Esta pesquisa, do ponto de vista de sua natureza, é uma pesquisa aplicada, pois objetiva gerar conhecimentos dirigidos á resolução de um problema específico sobre a complexidade que se apresenta diante do fenômeno turístico a qual vai muito além da representação exposta pelo modelo sistêmico - SISTUR. O que coloca a seguinte problematização: Como compreender o turismo enquanto fenômeno, a partir de um modelo referencial que permita desvelar sua complexidade como um ecossistema?
Para melhor abordagem do problema optou-se pela forma qualitativa, pois considera que existe uma relação entre o sujeito e o universo real, ou seja, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzida em números.
Ao escolher o trajeto a ser percorrido neste estudo optou-se por uma abordagem qualitativa, na qual “[...] o objeto deixa de ser tomado como um dado inerte e neutro, o Sujeito é considerado como parte integrante do processo do conhecimento, atribuindo significados, àquilo que pesquisa” (SANTAELLA, 2001, p. 143), ou seja, inserindo conhecimento ao conhecimento, através da compreensão. Ela evita números, lida com as interpretações das realidades sociais. Os seus resultados são vistos como verdades temporárias. É considerada menos dogmática com relação às questões metodológicas.
A abordagem qualitativa possui caráter representativo e descritivo, a interpretação dos resultados surge da especulação do objeto de estudo na sua totalidade, de forma lógica e consistente. Ademais, essa metodologia se preocupa com o processo e não apenas com os resultados e o produto.
Tendo como objetivos: Analisar o modelo teórico do SISTUR, enquanto noção operatória diante de suas possibilidades e limites para a teoria da
complexidade; Analisar a propriedade metodológica do modelo do SISTUR na construção de um campo turístico a partir do diagnóstico realizado na cidade de Foz de Iguaçu; Agregar categorias analíticas ao modelo do SISTUR visando ampliar sua representação diante da complexidade do fenômeno turístico.
Parte-se do pressuposto que o método não é constituído por modelos fechados e reprodutíveis, mas que seria um percurso construído em simultâneo com o próprio desencadear da pesquisa, atendendo ao que Bourdieu (2011, p.20) apresenta como o desafio de “converter problemas muito abstratos em operações científicas inteiramente práticas”, pensando-os na sua complexidade, pois, a partir de Hegel “o real é relacional”.
Para Morin (2005) a ciência é intrínseca, histórica, sociológica e eticamente, complexa e é essa complexidade específica que é preciso reconhecer. A ciência tem necessidade não apenas de um pensamento apto a considerar a complexidade do real, mas desse mesmo pensamento para considerar sua própria complexidade e das questões que ela levanta para a humanidade.
No presente caso, busca-se o relacional a partir do estudo do modelo teórico SISTUR, e sua análise pela inter-relação das noções operatórias de campo e habitus de Bourdieu e os princípios da teoria da complexidade de Morin buscando a compreensão ainda que parcial e provisória do turismo,e o seu entendimento enquanto fenômeno sociocultural, fruto de inter-relações complexas.
A investigação tem como preocupação a análise e reconstrução do modelo sistêmico do SISTUR a partir de sua aplicação na realidade empírica. Para explicitar o caminho metodológico sugerido para realização dessa pesquisa utilizam-se os termos explicitados por Bruyne (1977). Segundo o autor, sob o ponto de vista metodológico, a pesquisa se apresenta num espaço determinado pela articulação de diferentes instâncias, diferentes polos que formam uma espécie de campo de forças, e a submetem a determinados fluxos e exigências internas.
Para Bruyne, nesse espaço podem ser distinguidos quatro polos metodológicos que não configuram momentos separados da pesquisa, mas aspectos particulares de uma mesma realidade. Esses quatro polos definem um
campo metodológico que assegura a cientificidade das práticas de pesquisa (BRUYNE, 1977, p.35).
O polo epistemológico exerce uma função de vigilância crítica. Ao longo de toda a pesquisa ele se encarrega de renovar a ruptura dos objetos científicos com os do senso comum. Segundo Bruyne (1977) é o polo que explicita as regras de construção do objeto científico, critica seus fundamentos. O polo epistemológico diz respeito aos métodos e processos discursivos que impregnam com sua lógica a abordagem do pesquisador.
