4. POLITICAL CORRUPTION
4.4 P ARLIAMENT
Nesta fase que precedeu a pesquisa descrita nesse trabalho, tivemos então as entrevistas de aprofundamento sobre as características do grupo, e os registros das narrativas da trajetória de vida e de participação política das coordenadoras de grupos. Isso ocorreu no ano de 2002. Logo depois analisamos os cochichos que mais se repetiram nos relatórios de estágio dos alunos no período de 1995 a 2002, para que pudéssemos coletar os dados sobre esses cochichos, que seriam realizados com o uso das oficinas em dinâmica de grupo como método de intervenção psicossocial proposta por AFONSO(2010) aplicadas diretamente, nos grupos aos quais pertenciam as coordenadoras.
De acordo com os relatórios dos alunos, as 10 temáticas mais cochichadas nos grupos nesses anos que antecederam a pesquisa foram: grupos de convivência, políticas públicas, família medo, e relações intergeracionais na vida contemporânea; morte; corpo e saúde; trabalho e aposentadoria; relações amorosas; memórias do tempo vivido; sendo que os quatro primeiros foram os mais repetidos.
Após as oficinas em grupo, analisamos os diários de campo ou relatórios semanais dos alunos do estágio, sobre os grupos de convivência e a forma de se relacionarem na comunidade, bem como os comentários sobre as oficinas realizadas e sobre os cochichos mobilizaram o grupo e cuja participação foi mais intensa no sentido da manifestação de elementos conscientes (linguagem e pensamento) e inconscientes (emoções e afetos) sustentados na abordagem sócio histórica da psicologia.
Após esta análise, selecionamos então os cochichos que geraram maior
comoção e discussão nos grupos no calor de eventos de participação coletiva, e que foram: cochichos sobre os grupos de convivência, cochichos sobre políticas públicas e sobre a família, mas observamos depois de escutá-las e acompanhá-las em campo, que o medo foi um cochicho que transversalizou todos os outros e se repetiu, de forma insistente, como pano de fundo dos outros cochichos, embora não tivesse sido ainda abordado diretamente como um tema em separado. Tal cochicho era muito evidenciado, como expressão emocional e atitudinal, especialmente quando havia referências ao corpo à saúde ou a situações de necessidade de utilização de
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cuidados familiares, de serviços e políticas públicas. Fizemos uma oficina e um seminário para discutir também esse tema e o elegemos como um cochicho a ser pesquisado na fala das coordenadoras. Esse cochicho foi, então, coletado como tema no intervalo do seminário sobre o medo.Segundo o relato dos alunos o discurso sobre o medo foi por um lado o que gerou maior resistência para iniciar a oficina e foi trazido em primeira mão de forma muito superficial, mas depois foi se aprofundando e trouxe muitas contradições nas manifestações e nos discursos dos participantes. Por essas características ele foi acrescentado aos outros três (grupos de convivência, família e políticas públicas) formando um total de quatro cochichos que eu trabalhei na pesquisa, uma vez que o medo mostrou-se uma emoção presente não apenas com o seu traço de universalidade nos discursos, mas nas características singulares das ações dos sujeitos envolvidos na pesquisa; o que de alguma forma apontava algumas possibilidades conectivas entre as significações culturais e psíquicas que alimentavam um estado de sujeito em ação e o caracterizava de alguma forma nesses espaços sociais que ali estavam sendo discutidos pois como afirma REY(2003; p.36).
As emoções são registros complexos que com o desenvolvimento da condição cultural do homem passam a ser uma forma de expressão humana ante situações de natureza cultural que surgem em sistemas de relações e práticas sociais. REY (2003; p.36)
Interessava-me ainda Explorar o discurso sobre o medo e os outros cochichos que mais se repetiram e geraram maior comoção no grupo; agora num discurso individual das coordenadoras mas de forma conectada com uma ação coletiva e significativa para elas para tentar produzir possibilidades conectivas entre emoções e ações que pudessem tocar de forma mais potente a necessidade. Já que é na unidade entre o simbólico e o emocional que o seu sentido subjetivo se manifesta. Segundo afirma REY(2003, p.76):
“O sentido subjetivo da emoção se manifesta pela relação de uma emoção com outras, em espaços simbolicamente organizados dentro dos quais as emoções transitam. Desta unidade entre o simbólico e o
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emocional, sem que um desses momentos seja reduzido ao outro, se define o sentido [...] é precisamente este registro quando uma produção emocional ainda não se constitui como sentido subjetivo, que nos permite falar em necessidade”. (REY, 2003, p.76).
