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Durante todo o século XIX as madeiras foram muito exploradas para a abertura de espaço para agricultura, para construção civil, utilizada em pontes, na ferrovia, para feitura de postes, para o mobiliário, no uso doméstico, para vendas de toras e como fonte de energia através da lenha e o carvão. Eram utilizadas madeiras como Cedro, Jatobá, Jacaré-monjolo e Araribá (Scifoni, op. cit.).

Já no século XVII, havia referências sobre preocupação com a exploração das matas, que provocavam o rebaixamento do nível das águas pelo desmatamento das margens do rio Tamanduateí.2 Também, Wanderley dos Santos

(1992:79) relata a providência da Câmara de São Paulo em 1810 diante da escassez de madeiras de lei para a construção civil e mobiliária, com o desmatamento para a implantação de roças, desperdiçando as madeiras.

“Fazemos saber a todos os moradores da Freguesia de Santo Amaro, de São Bernardo e do Bairro Caaguacú 3 (...) que nenhum lavrador possa botar matos abaixo para fazerem plantações sem que primeiro participe ao Capitão José da Silva Carvalho, a quem o mesmo Senado tem nomeado Inspetor Geral das matas dos sobreditos lugares para este mandar tirar todas aquelas madeiras próprias para edificar, ou mandá-las aproveitar por quem lhe parecer, bem entendido que isto é no caso de que o dono das matas não tenha a quem dar para as tirar; que muitas vezes antes querem derrubá-las e queimá-las do que deixá-las aproveitar, cujas partes serão obrigados os ditos lavradores a darem ao Inspetor, um ano antes de fazerem a derrubada (...)”

Segundo Scifoni (op. cit.), a exploração da mata, até o último quartel do século XIX, ocorreu de forma restrita, diante da extensão do território, das grandes distâncias, e enquanto a região contava com um sistema de transporte limitado às

“O conjunto dos fatores abióticos (fatores físicos e químicos) indispensáveis à ocorrência de uma dada

espécie num local (...). Os habitats são as partes de um mosaico ambiental” (Whittaker et al., 1973;

Cerqueira apud Rocha et al., 2006:262).

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Martins, apud, Scifone, op. cit.:62.

3 O bairro de Caaguaçu estava estabelecido, “solidificado”, no século XVIII e formava um vasto

território. Os bairros São Bernardo e Caaguaçu (ocupando parte do município atual de Santo André, entre o Caminho do Mar e o Vale do Tamanduateí) foram “bairros rurais de povoamento disperso”, distribuídos ao redor das grandes fazendas no século XVIII. O Bairro de São Bernardo tornou-se freguesia de São Paulo em 1812 e município em 1889. (Rodrigues, op.cit.:7; 14; 19). Caaguaçu, em tupi guarani, significa “mata grande” (Scifoni, op. cit.).

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embarcações e às tropas de burros e com o desenvolvimento de uma atividade agrícola modesta.

O quadro se alterou a partir da instalação da ferrovia e com a criação dos Núcleos Coloniais. A ocupação e o desmatamento intensificaram-se com o crescimento de São Paulo e com a facilidade de escoamento de madeira que era retirada para produção de energia, para movimentação das locomotivas da ferrovia e para os estabelecimentos de produção manufatureira.

”A extração de madeira foi de tal ordem que, em 1901, as autoridades se manifestaram a respeito e, nove anos depois, caía a última mata existente entre São Bernardo e São Paulo. Por esta época, a atividade carvoeira sofreu altas taxações, provocando a reação de seus produtores e comerciantes, entre os quais muitos italianos” (Rodrigues, op.cit.:39). Toda a mata da atual cidade de São Caetano foi substituída por atividades agrícolas e, na última década do século XIX, já tinha se transformado em uma cidade industrial. Atraídas para a região pela facilidade do transporte e por incentivos fiscais do município, as primeiras atividades industriais compreendiam:

“(...) beneficiamento e a transformação de matérias primas extrativas produzidas nas redondezas. Compreende-se facilmente a conveniência desta localização. A matéria prima era encaminhada até junto à estação e aí era transformada em produtos frequentemente mais leves, mais facilmente transportáveis. Muitas destas indústrias se revestiam de um caráter um tanto quanto rústico, constituindo mero complemento do extrativismo, outras já eram maiores e mais mecanizadas. É o caso, entre outros das serrarias” Langenbuch apud Scifone (op. cit: 80).

São Bernardo manteve-se por um longo período com uma atividade agrícola de subsistência de pequena expressão, isolada pela distância e pelo abandono do antigo Caminho do Mar com a vinda da ferrovia. Ao contrário de São Caetano, até o início do século XX, ainda existiam muitos trechos de Mata de Planalto em São Bernardo do Campo.

A expansão da Província de São Paulo estimulou também o extrativismo mineral, com a extração de caulim, pedra e barro para atender à demanda da

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construção civil, e a madeira era utilizada em toda a região, em olarias, serrarias e carvoarias (Rodrigues, op.cit.).

No final da década de 1920, o Brasil passava pela transição do modelo agroexportador cafeeiro para um novo padrão de acumulação, a industrialização,4

e, até essa data, segundo Scifone (op.cit.), aproximadamente metade da área do atual Grande ABC ainda era coberta por matas.

A extração de madeira continuou como atividade econômica importante até a década de 1950, quando a urbanização, estimulada pela construção da Rodovia Anchieta, provocou o esgotamento da matéria prima. Nessa década, o avanço urbano da RMSP contornava as áreas de mananciais e as matas ficaram restritas aos trechos mais periféricos, principalmente próximos ao reservatório Billings5.

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Figura 7. Organização: Robson S. Moreno.

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A sequência de fotos aéreas mostra a alteração das áreas internas e do entorno do Parque do Pedroso no intervalo dos anos de 1962 a 2008. Nas áreas internas é possível verificar a recuperação da mata preenchendo os espaços que configuravam as clareiras. Já na externa, nota-se o avanço das áreas urbanizadas, aproximando-se dos limites e invadindo o parque, tornando-o ainda mais isolado e fragmentado.

Na foto de 1962 há várias clareiras das quais se destacam duas: a Olaria (4) e a Pedreira – o futuro Santuário Ecológico – (5). A Estrada do Pedroso atravessava o parque, assim como a do Montanhão. Parte do arruamento do bairro Recreio da Borda do Campo já estava implantado e as ocupações ao norte e em São Bernardo, a oeste, eram poucas e esparsas.

Na foto seguinte, a clareira da área da pedreira (5) se acentua e o crescimento do bairro do Montanhão e do Parque Miami (2) é notável. A mancha do bairro Jardim Santo André, ao norte, atinge o limite do parque e a estrada do Sertãozinho ligando a estrada do Pedroso ao município de Mauá estava implantada.

Em um espaço de 18 anos, entre 1972 e 1990, as manchas verdes aumentaram nas áreas internas ao parque, diminuindo as clareiras da Olaria e da Pedreira, e o Núcleo Pintassilgo (7) já se esboçava ao longo de uma via.

A foto de 2008 está marcada com o traçado da abertura do Rodoanel- trecho sul, rasgando o parque e isolando-o dos fragmentos de Mata Atlântica presentes na porção sul e leste. Percebe-se o avanço de favelas ao norte, em especial do Núcleo Toledana (Jardim Santo André-1), e a intensificação das ocupações no entorno do Pedroso nos limites norte e oeste.

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Caracterização Ambiental