O levantamento de dados foi realizado em duas fases, por meio dos seguintes instrumentos e métodos:
A primeira, qualitativa, a partir de entrevistas semi-estruturadas, baseadas em um roteiro de dezoito questões, na qual a pesquisadora partiu de observações livres,deixando que as dimensões e categorias de interesse emergissem progressivamente com a coleta e análise de dados. As questões abrangiam aspectos relativos a: aperfeiçoamento e capacitação profissional, perda e
desperdício de materiais, gerenciamento dos resíduos da obra, cumprimento da legislação ambiental, utilização de práticas sustentáveis, consequências da não adoção dessas práticas, e os impedimentos ou dificuldades para realizá-las. Também foram observados os ambientes onde eram realizadas as entrevistas, de maneira informal, buscando indícios de coerência entre a prática e o discurso feito pelos entrevistados.
A validação do roteiro de entrevista foi realizada por meio de um pré-teste, baseado em um roteiro piloto, que norteou a entrevista de dois Engenheiros Civis.
Na segunda fase, foi realizada uma pesquisa quantitativa, a partir de um questionário composto de treze questões fechadas, que buscou investigar a ocorrência ou não da instalação de materiais e equipamentos sustentáveis nos edifícios, bem como de práticas, que pudessem caracterizar os aspectos de sustentabilidade das edificações, tais como: sistema de energia solar, lâmpadas de alta eficiência energética, sensores de presença ou de movimento, uso de gás natural, sistema de captação e armazenamento da água da chuva, sensores de baixa vazão em vasos e torneiras, sistema de coleta seletiva de lixo, ventilação e iluminação natural, cobertura verde, solo permeável e vegetação, educação ambiental e relacionamento com a comunidade.
A validação desse segundo instrumento foi realizada através de um pré-teste com aplicação de dezoito questionários piloto a moradores de edifícios residenciais de Águas Claras.
14. RESULTADOS E DISCUSSÕES
14.1. Avaliação Qualitativa
O roteiro de entrevista foi organizado em duas seções, a primeira refere-se aos dados das empresas, a segunda trata de aspectos relacionados às atividades de operação e gestão de suas obras. Os resultados obtidos são apresentados a seguir.
Questão 1 - Ano de fundação da empresa Quadro 21 – Faixa etária das construtoras/incorporadoras
Faixa etária das empresas % por faixa etária ambientalmente corretas % que pratica ações
Até 10 anos 29,4% 11,8% 23,5% De 11 a 20 anos 17,6% De 21 a 30 anos 70,6% 35,3% 35,3% De 31 a 40 anos 11,8% De 41 a 50 anos 23,5% 100% Fonte: Dados da Pesquisa
Pode-se comentar que algumas empresas tiveram mais de 40 anos para incorporarem as dimensões ambientais em suas atividades. Entretanto, seus resultados, com destaque para Empresa “B”, fundada em 1961, demonstram uma enorme dificuldade de entendimento e aceitação acerca dos impactos negativos causados por suas atividades, conseqüentemente, muitas assumem que não há nenhuma prática sustentável em suas edificações.
O percentual de empresas que praticam ações ambientalmente corretas, quando relacionado à faixa etária de até 20 anos, representa 79,9% do total de empresas dentro desta faixa, mas quando relacionado à faixa de mais de 20 anos de fundação, o percentual representa apenas 50% do total de organizações com essa faixa etária.
A experiência mostra que a sustentabilidade exerce seu principal poder e efeito nas organizações quando os líderes apresentam visões arrojadas, ousadas, capazes de envolver suas organizações em discussões diversas, mais profundas, sobre o objetivo e a responsabilidade da empresa de oferecer valor verdadeiro para os clientes e a sociedade.
Diante das observações feitas nas empresas no decorrer das entrevistas, verificou-se que as organizações mais jovens, geralmente possuem gestores de alto escalão também jovens e que tendem a uma mentalidade mais ágil e aberta, bem como maior conhecimento, interesse e consciência relacionada à temática ambiental. Porém, o inverso foi comumente percebido nas organizações mais antigas, lideradas por gestores com mais de 50 anos, onde muitos apresentaram uma limitada compreensão da realidade ambiental, vendo-a apenas como um conjunto de problemas técnicos a resolver. Muitos deles ainda tratam a sustentabilidade com certo desdenho, encarando-a como mero “modismo” social.
