Fig. 89 Fachada do edifício do Centro Regional de Química. Fonte: Wladimir Capelo Magalhães (2014).
Fig. 90 Planta do pavimento térreo e do mezanino. Fonte: Projeto Design (2002, p.58).
Fig. 92 Corte longitudinal. Fonte: Projeto Design (2002, p.59).
Fig. 93 Perspectivas. Fonte: Wladimir Capelo Magalhães (2014)
Fig. 94 Centro Regional de Quimíca. Fonte: ARCOWEB. Disponível em:
http://arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/sergio-teperman-conselho-regional-29-03-2004 . Acesso em 26 de maio de 2014.
4.3.1. Descrição da obra
O projeto do edifício Olavo Queiroz Guimarães Filho, atual sede do Centro Regional de Química, assinado pelo arquiteto Sergio Terperman, com a colaboração de Koichi Shidara e Susete Taborda, está localizado no bairro de Cerqueira Cesar, zona oeste de São Paulo, na Rua Oscar Freire. O projeto do edifício, que se destaca pela sua estrutura metálica em aço, ganhou o Premio ABCEM – Associação Brasileira da Construção Metálica, em 2003, na categoria de edifícios em aço de múltiplos andares. O prédio foi projetado em 07 pavimentos, sendo dois subsolos, mais pavimento térreo, mezanino e quatro pavimentos tipos, totalizando 7.500 metros quadrados de área construída. Os pavimentos tipos, cujo área principal é designado para área de escritórios, foram projetados, segundo reportagem da revista Projeto Design (2002), na modulação de 1,25 x 1,25 m. A estrutura em aço possibilitou, a partir da sua planta livre, uma maior área para os escritórios, de 562 m2 por andar. A modulação adotada
permitiu uma liberdade estrutural que isentou o arquiteto da necessidade de projetar pilares centrais nas lajes do escritório.
O projeto do edifício se sobressai da paisagem do entorno pela presença de suas grandes vigas em aço, que proporcionam uma marcação horizontal nas fachadas em contraste com o bloco vertical, que encerra a volumetria do edifício com seus caixilhos em alumínio e vidro (fig. 95). Nesse espaço, o arquiteto propôs um grande hall envidraçado (fig. 96), que vai desde o pavimento térreo até a cobertura, cortando o terraço externo do mezanino. “A face externa da caixa recebeu fachada de pele de vidro, fabricada com vidros laminados refletivos de sete milímetros na cor azul, instalados em perfis de alumínio na cor branca, da linha pele de vidro 2, da Alcoa” (Finestra, 2004). O caixilho de vidro foi fixado nas vigas com o uso de silicone estrutural. O grande vazio proporcionado pelo hall envidraçado permite a entrada da luz natural no interior no edifício. Na torre anexa ao hall envidraçado, ficam localizadas as circulações verticais (escada e elevadores), e banheiros (fig. 98), dessa forma, o prédio tem duas áreas bem definidas, a área reservada para os escritórios e área dos ambiente de serviço.
Fig. 95 Foto da fachada com seus elementos estruturais horizontais e as torres verticais. Marquise de entrada e terraço do mezanino. Fonte: Projeto Design (2002, p.62).
Fig. 96 Vista interna da torre de vidro. Centro Regional de Química. Fonte: ARCOWEB. Disponível em: http://arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/sergio-teperman-conselho-regional-29-03-2004. Acesso em 20 de
setembro de 2014.
4.3.2. Análise do sistema estrutural
O projeto do edifício Olavo Queiroz Guimarães Filho utiliza um sistema estrutural de quadro porticado transversal, cujas conexões rígidas entre os perfis de seção “I” dos pilares e das vigas, garantem uma maior estabilidade estrutural e encaminham os esforços laterais para os pilares e as fundações. A rigidez da estrutura é reforçada por um sistema de contraventamento definido a partir de um conjunto de diagonais posicionadas no módulo central do sistema estrutural, na fachada longitudinal, que
trabalham como uma viga treliçada vertical, cujas conexões são parafusadas nos pilares principais (fig. 97). O bloco onde ficam as circulações verticais do edifício, funciona como uma ancoragem rígida que ajuda a reforçar todo o sistema estrutural. O edifício utiliza lajes “steel deck” que, segundo a revista Finestra (2004), foram rebaixadas para a colocação do piso elevado.
