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B.: SEE ALSO MILITARY GOODS CONTROLS AND 1C450

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Vedlegg V. Utstyr som kan brukes til intern undertrykkelse Del 1

N. B.: SEE ALSO MILITARY GOODS CONTROLS AND 1C450

“A volição é o exercício actual do poder que a mente tem em ordenar a consideração de uma ideia, ou em se abster de a levar em conta.” John Locke, 1690.

Quando fazemos uma panorâmica sobre o que sabemos acerca da natureza da mente somos confrontados com a seguinte questão sobre o que somos: Seremos meros agentes que planeiam num mundo social, obsecados só com o futuro? A resposta é simples: preparamos regularmente planos de acção, antecipadamente, e suportamos formas complexas de organização para interactuar com o ambiente que nos envolve e face ao estado futuro do mundo. No entanto, não nos restringimos a simples planeadores, pois no quotidiano presente agimos de forma instintiva e graças às nossas intuições. Após aprender os antecedentes causais de certos padrões de comportamento, um agente gera uma nova oportunidade de escolha. Para intervir, precisa de vontade, de força, pois agir não é só fazer! Muito do que executamos, e somos, é expresso e explicado em termos do que sentimos, acreditamos, desejamos, tencionamos, esperamos, receamos, etc. A compreensão do nosso comportamento é feita, assim, em função dos nossos estados mentais, ou seja das explicações das nossas acções (Corrêa e Coelho, 2005).

Na Psicologia Popular recorremos aos estados mentais, tais como os objectivos (estados que o agente alcança), as crenças (o que o agente imagina ser o estado do mundo a partir das informações e dos conhecimentos), os desejos (as preferências do agente, as motivação), as intenções (os objectivos ou os desejos com

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os quais o agente se comprometeu trabalhar), as expectactivas (as situações em que se espera a ocorrência de algo), e as emoções (acções, modos de pensamento). E, por isso, as criaturas artificiais são modeladas sobre tais estados mentais.

Ao longo da história da Filosofia os desejos foram consideradas por Hume como causas de acçãos e a vontade como um sub-produto dos processos causais subjacentes, enquanto para Kant o papel dos agentes, ou o poder e os princípios universais das suas acção, estavam por detrás dos desejos (como bases potenciais da acção). Para Espinosa, a vontade podia existir sem o desejo, mas não o desejo sem a vontade que estava sempre por detrás do desejo. James defendia que a vontade era energia, movimento, esforço de atenção, e as acções podiam ser rápidas ou lentas, conforme o grau de esforço e os impulsos. Estas ideias levaram-nos a re-considerar o modelo BDI, popularizado pela indústria de jogos de computador, e hoje em dia quase uma norma dos agentes artificiais. E, a crítica avançada mais à frente foi motivada por novas exigências de aplicações organizacionais muito complexas, onde a gestão dos recursos impõe o domínio da inteligência emocional. Como pode um agente controlar a razão sob tensão quando enfrenta outros agentes numa empresa?

Antes de agir um agente autónomo pensa e ganha energia e força para enfrentar o ambiente que o cerca. Tudo o que se passar em seguida, depende dos seus sentimentos, da sua alma (impulso, anima)! Por isso, faz sentido perguntar: Onde colocamos a alma na arquitectura da mente (interioridade) de um agente artificial? E, onde encontra um tal agente a energia (potência) para intervir e para se auto-motivar? Donde surgem as motivações e os recursos da sua potência? O que suporta os seus impulsos?

Quando pretendemos explicar como uma mente funciona e estabelecer uma escala da cognição recorremos ao diagrama da figura 2 (Devlin, 1991).

44 Percepção vontade Crença Desejo (escolha e força) Intenção

(deliberação e escolha) decisão Acção

execução

Mundo

Figura 2: Mapa da cognição

Na figura 2 optámos por situar a vontade entre as crenças e os desejos, seguindo a sugestão de Espinosa, e por assinalar os diversos lugares da escolha e da tomada de decisão, os quais foram quase ignorados pelos defensores do modelo BDI.

A ideia da aplicabilidade da noção de vontade pode ser compreendida olhando para a teoria da Agitação de (Debord, 1957) e para a construção de situações (experiências, exercícios, simulações), de ambiências colectivas, dos conjuntos de impressões que determinam a qualidade do momento, onde a intervenção não é só execução. Vejamos um exemplo de acção directa (de agi-prop), onde é imposto a organização do lugar, a escolha dos participantes, e a provocação dos acontecimentos, com vista a obter a ambiência desejada e a comunicação das mensagens. A teoria da Construção de Situações, elaborada pelo grupo dos Situacionistas de Debord, é tão boa para o cinema, como para analisar o futebol sintético construído com agentes artificiais e explorado pelos jogos de computador! Em ambos os casos, procura-se um valor mais que distinga um grupo do outro, e, em nossa opinião, a vontade faz a diferença.

De facto, os agentes (com poder individual) aparecem em diversas situações, tais como:

Futebol: organiza uma jogada, envolvendo outros (trabalho colectivo/equipa) para marcar golo.

