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april Nr. 449 2007

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 77-81)

Além dos contributos da escola austríaca, surgiram autores que procuraram desenhar uma teoria das competências organizacionais tendo em vista a existência crescente de envolventes empresariais muito complexas e em permanente transformação, recuperando, para o efeito, ideias quer das teorias que realçam os processos de mercado quer das que defendem a empresa baseada nos recursos.

Segundo essa perspetiva tem-se verificado uma coincidência evolutiva no que respeita, por um lado, às envolventes empresariais cada vez mais complexas e, por outro, à diversidade de recursos que a empresa mobiliza para as suas atividades (Gorman et al., 1996).

Ademais, também se colocou como questão fundamental (Sanchez & Heene, 1996) a premência de se analisarem as componentes organizacionais de forma tão aprofundada quanto possível, no sentido de se determinar como é que se acumulam os recursos únicos e inimitáveis que caracterizam cada empresa e como é que se configura essa base de recursos de modo a contribuir para performances mais elevadas do que as de outras empresas.

Na medida em que a empresa é concebida como um organismo caracterizado por um conjunto de recursos, a proposta desses autores vai no sentido de se analisar com precisão os mecanismos e os processos que geram as decisões e as ações capazes de criarem um suporte de recursos únicos, de preservarem no tempo esses recursos únicos e de destruírem os recursos que se tornam obsoletos criando novos recursos capazes de manter a empresa na frente das forças competitivas.

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Hogarth & Michaud (1991) avançam com quatro fatores que, numa ótica de recursos, geram vantagem competitiva:

■ Recursos raros e valiosos relacionados com a região de implantação da empresa, a propriedade de patentes e a concessão de instalações, entre outros.

■ Métodos de produção mais eficientes do que a concorrência de modo a superar capacidades e processos que são fixos e que não podem ser mudados facilmente. ■ Aperfeiçoamento e combinação inédita de recursos de modo a ser possível dinamizar

novas competências e novos recursos necessários à manutenção de vantagem competitiva.

■ Inovação permanente, regeneração dos seus recursos e das suas capacidades de modo a criarem-se competências distintivas de alto valor acrescentado.

Os dois primeiros tipos de recursos podem ser suficientes para que uma empresa obtenha vantagem competitiva no longo prazo, todavia, os autores realçam que a dependência de fatores estáticos pode ser um risco, porque somente os dois últimos tipos de recursos são capazes de dinamizar processos e enfrentar a concorrência com capacidades mais desenvolvidas.

A capacidade de acumulação e de variação de combinações de recursos é fundamental para a obtenção de melhores performances e, por isso, é fundamental analisar os mecanismos e os processos organizacionais em profundidade de modo a ser possível identificar com precisão a forma como são produzidos os recursos tangíveis e intangíveis. Segundo Teece et al. (1997), o conjunto de mecanismos e processos organizacionais assenta em três conceitos:

■ Conceito estático, que se relaciona com uma função que coordena e que integra a utilização dos recursos empresa, quer interna quer externamente.

■ Conceito dinâmico, que corresponde a uma função de aprendizagem focalizada a partir de processos repetitivos que asseguram a melhor utilização dada aos recursos. ■ Conceito transformacional, que compreende os mecanismos que prospetivam e

identificam competências emergentes, bem como de métodos que favoreçam a consolidação de elevadas performances através de novas e sucessivas configurações.

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Autores como Coimbatore Krishnarao Prahalad, Gary Hamel e Colm O'Gorman situam-se na corrente das capacidades dinâmicas e, tendo em consideração a necessidade de análise dos mecanismos e processos organizacionais geradores de decisões e de ações que visem a criação de um suporte de recursos únicos, orientaram-se para a questão das relações que ocorrem entre a cognição dos empreendedores / gestores e as decisões estratégicas tomadas.