Segundo ANDERSON, Ray; AMODEO, Mona; e HARTZFELD, Jim (2010), no âmbito social, empresarial e pessoal, a compreensão e a adoção de práticas de sustentabilidade são limitadas menos pelas inovações técnicas do que pela incapacidade das pessoas de desafiar mentalidades ultrapassadas e de mudar as normas sociais.
Assim, tanto no decorrer da pesquisa de campo, diante das observações feitas nos canteiros de obras, quanto no processo de entrevistas realizadas com os executivos de alto escalão das construtoras/incorporadoras,e analisando os resultados objetivos (mostrados no Quadro 22) e subjetivos (constatados a partir da análise das falas dos entrevistados), parece-nos real essa tendência de que quanto mais jovem a empresa e a liderança, mais facilmente ela incorpora os valores e as práticas ambientais em seus processos (ou demonstra a preocupação e o desejo de fazê-la).
Questão 2 - Quantidade de edificações (em execução e concluídas)
Os resultados apresentados no Quadro 22, representam que quanto maior for o número de empreendimentos e menor for o grau de esclarecimento ambiental da organização, mais substancial será prejuízo para a sociedade e o meio ambiente.
Quadro 22 – Quantidade de edificações concluídas e em execução
Quantidade de edificações
(concluídas e em execução) % de edificações
De 5 a 10 edificações 58,8%
De 11 a 20 edificações 23,5%
De 21 a 30 edificações 11,8%
Acima de 30 edificações 5,9%
100% Fonte: Dados da Pesquisa
É importante destacar que esse percentual aparentemente pequeno de empresas que possuem mais de 30 edificações (5,9%), é responsável por 36,7% do total de edificações da cidade.
A empresa “M” (denominação fictícia) merece maior atenção, por ser responsáveis pelo maior número de empreendimentos concluídos e em execução na área do estudo (108), e por apresentar os melhores e mais significativos resultados, quando comparados à amostra pesquisada. É uma empresa com mais de 20 anos de existência, porém, uma clara exceção quando comparada à maioria significativa de empresas com mais de duas décadas de fundação, tendo uma cúpula gerencial mista (no que tange à faixa etária), contudo, visionária, e que procura explorar novos pontos de vista e descartar as antigas visões defeituosas que possam existir dentro da empresa. Essa organização demonstrou tanto no discurso, quanto nas práticas observadas em seus canteiros e em suas edificações já habitadas, empreender esforços contínuos para aumentar sua capacidade de atendimento a esta nova demanda socioambiental, aderindo-se a um novo paradigma edificado sobre os valores da sustentabilidade.
Eis alguns destaques positivos observados na empresa “M”:
- Possui Programa de Educação e Qualificação Ambiental consolidado e em aprimoramento constante, com apoio da Universidade de Brasília.
- Promove trimestralmente reuniões ou outros mecanismos para que seus funcionários, moradores e gestores, dialoguem sobre os desafios e benefícios da sustentabilidade.
- Possui profissionais especializados na área ambiental, inclusive mestres e doutores, com competências estratégicas.
- Seu índice médio de perda e desperdício de materiais de construção entre todas as fases do empreendimento é menor que 8%.
- Ações preventivas efetivas são executadas para reduzir os prejuízos financeiros e os danos ambientais oriundos das perdas e desperdícios.
- A quantidade de resíduos de construção civil (RCC) gerada nas obras da empresa, considerando a média entre todas as fases de sua operação (em ton/mês) fica em torno de 15%.
- É realizada a triagem e a classificação de quase todos os Resíduos de Construção Civil (RCC) antes do seu acondicionamento.
- Existem práticas sustentáveis que podem ser vistas nas edificações da construtora, tais como: sensores de presença ou de movimento para iluminação dos ambientes, lâmpadas de alta eficiência energética, janelas e varandas que favorecem a ventilação e a economia de energia com ar-condicionado e iluminação natural, áreas internas e externas constituída de solo permeável, sistema de captação de energia solar para aquecimento de água, sistema com duas vazões de água para vasos sanitários e sistema de coleta seletiva de “lixo” reciclável.
- Já implementa em 65% de suas edificações sistema de captação de águas das chuvas ou um sistema de tratamento para reuso das “águas cinza”.
- A empresa é a única do DF que possui um Projeto de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil (P-GRCC).
