8.1 ”Kvasiautisme” og lignende tilstander
11. Avsluttende kommentarer
Com base no referencial teórico, identificamos que a pressão pelo desenvolvimento de estratégias empresariais que preconizem a adoção de práticas em ESG tem conduzido algumas organizações a se filiarem a clubes verdes, aderindo a um processo de institucionalização de práticas socioambientais proativas (DELMAS; MONTIEL, 2008; POTOSKI; PRAKASH, 2013; DeLEON et al., 2010). Portanto, a construção das hipóteses a seguir teve como base o estudo das teorias aqui abordadas e os resultados empíricos das pesquisas na área de DSE.
Relação entre Desempenho ESG e Financeiro
A maioria dos estudos mostra que a relação CSP e CFP é positiva e significativa, conforme demonstrado no Quadro 5 da seção anterior. A variável dependente mais utilizada no modelo econométrico desses estudos é o desempenho financeiro. Ou seja, os estudos procuram invest igar se o desempenho ESG, variável explicativa, exerce influência no desempenho financeiro, variável preditora. Baseada na “hipótese do impacto social”, a premissa é que uma gestão socialme nte atuante impacta positivamente no desempenho financeiro, pois investimentos socioambienta is tendem a melhorar a produtividade, aumentando o resultado e reduzindo o custo de capital e risco (MALIK, 2015).
Já a relação inversa, isto é, a influência do desempenho financeiro, a variável explicativa, no desempenho ESG, a variável preditora, é menos investigada na literatura (MARGOLIS et. al., 2009; JULIAN; OFORI-DANKWA, 2013; LU et al., 2014). Identificada na literatura como “hipótese da disponibilidade de recursos” (WADDOCK; GRAVES, 1997; SURROCA et al., 2010), preconiza que, em síntese, um melhor desempenho financeiro justifica maior disponibilidade de recursos para investir em RSE
Sendo assim, a primeira hipótese investigada é:
A segunda hipótese parte do modelo utilizado pela maioria dos estudos na área de RSE (WADDOCK; GRAVES, 1997; SURROCA et al., 2010), utilizando como variável dependente o desempenho financeiro:
H1b: O desempenho ESG da empresa influencia no seu desempenho financeiro.
Diferenças contextuais no desempenho ESG
Porém, considerando as diferenças institucionais entre países de economia desenvolvida e os de economia emergentes, é de se esperar que o desempenho ESG, nesses últimos, além de infer ior, não mantém relação significativa com o desempenho financeiro. São poucos os trabalhos que investigaram essa relação nos países emergentes (ARAS et al., 2010; CRISÓSTOMO; FREIRE; VASCONCELLOS, 2011). Por essa razão, a terceira hipótese investiga:
H2a: O desempenho financeiro das empresas de países emergentes não influencia o desempenho ESG dessas empresas.
Também é investigada a relação inversa: o desempenho ESG não exerce influencia no desempenho financeiro de empresas de países de economia emergente, conforme a quarta hipótese de pesquisa:
H2b: O desempenho ESG das empresas de países emergentes não influencia o desempenho financeiro dessas empresas.
Já considerando apenas os países de economia desenvolvida, é esperada a relação positiva em ambas as direções, conforme já verificado em vários estudos (ORLITZKY et al., 2003; ALLOUCHE; LAROCHE, 2005).
Para tanto, a quinta e sexta hipóteses investigadas são:
H2c: O desempenho financeiro das empresas de países de economia desenvolvida apresenta relação positiva no desempenho ESG dessas empresas.
H2d: O desempenho ESG das empresas de países de economia desenvolvida influencia positivamente o desempenho financeiro dessas empresas.
Participação em clubes verdes
Como um sistema institucionalizado, os clubes socioambientais podem usufruir de um certo nível positivo de credibilidade, além de gerar um maior valor reputacional para as empresas que deles participam, devido a exposição gerada pela marca do clube (MOON; DeLEON, 2007).