A empresa prossegue um conceito transformacional que exige lideranças inovadoras para a promoção de processos de antecipação no que respeita à emergência de novas competências e à utilização de novos métodos capazes de transformar e redesenhar os recursos que servem de suporte a performances superiores. A noção de capacidades dinâmicas realça essa visão empresarial baseada nos recursos, em que o empreendedor / gestor é uma figura central de coordenação, gestão e implementação de novos recursos e habilidades orientados para o desenvolvimento de competências e a gestão do conhecimento.

Em suma, em vez da visão que trata os recursos como elementos estáveis foi formulada uma teoria estratégica focada predominantemente nos processos organizacionais cuja maleabilidade é bastante maior, permitindo realçar, entre outros recursos, aqueles que se enquadram na responsabilidade social das empresas..

Tais orientações teóricas recuperaram a análise nas condições da envolvente empresarial externa, já que esta perspetiva externa quedava-se por uma posição secundária na RBV no que respeita à tomada de decisão relativamente a domínios estratégicos, passando a concorrência a ser analisada à luz dos recursos valiosos e raros que resultam dos processos inerentes a cada empresa.

Amit & Schoemaker (1993) consideram que em resposta às mudanças operadas na envolvente é crucial que a empresa seja capaz de regenerar as suas competências e os seus recursos fundamentais, prospetivando as transformações suscetíveis de beneficiar a configuração de novos recursos objetivados à continuidade da vantagem competitiva e à manutenção de diferenças de performances no tempo.

Autores como D’ Aveni & Gunther (1994) e Chakravarthy (1997) debruçaram-se sobre as questões relacionadas com ambientes altamente competitivos e muito turbulentos, concluindo ser fundamental à empresa desenvolver competências de redefinição contínua da sua base de

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recursos e de transformação rápida dessa base em qualquer momento de maior exigência de tais ambientes turbulentos.

Desta perspetiva decorre que as competências de administração de uma empresa, fundamentais para o desenvolvimento de vantagem competitiva, resumem-se a um conjunto circunscrito de competências que se assumem como core competence ou ‘competências nucleares’, tal como anteriormente já davam conta Prahalad & Hamel (1990). Estas competências são cruciais quer para apoiar a atividade empresarial no seu conjunto, quer para acompanhar o desenvolvimento de produtos e serviços de uma empresa. Assim, as competências nucleares surgem através da ‘aprendizagem coletiva’ da empresa, designadamente mediante a articulação de diversas competências de produção e a integração das diversas tecnologias presentes (Rumelt, 1994).

Nesta ótica, os processos de gestão e desenvolvimento do conhecimento assumem um importante papel face ao processo de configuração dos recursos (Burgelman, 1994; Nonaka & Takeuchi, 2008). A aprendizagem organizacional e os conhecimentos tácitos desempenham um papel crucial para identificar e desenvolver adequadamente as ‘competências centrais’.

Para os teóricos que postulam a teoria baseada nos recursos e que defendem uma visão dinâmica das capacidades organizacionais, os recursos e as capacidades de uma empresa decorrem de um processo de aprendizagem através da experiência (learning by doing) que reverte para as inúmeras possibilidades da ação coletiva. Portanto, as competências centrais são baseadas nos conhecimentos tácitos que envolvem a aplicação dos recursos próprios da empresa (Sobol & Lei, 1994; Spender & Grant, 1996). Para as empresas intensivas em conhecimento, a importância desse mesmo conhecimento torna-se ainda mais significativa (Tiergarten & Alves, 2008), sendo necessário definir os atributos e condições que caracterizam o conhecimento intensivo e os esforços necessários a realizar no sentido de se efetuar a ‘gestão do conhecimento’ com vista a constituir vantagem competitiva e aumentar os resultados positivos da empresa.

As empresas assumem-se, então, como entidades que criam e integram conhecimento (Nonaka, 1994; Grant, 1996) e que desafiam os investigadores a encontrar novas metodologias e abrir novos caminhos para o desenvolvimento empresarial (Godfrey & Hill, 1995).

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