CAPÍTULO 3: EL PRECIO DE LOS PAQUETES TURÍSTICOS COMO INDICADOR DE
3.3. ANÁLISIS COMPARATIVO DE LOS PRECIOS DE LAS OFERTAS
De acordo com Bousso (1999), além de afetar o ciclo de vida familiar, a doença alteraria também a relação e comunicação desses. A comunicação entre os membros da família pode ser caracterizada a partir dos conceitos de sistema de relacionamento aberto e fechado. No sistema aberto o indivíduo sente liberdade para comunicar seus pensamentos, sentimentos e fantasias ao outro, enquanto no fechado há inexistência dessa liberdade (Bowen, 1998).
Não se comunicar abertamente é uma característica do processo comunicativo em famílias que presenciam doenças prolongadas, o que consistiria em uma tentativa de proteção contra o sofrimento, ou ainda uma reação emocional para proteção de si próprio da ansiedade do outro (Bowen, 1998). De acordo com Cerveny (2004), doença e morte são dois dos principais tabus familiares, sendo tabus, assuntos que a família evitaria falar. Para Bowen (1998), as pessoas evitariam assuntos tabus para não desagradarem os outros. De acordo com o autor, pacientes com doenças crônicas tenderiam a ficar sem comunicar seus pensamentos por dois motivos: negação e sistema fechado de relacionamento. O autor propõe a existência de três sistemas fechados em torno de pacientes em iminência de morte: o paciente que não comunica a ninguém seu sentimento de morte, a família que recebe informações dos médicos e as reinterpreta e a equipe com suas reações emocionais. De acordo com Rolland (2001), essas reações dos sistemas fechados sugeridas por Bowen (1998) também poderiam ocorrer na fase crônica da doença. Familiares, para “poupar” o doente e também se poupar, evitariam falar sobre a doença, o que geraria um aumento de medo e desconfiança do paciente.
Assim, o paciente permaneceria em silêncio refletindo sobre a verdade não dita, nas vezes em tenta questionar algo, vivencia o desvio do assunto e desse modo o paciente “aprende” que esse assunto deve ser evitado e familiares e pacientes passam a viver isolados com seus sentimentos (Penna, 2004).De acordo com Kübler-Ross (1989) o paciente através dos gestos e feições de seus familiares perceberia que os mesmos estão escondendo algo dele. Os “não ditos” causariam afastamentos entre as pessoas em um momento em que a proximidade além de desejada se faz importante, e de acordo com Leal (2003), em longo prazo, essa conspiração acabaria tendo custos emocionais para os envolvidos.
É válido ressaltar que as necessidades comunicacionais variam de pessoa para pessoa, Rolland (1990) pontua que o mais importante é que as pessoas sintam-se satisfeitas em relação a comunicação. Outro elemento relevante acerca da comunicação familiar refere-se a sua eficácia, a comunicação eficaz reduziria conflitos e promoveria a coesão e apoio mútuo. Enquanto que, a ocorrência de distúrbios, nesse âmbito, possibilitaria o aumento de chances de conflitos e confrontos. Para a ocorrência de uma comunicação verdadeira é necessário coragem e franqueza para abordagem de temas difíceis (Penna, 2004). Para Bowen (1998), a abertura na comunicação só poderia ocorrer quando as pessoas conseguissem desenvolver algum controle sobre suas reações à ansiedade do outro.
Segundo Rabuske (2004), na relação família-criança, as pesquisas e discussões realizadas permitiram considerar a comunicação aberta como um implementador de confiança da criança nos pais e possibilidade de compartilhar ansiedade, dúvidas e medos. Rabuske (2004) investigou a comunicação entre familiares e crianças /adolescentes portadores de doenças crônicas sobre a hospitalização e doença. Por meio de 20 (vinte) entrevistas, a pesquisadora encontrou que a comunicação com as crianças se configurou pela atenção dos familiares às suas reações verbais e não-verbais. As informações compartilhadas com as crianças centralizaram-se nos aspectos de tratamento relativos aos comportamentos das crianças. As crianças ficaram sabendo de seus diagnósticos pelos pais de forma gradual e informal. Apenas nos casos de câncer, todas as crianças sabiam seus diagnósticos. A idade das crianças foi um dos critérios na escolha das informações. Informações sobre risco de seqüelas e morte não foram comunicadas abertamente e constituíram-se segredos entre os envolvidos. A morte foi o principal tabu. Os pais consideram o não-compartilhamento de informações uma atitude com potencial prejudicial às crianças, porém, justificaram sua posição com o intuito de
proteger as crianças. As maiores dificuldades na comunicação sobre a doença com as crianças foram o diagnóstico, funcionamento corporal, causas e prognóstico e com menor dificuldade, o tratamento. De acordo com Rabuske (2004), além de gerar impotência, o sofrimento e o estresse, no contexto da doença crônica, tornariam mais difícil compartilhar informações. Os pais entrevistados descreveram a fase diagnóstica como um período de dúvidas e incertezas. Alguns, cientes de certos sintomas, cogitaram a ocorrência de determinadas doenças. Ao receberem os diagnósticos dos filhos, os pais não assimilaram muito bem as informações e não realizaram muitas perguntas aos profissionais o que, segundo a autora, pode ser em virtude da intensa carga emocional da notícia. Nos casos de câncer, os familiares entrevistados, não entenderam a tipologia dos mesmos. O uso da palavra maligno foi relacionado a algo pior, mesmo em certas situações como sendo sinônimo da enfermidade da criança. No entanto, passado esse momento, surgiu o interesse em saber mais sobre o tratamento e a cura. Rabuske (2004) associou esse comportamento ao medo inicial do que os familiares poderiam vir a ouvir dos profissionais.