Empresas que estão listadas nos índices de sustentabilidade de bolsas de valores, aqui considerad as como um clube verde, obviamente, possuem alto desempenho em ESG, uma vez que, para participar do processo de inclusão nesses índices de bolsa, provavelmente o desempenho em ESG foi o principal fator de decisão para a inclusão no índice. Sendo assim, a sétima hipótese de pesquisa investiga:
H3: Empresas listadas nos índices de sustentabilidade de bolsas de valores apresentam melhor desempenho ESG, relativamente àquelas que não participam do índice.
A credibilidade e o valor reputacional gerados pelo fato de a empresa estar listada nesse índice podem atrair um maior consumo de seus produtos, e consequentemente melhores resultados financeiros e maior atração de investidores. Considerando as diferenças institucionais entre países desenvolvidos e emergentes, a oitava e a nona hipótese investigam:
H3a: Empresas pertencentes aos índices de sustentabilidade de bolsas de valores de países desenvolvidos apresentam melhor desempenho financeiro, relativamente àquelas que não participam.
H3b: Empresas pertencentes aos índices de sustentabilidade de bolsas de valores de países emergentes apresentam melhor desempenho financeiro, relativamente àquelas que não participam.
Setores polêmicos
Uma das principais questões encontrada na literatura em RSE refere-se ao fato de como é possível que as empresas com atividades em setores polêmicos, muitas vezes marcados por tabus sociais e
debates morais, atuem de forma socialmente responsável e se uma empresa pode ser socialme nte responsável ao produzir produtos prejudiciais à sociedade ou ao indivíduo.
Para manter a legitimidade de suas operações, empresas que exploram atividades econômicas consideradas, na literatura, como polêmicas, controversas ou sensitivas, necessitam de maiores esforços e investimentos em ESG, visando até mesmo minimizar os impactos de suas atividades para a sociedade e ao meio ambiente (LINDORFF; PRIOR JONSON; MCGUIRE, 2012; PATTEN, 2002; BRAMMER; PAVELIN, 2008).
Com base na literatura, é de se esperar que empresas que atuam nos setores polêmicos têm melhor desempenho em ESG, conforme a décima e última hipótese dessa pesquisa:
H4: Empresas de setores polêmicos têm melhor desempenho ESG comparadas às demais empresas dos outros setores.
Há um debate em aberto na literatura na tentativa de definir o que são setores controversos ou sensitivos. Os setores caracterizados por tabus sociais, debates morais e pressões políticas inclue m indústrias como tabaco, jogos de azar, álcool e entretenimento para adultos (CAI et al., 2012). Já outros setores, cujo impacto socioambiental é relevante e saliente para a sociedade, como as indústrias de energia, incluindo petróleo e gás, e de produtos químicos, papel e celulose, mineração e siderurgia, são chamados de sensitivo s (KILIAN; HENNIGS, 2014).
No Quadro 7 resumimos as dez hipóteses de pesquisa investigadas nesse trabalho.
Ordem Hipótese Número
Descrição da hipótese
1 H1a Desempenho financeiro exerce influência no desempenho ESG 2 H1b Desempenho ESG exerce influência no desempenho financeiro
3 H2a Desempenho financeiro de empresas de países emergentes não influencia o desempenho ESG dessas empresas
4 H2b Desempenho ESG de empresas de países emergentes não influencia o desempenho financeiro dessas empresas
5 H2c Desempenho financeiro de empresas de países desenvolvidos influencia o desempenho ESG dessas empresas
6 H2d Desempenho ESG de empresas de países desenvolvidos influencia o desempenho financeiro dessas empresas
7 H3 Empresas listadas em índices de sustentabilidade de bolsas de valores tem melhor desempenho ESG do que as demais que não são listadas nesses índices 8 H3a Empresas de países desenvolvidos que são listadas em índices de
sustentabilidade de bolsas de valores tem melhor desempenho financeiro do que as demais que não são listadas nesses índices
9 H3b Empresas de países emergentes que são listadas em índices de sustentabilidade de bolsas de valores tem melhor desempenho financeiro do que as demais que não são listadas nesses índices
10 H4 Empresas pertencentes a setores considerados polêmicos possuem melhor desempenho ESG
Quadro 7 – Síntese das hipóteses de pesquisa Fonte: elaboração própria