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escola

(lat. sccola, do gr. eschole) 1. Na linguagem filosófica, tanto pode designar um grupo de filósofos em torno de um mestre quanto uma tendência perpetuada por certo tempo por filósofos historicamente ligados uns aos ouros. As condições do ensino da filosofia na Antigüidade nos asseguram a existência concreta de escolas: a *Academia, o *Liceu. o *Pórtico, a escola *megárica etc.

2. Nos tempos modernos, até o séc.XIX, quando se falava de a Escola, referia-se à escolástica. Hoje em dia, os filósofos não se dividem mais em escolas.

escolástica

(lat. scholasticus, d o g r . scholast i k o s , d e scholazein: manter uma escola) J . Ter-mo que significa originariamente "doutrina da escola" e que designa os ensinamentos de filosofia e teologia ministrados nas escolas eclesiásticas e universidades n a Europa durante o período medieval. sobretudo entre os sécs.IX e XVII. A escolástica caracteriza-se principalmente pela tentativa de conciliar os dogmas da fé cristã e as verdades reveladas nas Sagradas Escrituras com as doutrinas filosóficas clássicas. destacando-se o *platonismo e o *aristotelismo. O primeiro periodo da escolástica é marcado pela influência do pensamento de sto. Agostinho e do platonismo, desenvolvendo-se sobretudo a partir da chamada "Renascença Carolfngia", isto é, da criação da Academia palatina fundada na corte de Carlos Magno (séc.IX). O período áureo da escolástica corresponde ao da influência de Aristóteles, cujas obras foram traduzidas para o latim em torno dos sécs.XII-XIII. hem como às interpretações da filosofia aristotélica trazidas para o Ocidente pelos filósofos árabes e judeus. O aristotelismo forneceu assim a base de gran-des sistemas da filosofia cristã como o de Tomás de *Aquino. O período final da escolástica se deu nos sécs.XIV- XVII, sendo marcado polo conflito entre diferentes correntes de pensamento e interpretação doutrinais, e pelas novas des-cobertas científicas. A Reforma Protestante e o humanismo renascentista fizeram com que a escolástica, que representava a tradição atacada. entrasse em crise. A escolástica sobreviveu, entretanto, mesmo durante o período moderno_ representando um pensamento cristão tradicional. Ver patrística; tomismo; universais.

2. O termo "escolástica" possui, às vezes, um sentido pejorativo, originário sobretudo da reação contra a tradição medieval pelo pensa-mento moderno. designando um pensamento dogmático. tradicional. formalista e repetitivo, preocupado com discussões estéreis e contrário n qualquer inovação.

Escoto Erígena, João

(c.810-c.877) Figur a enigmática_ cuja vida é pouco conhecida. teólogo e filósofo de origem irlandesa. viveu na corte de Carlos. o Calvo. Sua importância deveu-se sobretudo ás traduções do grego para o latim de obras do Pseudo-Dionfsio (também conhecido como Dionisìo. o Areopagita) e de são Gregário dc Nissa_ filósofos da *patrística grega, dc tradição platônica, que se tornaram graças a isso extremamente influentes no pensa-mento medieval. Sua principal obra é o tratado, de inspiração neoplatônica. De divisione naturae (Sobre a divisão da Natureza. 865), no qual estabeleceu uma hierarquia das criaturas, a partir de sua origem no Criador, a que tendem, por natureza. voltar. Essa obra constitui um dos primeiros e principais sistemas em sua época, a sintetizar a filosofia platónica e o pensamento cristão. tondo grande ìmportãncia para a formação da tradição escolástica.

escravo

1. Nas sociedades greco-romanas, o escras o designa uni indivíduo cuja vida é salva. após um combate, sua força de trabalho devendo ser posta a serviço do comprador. podendo também ser comprada. E neste sentido quê *Ilegel toma o tamo em sua *'dialética do senhor e do escravo''- ao transformar a natureza e a si mes-mo por seu trabalho, o escravo acede à liberdade.

2. *Nietzsche utiliza a expressão "moral dos escravos' para designar a moral dos fracos que perverteram os valores originais. pretendendo passar sua impotência por uma virtude. I er trabalho.

esotérico

(gr. esoterilvos: do interior). I. Diz-se do en sin a niento ou doutrina que era ministra-do, nas escolas gregas de filosofia, principal-mente na de Aristóteles. apenas aos discípulos já instruídos. Nas seitas religiosas, diz-se do que c secreto (doutrina ou ensinamento). transmitido apenas a uni pequeno grupo de iniciados. Opõe-se a exotérico. qua significa "aberto ao público cm geral".