Todavia, de nada adiantará uma edificação cumprir todas as recomendações e determinações legais, técnicas, éticas e ambientais, se enclausurar-se em si mesma, não se relacionando com o meio externo, desta forma, não estará sendo sustentável. É por meio da colaboração conjunta e da transferência de conhecimentos que a organização obtém a complementação do aprendizado e a expansão do conhecimento.
Desta forma, o genuíno processo da sustentabilidade evidencia-se quando uma organização atinge o compromisso sustentável no âmbito interno e passa a atuar no âmbito externo a ela, educando e influenciando outras pessoas e instituições a percorrerem essa jornada.
Questão 3 - Há um programa de educação ambiental ou algum outro programa de qualificação profissional, que trate sobre o desperdício de materiais e a redução, reutilização, reciclagem e destinação correta dos resíduos da construção? Quadro 23 – Programa de educação / qualificação ambiental
Programa de Educação / Qualificação Ambiental (que trate de resíduos da
construção)
% que afirma ter um
programa Caracterização do programa
42,4% Programa ou ações inexistentes
Sim 76,5% 17,6% Programa inexistente e ações muito precárias
16,5% Programas e ações razoáveis
Não 23,5%
100% Fonte: Dados da Pesquisa
As empresas que afirmaram ter um programa de educação ambiental ou algum outro programa de qualificação profissional, que trate sobre ouso e destinação de materiais e resíduos da construção, somaram 76,5%, contra 23,5% que assumiram não ter nenhum programa para orientar seus profissionais sobre essas questões. Entretanto, aquelas que responderam positivamente, e dizem qualificar seus empregados, ao descreverem suas ações, verificou-se que: (i)não há fundamentação alguma no discurso de 42,4% delas; (ii) em 17,6% as ações são ainda muito superficiais e precárias, não sendo possível caracterizá-las como “Programas”; e (iii) apenas 16,5% possuem programas de melhoria contínua que permitem a percepção e educação acerca dessa problemática, porém, precisam ser aprimorados para que haja um nível mais elevado de conscientização e de mudança de hábitos e posturas, tanto dos empregados quanto dos gestores.
Deve-se enfatizar que dentre esse percentual de 42,4% (que declaram ter os referidos programas ou ações, porém, os mesmos são inexistentes), a maioria, 35,3% justificam suas respostas pelo simples fato de participarem do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), que tem como objetivo geral elevar os patamares da qualidade e produtividade da construção civil, por meio da criação e implantação de mecanismos de modernização tecnológica e
gerencial, contribuindo para ampliar o acesso à moradia, em especial para a população de menor renda.
Assim, as empresas citam o PBQP-H como um sistema ligado à área ambiental, quando na verdade não o é, sendo apenas um sistema de gestão da qualidade, não havendo no PBQP-H nenhum procedimento destinado à finalidade ambiental, nem muito menos à ação específica de educação ambiental.
A partir desses resultados, constata-se que apenas 16,5% dos empreendimentos possuem, de fato, programas ou ações que tratam a temática ambiental, e ainda assim, como foi dito, necessitam de avaliação e aprimoramento.
Ainda hoje, falar em Educação Ambiental (EA) nas empresas parece uma realidade distante. Mesmo assim, pouco a pouco, as empresas passam a reconhecer a necessidade de trabalhar e promover a Educação Ambiental entre seus colaboradores, principalmente as que se dispõem a tornarem suas atividades mais sustentáveis, e reconhecem que esse objetivo só será alcançado com a adesão e o comprometimento de todos os empregados, em todos os níveis.
O nível de comprometimento das pessoas está relacionado à percepção e ao entendimento acerca da importância das questões ambientais, havendo diversas maneiras de os conceitos e práticas relacionadas à EA contribuírem para a melhoria efetiva de seus comportamentos e posicionamentos, no que diz respeito ao tema.
DIAS (2001), apresenta a EA como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente, ressaltando seu enfoque interdisciplinar e a necessidade de participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade.
O autor discute, ainda, a necessidade de envolvimento e participação das pessoas em suas realidades específicas e apresenta a EA como fomentadora da iniciativa, que no caso das empresas, ocorre a partir do envolvimento dos colaboradores no processo de aprendizado e mudança a ser trabalhado.
Para que o processo de aprendizagem seja eficaz, ele provavelmente exigirá a destruição das antigas mentalidades e processos estabelecidos, por meio da exploração da inteligência criativa da organização e de todas as partes interessadas, com a utilização dos diálogos nos próprios ambientes de trabalho, de consultas participativas e de outros métodos que estimulem novas formas de pensamento.
