A criança é portadora de saber, experiência e cultura. Em contextos pedagógicos participativos, onde a escuta da criança é propulsora da intervenção pedagógica, as crianças comunicam e partilham a sua experiência e conhecimentos através das suas construções, representações gráficas e conversas durante os vários tempos pedagógicos.
Os tempos e os espaços pedagógicos oferecem à criança múltiplas oportunidades de construção de conhecimentos, de comunicação de interesses e saberes. Recorrem ao momento de planificação e comunicam que querem “construir uma savana com animais”, outras crianças manifestam interesse pela “construção de quintas” e ainda, pela observação de vídeos e pesquisa sobre animais, “o leão é da selva ou da savana? “eu vou pesquisar sobre a chita, quero saber se tem rabo pequeno ou grande”. Dirigem-se à área da biblioteca e à área da mediateca e consultam os livros e a internet para saber mais sobre os animais com a ajuda do adulto. Observam os animais e conversam sobre as suas características: como são, onde vivem, o que comem. Na área das construções constroem, com blocos de madeira e legos grandes: “uma selva com árvores, um rio e muitos animais selvagens”. No momento de reflexão partilham as suas construções e narram histórias: “era uma vez uma selva onde viviam os papagaios, os sapos, os crocodilos, os macacos e os tigres”.
Para dar resposta a estes interesses pelos animais, juntamente com a educadora, considerou-se importante ampliar experiências de aprendizagem, envolvendo os diferentes domínios da educação artística da área de expressão e comunicação, assegurando a participação das crianças na planificação e na concretização das diferentes propostas. Para desenvolver estes propósitos tornou-se importante refletir sobre as questões: De que forma devo responder aos interesses evidenciados pelas crianças? De que forma posso ampliar as experiências das crianças ao nível da educação artística? Como vou documentar? Assim para responder a estas questões, nomeadamente à questão referente ao ampliar das experiências ao nível da educação artística, considerou-se importante envolver as crianças num projeto em torno da obra “O Carnaval dos Animais” de Camille San-Saëns. A escolha desta obra teve subjacente critérios como o tópico (animais), a qualidade textual e pictórica, isto porque “os animais provocam um grande interesse nas crianças…através das histórias (…).Nos desenhos livres, por
outro lado, um dos temas mais escolhidos pelas crianças são os animais, logo a seguir à figura humana e à casa” (Brito, 2010, p. 107).
No desenvolvimento deste projeto, em torno desta obra, procurou-se responder aos interesses das crianças, planificando os diferentes momentos inter(culturais) / hora de… e os momentos de trabalho em pequeno grupo, bem como responder às propostas das crianças que fossem emergindo. Esta temática que desperta grande curiosidade e entusiasmo nas crianças permite interligar com os diferentes domínios da Área de Expressão e Comunicação, nomeadamente o domínio da educação artística. Segundo as OCEPE (Silva et al, 2016),“na educação artística, a intencionalidade do/a educador/a é essencial para o desenvolvimento da criatividade das crianças, alargando e enriquecendo a sua representação simbólica e o seu sentido estético, através do contacto com diversas manifestações artísticas (…)” (p. 47).
Através da observação e da escuta ativa, durante as diversas experiências de aprendizagem, a documentação implicou a produção de registos, tais como: registos fotográficos e escritos e as produções das crianças (gráficas, orais, escritas). Neste processo foi relevante planear a documentação, encontrando um foco que orientasse o que queria documentar, nomeadamente, o que documentar, porque documentar, como documentar e para quem se quer documentar, na procura de uma intencionalidade educativa.
1. Atividade: Apresentação da História “O Carnaval dos Animais”
No dia 17 de janeiro, no momento (inter) cultural/ hora de…, iniciou-se o projeto em torno da obra “O Carnaval dos animais” de Camille Saint-Saëns. Uma das estratégias desenvolvidas nesta primeira atividade passou por organizar o espaço por forma a criar uma atmosfera acolhedora. Pensar previamente nos recursos materiais constituiu-se um fator determinante para esta intervenção. No meu entender, o facto de se pensar na preparação de um espaço que contemple uma atmosfera acolhedora, com jogos de luz para este momento do conto, torna-se numa estratégia importante para que as crianças apreciem o ambiente que as rodeia tanto visual como auditivo criando uma empatia estética. A organização do espaço suscitou o entusiasmo por parte das crianças uma vez que quando começaram a aproximar-se da sala do prolongamento, as crianças começaram a soltar gargalhadas, a saltar e a perguntar “o que é aquilo Joana?” Outras crianças responderam “eu sei, eu vi a Joana a pôr luzes lá dentro”! Através da sua expressão verbal e não-verbal, demonstraram alegria e fascínio pela caixa uma vez que se aproximavam da mesma e verbalizavam: “uau; que fixe”,” tem desenhos dos
animais”; “olha a luz”; “esta caixa tem o pato e o leão”; “deste lado tem mais animais!” De seguida, pediu-se às crianças que se sentassem nas almofadas para estarem confortáveis.
