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CHAPTER 6: WOMEN‟S CONTROL OF THEIR OWN EARNINGS

7.2. Beer brewer‟s perception by others

Nesta seção abordam-se questões como localização, conjuntura econômica e relações industriais da empresa.

A empresa está localizada fora dos grandes centros industriais e comerciais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, o que é visto por seus dirigentes como um fator negativo em termos de competitividade no mercado, já que as grandes concorrentes, as multinacionais Nestlé e Lacta, estão localizadas nesse eixo produtivo. Mas estar sediada em Vila Velha revela alguns fatores positivos, como, por exemplo, o baixo custo de implantação e manutenção de uma planta industrial desse porte, já que o custo de vida é consideravelmente inferior ao do eixo produtivo de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.

Em 1998, o cenário econômico nacional marcou-se pela crise de credibilidade das moedas dos países em desenvolvimento e gerou instabilidade nos mercados. A evolução das contas públicas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), provocada pela política de juros altos combinada com o câmbio administrado por bandas, criou um ambiente recessivo, com reflexo em todos os setores da economia. No final do ano, esse cenário agravou-se ainda mais com a crise cambial motivada pelas significativas saídas de divisas, especialmente daquelas de fundo especulativo e de natureza volátil. Já no ano

de 1999, ocorreram alterações na política monetária e cambial, devido ao abandono da âncora cambial que fortalecia a moeda, e passou-se a adotar o sistema de cotações flutuantes. Até que a cotação das moedas atingisse patamar de acomodação natural, essa mudança gerou grande volatilidade. Como medida complementar, os grandes ajustes fiscais foram aprovados, ficando a implementação da reforma administrativa, em todos os níveis, bem como da reforma fiscal, para o ano corrente, na expectativa de que o País entrasse numa era de crescimento contínuo e sustentado.

Nesse sentido, percebeu-se uma melhora na conjuntura econômica, nos anos de 1999 e 2000, provocada pelo aquecimento do mercado e dos setores econômicos, que gerou um crescimento pequeno, porém perceptível.

O mercado em que a empresa está inserida é bastante competitivo. No ano de 1998, a concorrência entre os fabricantes de chocolates incrementou-se, pois novos competidores implementaram centros de faturamento ou de produção no Mercosul, atraídos pelo consumo per capita, ainda baixo, de 1,5 kg/ano (contra até 8 kg/ano em países desenvolvidos).

Outra característica determinante dessa época é que as maiores concorrentes, por se tratar de multinacionais, possuíam um aporte de capital de origem internacional. Mesmo assim, a Alpha mantinha uma relação muito ativa com o mercado, importando matérias primas e exportando produtos acabados e semi-acabados.

Um dirigente entrevistado fez a seguinte observação a respeito da atual conjuntura política e econômica do País e das mudanças na empresa:

“Olha, eu não digo nem o contexto político, eu digo o seguinte: o que veio fazer com que nós fôssemos obrigados a mudar? Isso, primeiro foi a globalização, a entrada de empresas internacionais no mercado brasileiro, que aumentou muito a competitividade. Antigamente você tinha três empresas, hoje em dia você tem uma cacetada de empresas... menores, então, tem de montão. Então, a concorrência ficou muito maior, a disputa pelo mercado ficou muito mais difícil. O mercado de chocolate não vem crescendo em valores absolutos, e o número de empresas que produzem chocolate hoje

está maior do que anos atrás; então a competitividade está muito alta e você tem que ir atrás do cliente, o cliente não vem mais atrás de você. O fator político eu acho que está dificultando todo mundo; não só a nossa empresa foi obrigada a mudar. A taxa de juros elevada está complicando, pois com isso há um menor crescimento, dificuldades de financiamento, e não só pensando internamente, mas, se você tem uma taxa de juros alta, o meu cliente, não, meu consumidor, não pode financiar. Então, se ele ia comprar 100 caixas, ele vai comprar 20 porque não pode financiar, tem que pagar com dinheiro dele, tudo isso dificulta. E você bancar com essa taxa de juros também fica difícil.”

