6. THE COMMUNITY STUDY OF OUDTSHOORN
6.2 B ACKGROUND ON O UDTSHOORN
A presença de bases militares em solo estrangeiro é um fenómeno muito antigo. Harkavy122
recua até à Guerra do Peloponeso, referindo também os sucessivos impérios marítimos, regionais e globais, como são, por exemplo, os casos de Veneza, Portugal, Espanha, Holanda e Inglaterra. A partir da II Guerra Mundial, com o eclodir da Guerra Fria, as duas grandes potências, EUA e União Soviética, estruturam os seus sistemas de bases à escala global, com adaptações que se podem justificar com alterações nas dinâmicas da estratégica e com o surgimento de novas tecnologias com aplicação militar (aliás, a própria evolução tecnológica tem implicações profundas na evolução das estratégias)123. Com o fim da Guerra Fria, os
sistemas de bases da União Soviética sofrem uma forte desarticulação, mas os EUA mantêm os seus sistemas, adaptando-os embora em função das suas perceções dos sucessivos ambientes estratégicos e também tendo em conta as novas tecnologias que vão sendo incorporadas e os novos modelos de relacionamento com os aliados que vão sendo construídos. Este é um processo inacabado124.
2.1.
Explicações para alterações nos sistemas de bases
Há várias teorias que se propõem explicar alterações nas estruturas de bases, como são exemplos as teorias dos ciclos longos125, do esgotamento imperial126 e das chamadas políticas de
bases do país hospedeiro127. Para as teorias dos ciclos longos, uma falha de organização e
121 Cf. Sanger, D. E. (28 de dezembro de 1991). Philippines Orders U.S. to Leave Strategic Navy Base at
Subic Bay. The New York Times Web site. Acedido em maio de 2015, disponível
emhttp://www.nytimes.com/1991/12/28/world/philippines-orders-us-to-leave-strategic-navy-base-at- subic-bay.html. Os EUA estão, entretanto, de regresso às Filipinas, tendo por objetivo contrabalançar a influência chinesa na zona. Cf. Hernandez, V. C.& Whaleyjan, F. (12 de janeiro de 2016). Philippine Supreme Court Approves Return of U.S. Troops. The New York Times Web site. Acedido em maio de 2016, disponível em http://www.nytimes.com/2016/01/13/world/asia/philippines-us-
military.html?_r=0.
122 Harkavy, R. E. (1989). Op.cit.; Harkavy, R. E. (2007). Op. cit. 123 Cf. Krepinevich, A.&Work, R. O. (2007).Op. cit.
124 Cf. Pettyjohn, S. L. (2012). US Global Defende Posture, 1783-2011. Santa Monica: RAND.
125 Cf. Modelski, G. (1978). The Long Cycle of Global Politics and de Nation-State. Comparative Studies in Society and History, Vol. 20, nº 2, pp. 214-235.
126 Cf. Kennedy, P. M. (1987). The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict from 1500 to 2000. New York: Random House.
127 Cf. Cooley, A. (2008). Bases Politics: Democratic Change and the US Military Overseas. Ithaca: Cornell
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hierarquia resulta em guerras globais, das quais nasce um novo poder dominante. O processo repete-se no espaço de uma geração, instalando-se primeiro uma situação multipolar, que evolui para um sistema unipolar. Esta teoria parece não captar fenómenos como a vontade dos países hospedeiros (que, como vimos, também conta na manutenção de bases), além de parecer não ter em conta as alterações nos ambientes estratégicos dentro de um mesmo sistema internacional e as evoluções tecnológicos e suas implicações na estrutura de bases. A teoria do esgotamento imperial, por seu lado, pode ser utilizada para explicar a reorganização de bases por parte dos EUA, desde que tal ideia seja associada a declínio de poder, o que implicaria a necessidade de reorganização para manter o poder possível. Porém, esta teoria oferece uma explicação que tem em conta pouco mais do que o número de bases, o que parece insuficiente para explicar as alterações que ocorrem no sistema na Guerra Fria e depois dela e que, como já vimos, derivam de muitos fatores que estão para além de um eventual esgotamento imperial. Por fim, a teoria das políticas de bases dos países hospedeiros remete, como fator essencial, para as políticas internas destes países tanto o estabelecimento de bases, como a sua manutenção ou encerramento. O ambiente permanente é a negociação. Esta teoria, quando submetida à casuística, como já vimos, parece não oferecer explicação suficiente para captar o espetro das razões que levam a alterações nos sistemas de bases nos tempos que nos ocupam neste trabalho.
2.2.
O choque da realidade
As alterações que se verificam nos sistemas de bases dos EUA durante e após a Guerra Fria parecem ir para além das explicações tradicionais, uma vez que respondem, por exemplo, a modificações nos ambientes estratégicos e a evoluções tecnológicas, entre outros fatores que não estão ligados a declínio imperial, transições de ciclos ou mesmo, sobretudo de forma decisiva, a estratégias externas ou internas dos países hospedeiros128. Sendo assim, parece
adequado, também para o caso dos Açores, procurar explicações que liguem teorias tradicionais e outras que partem da análise casuística, como faz Takafumi129, sob pena de o fenómeno não
ser compreendido ou sequer captado, dado não responder às regularidades de longo curso ou a causas únicas que as teorias tradicionais referidas tendem a identificar. Quanto à presença dos EUA nos Açores durante a I Guerra Mundial, um fenómeno de muito curta duração, o que parece estar em causa é a vontade de um potência em ascensão versus um poder em declínio (ou pelo menos em dificuldades numa guerra de enorme dimensão) e uma pequena potência sem capacidade de decisão sobre o uso do seu próprio território, como veremos.
128 Cf. Krepinevich, A. &Work, R. O. (2007). Op. cit. 129 Takafumi, O. (março de 2012). Op. cit.
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