Entendendo aqui a necessidade como um estado afetivo que aparece segundo afirma o mesmo autor, pela integração de um conjunto de emoções advindas de diferentes situações no curso de uma atividade realizada pelo sujeito; e como estados produtores de sentido associados à atuação do sujeito numa atividade concreta. E esse sentido vai ser gerado no contexto mesmo de realização da ação. Assim as entrevistas foram realizadas individualmente nas seguintes circunstâncias: após uma oficina no curso de capacitação de coordenadores de grupos de convivência de idosos, após um encontro de grupos de convivência, no intervalo de um seminário temático, e após uma oficina de reminiscências na universidade durante o ano de 2006.
É interessante observar que uma das características da pesquisa-ação é que os sujeitos envolvidos estejam participando ativamente da construção e realização do projeto de pesquisa. Neste ponto é necessário afirmar que todas as atividades foram demandadas por eles, exceto o seminário e o work shop sobre o medo que foi uma sugestão da pesquisadora. Além disso toda a escolha dos locais bem como a organização da comunidade que também poderia participar das atividades era realizada pelas coordenadoras, numa ação conjunta e participativa, do princípio ao fim do trabalho de pesquisa.
Desta forma embora a segunda coleta tenha sido também individual, possuiu características diferentes da primeira entrevista de aprofundamento realizada com elas. A saber: ocorreram na presença e participação de duas ou três colegas e outras pessoas observando-as, num espaço coletivo como no grupo, na universidade, no calor, ou na proximidade de uma atividade coletiva, da qual estivessem participando ativamente. Isso foi indispensável para sustentar a proposta de entendimento do sujeito e da construção da subjetividade num espaço de intersubjetivação que envolve toda a complexidade da tessitura social afetiva, histórica e biológica das mulheres idosas. A sustentação desta perspectiva sócio histórica de sujeito também fez ponte com a noção de cultura proposta por Geertz na medida em que ele a situa como um
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processo dinâmico e relacionado com a produção de sentido e a produção de processos de desconstrução e construção contínuos. Desta forma as entrevistas foram realizadas observando as atividades das coordenadoras de acordo com o quadro abaixo:
Quadro 2 - Distribuição dos locais de entrevistas filmadas com as coordenadoras de grupos
COCHICHOS ATIVIDADE MOMENTO LOCAL OBSERVADOR
Cochichos sobre os grupos de convivência Encontro com grupos de convivência Antes do encontro No pátio de uma igreja onde se reuniram 3 professores Cochichos sobre a família Oficina de “memórias sobre A família” Antes e depois da oficina Num corredor de passagem próximo ao local da oficina 3 Colegas da sala de aula Cochicho sobre políticas públicas Curso- oficina de capacitação de coordenadores
No final da oficina Em frente à sala de aula do curso 3 Colegas do próprio grupo Cochichos sobre o medo Seminário e workshop sobre o medo No intervalo entre o seminário e o work shop Nos jardins da Universidade Transeuntes aleatórios da universidade
Fonte: Bancos de dados da pesquisa- Arquivo mantido pela pesquisadora
Na segunda etapa, após decorridos 10 anos da primeira entrevista, apenas os coordenadores de grupos de convivência de idosos que já haviam sido entrevistadas e que continuaram participando do estágio supervisionado o psicólogo na comunidade até o ano de 2012 foram convidados como sujeitos de pesquisa, embora, como pode ser visto nos registros de imagem, configurou-se num espaço aberto à participação de outros coordenadores de grupos de convivência de idosos.