Uma das estratégias utilizadas para iniciar este momento foi conversar com as crianças sobre o mesmo, assim, numa atitude de diálogo e de descoberta pelo livro, apresentei o mesmo às crianças - quem foi o autor que o escreveu e o compositor da música - e, realçando o porquê de ter trazido aquela história, escutando os seus comentários sobre o que achavam que iria acontecer na história:
Estagiária: Então esta história chama-se “O Carnaval dos Animais”
(…)
Z (4 anos): Olha o Leão (levanta os braços para cima);
M (3 anos): É o rei da Selva;
Estagiária: O que é que vocês acham que vai acontecer nesta história?
S (5 anos): O carnaval dos animais;
D (4 anos): É a festa dos animais;
No momento seguinte foi importante ler para e com as crianças, ou seja, à medida que ia contando a história e os animais iam aparecendo, através dos meus movimentos ia representando as características dos animais como a sua locomoção e as onamatopeias por forma a interagir com as crianças. Antecipadamente, as crianças demonstraram iniciativa para identificar os animais e imitar as minhas ações.
A observação da postura e das ações das crianças durante este momento foi fundamental para entender o seu envolvimento nesta atividade. Além disso, as crianças desde o início
deste momento procurei que as crianças sentissem aquilo que estava a ser dito e, por este motivo, foi importante personificar as características dos animais e dos sons característicos dos animais. Pude constatar através da observação e da escuta ativa que a interação foi importante uma vez que a partir deste momento as crianças deixaram-se levar pelas palavras da história e começaram a imitar as minhas ações e até mesmo a sugerir outras formas “agora anda rápido”; “o elefante anda assim”. Além disso, à medida que ia interagindo com as crianças (quando me aproximava das mesmas e representava gestos de animais) as restantes verbalizavam “agora a mim”, “anda cá passarinho”. O interesse pela história foi demonstrado igualmente quando uma das crianças comentou constantemente “mostra a página”. No momento seguinte as crianças começaram a recontar a história que tinham ouvido: o que aconteceu na história, os animais que apareceram e as suas características:
Estagiária: A história chama-se “O Carnaval dos Animais” mas o que é
que nesta história se celebrava naquele dia?
T(5 anos): Era a festa do leão;
M(5 anos): O leão fazia anos e fez uma festa na savana;
(…)
Estagiária: Que animais foram convidados para o seu aniversário?
Crianças: As galinhas ( imitando o som);
(….)
Estagiária: Depois apareceram as esbeltas, quem eram?
S (5 anos): As tartarugas, têm assim o pescoço (ergue o seu pescoço);
Ed coop: E já agora como se chama o merido da tartaruga?
Crianças (5 anos) : Tataruga-Macho!
Estagiária: Quem é que entrou a zurrar?
D (4 anos): Os burros, iô, iô.
(…)
Estagiária: Quem é que veio alegrar a festa?
Crianças (3 anos, 5 anos): Os pássaros; os cucus; os papagaios; o cisne;
D (5 anos): A festa tinha músicos;
Estagiária: O que é que acharam da música que ouviram?
S (5 anos): Quando era muito forte ( gesticula os braços para cima e
para baixo e imita o som do tambor ) parecia o elefante a andar;
Estagiária: Porque será que a música forte parecia o elefante a andar?
L(5 anos): Porque ele é muito pesado!
Estagiária: E quando a música era mais rápida? Que animais vos faziam
lembrar?
