Alguns setores tradicionais de informação, de comunicação e entretenimento estão a disponibilizar-se de uma forma exponencia l através da internet. Com a penetração e acessibilidade da banda larga foi possível verificar uma crescente disponibilização dos conteúdos na rede das redes. Para abordar a convergência dos contéudos, convém evidenciar que estes são indissociáveis das redes (da largura de banda que permitam a circulação do tráfego de informação e da velocidade) e das plataformas (para visualizar os conteúdos). Dos cerca de 2,3 mil milhões de pessoas que acedem à internet apenas 600 milhões têm acesso à banda larga, o que de certa forma reduz o tipo de conteúdos visualizados, em virtude da capacidade da rede. Exemplificamos de seguida na tabela 5 o tempo necessário para aceder aos conteúdos online/velocidade de conexão.
Conteúdos 256Kbps 2M bps 10M bps 100 M bps
Google página inicial 160 Kb47
00:00:05 00:00:01* 00:00:00* 00:00:00*
Faixa de música 5 Mb48
00:02:36 00:00:20 00:00.04 00:00:00*
Vídeoclip 20 Mb49
00:10:25 00:01:20 00:00:16 00:00:02*
Filme de baixa qualidade/ CD 700 Mb 06:04:35 00:46:40 00:09:20 00:00:56 Filme em alta qualidade/DVD 4 Gb 34:43:20 04:26:40 00:53:20 00:05:20
Nota:(*)Valores aproximados
Tabela 5. Tempo necessário par importar conteúdos online, segundo diversos tipos de conexões. [59]
Como se pode constatar, por esta tabela, aceder a uma página Google, através de uma velocidade de conexão de 250Kbps50 demora 5s; no entanto um filme de alta qualidade já demora
34h43m20s, o correspondente a um dia e meio, bem revelador da diferença de tempo exigida para realizar o download da informação.
A figura 84, exibe diferentes conteúdos e meios na internet. Os seus utilizadores dão-lhe
expressão através da rede de ba nda larga, comum a todos os itens.
47Quilobite – 103
48Megabite=106
49Gigabite=109
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Nos jornais, um dos meios mais prestigiados de informação e comunicação, com cerca de 2 mil milhões de leitores de diários a nível mundial, verifica-se que cerca de 50% dos seus consumidores já têm acesso à informação (através de um suporte digital) em complemento à impressão em papel.
Em paralelo, nos países mais desenvolvidos assiste-se a uma diminuição do número de horas em frente ao televisor. Para exemplificar, o público mais jovem tende a preferir conteúdos pré-gravados ou selecionados pelos mesmos. A televisão tem cerca de 3,65 mil milhões de espectadores a nível mundial, sendo que cerca de 600 milhões de utilizadores são através da banda larga.
Relativamente ao telemóvel, é o canal com maior número, ascendendo a 5,2 mil milhões de utilizadores a nível mundial, dos quais 1,2 mil milhões já o utilizam para lá da simples comunicação verbal à distância mas também para os inúmeros conteúdos disponibilizados na
internet, entre outras funcionalidades.
Nota: Os in dicadores dos jorn ais corres pon dem a jorn ais diários , leitores de pelo men os 1 vez por s eman a, excluin do seman ários e jorn ais de domin go)
Figura 84. Resultados mundiais do número de utilizadores por tipo de meios, 2011. [59]
Figura 85. Evolução do número de telemóveis a nível mundial, por tipo de rede entre 2005 a 2010. [59,128]
Com relação ao telemóvel (figura 85) evidencia o número de utilizadores a nível mundial, que no ano de 2005 correspondia a 2,2 mil milhõesaumentando para mais de 5,2 mil milhões de utilizadores em 2010. Representa uma taxa de crescimento de 136%, sendo que a maioria das
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comunicações se realizou ainda através das tecnologias 2G ou inferiores, conotadas com as chamadas tradicionais e as mensagens. No entanto, o grande incremento denota-se essencialmente nas redes 3G e posterior, que entre 2005 e 2010 cresceu desde 0,1 mil milhões de utilizadores para mais de 1,2 mil milhões, respetivamente, refletindo os 1 100% de crescimento médio neste período. A esse facto não é alheio a cobertura das redes móveis que já se disponibilizou para cerca de 90% da população mundial, sendo inferior essa cobertura para cerca de 80% da população residente em áreas rurais, tanto a nível dos países desenvolvidos, como em vias de desenvolvimento. Em 2007, 95 países disponibilizavam serviços 3G comparativamente a 143 países em 2010, traduzindo-se num aumento de mais de 50% em apenas três anos.
Assiste-se atualmente a uma convergência de conteúdos na internet, face à disponibilização crescente de redes que comportem conteúdos que exigam maior largura de banda para a sua transmissão. A análise seguinte vai abordar a afluência da música, do vídeo, dos vídeojogos, da rádio, da televisão, das publicações periódicas digitais e dos livros em dispositivos conectados através da rede que mudou o mundo: a internet.
a) Música
A indústria da música apropriou-se das oportunidades do mundo digital de uma forma que poucos (ou nenhuns) setores se podem orgulhar.
Uma década depois das primeiras lojas online surgirem na Europa e nos EUA, o setor de downloads de música continua expandir-se internacionalmente e a melhorar a sua oferta para os consumidores. O comércio digital é responsável por mais de 500 serviços legalizados em todo o mundo, disponibilizando autênticas fonotecas com mais de 20 milhões de faixas. O iTunes51 é líder de mercado.
A troca de músicas pela internet é uma atividade generalizada, sendo baseado no intercâmbio pago ou gratuito de música armazenada por meio de tecnologias, tipo MP3, Ipod, Itunes, WAV, entre outras (que mudaram a indústria musical). Segundo o relatório de Música Digital - 2012, da IFPI - International Federation of the Phonographic Industry, as receitas digitais no mundo equivalem a cerca de 30% do mercado e a mais de 50% nos EUA, superando outras indústrias criativas, tais como filmes e publicações [53].
“O acesso aos serviços digitais pode expandir todo o mercado” afirmou Piibe52. A IFB -
Indústria Fonográfica Britânica, afirmou que as vendas digitais superaram as de formatos físicos53 nos primeiros três meses deste ano, perfazendo na totalidade 55% do mercado atual, compensando a queda nas vendas de CDs e do vinil. Em termos de crescimento o digital aumentou 23,6%, por sua vez o mercado físico teve uma quebra de 15,1% [79]. Onde se verificou o maior crescimento nem foi tanto na compra de músicas digitais, mas sim nas subscrições de serviços