O evento denominado “primeira oficina de desenvolvimento humano político e social dos coordenadores de grupos de convivência” nome escolhido pelos componentes do grupo RAIS que elaboraram juntamente comigo a oficina. É
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importante salientar que a oficina partiu inicialmente da intenção de atender à uma demanda das coordenadoras e simultaneamente servir como espaço para a pesquisa.
A oficina foi primeiro elaborada pela coordenadora do grupo “RAIS” juntamente com algumas coordenadoras de grupos de convivência participantes também do grupo Congregou o total de 10 ( dez) coordenadores de grupos de idosos , participantes da pesquisa desde sua fase inicial, e mais 60 coordenadores e líderes comunitários de grupos participantes nas etapas iniciais e não participantes da pesquisa, além de 6 (seis) estagiários, um professor da área do envelhecimento, observador além de pesquisador, um representante da coordenadoria de direitos da pessoa idosa, um representante do legislativo municipal, um representante do legislativo estadual e também presidente da frente parlamentar do idoso, na “Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais.”
Participaram ainda, quatro assessores parlamentares e trinta membros de grupos de convivência de idosos de todas as regionais de Belo Horizonte, o que somou um total de 112 participantes, embora os cochichos considerados para análise na pesquisa tenham sido de novo apenas os cochichos das 10 coordenadoras que já haviam participado da primeira etapa do projeto de pesquisa. Os membros que quiseram e puderam participar de livre e espontânea vontade da pesquisa assinaram para o grupo o termo de responsabilidade e sessão da imagem. De maneira que cada coordenador de grupo ficou de posse desses termos, e a pesquisadora, com uma cópia. Para a pesquisa coletamos diretamente os termos de compromisso e sessão de imagens assinados pelos representantes do grupo, como pessoa jurídica, e por cada coordenador que participou diretamente da pesquisa, como pessoa física. Assinaram também esses termos os dois parlamentares e seus assessores, que não ´pertenciam a nenhum grupo de convivência.
Os cochichos foram gravados por meio do registro em vídeo, das demandas trazidas pelas coordenadoras, e de sua participação direta na oficina de desenvolvimento humano político e social, proposta pelo grupo RAIS (Rede de Amigos Idosos Solidários). A oficina não foi construída para a pesquisa, antes a pesquisa aproveitou a proposta que já existia nos grupos de ampliar as formas e os espaços de participação política, como instrumento de participação inventado pelas próprias coordenadoras para que funcionasse como um fórum de participação política
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diferenciado dos conselhos e dos fóruns regionais , onde elas pudessem ter mais liberdade, mais proximidade dos políticos e onde os processos burocratizantes e hierarquizantes não influenciassem tanto, atravessando seus cochichos e a escuta que tanto almejavam dos seus interlocutores. Ou seja, como queriam construir um espaço que fosse mais próximo dos espaços que utilizavam em suas comunidades no qual os coordenadores pudessem trazer todos os cochichos e demandas dos grupos de convivência simultaneamente e diretamente para um representante do legislativo estadual e do legislativo municipal.
A pesquisadora se posicionou apoiando a iniciativa, e auxiliando-as com a infraestrutura, o espaço físico, o suporte organizacional e o apoio técnico que elas necessitavam para construir esse instrumento, e como troca, obteve delas e dos colaboradores a autorização para gravar e utilizar os seus cochichos na pesquisa.Com a condição de que a pesquisadora pudesse se pronunciar também sobre as demandas das coordenadoras para os parlamentares.
