Visando aumentar o potencial de interpretação associado às superfícies paleobatimétricas criadas, foram utilizadas informações complementares para modelar dados auxiliares da plataforma continental do Sudeste do Brasil. Segue uma descrição das principais entidades modeladas:
Poços. Durante a etapa de digitalização dos mapas paleobatimétricos 2D, foi também
executada a digitalização e georreferenciamento dos poços utilizados para a confecção dos referidos mapas. O georreferenciamento foi realizado escolhendo-se, respectivamente, 4 e 7 poços para as bacias de Campos e Santos; e obtendo suas coordenadas a partir do Banco de Dados de Exploração e Produção, disponível na Internet (BDEP, 2004).
A finalidade desta modelagem consiste na visualização da localização dos poços indiretamente utilizados para a criação das superfícies paleobatimétricas. As Figuras 7.3 e 7.4 mostram parte do conjunto de poços originais exibidos no mapa paleobatimétrico 2D da Bacia de Santos para o “final” do neo-albiano.
As informações de localização dos poços foram exportadas, no ambiente AutoDesk Map, para o formato ASCII, criando-se um arquivo para cada bacia. Cada linha deste arquivo contém uma informação de nome e localização do poço correspondente (coordenadas X, Y e Z). A cota das plataformas correspondentes aos poços ilustrados foi considerada igual a zero, já que as sondas encontram-se na superfície do mar.
Os arquivos ASCII foram importados no programa GOCAD, criando-se uma entidade do tipo Well para cada poço. A entidade correspondente é representada por um símbolo de poço amarelo, a partir do qual é traçada uma trajetória vertical retilínea em vermelho até a profundidade padrão de 4000 m. Tal profundidade representa uma convenção utilizada para coerência de visualização. Para facilitar o gerenciamento múltiplo das propriedades de visualização dos poços de cada bacia, estes foram reunidos em estruturas de manipulação denominadas groups. Desta forma, foi criado um grupo para cada bacia. As Figuras 7.11 e 7.12 mostram a localização dos poços nas bacias de Santos e Campos, respectivamente, com as superfícies paleobatimétricas do “final” do mesoalbiano.
Linha de costa atual. Esta informação foi acrescentada para facilitar a localização das
superfícies paleobatimétricas em relação ao relevo continental atual e demais estruturas modeladas. Serve também para destacar eventos transgressivos / regressivos ocorridos durante o período de estudo. Foi obtida do CPRM (2000) e importada no GOCAD como uma entidade Curve. As Figuras 7.11 e 7.12 contêm exemplos de visualização da linha de costa. A Figura 7.13 mostra, entre outras entidades, a linha de costa atual com as superfícies
paleobatimétricas das duas figuras anteriores. É importante destacar que tal figura constitui o primeiro exemplo de visualização simultânea dos dados de paleobatimetria referentes às duas bacias, em virtude da possibilidade de exibir várias entidades distintas ao mesmo tempo no programa GOCAD.
Topografia atual. Trata-se do MDT do relevo continental atual do Sudeste do Brasil,
obtido através do projeto GTOPO30 (2004). A superfície topográfica original foi “recortada” ao longo de uma linha poligonal fechada que delimita a área de estudo (Figura 7.1). Este recorte permitiu reduzir a complexidade do modelo digital através da remoção de partes do relevo topográfico não relevantes para a visualização das informações paleobatimétricas das bacias de Santos e Campos. A topografia foi sombreada usando uma escala de cores do azul para o branco, acompanhando a variação altimétrica (Figura 7.13).
Hidrografia atual. A hidrografia associada ao relevo continental complementa as
informações fisiográficas. As curvas de hidrografia foram obtidas a partir de dados do CPRM integrados com informações da Agência Nacional de Águas (ANA, 2004). Um exemplo é mostrado na Figura 7.13. A rede de drenagens modelada cobria uma região mais extensa que a exibida nas figuras anteriores. Sua adaptação envolveu o recorte, em ambiente GOCAD, das regiões correspondentes à porção de topografia removida.
Linha de charneira das bacias de Santos e Campos. Esta informação é representada
por uma linha poligonal azul (Figura 7.13). A linha de charneira foi digitalizada a partir de um mapa de estruturas oceânicas e continentais (SHOBBENHAUS & CAMPOS, 1984 apud CAINELLI & MOHRIAK, 1998) que será mostrado mais adiante. O processo foi executado diretamente no ambiente GOCAD, mas antes foi necessário georreferenciar a imagem com o programa ER Mapper (EARTH RESOURCES MAPPER, 2005).