2. 0 termo "esotérico" se aplica_ hoje. tanto ao quo é secreto (ensinamento, doutrina). não podendo ser divulgado, quanto ao que é hermético. só podendo ser compreendido por um pequeno grupo de iniciados ou especialistas. Em nossos dias. muita gente toma o termo ''esotérico" com o significado de misterioso. oculto ou de dificil acesso.

espaço

(lat. spatium: área, extensão) I. Em seu sentido geométrico, concepção abstrata de um ambiente vazio de todo conteúdo sensível e caracterizado pela continuidade. homogeneidade e tridimensionalidade.

2. Filosoficamente. é o meio homogêneo e ilimitado, definido pela exterioridade mútua de suas partes (impenetrabilidade), contendo todas as extensões finitas e no qual a percepção externa situa os objetos sensíveis e seus movimentos. Em outras palavras, sistema de referências graças ao qual podemos pensar a coexistência ou a simultaneidade, no tempo, dc dois objetos diferentes: dois objetos não podem ocupar, ao mes-mo tempo, o mesmo lugar. Para Kant, o espaço é uma "intuição pura" ou "uma forma a priori da sensibilidade", quer dizer. não é uma construção do espírito nem tampouco uma realidade independente de nós, mas um dado original de nossa sensibilidade, algo que é constitutivo de nosso modo de perceber e sem o qual não poderíamos ter sensações distintas: porque dois objetos percebidos ou são sucessivos (intuição do tempo) ou são simultâneos (intuição do espaço.

espécie

(lat. species: aspecto, aparência) 1. Na lógica clássica, a espécie constitui um dos universais designando aquilo em que se divide o gênero, isto é, aquilo que é compreendido em sua extensão: o homem é uma espécie do gênero animal.

2. No sentido biológico. classe dos seres vivos caracterizada por formas bem definidas e constituindo um tipo hereditário de fecundidade ilimitada.

3. No sentido teológico, particularmente no catolicismo, aparência sensível da presença real do corpo e do sangue de Cristo (no sacramento da Eucaristia) sob a forma do pão e do vinho.

especulação

(lat. speculatio: observação, contemplação) I . Emprego desinteressado da razão em questões de ordem abstrata e distantes da experiência concreta, sem preocupação prática. No sentido clássico, sinônimo de teoria, contemplação. Sobretudo a partir do pensamento moderno, por influência do empirismo e do racionalismo crítico, a especulação adquire um sentido negativo, sendo um uso gratuito e inverificável da razão, cujos resultados por este motivo não são comprováveis nem confiáveis. Oposto a crítica.

2. Segundo Kant, a especulação é o uso da razão visando objetos inacessíveis à experiência humana, portanto incapaz de produzir um conhecimento legítimo, resultado da combinação da sensibilidade e do entendimento. "O fim último a que se relaciona a especulação, em seu uso transcendental, diz respeito a três objetos: a liberdade da vontade, a imortalidade da alma e a existência de Deus" (Crítica da razão pura).

especulativo

(lat. tardio speculativus) Relativo à especulação, que faz uso da especulação ou que resulta desta. Para Kant, o conhecimento especulativo é aquele que diz respeito aos objetos inacessíveis à experiência, designando assim a pretensão da metafísica a ser ciência. Oposto a prático.

Espeusipo

(c.407-339 a.C.) Filósofo grego (nascido em Atenas), sobrinho e discípulo de Platão, assumiu a direção da *Academia, após a morte do tio (348 ou 347 a.C.). Resta apenas um fragmento de uma de suas obras intitulada: Sobre os números pitagóricos.

