MV AV N
A compreender o que tinha para fazer e como fazer, porque______________ ______________________________________________________________ A falar sempre em Inglês, porque __________________________________ ______________________________________________________________ A explicar de outra maneira as palavras ou frases que não sabia dizer, porque ______________________________________________________________ A descobrir e corrigir os meus erros, porque __________________________ _____________________________________________________________
2.5.4- Questionário de Estratégias de aprendizagem de expressão oral – (v. anexo 1.4) Objectivo e aplicação do questionário
Com este instrumento procurou-se conhecer as estratégias de aprendizagem a que o aluno recorre durante a realização das tarefas de produção oral. O questionário permite ao aluno fazer uma reflexão sobre a forma como aprende a falar Inglês e quais as estratégias que usa, possibilitando uma tomada de consciência sobre erros/dificuldades que posteriormente pode superar.
Numa primeira fase, o questionário foi explicado aos alunos, sendo esclarecidas dúvidas surgidas nomeadamente pelo fornecimento de exemplos específicos para as estratégias de aprendizagem, com base em situações da sala de aula conhecidas do aluno. A sua aplicação teve lugar na sala de aula, no final de cada actividade didáctica de produção oral, sendo preenchido seis vezes, o que corresponde a seis actividades. Constituiu, deste modo, uma forma de recolha sistemática de informação retrospectiva.
A fim de compreender melhor as respostas dos alunos e de forma a verificar a possível existência de discrepâncias entre essas respostas e o seu comportamento real, os alunos foram entrevistados em pequenos grupos, tendo a investigadora por referência a resposta ao questionário e a vídeogravação das actividades didácticas de produção oral realizadas em contexto pedagógico (v. explicação destes procedimentos no ponto 2.5.5 adiante).
O questionário também permite analisar, embora não seja objectivo do estudo aqui apresentado, o progresso dos alunos no uso de estratégias de aprendizagem ao longo do tempo, assim como comparar esse uso entre os alunos da turma.
Caracterização do questionário
As questões usadas neste questionário tiveram por linha orientadora as estratégias de aprendizagem definidas por Oxford (1990) e por nós apresentadas no capítulo 1 (secção 1.3.3, quadro 1.5), onde se incluem estratégias metacognitivas, cognitivas, de compensação e sócio-afectivas, conforme se pode verificar na Figura 2.2.
Estratégias 23
directas indirectas 11 12
cognitivas compensatórias metacognitivas sócio-afectivas (6) (5) (7) (5)
Figura 2.2
Tipologia de estratégias de aprendizagem do QEAEO
De um conjunto de estratégias de aprendizagem foram seleccionadas as que são destinadas à capacidade de produção oral, conforme se pode observar no Quadro 2.5, embora se tivessem seleccionado também estratégias comuns às quatro macro- capacidades linguísticas (ouvir, falar, escrever e ler), construindo-se assim um questionário constituído por 23 questões fechadas, cuja escala de resposta continha as opções: sim, não, não sei/tenho dúvidas.
Este instrumento foi usado pela professora pela primeira vez na turma como orientação para as questões orais feitas aos alunos sobre a actividade “Talking about abilities” (v. anexo 2.1), reflectindo os alunos durante alguns minutos sobre a actividade com o objectivo de completaram a frase registada no quadro da sala de aula: “Para falar Inglês é preciso...”. As ideias surgidas foram registadas no quadro pela professora, obtendo desta forma um conjunto de estratégias que os alunos já usavam ao falar Inglês.
Tratamento da informação
Os dados recolhidos a partir deste instrumento foram sujeitos ao tratamento estatístico simples e usados para questionar os alunos durante as entrevistas no sentido de confirmar ou refutar as respostas assinaladas.