Crianças: Os passarinhos;
Este momento foi importante uma vez que desenvolver uma atitude de apreciação da história, envolvendo estas questões permitiram o reconto, através do diálogo e reflexão por parte das crianças. Além disso, a audição da composição musical à medida que era contada a história, permitiu que a atividade se tornasse mais dinâmica,
estimulando o apreço pela música clássica bem como a possibilidade de complementar as ações dos animais narradas com a dinâmica da música. No final deste momento, as crianças representaram a parte final da história, onde se celebrou o aniversário do leão com os restantes animais. Cada criança escolheu um animal da história para explorar livremente a música atendendo às características do animal escolhido e ao som que ouviam. De entre os animais, as crianças foram escolhendo a tartaruga, os pássaros, os leões, os elefantes e as galinhas, sendo que a maioria das crianças escolheu os pássaros para representar a forma como se movem. As crianças demonstraram expressões de entusiasmo e dinamismo nas suas ações procurando dramatizar um animal, aleatoriamente.
Num primeiro momento foi importante observar as ações das crianças, nomeadamente a sua iniciativa para representar e movimentar-se pelo espaço. Segundo Silva, Marques, Mata, & Rosa (2016),
“ ….o/a educador/a cria oportunidades que lhes permitam representar, à sua maneira, experiências da vida quotidiana ou situações imaginárias. O recurso a diversas formas de expressão e comunicação progressivamente mais complexas, permite uma continuidade e inter-relação entre o jogo dramático de iniciativa da criança e formas de representação intencionais propostas pelo/a educador/a ou pelas crianças” (p. 52).
O espaço foi um elemento propulsor desta atividade uma vez que a partir deste, sendo este um espaço amplo, as crianças movimentaram-se livremente e, através do jogo dramático, puderam recriar a experiência anterior, individualmente e com os outros, atribuindo, neste sentido, significado ao jogo dramático. Conforme fora anteriormente mencionado, a observação foi um processo importante para entender as ações das crianças, assim, uma das estratégias que enquanto estagiária considerei importante foi participar neste momento, imitando algumas
“O apoio do/a educador/ao jogo dramático…permite ampliar as suas propostas de modo a criar novas situações de comunicação, através de uma melhor caracterização de papéis que está a desempenhar, das ações a desenvolver, permitindo alargar o tempo de envolvimento da criança e a sua expressão verbal” (p. 52).
Desta forma, estas estratégias apresentaram-se fundamentais para tornar esta atividade numa experiência que envolvesse diferentes formas de expressão das crianças. Assim, constata- se a importância do adulto desenvolver propostas que possam envolver o diálogo com as crianças, incentivando e criando oportunidades para que as crianças expressem as suas ideias e aquilo que sentem. Este momento permitiu às crianças envolverem-se em diversos indicadores de desenvolvimento, alargando as suas experiências ao nível da aprendizagem.
2. Atividade: Exploração da composição musical da obra “O Carnaval dos Animais”, de Carl
Orff
A presente atividade que descrevo realizou-se por iniciativa de uma mãe quando, no final do dia, conversávamos em grande grupo sobre a história “O Carnaval dos Animais”. Para dar continuidade ao projeto a mãe sugeriu que se envolvesse o grupo de crianças num momento dedicado à composição musical da obra: “Eu posso trazer uns musicogramas e os CD’s que têm as várias partes da música para as crianças associarem o som dos instrumentos aos animais, por exemplo o som mais forte e o som mais agudo”; “Em Espanha utiliza-se muito os musicogramas, foi o pedagogo Wuytack que os desenvolveu; são esquemas com imagens dos instrumentos, de animais ou objetos que dividem a música em várias partes, é mais fácil para trabalhar a música clássica com as crianças”. Num primeiro momento, a mãe explorou com o grupo de crianças alguns sons dos instrumentos, em que as crianças conseguiram evidenciar o som mais grave e o som agudo, contactando, igualmente, com dois instrumentos diferentes. Posteriormente para tornar a atividade dinâmica e para que participassem ativamente, seguindo os musicogramas as crianças dramatizaram diferentes narrativas pelo espaço. Através da observação e escuta ativa pude constatar que o grupo de
Registo Fotográfico 3: Exploração dramática dos animais
Registo Fotográfico 5: Crianças fazem comentários sobre os animais
crianças participou ativamente no desafio, divertindo-se e ao, mesmo tempo, desenvolvendo aprendizagens em torno da música. Além disso, à medida que eram explorados os musicogramas algumas crianças foram desafiadas a seguir o compasso da música. Foi surpreendente ver a atenção com que as crianças se mostravam a desenvolver a tarefa.