ANDERSON, Ray; AMODEO, Mona; e HARTZFELD, Jim (2010), recomendam que: (i) os líderes sejam tolerantes ao fracasso, essa permissão é
essencial para que as pessoas dêem o melhor de si ao fazerem as mudanças; (ii) o sucesso seja celebrando e recompensado, para reforçar o compromisso da organização e oferecer a motivação necessária para a continuidade do envolvimento; (iii) a organização forneça todos os recursos, financeiros, materiais e humanos, necessários ao estabelecimento do processo de mudanças.
Os resultados relacionados à educação e qualificação dos funcionários, quanto às questões ambientais, demonstram uma grande dicotomia entre o discurso e as práticas organizacionais. Há a necessidade de investimentos mais profundos nessa área, caso desejem efetivamente praticar a sustentabilidade em suas atividades.
O processo de formação de estratégias ambientais consistentes é evolucionário e conduzido pela aprendizagem, por meio de um processo sólido de Educação Ambiental. Porém, um dos desafios cruciais associados à EA no setor da construção civil é a realização dos requisitos de mudança organizacional, capaz de promover a capacitação de todos os envolvidos para a implementação bem sucedida das estratégias ambientais.
Questão 4 - A empresa possui em seu quadro funcional, profissionais especializados na área ambiental?
Quadro 24 – Profissionais especializados na área ambiental
Profissionais especializados na área ambiental
(no quadro da empresa) % da amostra
Sim 5,9%
Não 94,1%
100% Fonte: Dados da Pesquisa
Em 94,1% das organizações não há nenhum profissional no quadro de pessoal, com formação acadêmica ou técnica na área de meio ambiente. Apenas 5,9% delas já contrataram profissionais especializados, especificamente, em Engenharia Ambiental.
Se não há um profissional da área de meio ambiente orientando e disseminando conhecimentos às construtoras/incorporadoras, como que essas empresas se prepararam para atender as condicionantes e exigências sociais, ambientais e legais?
Verifica-se então, que, assim como a qualificação e a educação ambiental dos colaboradores, a contratação de profissionais já especializados também não é comum no setor da construção, devido a carência de profissionais da área de meio ambiente com conhecimentos especializados em edificações sustentáveis, na região onde se encontra a área do estudo. Porém, os currículos dos cursos superiores de Arquitetura e de Engenharia Civil, em cumprimento às exigências do Ministério da Educação, já dispõem de uma gama de disciplinas direcionadas ao meio ambiente e à sustentabilidade, o que tende a ampliar os conhecimentos sobre edificações sustentáveis.
A complexa relação entre o meio ambiente e o mundo dos negócios requer boas técnicas administrativas e competência profissional para que as organizações consigam transformar suas estratégias não-sustentáveis em estratégias sustentáveis, alcançando vantagens competitivas e financeiras a partir dessas mudanças. Para isso, a contratação de profissionais especializados é de suma importância para o processo de orientação e condução da organização à esse novo paradigma.
Faz-se necessário o aprofundamento dessa pesquisa, a fim de evidenciar outros motivos que levem as organizações do ramo da construção civil a dispensarem a contratação de profissionais especializados na área ambiental, além daqueles já evidenciados neste estudo, referentes à mentalidades ultrapassadas, que acreditam na obtenção de resultados diferentes, fazendo as coisas a modo como sempre fizeram, bem como da falta de conhecimento, interesse e consciência relacionada à temática ambiental.
Questão 5 - Qual o nível hierárquico do profissional responsável pelas questões ambientais da construtora?
Observa-se que em 58,8% das empresas, as questões ambientais são de competência dos gestores de nível estratégico (Diretores ou Superintendentes) e em
41,2% são de responsabilidade dos gestores de nível tático (Gerentes ou Supervisores). Isso evidencia que a temática ambiental ainda não é reconhecida como um elemento determinante para a manutenção e o sucesso das empresas e, portanto, não faz parte das estratégias de quase metade das organizações pesquisadas.
Mesmo naquelas que tratam a questão em nível de Direção, percebe-se que não há qualquer estrutura que especifique no demonstrativo da empresa que aquilo realmente existe. O que pode significar que ainda não há uma estrutura pronta para atender às demandas ligadas ao meio ambiente. Somente 5,9% da amostra pesquisada, por coincidência ou não, todas tratam a dimensão ambiental em nível estratégico, em uma estrutura definida para tal.
