• No results found

Appendix: Derivation of the elasticity of labour demand λλλλ

A condução da política externa, a diversificação das relações internacionais, as ambições nucleares e o papel de liderança regional são elementos que surgem com frequência. Conforme a revista, no governo Castelo Branco houve nítida aproximação com os Estados Unidos e a revisão da política externa independente promovida por Santiago Dantas: “The Brazilian government has assumed lonely eminence as principal advocate of United States policy in Latin America355”. Tanto o presidente quanto o general Golbery do Couto e Silva, formados pela Escola Superior de Guerra (ESG) capitaneavam a harmonização com os ideais americanos356.

A dependência estratégica e econômica dos Estados Unidos foi justificativa do apoio à intervenção na República Dominicana357: “it is significant that Brazil, once the proudest, loudest upholder of the principles of national independence, is now staunchly on Washington side”358.

Todavia, essa visão sobre alinhamento automático é rapidamente modificada. A publicação expõe que já no governo Costa e Silva, mais nacionalista, definia-se que o país seria menos dócil com as propostas americanas. Isto estava claro na questão nuclear. Asseverava-se que o país não assinaria nenhum acordo que o proibisse de avançar nessa área359.

A possibilidade do Brasil ocupar um lugar entre as grandes potências internacionais apareceu algumas vezes, como por exemplo:

355 Johnson's Men. 5 jun. 1965. p. 1138. 356 Good conduct prize. 14 ago. 1965. p. 605. 357 Johnson's Men. 5 jun. 1965. p. 1138.

358 Safety First in the Caribbean (ed.). 8 mai. 1965. p. 617 e ss.

With huge reserves of raw material with an enormous and large unexplored interior, with a population of 110 m and the non-communist world’s eight biggest economy, Brazil is on the way to becoming Latin American’s superpower. Unless Brazil creates a democratic safety valve there is a danger that the pressures now building up as a result of the country’s breakneck industrialization and social change will explode into open revolution360.

A diversificação das relações internacionais foi entendida como desejo por mais autonomia. Neste sentido, os laços estabelecidos com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e o papel mais assertivo na defesa de interesses dos países do terceiro mundo vão solidificando a influência no nível regional: “[...] it is the increased identification of Brazil as a Third World country that represents the most significant change to have occurred during the period”361. Mesmo que a liderança no subcontinente tivesse sido

questionada pelo periódico: “But it is a leadership with few followers”362.

A interpretação do Brasil como representante dos países em desenvolvimento começou a aparecer na Economist depois da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano, conhecida como Conferência de Estocolmo, realizada em junho de 1972: “The Brazilians have actually found a good deal of sympathy for this attitude among other developing countries”363.

Na revista, o espaço entre as potências mundiais conectava-se ao sucesso da economia:

There are many signs from month to month that the Brazilians are becoming more conscious of their future role as a great power of Latin America […] This, then, is the outline of the new Brazil: a country whose economic success has made it the envy of other developing countries364.

Outro elemento que, segundo a publicação, compunha o quadro de busca por um lugar mais proeminente nas relações internacionais era a relação do Brasil com Portugal e, principalmente, com suas colônias na África. As ex-colônias eram aliadas naturais e fariam parte da estratégia de adensar a influência sobre os países em desenvolvimento, como no caso do governo socialista de Angola em 1975365.

360 Geisel the fainthearted (ed.). 9 abr. 1977. p. 12. 361 HURRELL, 1986. p. 350.

362 Johnson's Men. 5 jun. 1965. p. 1138. 363 The urban explosion. 2 set. 1972. p. 16 e ss. 364 Towards the year 2000. 2 set. 1972. p. 72 e ss.

365 With the rabbits, or the hounds? 11 nov. 1972. p. 63 e ss.; The white lace curtain (ed.). 10 fev. 1973. p. 14 e ss.; First among equals? 31 jul. 1976. p. 55.

Isso se conectava as ambições brasileiras de se estabelecer como uma potência: “For all its ambitions to be a major world power in the coming century, Brazil still identifies with the developing world and it is there looking for influence”366.

Para a Economist, as autoridades acreditavam no papel de potência: “[...] almost all of Brazil’s military men are agreed that Brazil has come of age as a world power”367. E isso era

reforçado por representantes de outros países. A manifestação de Richard Nixon “As Brazil goes, so goes South America” foi relembrada quando Henry Kissinger se referiu ao país como um world power durante a visita de Médici a Washington em dezembro de 1971368.

A publicação assinalou que era na América Latina onde o poder do Brasil mais contava e que, durante a ditadura militar, o apoio dado aos golpes em outros Estados foi decisivo, demonstrando influência política regional: “Brazilians support its thought to have been decisive in the success of the recent coups in Bolivia and Uruguay”369.

Porém, a condução da política externa no governo Geisel foi alvo de algumas críticas da revista. A atuação da diplomacia foi classificada como oportunista: “With the typical pedantry of the Brazilian bureaucracy, the foreign minister, Mr Azeredo da Silveira, calls his new foreign policy ‘ecumenical non-aligned pragmatism’. This can be translated as ‘economic opportunism’”370.

No survey de 1979, avaliava que a política externa teria dado uma virada à esquerda, afastando-se dos Estados Unidos em função das questões sobre direitos humanos e energia nuclear. A isso se somava o desenvolvimentismo na economia, que faria com que o Brasil se confrontasse com o protecionismo dos países ricos371.

A imagem de potência é menos frequente nos anos 1980. Para a Economist, os brasileiros sabiam que seriam um gigante econômico um dia, por isso odiavam sua fraqueza momentânea:

Charles de Gaulle once said that Brazil ‘is not a serious country’. He was wrong: it is just not solemn, and Brazilians know the difference. Their leaders have made a serious effort to change their economic policies and give democracy a chance. They are now doing what they can. Now they must wait for the world economy to recover – and they can’t wait for long372.

366 Friends, anyone? 18 out. 1975. p. 46. 367 First among equals? 31 jul. 1976. p. 55.

368 Ibid. Richard Nixon foi presidente dos Estados Unidos de 1969 a 1974. Henry Kissinger foi Secretário de Estado entre 1973 e 1977.

369 South American man. 31 jul. 1976. p. 55 e ss. Inclusive sobre a cooperação entre as polícias do Brasil e do Uruguai que tornou as fronteiras dos dois países zona livre de captura. Cf. GASPARI, 2003. p. 374.

370 First among equals? 31 jul. 1976. p. 55.

371 Tightrope to democracy. 4 ago. 1979. p. 18 e ss. 372 Blame shared is blame halved. 12 mar. 1983. p. 17 e ss.