O efeito de sentido dos Poemas Esparadrápicos começa a p
uma analogia com um espa
empregado a este, fomos a dois dicionários da língua portuguesa buscar o significado da palavra esparadrapo, que encontramos:
curativos no lugar, ajudar a conter pacientes em certas posições, em mesas de operação, e para efetuar dete
traumatológicos (AURÉLIO, 1986: 700
Faixa de papel, tecido ou matéria plástica com uma das faces destinada a ser aplicada sobre a pele, recoberta por substância adesiva, adicionada de produtos farmacêuticos ativos (LAROUSSE CULTURAL, 1999:385).
acima nos levam a um outro termo, o de curativo, que , nos trazem o seguinte:
úlcera, incisões cirúrgicas... para tratá-las, limpá-las e protegê-las de agentes infecciosos, e/ou facilitar a regene
anticépticos de um curativo... 5. Relativo a cura, ou a curativo (AURÉLIO, 1986: 511).
1. Tratamento de uma doença; o conjunto dos meios empregados para debelá-la.- 2. Aplicação, sobre um ferimento, de tecidos e substâncias edicamentosas destinados a protegê-lo de traumatismos e infecções, orver a secreções e, eventualmente, tratá-lo; o material empregado
Ao analisarmo
“para efetuar determi r rapo comum é
utilizado para conter, tornar passivo e tirar a mobilidade, levantamos a seguinte questão: seria esse o sentido empregado pelo enunciador do texto para os Poemas
Esparadrápicos? E na seqüência, temos a descrição do significado da palavra
curativo, em que destacamos: “Ato ou efeito de curar”, “facilitar a regeneração dos tecidos”, “Relativo à cura, ou a curativo”, “Tratamento de uma doença; o conjunto dos meios empregados para debelá-la” e “destinados a protegê-lo de traumatismos e infecções”, que nos traz uma outra pergunta: de que ordem é a cura que estes esparadrapos proporcionam?
No desenvolvimento das análises, vemos que a significação do termo empregado na obra é justamente a oposta, isto é, de levar a criança a agir, a movimentar se, saindo da passividade que a internação causa e a lidar melhor com a sua situação, explorando novas formas de enxergar e conviver com a nova realidade a ela imposta. E com relação à questão do tipo de cura que os poemas proporcionam, vemos esta cura é de ordem emocional, transformando o estado de alma do sujeito, conforme o exame das paixões que movem o texto nos apresentou.
m abs
para isso (LAROUSSE CULTURAL, 1999:284).
s os termos “ajudar a conter pacientes em certas posições” e nadas imobilizações”, vemos que o espa ad
Sabendo que nada no texto está por acaso, a própria figurativização da obra em formato de esparadrapo e o cromatismo empregado na logotipia da obra (poema
, os Poemas Esparadrápicos são apresentados em um
o empregado nas empresas farmacêuticas, na dimens
“Mantenha sempre ao alcance acompanhado de uma bula, em q
s em preto e esparadrápicos em vermelho) reiteram a idéia de serem os
Poemas Esparadrápicos um “instrumento” curativo, destinado a curar,
transformando os estados de alma. Eles constituem parte das ferramentas utilizadas não por um médico comum, mas sim por aquele que recebeu a competência de ser um doutor da alegria (após a performance e a sanção positiva recebida pelo destinador “Doutores da Alegria”).
Diferentemente de uma obra literária infantil tradicional, que contém capa, orelha, índice, página e contracapa
formato diferente e peculiar.
Na obra em questão, o texto é apresentado em uma embalagem quadrada, de fundo branco, análoga ao produt
ão de 6 x 6 cm, o material é um tipo de papel cartão semi-fosco, resistente, próprio para embalagens médicas ou mesmo para caixas de presente, na cor de fundo branca na face de cima, nas laterais e na base; na face de baixo (a base) é colocada na cor primária vermelha (normalmente empregada pela indústria farmacêutica para dar destaque ou dizer que é um medicamento que necessita de prescrição médica), e que se lê em branco: das crianças” (veja a imagem ao lado) e vem ue são colocados o modo de usar e a ficha técnica do produto.
O texto “Mantenha sempre ao alcance das crianças” é uma paródia (colocada numa fórmula feita) do “mantenha fora do alcance das crianças”, present
rem destinados a indivíduos que pre
Poemas Esparadrápicos traz um ar harmonioso,
de não seriedade e suave, através do jogo do Arial com Times New Roman (que facilita
e nos medicamentos e produtos farmacêuticos.
Ao compararmos estes esparadrapinhos a um esparadrapo comum (veja imagens que seguem), vemos que apesar de ambos se
cisam de “curativo” e da semelhança eidética, o que mais se destaca são as diferenças, a saber: o comum, não apresenta uma variedade de cores (há apenas o jogo do branco, com uma cor sóbria azul em contraste com uma cor forte, o laranja) e tampouco usam imagens (na caixa e no esparadrapo) e de textos poéticos (no corpo do esparadrapo).
A tipologia empregada nos
a leitura), em que só se utilizam o negrito para destacar os títulos da obra, dos poemas e nomes dos autores. No esparadrapo comum, o da Omniplast (escolhido como exemplo), é útilizado apenas Arial e o negrito está em várias partes do texto da caixinha, dando a idéia de algo forte, pesado e sério, em que tudo precisa de destaque.
Outra diferença encontrada é a de utilização da marca da indústria fabricante do produto (Everest) Omniplast em destaque (fundo azul marinho chapad
a vez (po
ada de 14cm x 21cm, com os endereços e telefones das empresas para co
o e letra branca), sempre acima do nome, como uma estratégia de autoridade que traz seriedade e confiança ao produto. No caso dos poemas, a logomarca do “fabricante” Doutores da Alegria aparece apenas nos cantos inferiores, nas duas laterais da caixinha, em preto e branco, mostrando que não é preciso apresentar o autor em destaque para indicar que se trata de um esparadrapo “de outra ordem”.
Não podemos deixar de mencionar ainda que, os poemas são feitos de papel adesivo, são passíveis de serem grudados e desgrudados, utilizando-os mais de um
de-se brincar com eles onde, quanto, quando e como quiser), diferentemente dos esparadrapos comuns, que normalmente são de tela de seda e, ao serem colocados, não dá para reaproveitá-los novamente, pois eles perdem a utilidade. Um está ligado aos tratamentos médicos convencionais, pertence ao mundo dos adultos; o outro, trata de estados de alma, é um instrumento utilizado por médicos diferentes, que pertencem ao mundo da brincadeira, do imaginário da criança, são de ordem lúdica.
As duas bulas são apresentadas em um texto preto e branco, na mesma dimensão aproxim
ntato e com termos semelhantes do tipo “Ficha técnica” e “Modo de usar”. No entanto, a bula dos Poemas Esparadrápicos apresenta um conteúdo lúdico, colocando novamente a mesma ilustração da menininha fazendo um “curativo” no doutor da alegria (na frente e no verso).
Os Poemas Esparadrápicos é um esparadrapo metafórico, que cura metaforicamente. O tipo de cura que os Doutores da Alegria propõem é uma cura real, da transformação dos estados de alma do sujeito “criança hospitalizada”.