Espinosa, Baruch

(1632-1677) De família judia portuguesa, o filósofo Baruch Espinosa nasceu em Amsterdam. Holanda. Estudou o he-breu, o Talmude e a Bíblia. Aprendeu espanhol, português. holandês e francês. Logo rompeu com a ortodoxia judaica, mas sem se aproximar do cristianismo. Acusado de judeu e de ateu, de ímpio e de fatalista, tentou explicar seu ponto de vista sobre a religião. Em seu Tratado teológico-político (1670), colocou o problema das relações entre religião e Estado. Reconheceu ao Estado, poder soberano, o direito e o dever de fazer reinar a paz interior na comunidade, bem como de organizar as ações exteriores. A ética, demonstrada segundo o método geométrico (1677) é sua obra principal. Uma demonstração rigorosa, ordenada numa impecável série de teoremas. revela seu aspecto polêmico: trata-se de uma máquina de guerra contra a filosofia dominante, sobretudo contra a teoria do sujeito voluntário, pela qual o homem pretende converter-se em mestre e possuidor da natureza. A essa vontade livre, Espinosa opõe uma única necessidade, vida interna de todo o universo: todas as coisas (inclusive os homens) são modos da substância única que é Deus. A inteligência pode chegar ao saber absoluto; a essência de Deus e das coisas é totalmente inteligível; Deus é a natureza concebida como totalidade; dessa totalidade, o entendimento humano só pode conceber dois atributos: o pensamento e a extensão; mas as coisas singulares existem realmente; todo conhecimento verdadeiro se realiza por uma dedução de tipo geométrico: a idéia não consiste na imagem nem nas palavras. mas no exercício do intelecto que coincide com seu objeto: o homem não é um império num império, mas está submetido às leis comuns da natureza. Precisa-mos analisar as diferentes instituições em seu funcionamento: que poder as produz? Quais são seus efeitos? Eis o objetivo da obra inacabada Tratado politico (1677). A alegria, a tristeza e o desejo são três afeições primitivas das quais nascem todas as outras. O bem, o mal, o belo e o feio não constituem propriedades das coisas. mas modos de imaginar. Como a superstição constitui a grande ameaça do homem, a tarefa do filósofo é eminentemente política: denunciar os sistemas politicos que só se impõem aos homens inspirando-lhes paixões tristes. E na cidade que o homem realiza sua liberdade: "O sábio

é mais livre na cidade, onde obedece à lei comum, do que na solidão onde só obedece às suas paixões": "Não devemos confundir o sen-tido de um discurso com a verdade das coisas" Se o Deus sive Aatura " de Espinosa não é um Deus criador, pessoal e juiz, nem por isso pode ser dissolvido no mundo (panteísmo).

espinosismo

Nome genérico dado ao destino póstumo da filosofia de Espinosa. fundada num racionalismo integral que recusa toda distinção "moral", toda subjetividade, toda finalidade da natureza e que concebe o homem como um simples "modo finito da substância infinita" e não mais como o centro e o fim do universo. O espinosismo, rejeitado no séc.XVIII como um "sistema ateu" e reabilitado no séc.XIX como uma filosofia panteísta da natureza. opõe-se vigorosamente ao irracionalismo, pois entende que tudo o que existe deve ter uma explicação racional. Marx, Nietzsche e Freud. na medida cm que elaboram unia visão naturalista do homem e do mundo. adotam uma postura espinosista. Ver Espinosa.

espírito

(lat. spiritus: sopro) 1. Na filosofia herdada de Descartes, o espírito é o princípio do pensamento: "Meu espírito, isto é, eu mesmo enquanto sou apenas uma coisa que pensa" (Descartes). Opõe-se ao corpo. à matéria, à extensão, na medida em que é indivisível e

totalizante (a matéria é divisível e diversifican-te). O espírito testemunha nossa liberdade relativamente à natureza que é necessária e determinada. Enfim, é o aspecto espiritual ou religioso de nossa existência, oposto ao aspecto sensual. carnal e mundano. E o princípio do pensamento c da reflexão cio homem.

2. Em seu sentido metafísico, notadamente em Hegel, o espírito, absolutamente primeiro, é a verdade da natureza: é a idéia que chegou ao ser-para-si: essa interiorização do ser-fora-de-si. que é a natureza. desenvolve-se do espírito subjetivo (alma. consciência, fatos psíquicos) ao espírito objetivo (direito, costumes, moralidade) e ao espirito absoluto (através da arte. da religião) a fim de chegar à filosofia, que é a forma última na qual se unem a arte (representação sensível) e a religião.

3. Alen) de designar entidades totalmente incorpóreas (Deus e o anjos, na teologia cristã, são "puros espíritos"), a palavra "espírito" de-signa ainda certas entidades sobrenaturais admitidas por certos povos ditos "primitivos" (o "Grande Espírito") ou. na

linguagem corrente. o "sentido profundo" de algo: "ele não entendeu o espírito da coisa". o "espírito" de um texto, de um discurso etc.

espiritualismo

Concepção que privilegia o *espírito ou *alma, em relação à *matéria ou ao *corpo, mantendo que o espírito constitui uma natureza autônoma e de caráter mais puro. mais elevado. A doutrina filosófica de Victor *Cousin é conhecida como espiritualismo eclético. Ver dualismo. Oposto a materialismo.

espontâneo/espontaneidade

(lat. spontaneus: de livre vontade, voluntário) 1. Que se faz voluntariamente. sem causa externa; ex.: ação espontânea, ato feito d c livre e espontânea vontade. Instintivo, irrefletido: ex.: movimento físico espontâneo.

