Kapittel 7: Regulatorisk samarbeid i TTIP
7.1. Bakgrunn: Tidligere transatlantiske reguleringssamarbeid
Tanto a lógica do consumo quanto a evangélica são, portanto, distintas e inconciliáveis. Por um lado, a lógica do consumo aponta a dignidade do ser humano na categoria do “ter”, e não, do “ser”. Por outro, a lógica evangélica, para a qual a dignidade humana possui uma dimensão ontológica, de tal maneira que toda pessoa, criada “à imagem e
143 SUNG, Jung Mo. Sementes de Esperança. A fé em um mundo em crise. p. 77.
semelhança de Deus” (Gen 1, 26 – 27) deve ser tratada com dignidade pelo simples fato de ser humano.
Se a lógica do marketing, aplicada à religião, leva para a evangelização a lógica do consumo e do mercado, deve-se refletir se esse fato significa, ou não, a renúncia à lógica evangélica. E tal resposta, talvez, possa ser encontrada a partir do questionamento sobre qual a lógica que prevalece: a do consumo ou a do evangelho.
Para Sung, o problema surge à medida que não é possível conciliar a lógica do marketing, que está articulada à lógica do consumo, com o que ele chama de lógica religiosa ou lógica profética. Segundo ele,
Na lógica do marketing a empresa (ou a igreja) procura, em primeiro lugar, saber quais são os desejos dos consumidores e a partir disso elabora os seus produtos (bens físicos, simbólicos ou discursos) para atender esses desejos. Enquanto que na lógica profética procura-se conhecer primeiro a vontade de Deus ou a verdade a ser alcançada através de uma iluminação e depois se anuncia essa verdade mesmo que ela entre em conflito com o desejo da maioria da população145.
De acordo com essa visão, não cabe à Igreja Católica adaptar seu discurso ao que as pessoas desejam ouvir, mas é próprio da missão profética do cristianismo manter a fidelidade à mensagem que a Igreja entende que Deus manda dizer. Para Sung, quando há uma “subordinação da missão religiosa à demanda dos consumidores religiosos146”,ocorre a vitória da lógica do marketing sobre a lógica profética.
A lógica do marketing tem como pressuposto dizer o que é agradável ao interlocutor, ou, pelo menos, falar o que o público-alvo pretende ouvir. Por sua vez, os segmentos eclesiais que criticam o marketing religioso partem do princípio de que nem sempre é possível apresentar o conteúdo do Evangelho de Jesus Cristo de maneira agradável, visto que a dimensão profética do cristianismo impele os cristãos a fazerem a denúncia de todas as situações contraditórias às propostas do cristianismo. Nesse sentido, amenizar o conteúdo para tornar a mensagem mais agradável, para assim, conseguir aumentar o número de adeptos, não é uma atitude coerente com a missão profética do cristianismo, ainda que os efeitos práticos possam ser igrejas mais cheias.
É importante lembrar que Sung utiliza as palavras “consumidores religiosos”, bem como o significado que a expressão tem sob essa leitura. Se para o autor, enxergar o fiel como um possível consumidor é incoerente com a fé cristã; para os defensores do marketing religioso, não há problema sob essa perspectiva. Pelo contrário, por se colocarem diante da
145 SUNG, Jung Mo. Sementes de Esperança. A fé em um mundo em crise. p. 18. 146 Idem. Ibidem. p. 18.
tarefa de satisfazer as necessidades e os desejos do público alvo, os defensores do marketing religioso têm como normal que o fiel seja considerado um possível consumidor. Kater Filho, inclusive, conforme já foi mencionado no primeiro capítulo, utiliza a expressão “clientes da Igreja”. Para ele,
A Igreja não desenvolveu as técnicas para atingir e agradar aos seus consumidores, que são os fiéis. Os clientes da Igreja, que vão à missa pelo menos uma vez por semana, também freqüentam postos de gasolina, agências de banco, restaurante. São paparicados em todos esses locais, exceto na Igreja. O consumidor da fé é mal recebido e maltratado. Quem passa duas horas sentado em um banco de igreja sai de lá com dor nas costas porque os bancos não são anatômicos147.
A contradição, portanto, está articulada a diferentes concepções antropológicas, ou seja, a visões diferentes sobre o ser humano. Enquanto uns apontam que a evangelização, o anúncio da mensagem de Jesus Cristo, pode seguir a cartilha da lógica do consumo, e, portanto, do capitalismo, outros sustentam que o anúncio do Evangelho deve, exatamente, ser capaz de fazer a crítica à lógica do mercado e à cultura do consumo.
Outro autor que aponta o perigo de subordinação da ação evangelizadora à lógica e à cultura do consumo é René Padilla. Para ele, “quando a igreja se ajusta ao molde do mundo, ela perde a capacidade de ver e, mais que isto, de denunciar os males sociais de seu meio ambiente”148. Na mesma obra, Padilla aponta que
[...] a sociedade de consumo impôs um estilo de vida que faz da propriedade privada um direito absoluto e coloca o dinheiro acima do homem e a produção acima da natureza. Esta é a forma que hoje toma ‘este mundo mau’, o sistema no qual a vida humana foi organizada pelos poderes de destruição. O perigo da mundanalidade é este: o perigo de um acomodamento às formas deste mundo mau com todo o seu materialismo, sua obsessão pelo êxito individual, seu egoísmo cegante149.
De acordo com Padilla, portanto, diante de uma cultura do consumo que promove valores anti-evangélicos, a tarefa profética da Igreja é denunciar os males desse modelo, o que é diferente de acomodar-se às estruturas dessa sociedade de consumo a fim de proclamar o Evangelho. Nesse sentido, ao assumir a lógica do mercado como ponto de partida da ação evangelizadora, o marketing faz com que a Igreja Católica não tenha condições morais para exercer o profetismo e denunciar os males da cultura capitalista.
147 JUNQUEIRA, Eduardo. Como vender a fé. VEJA, 9 de junho de 1999. p. 9. 148 PADILLA, René. Missão Integral: ensaios sobre o Reino e a Igreja. p. 42. 149 Idem. Ibidem. p. 69.