Na fala do dirigente, percebe-se a preocupação com a atual conjuntura econômica e com o contexto político em que a empresa está inserida. A abertura do mercado ocorrida na época do governo Collor, a qual inseriu o País num contexto globalizado, trouxe pontos positivos e negativos para as empresa, oportunizando as exportações, mas trazendo empresas multinacionais para atuarem no mercado interno.

A Alpha está enfrentando essa realidade, já que possui uma estrutura de exportação satisfatória, porém concorre no mercado interno com outras empresas do ramo, de todos os tipos e de todos os portes, desde as gigantes - Lacta e Nestlé - até as de porte menor, como a Hershey’s e a Lindt, que não deixam de ser fortes concorrentes em nichos de mercado específicos.

Para enfrentar essa concorrência tanto no contexto nacional quanto no internacional, a empresa necessita captar recursos através de financiamentos e é nesse ponto que as coisas se complicam, já que no atual contexto as políticas de financiamento não são muito satisfatórias.

5.4 Tecnologia

Desde a sua fundação, a Alpha vem investindo em máquinas e equipamentos para compor a linha de produção da empresa, importando-os de países como a Alemanha, a Itália e a Suíça. A linha de produção é moderna e possui alto nível de automação, o que determina a alta capacidade de produção da empresa (ANEXO C).

Ao ser inquirido a respeito dos investimentos da empresa em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, um dos dirigentes entrevistados comentou:

“A tecnologia da empresa é importada, vamos dizer assim. A tecnologia utilizada é uma tecnologia de ponta, principalmente na parte de automação. Hoje nós temos uma média de 150 PLC dentro da empresa, quer dizer, tudo hoje é a base de PLC. A gente não trabalha mais com nada elétrico, é tudo eletrônico. Isso te dá produtividade, garantia, segurança. E não existem muitos fabricantes de equipamentos para chocolate, são seletivos. Você tem aí muitos equipamentos alemães, italianos, suíços, basicamente isso. Tem equipamentos brasileiros também, mas são equipamentos de menor porte. Como eu havia comentado, a empresa sempre foi muito voltada para a indústria, então, nunca ficou muito para trás em termos de tecnologia. A empresa sempre acompanhou, desde a sua fundação. O fundador vem buscando sempre evoluir, é claro que em certas épocas, mais ou menos, de acordo com o retorno financeiro. A gente desenvolve também, só que mais visando à melhoria das máquinas já existentes. A gente desenvolve automação de máquinas mais antigas, desenvolve um PLC para ela. É mais uma adequação de uma máquina que já está em funcionamento, visando à melhoria da minha produção. Agora, desenvolver tecnologias e fazer pesquisas não é o forte da empresa.”

Portanto, a Alpha tem por tradição investir muito em maquinário importado e na automação do processo produtivo. Esse é o fator determinante da alta capacidade de produção da empresa, que “possui um dos melhores parques industriais de chocolate do mundo”, segundo um dirigente entrevistado. Percebe-se então que a Alpha não investiu no desenvolvimento de pesquisa e tecnologia, concentrando seus esforços na produção de chocolates, balas e similares.

Atualmente, a empresa tem investido em tecnologia da informação. Seu ambiente foi totalmente reformulado, com a integração de computadores, redes de alta velocidade de tele-processamento, interligando os Centros de Distribuição, a Rede de Distribuidores e Força de Vendas, o que resultou em ganhos de produtividade.

Em 2000, deu-se continuidade à política de investimentos em tecnologia da informação, que resultou na atualização de todas as estações de trabalho e aplicativos de automação de escritórios, gestão de negócios, sistemas operacionais e servidores de última geração. O sistema integrado SAP R/3, o software de gestão para redesenhar todos os processos da empresa, melhorando o gerenciamento da informação e a qualidade do processo decisório, teve início em 1998 e encontra-se em fase final de implantação.

Outro grande destaque é o projeto Telecon que, com um sistema de informação centralizado e uma rede de comunicação via satélite, permite que todos os distribuidores do pequeno varejo estejam conectados à matriz, o que viabiliza vendas remotas em qualquer local do País.