Quadro 2.5
Estratégias de aprendizagem da expressão oral
Itens do QEAEO Estratégias
8- Repeti palavras ou frases em voz alta para as aprender a dizer melhor? 8- Repetição (em voz alta) 9- Repeti palavras ou frases mentalmente para as aprender a dizer melhor? 9- Repetição
10- Falei sempre em Inglês? 10- Praticar naturalmente
11- Pensei nas palavras ou frases em Português antes de as dizer em Inglês? 11- Tradução 12- Usei palavras ou frases em Português quando não as sabia dizer em Inglês? 12- Recurso à LM
C
og
ni
tiv
as
18- Pedi ajuda ao (s) meu colega (s) quando tive dificuldades em falar Inglês? 18- Pedido de ajuda 13- Usei gestos quando não sabia dizer uma palavra ou frase em Inglês? 13- Mímica
14- Desisti de falar quando senti dificuldades? 14- Evitar comunicação 15- Procurei explicar de outra maneira em Inglês as palavras ou frases que não sabia dizer? 15- Aproximação 16- Inventei palavras em Inglês quando não sabia ao certo como se diziam? 16- Invenção
D ir ec ta s C om pe ns at ór ia s
17- Procurei informação quando tive dúvidas (no caderno, manual, fichas de trabalho,
dicionário,...)? 17- Usar recursos
1- Procurei estar sempre atento(a) durante a actividade? 1- Atenção 2- Tinha todo o material de que precisava? 2- Organização 3- Compreendi para que servia a actividade? 3- Compreensão 4- Compreendi o que tinha para fazer e como o fazer? 4- Planificação
5- Tentei aproveitar todas as oportunidades para falar Inglês o mais possível? 5- Criar oportunidades de prática 6-Fui identificando e corrigindo os meus erros? 6- Monitoração
M et ac og ni tiv as
7- Reflecti sobre o que consegui e não consegui fazer? 7- Auto-avaliação 19- Pedi ajuda à professora quando tive dificuldades em falar Inglês? 19- Solicitação 20- Esforcei-me para falar em Inglês mesmo correndo o risco de dar erros? 20- Correr riscos 21- Senti-me confiante nas minhas capacidades? 21- Confiança 22- Colaborei com o (s) meu colega (s) durante a actividade? 22- Cooperação
In di re ct as S oc io -a fe ct iv as
23- Estive atento (a) aos sentimentos e dificuldades do (s) meu (s) colega (s) para o (s) ajudar se
necessário? 23- Consciencialização
Limitações/ Problemas detectados
Uma das possíveis limitações deste instrumento tem a ver com o facto de os alunos poderem copiar os símbolos da escala assinalados no questionário relativamente a actividades realizadas anteriormente, pois o instrumento foi desenhado de forma a ser possível usá-lo para as seis actividades de produção oral, facto que pode ter condicionado a reflexão sobre cada actividade. A realização de entrevistas onde os alunos puderam visionar a sua participação nas actividades e confrontar o seu comportamento com as respostas ao questionário colmata este tipo de dificuldades.
Por vezes, as respostas assinaladas no questionário foram substituídas por outras respostas durante as entrevistas. Sempre que tal se verificou os alunos foram interrogados sobre a razão da mudança de opinião.
A resposta a instrumentos estruturados como este poderá ser considerada simplista, por conter somente informação breve sobre as percepções dos alunos, não possibilitando descobrir em que situações pensam que determinada estratégia pode ou não ser útil, e com que frequência essa estratégia é usada. No entanto, o recurso à entrevista permite confrontar os alunos com as respostas dadas e perceber melhor as estratégias usadas, nomeadamente através de exemplos fornecidos por eles.
2.5.5- Entrevistas semi-estruturadas (v. anexo 5)
Neste estudo, a entrevista foi considerada uma técnica de investigação adequada, tendo em conta o objectivo de conhecer percepções dos alunos acerca das estratégias de aprendizagem da LE com enfoque na produção oral.
A entrevista exprime o que as pessoas pensam, o que sentem sobre o que fazem, o que pretendem fazer, o modo como organizam as suas vivências, ou seja, permite conhecer o real do entrevistado através das suas representações e vivências. Segundo Guba & Lincoln (1985:155) a entrevista implica “a capacidade de penetrar na experiência dos outros, na sua própria língua natural, utilizando os seus quadros de valores e crenças, sendo virtualmente impossível, sem interacção verbal, face a face com eles”.
Objectivo e realização da entrevista
As entrevistas foram efectuadas em grupos, pouco tempo após a realização das actividades didácticas em sala de aula, e o preenchimento do Questionário de Estratégias de Aprendizagem de Expressão Oral. Foram guiadas pela professora, tendo por referência as respostas assinaladas alunos no questionário e o visionamento das actividades de produção oral videogravadas em sala de aula.
O objectivo principal das entrevistas foi clarificar as percepções dos alunos sobre o uso das estratégias tendo como referência as respostas assinaladas no Questionário de Estratégias de Aprendizagem da Expressão Oral, principalmente no sentido de esclarecer respostas que não pareciam reflectir o que se observou na videogravação (v. exemplo do registo efectuado pela investigadora no Quadro 2.6).
Escala: = Sim = Não ?= Não sei/ Tenho dúvidas Nota: Os símbolos sublinhados correspondem à resposta que os alunos deram durante a entrevista.