A escolha por escutar os cochichos das coordenadoras de forma coletiva no calor de uma ação de participação política, elaborada por elas mesmas, foi justificada no fato de que esta pesquisa baseia-se na premissa básica de que o sujeito histórico social se constrói e constrói a realidade num movimento dialético. Na sua interação com a realidade e na complexidade dos seus afetos. Daí o apoio no método da pesquisa ação. Já que o objetivo da pesquisa foi valorizar esse movimento do sujeito sócio histórico e tentar capturar o cochicho e as significações trazidas pelas coordenadoras sobre a sua participação política na dinâmica em que se constroem as suas ações ao participarem das políticas públicas. Portanto, o método de coletar os dados é que nesse caso foi criado. Inventado, a partir desse movimento do que se quis compreender dessa realidade. Como um caminho, ou um procedimento que deveria estar vinculado à forma como foi concebida a realidade e nunca poderia se antecipar a ela. Ademais nessa perspectiva não se busca uma causalidade, como uma explicação, mas a compreensão de certos aspectos do sujeito e da realidade, mediados por inteiro compromisso ético político, sabendo-se que esse processo jamais será protegido pela neutralidade Como afirma LANE sobre essa forma de pesquisar (1985, p18):
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Pesquisador e pesquisado, se definem por relações sociais que tanto podem ser reprodutoras como podem ser transformadoras das condições sociais onde ambos se inserem. Desta forma, conscientes ou não, sempre a pesquisa implica em intervenção de uns sobre os outros. (1985, p18).
Desta forma, a oficina na qual realizamos a segunda etapa da pesquisa teve a duração de um dia inteiro de 9h da manhã às 17 horas da tarde no dia 28 de Abril de 2012, num espaço cedido para o grupo. Participaram dela as 10 coordenadoras entrevistadas e cujas falas foram gravadas. Mas além delas participaram também um total de setenta coordenadoras e líderes de grupos de convivência. A coleta das falas foi feita por meio de filmagem.
Na organização do evento foram envolvidas várias idosas coordenadoras de grupos de convivência pertencentes às diversas regionais de Belo Horizonte. O Grupo RAIS (Rede de Amigos Idosos solidários), que nasceu com a intenção de agregar e organizar os grupos de convivência de idosos, foi o propositor da ideia da oficina e foi quem articulou os outros grupos para estarem presentes no encontro. Na época eles convidaram diversos políticos para estarem presentes mas apenas um vereador da câmara Municipal respondeu ao convite. De igual maneira no Estado, apenas o presidente da Frente Parlamentar do Idoso na Assembleia Legislativa atendeu ao convite.
As coordenadoras se reuniram antecipadamente pelo menos durante três meses para organizarem suas demandas e para montar o programa da forma como gostariam. Nesta ação contaram também com o auxílio de pessoas advindas das comunidades vizinhas de sua região.
A oficina foi dividida em duas partes uma pela manhã, e duas pela tarde, com um intervalo para o almoço. Cada parte foi composta de dois momentos detalhados na tabela que se segue abaixo, intercaladas pelo almoço comunitário, e com pequeno lanche servido pela manhã e pela tarde. Observamos que o empenho das coordenadoras bastante intenso na organização das tarefas a serem desenvolvidas e que a ação parece tê-las deixado cheias de satisfação. A oficina de desenvolvimento
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humano, político e social para coordenadoras e grupos de idosos foi composta então de quatro atividades específicas tal como expostas no quadro abaixo:
Quadro 3 - Atividades da Oficina de desenvolvimento humano político e social para coordenadores de grupos de convivência de idosos. (realizada em 28 de
Abril de 2012) ATIVIDADES DA OFICINA PARTICIPANTES/ APRESENTADORES METODOLOGIA E INSTRUMENTOS RESULTADOS E ENCAMINHAMENTOS 1) Apresentação dos grupos: histórico conquistas, desafios e demandas Coordenadoras de grupos de convivência Cochichos individuais apresentados para o grupo e filmados Registro em Filmagem encaminhado para os grupos 2) Avaliação das políticas públicas programas e projetos à luz das demandas dos grupos em conjunto. Coordenadoras de grupos de convivência Discussão em pequenos grupos Registros escritos pelos coordenadores e observados pelos estagiários Registros escritos encaminhados para a pesquisadora e sintetizados para encaminhar ao prefeito com cópia para a Secretaria de Direito e Cidadania
3)Apresentação/tradução
das demandas dos
grupos e das críticas à política pública para o representante da câmara municipal
A pesquisadora Registradas por