Em sua pesquisa com pais de filhos com câncer, Castoldi e Steffens (2006) constataram que comunicação conjugal torna-se mais difícil, os casais relataram dificuldade de partilhar suas emoções. Constataram também que quanto maior o nível de estresse vivido, maiores são as chances de ocorrerem falhas na comunicação. Segundo os autores, tanto a comunicação verbal quanto a não-verbal sofrem falhas em decorrência da dor, e o cônjuge passa a ter dificuldade de fazer a leitura dos sinais de seu par.
Sobre a comunicação familiar em situação de diagnóstico de câncer, Huizinga et al. (2005) desenvolveram uma pesquisa com filhos adolescentes de pais com câncer. Os objetivos dos pesquisadores foram: comparar as diferenças na qualidade da
comunicação de adolescentes com seus pais com câncer e seus pais saudáveis, verificar a relação entre estresse pós-traumático e comunicação entre os pais e os filhos e os efeitos relacionados à gênero e ao estado de saúde e variáveis da doença dos pais. Responderam aos questionários 212 crianças e adolescentes com idade entre onze e dezoito anos. A média de idade dos participantes foi de 15,1 anos, 16% deles tinham pais com câncer e 84%, mães. Tinham câncer de mama como diagnóstico, 55% dos adolescentes. A média de tempo de diagnóstico dos pais era de 2,7 anos. Para mensurar a percepção dos filhos em relação à comunicação com os pais foi utilizada Parent Adoslecent Communication Scale - PACS. Trata-se de uma escala tipo likert, com alfas de Cronback superiores à 0,70. A escala foi correlacionada à escala de impacto de eventos Impact of Event Scale, tempo de diagnostico, ocorrência de recidiva e existência de tratamento intensivo. Comunicação com as mães se deu de forma mais aberta nos adolescentes que tinham mães saudáveis, o que sugeriu que eventos estressantes , como câncer parental, afetam a comunicação familiar. Problemas de comunicação com um dos pais doentes foi um forte preditor de evitação nas meninas. Maiores problemas de comunicação foram associados ao estresse pós-traumático. Comunicação mais aberta nas meninas foi associada com menos estresse pós-traumático. Adolescentes com estresse pós-traumático experienciaram sintomas de intrusão e evitação. Os autores levantaram que é possível que os adolescentes evitem conversas com seus pais para não serem lembrados da doença dos mesmos. Outro achado da pesquisa relaciona-se à recidiva da doença: foram relatados mais problemas de comunicação com pais que tiveram recorrência da doença. Em relação à intensidade dos tratamentos, foi encontrado que os filhos com pais que passavam por tratamento intenso tinham mais barreiras na comunicação. Alterações em relação ao tempo de diagnóstico não foram percebidas.
Mallinger, Griggs e Shields (2005), realizaram um estudo relacionando a comunicação familiar e a saúde mental de mulheres com câncer de mama. Segundo os autores em contextos de eventos traumáticos, como o câncer de mama, falar com os outros sobre o evento poderia facilitar o ajustamento emocional e ajudar a encontrar significados para o acontecimento. Seria comum as mulheres quererem falar sobre a doença, comportamento esse, considerado positivo no ajustamento psicológico e componente chave para o sucesso do enfrentamento da doença. Em situações de crise, os indivíduos solicitariam mais o apoio familiar. Assim, nessas situações, a comunicação familiar aberta torna-se muito importante uma vez que a família seria a primeira fonte de suporte. De acordo com os autores, estudos têm mostrado que pacientes que sentem melhor suporte emocional teriam menos depressão, distúrbios de humor e melhor ajustamento. Foram entrevistadas 230 mulheres em diferentes estágios após o tratamento de câncer de mama. O resultado da regressão multivariada indicou que mulheres que mantinham a comunicação aberta na família, tinham melhor saúde mental.
As condutas comunicacionais em relação ao câncer, não se resumem a comunicação entre os membros família, mas também em relação à omissão do diagnóstico, que poderia ocorrer por parte do próprio paciente ou dos familiares. A omissão de seu diagnóstico seria mais comum na população masculina e provedora da família, que na tentativa de não onerar emocionalmente seus familiares, esconderia seu diagnóstico. Outros concluios de silêncio intrafamiliar rondariam o câncer, como a omissão do estado de saúde do paciente a alguns membros da família, geralmente idosos e crianças, a evitação da exposição de outros problemas para poupar o paciente e não-demonstração de sentimentos negativos e de sobrecarga relacionados à doença . Todas as omissões, de acordo com Penna (2004), poderiam gerar barreiras entre
paciente e familiares. A seguir serão abordados aspectos teóricos relacionados à vivência do câncer nas famílias, juntamente com algumas pesquisas nessa área.