As entrevistas foram organizadas rotativamente, tendo por base os seis grupos de alunos que realizaram as seis actividades de produção oral na aula, encontrando-se incluídos em todos os grupos alunos de nível bom, razoável e mais fraco em relação à disciplina de Inglês. As questões foram colocadas a todos os participantes e de forma rotativa, pois por vezes os alunos têm tendência a responder em função do que é socialmente aceite ou repetir o que ouvem. O facto de as questões serem colocadas de
Quadro 2.6
Registo de estratégias de aprendizagem da expressão oral (exemplo) Actividade “Talking about house and furniture 1”de 17/06/04
ALUNOS
Itens do questionário S T F P J
1- Procurei estar sempre atento(a) durante a actividade?
2- Tinha todo o material de que precisava?
3- Compreendi para que servia a actividade? 4- Compreendi o que tinha para fazer e como o fazer? 5- Tentei aproveitar todas as oportunidades para falar Inglês o mais possível? 6-Fui identificando e corrigindo os meus erros? ? ? 7- Reflecti sobre o que consegui e não consegui fazer? ? 8- Repeti palavras ou frases em voz alta para as aprender a dizer melhor? ? 9- Repeti palavras ou frases mentalmente para as aprender a dizer melhor? ?
10- Falei sempre em Inglês?
11- Pensei nas palavras ou frases em Português antes de as dizer em Inglês? 12- Usei palavras ou frases em Português quando não as sabia dizer em Inglês? 13- Usei gestos quando não sabia dizer uma palavra ou frase em Inglês? 14- Desisti de falar quando senti dificuldades? ? ? 15- Procurei explicar de outra maneira em Inglês as palavras ou frases que não sabia dizer? ? 16- Inventei palavras em Inglês quando não sabia ao certo como se diziam? 17- Procurei informação quando tive dúvidas (no caderno, manual, fichas de trabalho,
dicionário,...)?
18- Pedi ajuda ao (s) meu colega (s) quando tive dificuldades em falar Inglês? 19- Pedi ajuda à professora quando tive dificuldades em falar Inglês? 20- Esforcei-me para falar em Inglês mesmo correndo o risco de dar erros? ? 21- Senti-me confiante nas minhas capacidades? ? 22- Colaborei com o (s) meu colega (s) durante a actividade? 23- Estive atento (a) aos sentimentos e dificuldades do (s) meu (s) colega (s) para o (s) ajudar
se necessário?
igual forma a todos os participantes tornou possível comparar mais facilmente os resultados dos elementos do grupo.
Durante cada entrevista, a sequência das estratégias de aprendizagem do questionário foi respeitada, de forma a ser mais fácil a sua compreensão por parte dos alunos. No entanto, uma das vantagens da entrevista ser semi-estruturada foi permitir à investigadora e aos alunos falarem sobre tópicos de interesse que não foram previstos quando as questões foram originalmente desenhadas. As entrevistas foram realizadas conforme o Quadro 2.7, após a realização das actividades de produção oral, sendo entrevistados dois grupos de alunos sobre cada uma das actividades. Foram realizadas doze entrevistas, duas a cada grupo de alunos, com uma duração média de 30 minutos por entrevista.
Quadro 2.7
Calendarização das entrevistas Data da entrevista Grupo Actividade 11-05-2004 1 e 2 “Talking about family” 18-05-2004 3 e 4 “Talking about jobs” 27-05-2004 5 e 6 “Talking about clothes 1” 15-06-2004 1 e 2 “Talking about clothes 2”
18-06-2004 3 e 4 “Talking about house and furniture 1” 21-06-2004 5 e 6 “Talking house and furniture 2”
Importa referir que, antes da realização de cada entrevista, a investigadora estabeleceu com cada grupo de alunos um diálogo informal de forma a criar um clima de empatia com os mesmos e mostrou a videogravação da actividade respectiva.
As entrevistas realizaram-se na escola, numa sala de aula disponível, onde existisse alguma privacidade e onde os alunos não fossem incomodados por outros colegas. O horário para a sua realização foi negociado com os alunos tendo por base algumas horas livres no horário da turma, ou quando faltasse algum professor se o horário fosse compatível com o da investigadora. Segue-se dois exemplos ilustrativos do tipo de interacção durante as entrevistas, neste caso relativos a duas das estratégias referidas no questionário (criar oportunidades de prática e mímica). Todas as entrevistas foram audiogravadas.
5- Tentei aproveitar todas as oportunidades para falar Inglês o mais possível? 35. Prof.: a folha p’ra ele com as aranhas dele escondidas. ah, tentei aproveitar sempre todas as oportunidades para falar Inglês, T?