No caso dessa pesquisa o método escolhido para a abordagem do tema é a Dialética - histórico - materialista, a qual segundo Demo (1995, p.88) é a metodologia mais conveniente para compreender a realidade social, e para além das condições objetivas, a realidade social é movida igualmente por condições subjetivas.
A opção se faz pela coerência com o tema proposto nessa pesquisa a análise de um modelo teórico. Para Bruyne, no sentido metodológico a dialética considera a relação entre o objeto construído por uma ciência, o método empregado e o objeto real visado por essa ciência (BRUYNE, 1977, p.65).
A dialética é um pensamento que se move no tempo, mas que se inscreve no espaço, que vai da forma lógica, racional ao conteúdo prático. É a tentativa de conceber a cada momento a análise como uma parte do processo social analisado. Isso implica na renuncia à suposição de uma relação externa puramente contingente entre os instrumentos analíticos e os dados analisados (HABERMAS, 1970 apud BRUYNE, 1977).
O polo teórico descrito por Bruyne (1977) como aquele que guia a elaboração de hipóteses e a construção dos conceitos. É o lugar da elaboração das linguagens científicas e determina o movimento da conceitualização. Propõe regras de interpretação dos fatos, de especificação e de definição das soluções provisoriamente dadas às problemáticas.
O polo teórico implica na escolha dos quadros de referência que desempenham um papel paradigmático implícito. Na presente pesquisa o polo teórico tem como referência para a reconstrução do objeto, a teoria da complexidade expressa por Morin.
Conforme Bachelard (s/d apud MORAES, 2004) “compreender um fenômeno novo não é somente acrescentá-lo a um saber adquirido, mas reorganizar os princípios do saber”. Em busca da ressignificação do SISTUR de BENI para a compreensão do turismo enquanto fenômeno complexo será realizado um exercício de reconstrução do modelo tendo como referência o pensamento ecossistêmico. Para isso serão considerados a teoria da Complexidade de Morin (2000) e alguns pressupostos expostos por Moraes (2004) que fundamentam o pensamento “ecossistêmico” e dialogam com as especificidades do turismo, são eles: interatividade, complexidade, emergência, auto-organização, autonomia, incerteza, causalidade circular e transdisciplinaridade, a esses pressupostos agregam – se as categorias campo e habitus expostas por Bourdieu.
O terceiro polo exposto por Bruyne (1977) se refere às regras de estruturação e formação do objeto científico, lhe impondo certa ordem entre seus elementos. Chamado de polo morfológico ele suscita diversas modalidades de quadros de análise, diversos métodos de ordenação dos elementos. O polo morfológico escolhido para a realização desta pesquisa é descrito como o modelo sistêmico, fundamentado pela TGS - Teoria Geral dos Sistemas. O modelo sistêmico no ponto de vista morfológico pode ser entendido como conjunto de elementos que se encontram inter-relacionados entre si e seus ambientes.
O modelo teórico SISTUR de Beni (1998) foi construído fundamentado pela teoria geral dos sistemas e representa o turismo enquanto um sistema composto de subsistemas interligados, o que justifica a escolha do modelo para a realização do estudo tendo como quadro teórico a corrente estruturalista. Na reconstrução do modelo nessa pesquisa opta-se pelo modelo sistêmico complexo, tendo como quadro referencial a complexidade e seus princípios já citados anteriormente.
A modelização na perspectiva da teoria dos sistemas permite a inteligibilidade do mundo sem eliminar a sua complexidade. Funda a sua originalidade na sua capacidade de respeitar esta dialética constitutiva de toda complexidade: transformar-se funcionando e funcionar transformando-se, mantendo a sua identidade.
O quarto polo metodológico descrito é polo técnico que se refere a coleta de dados definidos pelos modos de investigação no caso específico trata-se de uma
pesquisa teórica documental. Os dados serão construídos a partir do recorte espacial da aplicação do modelo do SISTUR do Beni, realizada no estudo da cidade de Foz do Iguaçu visando à construção do Campo Turístico, temporalmente no período de 2011-2012.