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Alna

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4 Empirical findings

4.5 Alna

Não há um consenso unissonante sobre a modalidade de praticar a pesquisa, além de seguir o protocolo de perquisição preestabelecido, ou seja, investigar o método e a metodologia. A investigação científica é um sistema de regras (Método) que orienta um percurso cognoscitivo na busca do conhecimento. Esta indagação é composta por um sistema de diretrizes - guidelines (Metodologia), que organiza e racionaliza as informações reunidas, dispondo-as num processo que visa obter resultados específicos. O Método, conforme definido por Abbagnano no Dicionário de Filosofia (2007), inclui dois significados: o primeiro sentido traz o peso da “doutrina”: conjunto de princípios que serve de base a um determinado sistema filosófico e o segundo traça

54 “um procedimento de investigação organizado, replicável e autocorrigível, que garante a obtenção de resultados válidos”.

Portanto, o método fenomenológico é agregado de princípios em que se fundamenta a Fenomenologia; e que, conforme instrui Husserl, no seu artigo na Encyclopaedia Britannica (1927:59):

“[...] designa um novo método descritivo que fez sua aparição na Filosofia, em princípios do século [XX] e somente numa ciência apriórica que se desprende dele e que está destinada a fornecer a base fundamental para a filosofia, rigorosamente científica, e a possibilitar, em um desenvolvimento subsequente, uma reforma metódica de todas as ciências”.

Assim, o método fenomenológico submete-se às mesmas exigências das ciências que preveem um quadro de referência no qual a pesquisa acontece em um processo de coerência interna e de validação externa que atende aos postulados popperianos. Somente nesta perspetiva, se torna científico o conhecimento: determinar com maior exatidão os possíveis conceitos e leis que permitam explicar e prever os eventos (fenómenos).

A Metodologia é o estudo dos métodos empregues pela ciência para formular de maneira sistemática através de um conjunto de abordagens definidas em etapas, técnicas e procedimentos, com a finalidade precípua de analisar as características das ações indispensáveis para avaliar as potencialidades, as limitações ou as distorções; possibilitando a crítica aos pressupostos e as implicações de sua utilização. Este recurso compreende a explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exata de toda a ação desenvolvida no projeto de pesquisa, considerando os instrumentos utilizados, as teorias aplicadas, documentação consultada, elaboração, tratamento e tabulação dos dados, equipe, tempo previsto e divisão do trabalho entre os pesquisadores; enfim, tudo aquilo que compõe a investigação. Desta forma, inclui os seguintes conceitos, em relação a uma disciplina particular ou campo de estudo:

1. Coleção de teorias, conceitos e ideias; 2. Estudo comparativo de diferentes enfoques; 3. Crítica de um método.

55 Uma importante tendência metodológica do século XX, denominada neopositivismo, foi elaborada por Karl Popper no imponente trabalho Conjetures and Refutations (1969), estabelecendo que a verdade é inalcançável, mas que, todavia, deve ser almejada por meio de tentativas.

Popper concorda com a posição realista dos neopositivistas, ou seja, parte do pressuposto de que existe uma realidade independente do sujeito que deve ser pesquisada e descrita. Sua discordância advém dos critérios, a partir dos quais considera ser possível a produção do conhecimento verdadeiro, uma vez que para os neopositivistas são os critérios empíricos e lógicos que decidem e separam o conhecimento verdadeiro do falso. Popper considera que não existe observação ateórica, ou seja, destituída de pressupostos teóricos que direcionem o olhar do observador. Para ele as hipóteses são elaboradas a partir de alguns enunciados básicos, e assim, os dados de uma pesquisa estarão sempre impregnados de pressupostos teóricos. Resta saber se os pressupostos que determinam as hipóteses e os procedimentos de pesquisa, e, portanto, condicionam os dados obtidos, são verdadeiros. Isto é, se correspondem à realidade ou se conduzem pelo menos em parte a algum aspeto dela. Há uma maneira de conferir a credibilidade do conhecimento produzido pela ciência: o investigador deve procurar sempre, refutar, ou falsear suas hipóteses. A pesquisa será programada para falsear a hipótese do pesquisador, e a realidade passará a existir como instância que pode negar o pesquisador, ou mais exatamente, os seus pressupostos. Desta forma, a tese não se restringe apenas a um modelo teórico, uma vez que se pode falsear uma hipótese e, com isso, os pressupostos a partir dos quais ela foi elaborada. Enquanto o refutar não acontece, determinado conhecimento mantém-se válido. Portanto uma teoria científica pode ser falsificada por uma única observação negativa, mas uma profusão de observações positivas não garante a veracidade de uma teoria científica.

Ao elaborar sua proposta epistemológica, Popper atenta para o fato de que a realidade não está submetida a esquemas teóricos prévios, estabelecidos pelo pesquisador. Indica que o confronto com a realidade não deve ser feito no sentido de verificar uma hipótese, mas sim, de utilizá-la como possibilidade de encontrar o que se revela diferente, novo, inusitado. Pode-se pressupor que num modelo uma realidade pode existir em si mesma, independente do sujeito. Ele concebe a realidade com uma

56 multiplicidade inesgotável, em que só resta ao cientista recorrer ao critério da refutabilidade para tentar alcançá-la, sabendo de antemão que isso nunca será conseguido; entretanto ressalta que o pesquisador é dinâmico, dirige a pesquisa na medida em que elabora hipóteses a partir de seus pressupostos, e planeia a pesquisa no sentido de refutá-la.

A arqueologia, sendo uma disciplina das ciências humanas e sociais, adota uma abordagem neopositivista na corrente teórica desenvolvida pela Nova Arqueologia (New Archaeology), pela Arqueologia Pós-Processual (Postprocessual Archaeology), e pelos Estudos da Cultura Material (Material Culture Studies), conforme declaram: “[…] we must be more scientific and more anthropological” (Johnson, 2006: 117) e

“Poststructuralism and postprocessualism occupies a prominent place in the humanities and social sciences […]. By conceiving of human body as containers one can begin examine symbolic linkages between the body as container and others types of containers such as baskets or pots” (Shanks, Tilley, 1987:8).

O objetivo do atual estudo é desenvolver abordagens aderentes às teorias supracitadas, valendo-se de modelos lógico-matemáticos que permitam a sua verificação. Efetivamente, como teorizou Salmon (1982) a arqueologia torna-se digna no momento em que faz uso de métodos apropriados e cientificamente corretos, baseados no Modelo Hipotético-Dedutivo-Nomológico (Hypothetic-deductive- nomological model: HDN model) e como muito bem acrescentou Richard Bradley:

“A Arqueologia não pode continuar a aceitar a ruptura entre teoria e prática por muito mais tempo. [...] A Arqueologia só pode amadurecer quando o filósofo e o arqueólogo forem uma só pessoa” (Bradley, 1998: 180).

Portanto, as ferramentas de análise (métodos ou modelos) são aplicáveis nesta abordagem de Fenomenologia da Paisagem, de Arqueomitologia, de Modelos de Morfogénese (bi-Lógica) e de Epidemiologia Cultural (Memética).

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