36. Prof.: T, tentei falar sempre em Inglês em todas as oportunidades? 37. T: sim
38. Prof.: sim ou não? tinhas dito que não, eu até depois pus aqui, mas porque é que seria? enganaste foi ao pôr o “x”?
39. T: na folha, deixe ver stôra
40. Prof.: tinhas não, não, aqui… foi esta que fiz com base na que tu preencheste. tinhas-me dito que não (in) e aqui o F tu não percebeste p’ra que é que servia esta actividade, F?
41. F: compreendi stôra 42. Prof.: ah! (in) 43. T: puseste não
44. Prof.: também te enganaste ao preencher a fichinha 45. P: estávamos com pressa stôra p’ra ir embora 46. Prof.: hum, está bem, está bem (risos) 47. P: isso é que é o mal
48. Prof.: mas é por isso que também serve a entrevista, que eu agora ver se às vezes se enganaram, já corrigimos. então, não tentaste falar sempre em Inglês, não procuraste todas as oportunidades? 49. T: sim
50. F: sim
13- Usei gestos quando não sabia dizer uma palavra ou frase em Inglês?
320. Prof.: não. usei gestos, estejam com atenção, usei gestos quando não sabia dizer uma palavra ou frase em Inglês, A? 321. A: com palavras e frases não
322. Prof.: quando não sabia, não. então usaste gestos quando? 323. A: ah, quando foi daquilo do lápis
324. Prof.: ah, então vamos pôr aqui um x pequenino. H? 325. H: sim
326. Prof.: quando?
327. H: quando hum….(imita um gesto) a apontar para ele
328. Prof.: quando querias, o que é que tu querias dizer com esses gestos? 329. H: que era para ele me dar a vez a mim
330. Prof.: ah! estavas a (in) 331. H: pois, estava a gozar comigo
332. Prof.: D usei gestos quando não sabia dizer as palavras ou frases em Inglês? 333. D: não
334. Prof.: não?! E? 335. E: não
336. Prof.: não, mas tu tinhas-me dito que sim, que usaste gestos. por exemplo, não sabias dizer “sweatshirt” tu apontavas p’ra lá… não?
337. E: isso foi ela
338. Prof.: foi o T. então é não. T usei gestos? 339. T: usei
340. Prof.: quando? 341. H: (int)225 km
342. T: p’ra dizer aquilo do fato de treino… 343. Prof.: hum-hum
344. T: e p’ra dizer “sweatshirt” que eu já não me lembrava 345. Prof.: e apontaste, foi?
346. T: foi
Tratamento da informação
Os registos áudio das entrevistas foram transcritos e sujeitos à análise de conteúdo relativamente a três categorias: mudança de opinião, dificuldade de reflexão e dispersão de opinião. Para isso, seleccionaram-se quatro entrevistas representativas do conjunto das doze realizadas (v. anexo 5.1). Esta selecção teve por base a audição das doze entrevistas (total de entrevistas efectuadas), procedendo-se à selecção daquelas
onde os alunos manifestaram maiores alterações de resposta. As entrevistas analisadas foram as seguintes:
Quadro 2.8
Calendarização das entrevistas analisadas Data da entrevista Grupo Actividade 11-05-2004 1 “Talking about family” 15-06-2004 2 “Talking about clothes 2”
18-06-2004 3 “Talking about house and furniture 1” 21-06-2004 4 “Talking house and furniture 2”
Limitações/ Problemas detectados
Uma das limitações do recurso à entrevista prende-se com a morosidade do processo de transcrição de protocolos. Outra dificuldade sentida pela investigadora foi nem sempre ter conseguido realizar cada entrevista próximo da realização da respectiva actividade didáctica de produção oral, devido a constrangimentos de horário escolar. Este factor pode ter influenciado as respostas dos alunos, que entretanto se esqueciam das estratégias utilizadas na aula. Mesmo com o recurso à videogravação, muitos alunos alegaram não se recordar de como haviam procedido, provavelmente devido à distância temporal entre a aula e a entrevista.
O facto de os alunos serem filmados em grupo enquanto trabalhavam nas tarefas de produção oral permitiu questioná-los retrospectivamente sobre o que estavam a pensar em determinados momentos dessas tarefas durante as entrevistas. Esta estratégia tornou-se eficaz pois permitiu ajudar os alunos a recuperar informação sobre o que fizeram durante as actividades didácticas, sobre as estratégias de aprendizagem de produção oral usadas e sobre a sua relação afectiva com as tarefas realizadas.