2. Segundo Kant, opõe-se a passividade, caracterizando a atividade do espírito no conheci-mento. "Designamos pelo nome de 'sensibilidade' a capacidade que tem nosso espírito de receber representações, enquanto afetado de al-guina maneira; por oposição a essa. receptividade. a faculdade que temos de produzir nós mes-mos as representações, ou a espontaneidade de nosso conhecimento, chama-se entendimento" (Kant. Critica da razão pura).

esquema/esquematismo

(gr. skema: con-torno. delimitação, forma, figura) 1. Na teoria do conhecimento kantiano, o esquema é o ele-mento que permite a aplicação dos conceitos puros do entendimento (as categorias) à experiência, tratando-se portanto de um elemento mediador entre o *entendimento e a *sensibilidade. "Tal representação mediadora é o esquema transcendental" (Kant, Critica da razão pura, Doutrina transcendental do juízo, sobre o esquematismo dos conceitos puros do entendi-mento). O esquema é um produto da *imaginação, embora não seja uma imagem. "O esquema dos conceitos sensíveis, tais como as figuras no espaço... é um produto da imaginação pura a priori" (Kant, id), por meio da qual tornam-se possíveis as imagens.

2. Kant denomina esquematismo o proceder do entendimento com o esquema. Reconhece, entretanto, a dificuldade de caracterizar a natureza do esquematismo, que é uma "arte oculta nas profundezas da alma humana, cujo modo de operar será sempre dificil à Natureza nos permitir descobrir ou revelar a nossos olhos" (Kant, id.).

essência

(lat. essentia) 1. Para a escolástica, é uma das grandes divisões do ser: é o ser mesmo das coisas, aquilo que a coisa é ou que faz dela aquilo que ela ó. Para cada ser distinguimos uma essência e uma existência que ela pode ou não comportar. A essência repousa na tradição platônica das idéias, retomada na teoria aristotélica das "formas inteligíveis". Platão distingue um mundo invisível, permanente e sempre idêntico a si mesmo (o mundo das essências) e um mundo visivel e flutuante (o mundo sensível): o primei-ro é a garantia da realidade do segundo. Aristóteles retoma a noção de essência no contexto do problema da linguagem. Se tudo é mutante, se tudo é acidente (como queriam os sofistas), não há discussão possível. Distinguindo a essência dos acidentes, ele resolve o problema dos sofistas: "Instruir Clínías é matá-lo, pois suprimir Clínías ignorante também é suprimir Clínias". Asim, é a essência de Sócrates que se mantém através de seus diversos acidentes.

2. Na filosofia contemporânea, a essência não define nem revela a natureza do homem. Porque o homem, ao vir a ser. não possui essência, apenas unia condição, urna situação: "a essência do ser-aí (Dasein) consiste apenas em sua existência" (Heidegger); é o homem mesmo

quem produz aquilo que ele é, por sua liberdade: ele é projeto, isto é, aquilo que ele é capaz de fazer de si mesmo; nele, "a existência precede a essência"(Sartre).

3. 0 termo essencial significa algo direta-mente ligado à essência e opõe-se a acidental. Na linguagem comum, adquire o sentido de "muito importante", de "o mais importante", de "fundamental": "o essencial é a saúde".

essencialismo

Doutrina filosófica que confere, contrariamente ao existencialismo, o primado à essência sobre a existência, chegando mesmo, em suas reflexões, a fazer total abstração dos existentes concretos. Trata-se de uma filosofia do ser ideal, que prescinde dos seres reais. A filosofia de Hegel pode ser considerada essencialista.

estado

(lat. status, de stare: ficar em pé) A idéia de "estado" implica as idéias de passividade e de imobilismo, sendo oposta à de ação e (:i de movimento. Na física, o estado de um corpo significa esse corpo em determinado momento. Mas o termo "estado" pode ser tomado em vários sentidos:

1. Estado de consciência: é um fato psíquico (sentimento, emoção) consciente.

2. Estado de natureza: situação, imaginada por certos filósofos (Hobbes e Rousseau), na qual seriam encontrados os homens antes de se organizarem em sociedade — reconstituição hipotética, sem validade histórica.