filmografia
Registro em filmagem editado para os grupos e para a câmara Municipal
4) Encaminhamento das demandas, avaliações e proposições de ações para a Frente Parlamentar do idoso Uma coordenadora da rede de grupos de convivência de idosos Registradas por filmagem
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A oficina foi dividida em quatro momentos principais. No primeiro momento após um café onde houve o acolhimento de todos os participantes, foram trazidos cochichos sobre os grupos e de convivência de idosos e de apresentação das coordenadoras sobre a situação do seu grupo naquele momento, as conquistas e os desafios do grupo, e uma breve avaliação do seu trabalho e das mudanças ocorridas no grupo, após as conferências municipais, estaduais e nacionais de direitos da pessoa idosa. Nesse primeiro momento o cochicho foi realizado apenas com os colegas coordenadores de outros grupos;
O segundo momento foi de participação das coordenadoras, no qual elas trouxeram suas avaliações sobre as políticas públicas, e sobre sua experiência de participação e interação com os programas projetos serviços públicos e ainda, as questões e demandas dos grupos, para os conselhos e para o representante do legislativo municipal no que dizia respeito a ampliação desses processos de participação e dos fatores que estão atravessando esses processos de participação. Nesse momento, a pedido delas, a pesquisadora fez a tradução das demandas trazidas pelos grupos para um representante do legislativo municipal.
Houve então um intervalo de 1h:30 minutos para o almoço e logo depois o prosseguimento das atividades com o terceiro momento da oficina.
O terceiro momento, correspondeu a um espaço de oficina em grupo no qual as coordenadoras se reuniram em pequenos grupos para escutar as demandas uns dos outros e falar dos dois outros cochichos que já haviam trazido, anteriormente a saber: grupos de convivência, família e medo, e propor políticas, programas, projetos e serviços de atenção ao idoso de acordo com o objetivo de responder às demandas cochichadas.
No quarto momento todos os cochichos trazidos foram traduzidos agora por um coordenador de grupo, para o representante do legislativo estadual e para a Frente Parlamentar do Idoso na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais com vistas a obter respostas, orientações e encaminhamentos para solucionar as questões trazidas pelos grupos A oficina funcionou simultaneamente como um momento de participação política com representantes do legislativo. Os idosos dialogaram diretamente com o deputado e presidente da Frente Parlamentar do Idoso na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais).
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Os trabalhos foram então encerrados com a fala das coordenadoras e com um lanche servido a todos os participantes.
A metodologia utilizada para a oficina observou a característica predominantemente qualitativa da pesquisa. Foram gravadas imagens dos cochichos das idosas a fim de serem selecionadas e editadas num vídeo para devolvê-las juntamente com um documento de transcrição das falas para os grupos e, para que eles pudessem acessar as suas falas e a fala dos parlamentares e até para analisarem o que foi ou não esclarecido e o que puderam avaliar desse encontro e desse novo espaço de participação inventado por elas.
Os cochichos das coordenadoras foram apreciados sob as mesmas perspectivas teóricas que sustentaram os estudos e os trabalhos já desenvolvidos. A proposta foi que a pesquisa pudesse obter a interpretação das participantes não apenas sobre o seu discurso mas observar como esta interpretação sustentava sua ação num espaço de participação proposto por elas mesmas ao setor governamental. Interessava-me também observar nesse movimento de interpretar e agir a partir do sentido e do significado atribuído a este espaço, se elas, conseguiam identificar os dispositivos que potencializavam seus avanços nessa participação e que dispositivos reduziam sua potência.
Por isso foi mantida a intenção de entrevistá-las em momento e clima que os envolvesse com os temas de maneira mais atualizada nas respostas de afeto, já que isso facilitaria à pesquisa a observação de novos processos de subjetivação que houvessem sido potencializados no encontro. Isso facilitou observar as interpretações dadas por elas aos processos de participação política, e de como viam o lugar e o papel que lhes era atribuído pelos representantes do governo e o lugar que elas também atribuíam para si mesmas e para o setor público. Permitiu também avaliar no calor da atividade os processos dominantes nos discursos e os afetos mais presentes