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Approaches, Concepts & Issues

An Empirical Research on InfoSec Risk Management in IoT-based eHealth

7.3 Approaches, Concepts & Issues

Conforme havia sido dito anteriormente, as lamas, regra geral, são obtidas através da interação entre o pó resultante do desgaste de rocha aquando as operações de corte, serragem e polimento, com água utilizada para o arrefecimento da respetiva maquinaria. Desta feita, é possível deduzir que para além da água e, obviamente, da rocha moída, as lamas podem ainda conter na sua constituição elementos metálicos provenientes do desgaste dos aparelhos de corte e serragem (Braga et al., 2010).

Após concluídas as operações de transformação, as lamas geradas são encaminhadas para um decantador onde, através da adição de um floculante, são separadas da água através da sedimentação das partículas que as compõem (INETI, 2001). Individualizadas as fases líquida (água) e sólida (lamas), a água é então reintroduzida nos processos de beneficiação enquanto que as lamas são enviadas para um filtro-prensa onde são submetidas a um processo de compactação, com o intuito de reduzir o seu volume (INETI, op. cit. e Peyneau, 2004). Segundo Machado (2012) concluídos estes processos, segue-se a deposição das “placas de lamas” obtidas, regra geral, em aterros de superfície.

Estima-se que a quantidade total de lamas geradas a partir dos processos de transformação do bloco de rocha corresponda a 10% do seu volume total (Machado 2012). Analisando um cenário mais pessimista, são vários os autores que enunciam que a produção de lamas poderá ascender a 20% da massa total que compõe os blocos de rocha (Moreira et al., 2003 e Mello, 2006). Se se atender ao facto de que no ano 2015 foram produzidas 199 457 toneladas de mármore nas pedreiras da região do Alentejo (DGEG - Divisão de Pedreiras do Sul, 2016), atendendo ao pior cenário atrás enunciado, significa que no mesmo ano foram geradas perto de 40 000 toneladas

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de lamas provenientes do processamento de mármore. Face à dimensão desta problemática, torna-se urgente encontrar soluções de reciclagem ou de reutilização deste tipo de resíduo. Conforme expresso por AIDICO et al. (2012) e Machado (2012), a indústria da construção posiciona-se como um dos sectores que mais resíduos emprega no decorrer das suas atividades. Deste modo, atividades como o fabrico da cal e do cimento, passando pela indústria do vidro e da cerâmica até à produção de fertilizantes, tratamento do solo e dessulfuração de gases de combustão, fazem parte do leque aplicacional das lamas provenientes da serragem do mármore. No entanto, apesar das inúmeras aplicações possíveis, o escoamento deste tipo de resíduos tem sido pouco acentuado (Cadima da Silva, 2016). Por este motivo, novas investigações sob a reutilização/aplicação das lamas de mármore revelam-se benéficas quer para a eliminação deste resíduo, quer para o melhoramento das propriedades tecnológicas dos materiais a realizar. Desde o virar do século que diversos trabalhos de investigação foram desenvolvidos no âmbito da pesquisa de novas aplicações e aquisição benefícios inerentes da utilização das lamas de mármore. Atente-se aos seguintes casos:

• Incorporação de Lama de Mármore e Granito em Massas Argilosas (Silva et al., 2005) Com este estudo procurou-se analisar o comportamento da adição de pó de mármore numa argila empregue na indústria de cerâmica vermelha. Para o efeito, realizaram-se misturas de argila – resíduo nas percentagens 10%, 20%, 30%, 40% e 50% tendo-se conformado as respetivas amassaduras uniaxialmente e consumado a sua cozedura às temperaturas de 950 ⁰C, 1000 ⁰C, 1050 ⁰C, 1100 ⁰C e 1150 ⁰C em atmosfera oxidante. Os resultados obtidos através dos múltiplos ensaios tecnológicos davam conta de que a lama poderia ser aplicada na massa de argila em quantidades significativas, já que as propriedades dos corpos cerâmicos não ficaram comprometidas. Segundo os autores, em todas as temperaturas analisadas, os corpos cerâmicos gerados ostentavam propriedades tecnológicas superiores às especificados pelas normas para cerâmica vermelha.

