Kapittel 18: Avsluttende kommentarer
2. ARBEIDET I KOMMISJONEN 1 Forståelse av mandatet
Quando foi pedido que fizessem uma caracterização dos agressores no geral, as principais características identificadas foram a arrogância e o egoísmo, afirmando, no entanto, que pode ser qualquer pessoa. Identificaram, ainda, o facto de alguns trabalhadores quererem progredir rapidamente na carreira, não tendo em atenção aos meios que utilizam para atingir o seu objetivo.
De entre as respostas obtidas podem destacar-se as seguintes: “pode ser qualquer pessoa, é preciso é ter capacidade para fazer pressão. E depois há aquela pressão que é mesmo frontal em que, é através de palavrões, voz alta e essas coisas (…)”, outro entrevistado referia que é “(…) uma pessoa arrogante, que se acha superior às outras, será isso”. Outro colaborador resume da seguinte forma: “são aproveitadores. Às vezes aproveitam-se da fraqueza de uma pessoa para deitá-la abaixo!”.
Quando questionado sobre qual seria o perfil de um agressor em geral outro colaborador afirmou que “(…) tem de ser uma pessoa com outro tipo de moral, mais autoritário (…)”.
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Vários entrevistados descreveram o agressor de assédio moral como uma pessoa mais agressiva. Relativamente à mesma questão, um dos entrevistados referiu “aqui quanto maior a hierarquia mais se nota” (entrevistado 10).
Outro colaborador declarou que o assédio moral muitas vezes tem como objetivo denegrir a imagem dos outros e tentar beneficiar-se numa possível promoção e assim é referido que “(…) muitos querem subir de posto, e enterram os outros. É como na escola, fazem guerrinhas e fazem queixa à professora, e aqui é quase idêntico. Quando há um posto melhor, e há alguém mais capacitado, tentamos virar as pessoas contra ele (…). Olha aquele disse aquilo de ti, e depois ele vai falar com ele (…). Só há uma conclusão aqui, barulho. A pessoa entra em conflito e fica mal pronto”.
Outro entrevistado refere exatamente a mesma estratégia associando o assédio a uma tentativa de progressão na carreira tentando tirar vantagem de determinadas situações tal como é referido no seguinte depoimento: “qualquer pessoa que queira subir rapidamente de posto de trabalho, não tenho dúvidas que esses são os primeiro a assediar, hoje em dia, infelizmente, acontece mais do que há uns anos atrás.”.
Quando foi solicitado a um colaborador que descrevesse o perfil de um assediador este afirmou que os agressores são característicos por terem personalidades bem definidas, relatando: “têm uma personalidade muito vincada”.
Por fim, o gestor da empresa (entrevistado 18) quando questionado sobre a mesma questão declarou “acho que qualquer pessoa pode ser um assediador.”, não fazendo referência a nenhuma característica ou detalhe específico.
Quanto às características das vítimas os entrevistados responderam de uma forma geral que qualquer pessoa pode ser uma vítima. Apesar disso, disseram que há pessoas que podem sofrer de assédio moral mais facilmente por possuírem características como a timidez, a ausência de uma personalidade forte e a baixa escolaridade.
Como exemplos ilustrativos desta ideia podem citar-se os seguintes depoimentos: “às vezes são pessoas mais limitadas, que não conseguem lidar com a pressão (…). Eles não têm hipótese e acabam por deixar-se corromper (…)”. Por sua vez, o entrevistado 5 declarava que as principais vítimas podiam ser “as pessoas mais novas.”, ou seja, segundo o trabalhador as pessoas com menos experiência, resultante da idade, podiam estar mais vulneráveis a comportamentos assediadores.
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Já o entrevistado 6 disse “(…) pode ser qualquer pessoa.”, sendo esta ideia apoiada também por outros colaboradores (entrevistados 13 e 15). Na mesma sequência o entrevistado 7 declarava “qualquer um de nós pode ser vítima aqui (…)”.
Segundo o entrevistado 9 características baseadas numa personalidade mais introvertida poderão tornar um sujeito mais vulnerável ao assédio moral, ao invés de um individuo com uma personalidade extrovertida e social, pelo que o trabalhador afirmava: “acho que têm de ter determinadas características. Serem mais caladas, tímidas (…)”.
Quando foi pedido a outro trabalhador que caracterizasse as vítimas no geral, o relato foi de encontro ao já exposto anteriormente por outros colaboradores, na medida em que este defende que uma personalidade menos comunicativa poderá influenciar se uma pessoa está ou não mais sujeita ao assédio moral, declarando: “não sei explicar bem isso. Quer dizer, uma pessoa retraída, mais fraca. Uma pessoa que não tem uma personalidade muito forte”.
Outro entrevistado afirmava que as principais vítimas de assédio moral “normalmente são aqueles que não reagem. Aqueles que ouvem e engolem (…). Depois vão falando nas costas! Aquela pessoa que menos falta faz à empresa, ou que pelo menos parece fazer menos falta. Talvez também quem tem menos capacidade escolar, não sei, porque não sei, há aí 2 ou 3 que custa mais a entender e são os mais atacados aqui dentro”.
Quando questionado o gestor sobre a caraterização das vítimas no geral este afirmou “(…) tem a ver com a maneira de ser, a personalidade”.
As respostas obtidas foram de encontro à revisão da literatura feita, sendo que segundo vários autores (Hirigoyen, 2002; Júnior et al, 2015) qualquer pessoa pode ser vítima de assédio moral, no entanto, este comportamento pode surgir derivado a aspetos relacionados com a personalidade da vítima e a escolaridade, tal como referido, também, pelos entrevistados.