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Agitação: capta a atenção de um grupo, dos indivíduos, convence com argumentos (agita) e mobiliza-os para irem para o lugar X.

Emergência: após um desastre, toma o comando das operações (liderança), emitindo ordens para todos os outros, coordenando, realizando acções e dando exemplos de intervenção e ajuda.

Nestes exemplos simples surgem situações de dependência (aguarda ordens dos outros; ajuda/prejudica), de independência (faz acções, sem esperar pelo comando; intervém, transforma), e, de autonomia (assume iniciativas, em função da análise das situações; lidera, contesta, controla, ou coordena), onde a ideia de poder está sempre presente.

A noção de poder surge também por detrás de uma equipa que tem de realizar uma sequência de acções visando atingir um objectivo ou cumprir uma missão, como durante uma partida de RoboSoccer: durante o desenrolar de um jogo de futebol, em que a sua equipa está a perder, um jogador arrasta dois companheiros para virar o resultado, constroi um lance colectivo, conjugando e articulando esforços para lançar um contra-ataque demolidor (jogada de laboratório). De novo, o que faz a diferença é a bondade manifestada por aquele jogador.

No entanto, há que distinguir entre a potência (poder individual), organizado em torno do mobilizar, do agir e do fazer (Coelho e Coelho, 2003), onde se destacam as questões de mudança e re-organização, alteração do status-quo para enfrentar o novo, e o poder social, organizado em torno da dependência e da influência (redes de dependência), com particular destaque para o normativo, o disciplinador e o institucional (David, Sichman e Coelho, 2001). Neste último caso surgem problemas como a resolução de conflitos e a feitura de coligações ou de alianças. No primeiro caso, o poder individual tem a ver com a acção directa, e no segundo caso, o poder social, com o domínio. Também, a noção de poder individual (capacidade de concretização de objectivos, virada para os efeitos das acções sobre o mundo) está ligada à autonomia (capacidade de gestão do espaço mental, virada para os processos interiores), e esta articulação é importante de reter quando se projecta uma criatura artificial.

Do ponto de vista da tipologia, a emergência do poder começa de forma ascendente a partir do poder-de (poder individual de realizar uma acção directa, objectivo, resultado) e sobe para o poder social de influenciar. Entre estes dois estratos surge o poder-sobre, onde temos de entrar em linha de conta com a

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dependência (Castelfranchi, 2000). Ao longo deste artigo, iremos concentrarmo-nos apenas sobre o poder-de.

Temos ainda de distinguir entre a acção individual e a acção colectiva. No primeiro caso, não se espera que os indivíduos actuem consistentemente e que adoptem os objectivos do grupo. Pelo contrário, a maioria aproveita-se (“free-riders”), a seu favor, das contribuições dos outros (incerteza dos comportamentos). No segundo caso, os objectivos a serem alcançados conjuntamente pelos membros de um grupo são um bem público, que pode ser usofruído sem rivalidades, e de cuja fruição ninguém pode ser afastado.

No contraponto entre individual e colectivo, a ideia de multitude, importada de Espinosa, adquire uma enorme relavância, face à noção de povo defendida por Hobbes no seu Contrato Social. Por multitude, entende-se a rede de indivíduos, o conjunto de singularidades, o elemento orgânico do trabalho colaborativo, a multiplicidade, o movimento de elementos, sem convergir para um Um, que se compõem e constroem sem se evaporarem de forma centrípeta (em direcção ao centro), ou ainda a ideia de constituinte, com uma multiplicidade produtiva e auto- organizada. O povo ilude a individualidade, reclama a presença do chefe ou líder, e exige a centralização do poder como se o todo fosse apenas a soma anónima das partes.

O Um confronta o Múltiplo (Plural), ou ainda o poder-de individual joga contra o poder colectivo (combinação de poderes individuais através da cooperação, onde o todo não é a soma das partes). Importa compreender como agrupar sem necessidade de unidade (Um), sem subordinar as suas singularidades ou negar as suas diferenças, numa forma de organização, em rede, onde não exista uma hierarquia rígida e um chefe que imponha uma vontade sem contestação (facilita o contra-poder contra a forma centralizada e sob direcção responsável). De realçar que a multitude é fundada sobre a comunicação e a colaboração, isto é através da produção de linguagem, de imagens e de afectos. Por detrás há um bem público (conhecimentos, informações e relações), que interessa defender.

Quando se passa para a construção de uma organização há um movimento em direcção à complexidade. Um indivíduo não é anónimo: o Um compõe o Múltiplo, mas não se desfaz nele, pois o movimento dos Uns é centrífugo e não centrípeto (centralismo)! Logo, a cooperação é viável. O Um tem de ter qualidades, personalidade, potência para se afirmar e fazer afirmar o múltiplo (através da

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colaboração). Muitas vezes, nas organizações, esquecem-se estes aspectos devido à forma hierárquica como são construídas. Que agente democrático é este? Como se constroi este poder colectivo, sem domínio central, ou como devemos estudar a eterna oposição entre centralização e descentralização? Que democracias estão por aparecer no futuro (Hardt e Negri, 2000)?

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