• Utilização do Resíduo Proveniente do Acabamento e Manufatura de Mármores e Granitos como Matéria-Prima em Cerâmica Vermelha (Mello, 2006)

O intuito desta investigação visava a diminuição do impacte ambiental gerado pela má gestão de resíduos provenientes da transformação de rochas como o mármore e pela quantidade de argila extraída para aplicação no sector da indústria cerâmica. Para o efeito, quatro amostras de pó de mármore foram selecionadas e incorporadas em argila nas percentagens de 8%, 16%, 24%, 32% e 40%. As diferentes misturas foram então caracterizadas e diferentes corpos foram

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gerados às temperaturas de 850 ⁰C, 900 ⁰C, 950 ⁰C, 1000 ⁰C e 1050 ⁰C. Os resultados obtidos foram francamente satisfatórios, já que a incorporação de até 16% de lamas de mármore, para temperaturas mais elevadas, se mostrava viável. Estava então demonstrada a viabilidade de utilização destes resíduos, e com este, a preservação do ecossistema através da sua incorporação nos materiais cerâmicos de argila vermelha.

• Incorporação de Lamas de Pedreira em Argamassas (Machado, 2012)

Neste trabalho foi analisada a viabilidade em incorporar lamas provenientes da transformação do mármore ornamental na composição de argamassas. Para o efeito, realizaram-se três amassaduras distintas a partir de lamas de mármore em três estados físicos diferenciados: tal e qual de origem (húmido), seco e no estado cozido. No final, estas amassaduras foram comparadas com uma argamassa padrão, tendo-se verificado, a incorporação das lamas em argamassas se mostra possível na quantidade e no estado certo. Desta feita ficaram comprovadas as valências aplicacionais deste resíduo, permitindo não só uma diminuição na utilização de recursos naturais como também no custo de produção.

• Utilization of Estremoz marbles sawing sludge in ceramic industry – Preliminary Approach (Sena da Fonseca et al., 2013)

O objetivo deste trabalho passava por investigar se o pó proveniente da serragem do mármore de Estremoz, traria alguma mais valia quando incorporado com argila na indústria cerâmica. Subentendida nesta premissa, estava obviamente uma questão ambiental já que, ao ser possível, garantir-se-ia uma redução na acumulação deste resíduo e consequentemente, uma redução dos impactes causados pela exploração de argila, matéria prima base para o fabrico de materiais cerâmicos. Para o efeito, foram realizadas cinco misturas nas percentagens 2,5%, 5%, 10%, 15%, e 20% de pó de mármore – argila, tendo esta sido conformadas por prensagem por via plástica e cozidas à temperatura de 950 ⁰C. Como conclusão os autores referem que a incorporação de pó de mármore além de ser possível, revela-se bastante promissora. Além de reduzir o limite líquido e plásticos das pastas (funcionando como desengordurante natural), quando incorporado em percentagens compreendidas entre os 2,5% e os 15%, melhora significativamente a resistência mecânica do material cerâmico. Por outro lado, tanto a absorção de água como a porosidade aparente, acabaram afetadas negativamente, pelo que a adição de percentagens superiores às enunciadas anteriormente não é de todo aconselhável.

Segundo Martins et al. 1995, as lamas resultantes da serragem de mármore são compostas maioritariamente por carbonato de cálcio (CaCO3), podendo por este motivo funcionar como

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fundente e reduzir a plasticidade da argila (promovendo uma secagem mais rápida) quando incorporadas em materiais cerâmicos. Ao ser englobada com uma matriz arenosa (sílica) serve ainda para elevar a dilatação térmica do provete cerâmico evitando-se deste modo defeitos por deformação e fissuração do produto final.

As elevadas quantidades existentes e todas as valências aplicacionais descritas no parágrafo anterior fizeram pender para a seleção das lamas provenientes da serragem do mármore de Estremoz, como uma das matérias-primas da campanha experimental deste trabalho. Além da valorização garantida deste resíduo espera-se que, quando incorporadas em pequenas quantidades, venham a desempenhar um papel determinante no melhoramento das propriedades tecnológicas dos materiais cerâmicos a conceber.

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