Questão 6 - Qual o índice de perda e desperdício de materiais, considerando a média entre todas as fases do empreendimento (em %)?
Quadro 25– Índice de perdas e desperdício de materiais de construção
Índice de perda e desperdício de materiais de construção (média entre todas as fases)
% de perdas e desperdício
Até 10 % do total adquirido 29,4%
De 11 a 20 % do total adquirido 47,1%
De 21 a 30 % do total adquirido 23,5%
100% Fonte: Dados da Pesquisa
Os discursos se apresentam como vistos no quadro acima. Contudo, 100% da amostra declara que esse percentual pode não corresponder à realidade, sendo uma estimativa aproximada feita por cada organização, considerando ser este um elemento de difícil mensuração.
Todos os índices de perda e desperdícios de materiais apresentados no Quadro 25 são elevados e deveriam ser alvo de mensuração das organizações, seja pelos prejuízos decorrentes desses fatores, seja pela sobrecarga causada aos recursos naturais, mas por não fazerem essa avaliação e mensuração (por negligência ou por incompetência), as organizações anulam as possibilidades de melhorias dos processos relacionadas a esse fator crítico.
Reitera-se com isso a importância da contratação de profissionais especializados na área de meio ambiente, como tratado na Questão 5, pois existem mecanismos eficientes para dimensionar essa questão e que poderiam ser tratados e corrigidos por meio de técnicas especializadas, que reduziriam substancialmente os prejuízos materiais, financeiros e ambientais.
Questão 7 - A empresa quantifica esse prejuízo ao finalizar o empreendimento (em R$)?
As empresas que assumem não quantificar esse prejuízo representam 23,5% da amostra. As demais, 76,5% declaram que o prejuízo é quantificado em 5% do custo total da obra, mas confessam que esse dado é estimado pelo SINDUSCON e não pela organização. Assim, constata-se que 100% dos empreendimentos pesquisados não quantificam esse prejuízo, incorrendo na mesma problemática tratada na Questão 6.
Todavia, as construtoras demonstraram muita preocupação com a redução dos custos operacionais de suas atividades. Porém, é difícil compreender como a elevação dos custos e os consequentes prejuízos advindos das perdas e desperdícios de materiais de construção não sejam contabilizados ao finalizar seus empreendimentos.
Percebe-se com isso uma desatenção das empresas com questões relativamente simples de serem verificadas, e que trariam resultados muito positivos para todas as partes interessadas neste processo: empresa, colaboradores, clientes, sociedade, governo e meio ambiente.
Questão 8 - Ações preventivas são executadas para reduzir os prejuízos financeiros e os danos ambientais oriundos dessas perdas e desperdícios?
Quadro 26 – Ações preventivas relacionadas a perdas e desperdícios
Realizam ações preventivas (perdas e desperdícios)
% que afirma realizar
a prevenção Caracterização do programa
Sim 70,6% 47,1% Apenas orientações verbais 23,5% Ações preventivas efetivas
Não 29,4%
100% Fonte: Dados da Pesquisa
Os resultados demonstram que 29,4% dos empreendedores ainda não executam medidas preventivas para diminuir os impactos oriundos das perdas e desperdícios de materiais de construção. Contrariamente, muitos gestores responderam que sim - 70,6% -, porém, ao especificarem suas ações verificou-se que, pouco ou quase nada é feito, além de algumas orientações ou recomendações verbais, não havendo nenhuma ação concreta de caráter preventivo. Desses 70,6%, apenas 23,5% realizam ações efetivas, porém, evidenciou-se que estas ainda necessitam de aprimoramento, estando as organizações conscientes desta necessidade.
Esse resultado demonstra que a maioria das organizações continuam agindo com caráter reativo, corrigindo os problemas à medida vêm à tona, não tomando iniciativas para preveni-las. Esse tipo de atitude gera forte pressão ao meio ambiente e impacta as contas da organização, como já discutimos.
Questão 9 - Qual a quantidade de resíduos de construção civil (RCC) gerada nas obras da empresa, considerando a média entre todas as fases de sua operação (em ton/mês)?
A quantidade de geração de RCC mensal informada, na operação de cada empreendimento (considerando a média entre todas as fases da obra, visto essa geração ser maior em algumas fases e menor em outras), é muito diversificada de