Objectivo e realização da videogravação das actividades didácticas
Pode admitir-se haver alguma discrepância entre o que se pensa que se faz e o que realmente se faz, daí a necessidade de recorrer à videogravação, que possibilita observar algumas das estratégias que o aluno usa durante a realização das actividades didácticas, estimulando a sua recordação e permitindo-lhe reflectir de novo sobre o modo como aprende. Este tipo de registo assume também um carácter formativo para o professor, pois serve de apoio à sua reflexão sobre a acção.
Uma das desvantagens desta forma de registo poderá ser o facto de os alunos se sentirem incomodados e envergonhados ao realizar as actividades. No entanto, procurou-se evitar esta situação através do diálogo com os alunos, que no geral se sentiram satisfeitos pelo facto de serem objecto de gravação em vídeo e poderem visionar mais tarde a sua prestação na aula.
Os grupos de trabalho foram filmados durante a realização das seis actividades de produção oral, sendo seleccionados dois grupos de alunos para cada actividade didáctica de forma a obter duas gravações em vídeo de cada grupo, a usar como apoio às entrevistas.
As videogravações decorreram nas seguintes datas: 29 de Abril, 11 e 27 de Maio, 3, 7 e 21 de Junho de 2004, tendo sido gravados, em cada aula, cerca de 10 minutos por grupo, existindo num total cerca de 120 minutos gravados. Para a realização da videogravação a investigadora utilizou equipamento adequado, sendo a própria a efectuar a gravação, deslocando a câmara de filmar durante a realização das actividades. Optou-se por ser a própria professora a filmar porque os alunos se sentiam mais familiarizados com ela e a presença de um elemento estranho na sala poderia interferir no seu desempenho alunos ao nível da realização da actividade didáctica, pois estes poderiam distrair-se ou sentir-se constrangidos. Antes da videogravação, a professora fornecia a instrução da actividade e a sua exemplificação, certificando-se de que todos os alunos compreendiam a sua finalidade e a forma de a realizar.
Como foi referido, esta estratégia serviu para recolher informação útil e necessária para lembrar os alunos da actividade realizada e para a professora preparar as entrevistas a cada grupo (a partir da observação da actividade videogravada), confrontando os alunos com as respostas assinaladas no Questionário de Estratégias de aprendizagem de expressão oral. Assim, e no início de cada entrevista, os alunos visionaram a gravação do seu desempenho, seguindo-se a resposta às questões colocadas.
Uma das limitações na utilização deste tipo de registo tem a ver com o facto de ser necessário o manuseamento da câmara de filmar durante a realização das actividades didácticas, o que dificulta o esclarecimento de eventuais dificuldades dos alunos durante as mesmas. Por outro lado, o facto de não poder haver grande interferência da professora parece-nos importante no processo de construção da autonomia dos alunos na gestão das tarefas de aprendizagem.
2.6- Critérios de qualidade e limitações do estudo
No presente estudo, houve uma preocupação em ter presentes alguns critérios de qualidade indispensáveis para a sua qualidade, que se passam a enunciar: consistência, confirmação, credibilidade, transferabilidade e rigor ético. Tendo por referência estes critérios, procurou-se obter resposta para as seguintes questões:
“- Que consistência de resultados seria de esperar se o estudo fosse replicado ou reanalisados os seus resultados?
- Até que ponto são os resultados função do que se pretendia medir, isentos de enviesamentos e, como tal, plausíveis e passíveis de confirmação?
- Como podemos afirmar que os resultados derivam da intervenção e são, portanto, credíveis? - Até que ponto e a que domínios são os resultados passíveis de transferência?
- Como se assegura a legitimidade ética dos procedimentos do estudo?” (Vieira, 1998: 204/206)
O Quadro 2.9 apresenta de forma sintética as estratégias metodológicas relativas aos critérios de qualidade enunciados. De entre estes critérios, é de salientar a importância do rigor ético neste tipo de estudos.Desde o início do ano lectivo houve uma preocupação por parte da investigadora em informar os alunos sobre o projecto. Foram explicitados os procedimentos que seriam seguidos para a sua realização e negociada a sua participação no estudo. O total anonimato dos alunos e a confidencialidade da informação foram também objecto de negociação. Também o órgão de gestão da escola foi contactado com a finalidade de lhe ser dado a conhecer o projecto, de requerer autorização para a sua realização e saber se seriam garantidas condições para a sua implementação. Quanto à investigadora, é de salientar que assumiu o compromisso de divulgar a experiência junto dos encarregados de educação dos alunos participantes. Foi solicitada a autorização para a participação dos seus educandos nas actividades videogravadas, nas entrevistas e no preenchimento de questionários com finalidades investigativas, tendo assinado um documento em que concedem essa autorização. Para além do já referido, após a defesa e aprovação da dissertação, será