Batimetria atual. O modelo digital da batimetria atual para as regiões das bacias de
Santos e Campos foi obtido a partir do projeto TOPEX (2004). O conjunto de pontos estava no sistema de coordenadas LAT-LONG e foi convertido para o sistema UTM/23 SUL. A partir dos pontos foi criada uma malha vazada e a superfície foi sombreada utilizando uma escala de cores do azul para o vermelho (Figura 7.14). Para realçar a variação morfológica ao longo do modelo, foram também traçadas isolinhas com espaçamento vertical de 100 m.
Plano do nível do mar. Esta entidade foi obtida criando, no programa GOCAD, uma
superfície plana (quadrilátero). Em seguida, o objeto foi recortado usando a curva da linha de costa atual e a curva que delimita a área de estudo. A superfície coincide com o plano XY do sistema global de coordenadas, possuindo elevação igual a zero. O plano recebeu um índice de transparência de 60% para revelar as estruturas subjacentes (Figura 7.15).
Limite entre a crosta oceânica e continental. Trata-se de uma curva digitalizada a
partir de um mapa topográfico / batimétrico do trabalho de Paula & Mohriak (2005). O limite entre crostas oceânica e continental utilizado pelos autores inclui a região das bacias de Campos e Santos (Figura 7.16).
Curvas de evolução da linha de costa. A informação indicativa das linhas de costa
associadas às várias idades estudadas foi determinada, para a bacia de Santos, considerando- se a curva de transição entre os ambientes continental e parálico (isto é, a curva de elevação igual a zero) nas várias superfícies paleobatimétricas. Foram criadas seis linhas, uma para cada superfície. Nos mapas paleobatimétricos originais, o limite continental / parálico foi identificado apenas nas últimas duas idades consideradas, sendo que para as demais adotou-se o limite continental / plataformal (Figura 7.2). As curvas obtidas são entidades interessantes implicitamente contidas nos conjuntos de curvas paleobatimétricas digitalizadas, e que podem ser usadas para efeito de comparação com a linha de costa atual. A Figura 7.17 mostra um exemplo de linha de costa indicativa para o “final” do eo-mesoalbiano. A seqüência de linhas geradas para o inteiro período do Albiano ao Maastrichtiano será mostrada na próxima seção.
N
Figura 7.11 – Visualização dos poços utilizados para a confecção dos mapas paleobatimétricos da Bacia de Santos. São também representadas a superfície batimétrica ao “final” do mesoalbiano e a linha de costa atual (em branco). Isolinhas pretas traçadas a intervalos de 50 m. O fator de exagero vertical é 20. Vista em planta.
N
Figura 7.12 – Visualização dos poços e superfície batimétrica ao “final” do mesoalbiano para a Bacia de Campos. A noroeste, um detalhe da linha de costa. Isolinhas pretas traçadas a intervalos de 50 m. O fator de exagero vertical é também 20. Vista em planta.
1.2 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 -0.2
N
Rio Ribeira RPS RPS Bacia de Campos Bacia de SantosFigura 7.13 – Visualização simultânea das superfícies paleobatimétricas das bacias de Santos e Campos ao “final” do mesoalbiano (103 Ma). São também exibidos o relevo topográfico atual, a rede de drenagens, a linha de costa atual (em branco), a linha de charneira das bacias (em azul) e os poços. A escala de cores acompanha a variação de altitude da topografia, passando pelas cores azul (nível do mar), verde (200 m), amarela (600 m), vermelha (1000 m) e branca (1500 m). RPS = Rio Paraíba do Sul. O fator de exagero vertical é 20 para todas as entidades. Visada para sudoeste.
N
0 -1 -2 -3 -4 Vale do Paraíba Serra do Mar Florianópolis RPSFigura 7.14 – Batimetria atual acrescentada ao conjunto de entidades da Figura anterior. A superfície foi sombreada usando uma escala de cores que passa pelo azul escuro (4000 m de profundidade), verde escuro (3000 m), verde claro (2000 m), laranja (1000 m) e vermelho (nível do mar) O espectro de cores acompanha a variação batimétrica. Fator de exagero vertical: 20. Visada para Norte.
N
0 -1 -2 -3 -4 Serra do Mar Florianópolis Vale do Paraíba RPSFigura 7.15 – Adição de plano semitransparente para indicar o atual nível do mar. A escala de cores exibida refere-se à batimetria atual. Visada para Norte.
N
0 -1 -2 -3 -4 RPS Florianópolis Vale do ParaíbaFigura 7.16 – Limite entre a crosta oceânica e continental indicado pela linha vermelha (região inferior). Em azul, a linha de charneira das bacias de Santos e Campos. Vista em planta.
N
0 -1 -2 -3 -4 RPS Florianópolis Vale do ParaíbaFigura 7.17 – Bacia de Santos: visualização (em branco) da linha de costa ao “final” do mesoalbiano. Esta linha foi obtida considerando-se o início do ambiente plataformal na superfície paleobatimétrica correspondente. O fator de exagero vertical é 20. Visada para Norte.