Fig. 97 Detalhe da estrutura. Fonte: ARCOWEB. Disponível em: http://arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/sergio- teperman-conselho-regional-29-03-2004 . Acesso em 26 de maio de 2014.
Fig. 98 Detalhe da fixação aparafusada dos elementos estruturais, pilares, vigas e diagonais. Fonte: Wladimir Capelo Magalhães (2014)
Segundo a revista Finestra (2004), alguns fatores foram determinantes para a escolha do sistema construtivo em aço como: a localização do terreno, cujo local é de intenso movimento; o tamanho do lote, relativamente pequeno; e o tempo de execução da obra. A solução adotada possibilitou que a obra fosse executada em um menor tempo e com o mínimo de impacto para os edifícios vizinhos.
A fabricação da estrutura em aço foi da empresa Alufer e, ao todo, foram utilizadas cerca de 300 toneladas de aço USI-SAC250, que garantiu uma maior resistência a corrosão, minimizando futuras patologias estruturais. Os perfis foram fixados por parafuso de aço galvanizado de alta resistência, e todos os elementos estruturais utilizam perfis em seção “I”, com vigas de até 16 m de comprimento fixadas em pilares dispostos a cada 7,50m (fig. 99). O pé-direito adotado no projeto do edifício foi 4,40m.
Fig. 99 Ilustrações esquemáticas evidenciando o sistema estrutural. Fonte: Wladimir Capelo Magalhães (2014)
O sistema de vedação vertical utilizado nas fachadas principais foi a alvenaria tradicional, na qual foram instaladas as esquadrias de alumínio e vidros laminados refletivos de 7mm, mesmo modelo de esquadrias utilizado na pele de vidro na fachada principal. Acima das esquadrias de alumínio e vidro, parafusadas nas vigas metálicas, foram fixadas pequenas estruturas, cuja função é sustentar uma chapa metálica que auxilia na proteção contra a incidência dos raios solares (fig. 100). Segundo a revista Finestra (2004), os brises foram “fabricados com chapas de alumínio Alurevest de 1,5 milímetro, na cor prata. As chapas foram perfuradas e calandradas, e, para atender às especificações do arquiteto, seu recorte foi feito a laser.” (FINESTRA, 2004)
Todos os elementos estruturais receberam pintura intumescente sobre uma camada de acabamento epóxi, na cor branca, com a finalidade de aumentar a resistência da estrutura contra a ação do fogo.
Fig. 100 Detalhe dos sistema de vedação vertical na fachada principal. Detalhe dos brises de proteção. Fonte (foto 01) Wladimir Capelo Magalhães (2014); (foto 02) ARCOWEB. Disponível em:
http://arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/sergio-teperman-conselho-regional-29-03-2004 . Acesso em 20 de setembro de 2014.
4.3.3. Considerações finais sobre o edifício Olavo Queiroz Guimarães Filho
O uso do aço como sistema estrutural do edifício Olavo Queiroz Guimaraes Filho, foi fundamental “para vencer os desafios da velocidade de construção e da implantação do edifício em pequeno lote, situado em local de intenso movimento - a rua Oscar Freire, em São Paulo” (Finestra, 2004), segundo Teperman, em entrevista cedida a revista Projeto Design (2002), a escolha do aço como sistema estrutural foi a mais indicada “por seu caráter racional, repetitivo, modulado e capaz de oferecer área de escritórios de 562 m2 por andar” (Projeto Design, p.60). O sistema estrutural proposto
permitiu a conclusão da obra em pouco mais de um ano e possibilitou uma liberdade estrutural que foi condicionante para a definição dos amplos espaços para as salas de escritórios.