998, p. 109).

Seguindo essa linha de pensamento, Michel Foucault (2006, p. 109) criticou diversas modalidades institucionais ― escolas, prisões e manicômios ―, demonstrando como elas aprisionavam as mentes e os corpos. Semelhante a Mary Douglas (1998), Foucault demonstrou como o pensamento é transferido diretamente para as instituições e como as instituições passam por cima do pensamento individual e adaptam a forma do corpo a suas convenções.

Em relação à atuação da Casa do Professor, o psicólogo responsável pelo docente adoecido, cumprindo o seu papel institucional, acompanha todo o processo legal- administrativo do docente, fornecendo informações e fazendo intervenções facilitadoras para a reinserção desse professor na sala de aula, ou ― nos casos graves, nos quais o ―adoecimento se torna crônico e o professor não reúne condições para o trabalho‖ ―, para a aposentaria, conforme declarações de profissionais da Casa.

Muitos dos servidores atendidos não retornam ao exercício de suas atividades em sala de aula. Logo no início do tratamento eles são alocados em outros espaços escolares, denominados ―salas ambientes‖: sala de vídeo, sala de leitura, laboratório de informática; ou em espaços para exercer funções colaborativas ― na biblioteca, na secretaria escolar; ou, ainda, ficam ajudando outros professores em projetos educativos.

O psicólogo responsável também segue o processo de aposentadoria do docente junto à AMPREV e órgãos competentes. Em entrevista com a psicóloga Edileia, em junho de 2015, fui informada sobre a estatística dos casos de aposentadoria no decorrer da história do Psicossocial e da Casa do Professor:

a) Docentes aposentados (processo concluído) - seis professores com os diagnósticos: dois casos de esquizofrenia; dependência crônica (múltiplas drogas); transtorno bipolar grave com sintoma psicótico e dois por alcoolismo;

b) Professores em processo de aposentadoria, somente aguardando a conclusão do prazo de dois anos de avaliação para aposentadoria: cinco professores com os seguintes diagnósticos: dois casos de dependência crônica (múltiplas drogas); um caso de esquizofrenia; um alcoolista e um por diabetes e depressão grave;

O processo para a aposentadoria segue os trâmites legais, sendo necessários dois anos de avaliação, como afirma a minha interlocutora: ―após dois anos de licenciamento, se o seu estado psíquico e emocional não se restabelecer, o servidor será aposentado‖ (Edileia, entrevista concedida em 24 de outubro de 2014).

No Quadro 12 ao final deste capítulo, no qual apresento a rede e a dinâmica de funcionamento, e como os professores circulam durante o processo de tratamento, observei que o profissional da psicologia exerce importante função de mediação entre o trabalhador docente e outros dispositivos médicos, administrativos e jurídicos: Junta Médica, AMPREV, médico psiquiatra, hospitais, Ministério Público, escolas, SEED, e também realiza ações junto às famílias desses professores, quando necessário, acompanhando o usuário até a sua reinserção na sala de aula ou conduzindo ações para ajudá-lo nos trâmites para a obtenção da aposentaria junto à AMPREV.

A equipe de psicólogos totaliza onze profissionais: dois psicólogos e nove psicólogas. O atendimento individualizado é a prática terapêutica predominante. A Casa ainda não oferece terapia de grupo e cada psicólogo segue a ―sua‖ própria abordagem teórica e prática. Os atendimentos psicológicos são disponibilizados semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente, de acordo com a necessidade do servidor. Grande parte dos casos de docentes atendidos é submetida ao tratamento medicamentoso como suporte ao tratamento psicossocial. De acordo com o mapeamento construído, alguns pacientes chegam a fazer uso de até cinco tipos de psicotrópicos.