Por outro lado, relativamente ao agressor, os entrevistados afirmaram que estes têm características narcisistas e egoístas tal como constatado pelos autores Araújo, McIntyre e McIntyre (2007) e Nunes e Rosa (2013).
5.4 C
AUSAS DO ASSÉDIO MORALNo que diz respeito às causas associadas ao assédio moral, tanto os funcionários como o gestor identificaram a crise como um fator que agrava este comportamento na empresa. A
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necessidade de cumprir prazos de entrega em espaços de tempo curtos, a existência de pressão exercida sobre os trabalhadores por forma a aumentar a produtividade, a competitividade existente para manter o posto de trabalhado são algumas das causas associadas ao inicio do desenrolar de vários conflitos que, por vezes, têm continuidade para casos de assédio moral.
Os colaboradores identificaram, ainda, causas de assédio moral a desorganização, a falta de comunicação e a personalidade quer das vítimas quer dos agressores.
Um dos entrevistados considera que é da conjunção de um cenário de crise económica e da apetência em termos de personalidade que resultam situações de assédio moral, ou seja, “eu acho que é pela parte de quem assedia sente fragilidade do outro, e porque as próprias circunstâncias da empresa, neste momento, faz com que haja assédio!”. Outro entrevistado enfatiza diferentes causas do fenómeno, ou seja, “pode haver vários motivos, penso eu (…). O feitio das pessoas, mesmo a conjuntura do país, os problemas de casa, penso eu que isso também leva a que os patrões pressionem e façam isso não é?”.
O enfoque na personalidade de quem assedia e de quem é vítima de assédio consistiu numa ideia referida por vários entrevistados, por exemplo, um colaborador enfatizou a sua ideia da seguinte forma: “(…) acho que é a fraqueza da pessoa, o espírito (…). A personalidade tanto do agressor como da vítima. A crise também, o ambiente da fábrica, o clima (…)”. Em seguimento ao anteriormente exposto, também o entrevistado 5 defendia que umas das principais causas do assédio moral está fortemente relacionado com o fator personalidade, relatando “é sem dúvida a personalidade da pessoa”.
Outro colaborador referia que a crise é uma causa do assédio moral, no entanto, mencionou que várias empresas se aproveitam desse fator para ganho próprio, acabando por beneficiar em detrimento de outros. Acrescentou, ainda, que apesar do contexto socioeconómico desfavorecido que o país atravessa atualmente, isso não será uma justificação para a falta de motivação e respeito a que estão sujeitos, relatando: “(…) é tudo um pouco… A crise também ajuda, mas às vezes também se aproveitam desse ponto da crise, porque há empresas que também passaram por isso, e entra-se nelas e trabalha-se muito bem lá. Cumprimenta-se os operários e acho que isso dá motivação, e aqui isso não existe.”.
O entrevistado 8 declarou que a principal causa do assédio moral poderá estar associada à existência de vários conflitos, criadores de um mau ambiente de trabalho.
Outro colaborador afirmou que os comportamentos depreciativos a que estão sujeitos poderão ser desencadeados por questões pessoais que são transportadas para o local de
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trabalho. Acrescenta que, por vezes, o trabalho a fazer é excessivo para o número de funcionários existentes, sendo a pressão muito elevada, relatando “às vezes a vida pessoal não corre como eles esperam e isso é uma maneira de eles descarregarem e se livrarem da tensão. Porque se a gente tiver uma conversa com eles fora daqui são completamente diferentes. Também a pressão de ter de entregar as obras e assim… E depois somos poucos para o trabalho que é muito!”.
O fator crise foi novamente apontado por outro colaborador, quando questionado sobre as possíveis causas do assédio moral, referindo: “(…) a própria crise que estamos neste momento a passar, acho que é o principal motivo neste momento.”.
Vários trabalhadores referiram a personalidade como uma causa potenciadora de assédio moral, referindo-se o exemplo: “(…) acho que a principal causa pode vir das personalidades”.
Além da personalidade, a falta de organização existente na organização aliada à escassa comunicação, foram apontadas como possíveis causas do assédio moral por um colaborador, ao que o mesmo relatou: “(…) talvez a desorganização e da personalidade. Não há comunicação entre as chefias. Chega um diz isto, o outro vem já está a dizer outra coisa… e depois esta desorganização cria mau ambiente.”. Pode constatar-se que, dada a existência de duas gerações distintas, não há um consenso quanto aos objetivos estipulados e à forma como devem ser cumpridos esses patamares, de maneira que, há uma ambiguidade sentida por parte dos trabalhadores, relativamente à maneira como devem prosseguir e desempenhar a sua função, contribuindo estas dúvidas e incertezas geradas, para a criação de conflitos e de casos de assédio moral.
Outro colaborador identificou a personalidade como uma causa do assédio moral, defendendo que características depreciativas como a inveja poderão desencadear comportamento negativos e humilhantes, relatando: “o egoísmo, a inveja. Principalmente a inveja! Vai do princípio e da personalidade das pessoas. Eu não era capaz de usar esses estratagemas para subir.”.
O gestor quando questionado sobre as causas que poderiam estar associadas ao assédio moral no local de trabalho relatou: “tem a ver com a crise, mesmo necessidades. Pronto, mas conheço casos, de colegas que são empresários, e que fazem isso, para poderem não pagar salários mais altos, para poderem justificar algumas irregularidades que têm (…)”. Tal como exposto anteriormente, a crise aliada a uma estratégia organizacional que tem em vista o
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aumento do lucro, pode desencadear comportamentos de assédio moral, na medida em que a produtividade se sobrepõe à qualidade do ambiente de trabalho.
Conclui-se que, tal como defende Einarsen (1999), a má organização e a personalidade, quer das vítimas quer dos agressores, são as principais causas do assédio moral.