3. Atividade: Exploração audiovisual dos diferentes animais da história
Na continuidade da atividade anterior, surge a presente atividade para responder não só aos interesses evidenciados pelo grupo na pesquisa de vídeos sobre os animais mas, de igual modo, para ampliar as experiências de aprendizagem e os conhecimentos das crianças sobre os animais. Esta atividade, desenvolvida durante o momento (inter) cultural/ hora de…, consistiu na apresentação e exploração audiovisual dos diferentes animais apresentados na história (leões, patos, galinhas, girafas, elefantes, zebras, tartarugas, pássaros, cisnes). A escolha dos vídeos teve em consideração o critério de qualidade e esteve em conformidade com a faixa etária do grupo de crianças.
Durante este momento as crianças expressaram iniciativa para escutar e observar os vídeos: “yes, vamos ver os animais!” (M, 5 anos); “Olha já está ali o leão, grrr” (Z, 4 anos). À medida que eram apresentados os animais, as crianças mostraram-se entusiasmadas e demonstraram iniciativa para partilhar verbalmente o que observavam, identificando algumas das diferentes características dos animais:
G (3 anos): Olha, as galinhas! Põe ovinhos;
Estagiária: As galinhas põem ovos, conhecem outro animal que também nasce de
ovos?
Registo Fotográfico 4: D segue o musicograma
S (5 anos): E [as girafas] moram na África; M (5 anos): As patas delas estão dobradas;
M (3 anos): G (3 anos); T (5 anos); Z (4 anos): - Zebras! T (5 anos): Tem riscas pretas!
G (5 anos): As Zebras andam rápido!
L (5 anos): Os elefantes têm a tromba grande para tomarem banho; D (5 anos): As tartarugas andam na terra e na água;
Estagiária: Sabem que nome se dá aos animais que andam na terra e na água?
Anfíbios. L (5 anos): Anfíbios? M (5 anos): Sim L, anfíbios!
A (4 anos): O leão não anda rápido; M (5 anos): O leão é preguiçoso! D (5 anos): Que savana grande!
M (4 anos): Olha, o cisne preto a nadar no lago!
A observação e a escuta ativa permitiram-me evidenciar as suas reações de entusiasmo, demonstradas pelas expressões faciais e reações de
curiosidade identificadas pelas ações das crianças quando observaram atentamente os vídeos, bem como, pela utilização da comunicação oral para expressar aquilo que viam e sentiam.
No final deste momento por forma a sintetizar e organizar a informação apresentada dos animais, perguntou- se às crianças quais os animais que tinham visto e os que poderíamos dizer que viviam na quinta, na savana e na selva. Desta forma, as crianças partilharam as suas ideias em função do que tinham visualizado.
Depois deste momento, passou-se ao momento de trabalho em pequenos grupos, em que as crianças evidenciaram interesse pelo desenho do seu animal preferido: “eu quero desenhar o leão” (M, 5 anos); “eu quero a girafa e vou pôr bolinhas pretas” (S, 5 anos); “eu queria fazer o elefante mas é difícil” (D, 5 anos); “eu quero desenhar as galinhas” (G, 3 anos); “eu vou desenhar um pássaro colorido” (V, 5 anos); “eu também quero desenhar um pássaro, Joana, posso?” M (4, anos) “Nós, as três, vamos desenhar o pássaro, então” (A, 4 anos).
O facto de as crianças evidenciarem este interesse pela representação gráfica, permitiu- lhes elaborar uma imagem mental daquilo que observaram e expressá-la através do desenho.
Tal como mencionam Hohmann & Weikart (1997), “a representação criativa - processo de
Registo Fotográfico 6: Animais que vivem em África
construção de imagens de objectos, pessoas, experiências reais - permite às crianças mais novas expressar uma compreensão do seu mundo através de brincadeiras de faz-de-conta, modelagem, desenho e pintura” (p. 474).
4.Atividade: Dramatização dos animais com a exploração do jogo de sombras
chinesas
Considerando que este grupo de crianças evidencia interesse por se expressar de diferentes formas, uma forma para ampliar estas múltiplas linguagens das crianças passou por desenvolver esta atividade. Tal como defendem Hohmann & Weikart (1997), “a criatividade inerente à brincadeira de faz-de-conta e à construção de símbolos é bastante satisfatória. Retiram bem-estar e mesmo alegria em fundir pensamento, sentimento, percepção e movimento na criação de uma pintura, desenho, reprodução ou sequência lúdica de faz-de-conta” (p. 477).
Neste sentido por forma a explicitar, esta atividade desenvolveu-se, em grande grupo, durante o momento (inter) cultural/ hora de…, e para a sua concretização foi necessário previamente preparar os materiais, o pano branco e o foco de luz.
Com o grupo de crianças organizado em meia-lua, conversou-se sobre qual era o objetivo deste jogo. Esta atitude deve-se pelo facto de compreender que, o
educador deve antecipar o que vai acontecer, uma vez que, “(…) este tipo de cuidado atento irá permitir um certo bem- estar para enfrentar a novidade da situação, favorecendo a autoconfiança da criança e, assim, a sua progressiva vontade de ser autónoma e participativa” (Rigolet, 2006, p. 78). Além disso, através da observação e da escuta ativa, pode- se constatar que as crianças se mostraram entusiasmadas e
demonstraram iniciativa em representar um animal à sua escolha: “eu quero, eu quero ir”. Neste sentido, à medida que cada criança passava para trás do pano, iam comunicando ao adulto qual o animal que iam representar, recorrendo à visualização mental do animal e das suas características e ações. Por exemplo, P (5 anos) escolheu o elefante e imitou o movimento da tromba levantando e descendo o braço, enquanto as outras crianças tentavam adivinhar qual o animal.
Registo Fotográfico 7: Crianças observam P a imitar o animal
Registo Fotográfico 9: A imita o pato
O tempo em grande grupo, em torno daquilo que as crianças gostam permite assegurar a participação entusiástica das crianças (Hohmann & Weikart, 1997, p. 412). Torna-se, por isso, importante a atenção por parte do adulto ao que cada criança diz e que pretende transmitir, verbal ou não verbalmente, para apoiar a criança a expressar as suas opiniões sobre o que vê, ouve ou sente.
Ao longo desta atividade, o grupo de crianças esteve atento às ações da criança que imitava os animais e, sempre que alguma acertava, invertiam-se os papéis. A maior parte das crianças não demonstrou dificuldade em adivinhar os animais, ainda que por vezes, tenha sido impercetível a sombra no pano. Neste caso, quando a sombra se tornava menos percetível, uma das estratégias utilizadas pelas crianças passou por colocar questões como: “é uma ave?”;“tem pelo?”; “anda na terra?”; “anda na água?” Esta estratégia contribuiu, igualmente, para organizar o grupo de crianças. Esta atividade permitiu que as crianças representassem os animais através da arte, das formas e do movimento do seu corpo. Foi surpreendente observar as crianças a utilizar formas eficazes para representarem diferentes animais.
5.
Atividade: Representação gráfica do animal preferido da história
No momento em grande grupo, enquanto recordávamos a atividade anterior, surgiu a questão: E se desenhássemos os animais utilizando diferentes materiais e diferentes técnicas?
Registo Fotográfico 8: P imita o elefante
Esta atividade surgiu, assim, em função dos interesses evidenciados pelas crianças com o objetivo de ampliar as experiências das crianças ao nível da área de expressão e comunicação, mais propriamente no que à arte visual diz respeito. Conforme é salientado nas OCEPE (Silva et al, 2016), “as crianças têm prazer em explorar e utilizar diferentes materiais que lhes são disponibilizados para desenhar ou pintar, cabendo ao/a educador/a alargar as suas experiências de modo a desenvolverem a imaginação e as possibilidades de criação” (p. 49).
Posteriormente pensamos sobre quais os materiais que poderíamos utilizar, entre os quais, as crianças indicaram: folhas de papel, lápis, tintas e lápis de pastel. No entanto, considerando que “ (…) é importante que as crianças tenham acesso a uma multiplicidade de materiais e instrumentos (…) (Silva et al, 2016, p.49), refletiu-se, juntamente com a educadora cooperante e as crianças, sobre a introdução de novos suportes materiais e técnicas, através do diálogo com as crianças:
Estagiária: E o que é que vocês acham de alguns de vocês pintarem em
tecido?
L (5 anos): Sim eu quero;
D (4 anos): Eu também;
(…)
D (5 anos): Eu quero pintas em folhas de aguarela;
(…)
Educadora Cooperante: E em azulejos, gostavam de pintar? (M, 4 anos; J, 4 anos): Sim!
(…)
Reunidos os materiais e previamente refletidas as possíveis técnicas que as crianças