3. 0 Estado: conjunto organizado das instituições políticas, jurídicas, policiais, administrativas. econômicas etc., sob um governo autônomo e ocupando um território próprio e independente. E diferente de governar (conjunto das pessoas às quais a sociedade civil delega, direta ou indiretamente, o poder de dirigir o Estado); diferente ainda da sociedade civil (conjunto dos homens ou cidadãos vivendo numa certa sociedade e sob leis comuns); diferente também da nação (conjunto dos homens que possuem um passado e um futuro comuns, entre outras nações), o Estado constitui a emanação da sociedade civil e representa a nação.

4. Para os empiristas Hobbes e Locke, o Estado é o resultado de um pacto entre os cidadãos para evitar a autodestruição através da guerra de todos contra todos.

Na concepção marxista. o Estado nada mais é do que a forma de organização que a burguesia se dá no sentido de garantir seus interesses e de manter seu poder ideológico sobre os homens: "Através da emancipação da propriedade privada da comunidade, o Estado adquiriu uma existência particular, do lado de fora da sociedade civil; mas ele não é senão a forma de organização que necessariamente os burgueses se deram ... com objetivo de garantir reciprocamente a sua propriedade e seus interesses" (Marx- Engels). Este Estado-nação se define pela fusão entre o Estado tal como ele se constitui na Europa do século XVIII, como soberania e administração dos homens e do território que eles ocupam — e uma sociedade civil de tipo novo, caracterizada pela propriedade privada burguesa, tendo por fim a rentabilidade, o lucro e o crescimento das riquezas.

estados, teoria dos três

Teoria formulada por Augusto Comte (ele a chama de "lei") segundo a qual a humanidade teria passado, em seu processo histórico de desenvolvimento, de uma etapa teológica (caracterizada pela crença em poderes sobrenaturais organizadores do uni-verso) ao estado metafísico (no qual a crença teológica teria sido substituída pela confiança em princípios abstratos, apreendidos racional e aprioristicamente) para atingir, finalmente, o estado positivo ou científico, no qual o

conheci-mento outra coisa não é senão a dedução da experiência.

estética

(gr. aisthetikós, de aisthanesthai: perceber, sentir) I. Um dos ramos tradicionais do ensino da filosofia. O termo "estética" foi criado por Baumgarten (séc.XVIII) para designar o estudo da sensação, "a ciência do belo", referindo-se à empina do gosto subjetivo, àquilo que agrada aos sentidos, mas elaborando uma ontologia do belo.

2. Kant emprega essa palavra num sentido diferente. Para ele, a estética transcendental é a ciência de todos os princípios da sensibilidade a priori. Se a estética deve ser uma ciência, não pode ser a ciência do belo, apenas uma crítica do gosto. Ela é uma teoria dos princípios a priori da sensibilidade, teoria esta que se insere no conjunto da teoria do conhecimento da filosofia transcendental. Na Crítica do juízo, ele fornece outro sentido para a estética: ela intervém no projeto de uma crítica do juízo para definir o juízo do gosto pelo qual o sujeito pode distinguir o belo na natureza e no espírito: "O juízo do

gosto não é um juízo do conhecimento; por conseguinte, não é lógico, mas estético", seu princípio determinante só pode ser subjetivo. Mas ao definir o belo como "uma finalidade sem fim", Kant prepara a integração da teoria esté-tica num sistema filosófico, o de Hegel.

3. Hegel afasta completamente do debate o problema da imitação da natureza, que não é, em si. nem bela nem feia. A arte não é outra coisa, diz Hegel, senão o mais subjetivo desenvolvi-mento do espírito a partir do real; e suas formas históricas representam, cada uma a seu modo, momentos desse desenvolvimento. Assim, a arte grega não é mais um ideal fixo definitivo, que se trataria de copiar ou de redescobrir, nias um ponto de equilíbrio ligado a determinada civilização. O espírito encarna-se uma última vez na arte romântica, na qual o infinito da intuição "dissolve a cada instante" as formas fixas. Por isso, a essa evolução histórica corresponde uma ascensão progressiva da arte; mas esta ascensão anuncia, de certa forma, a "morte" da arte. 4. Contemporaneamente, a estética, tendo renunciado em princípio a todo cânone, é caracterizada por uma abundância de correntes, cada uma constituindo suas teorias particulares.

esteticismo

Doutrina da estética ou do belo; atitude de alguém que, ignorando toda consideração moral em seu julgamento e em sua conduta, limita-se a considerar a beleza como o único e supremo valor.

estoicismo

Escola filosófica grega, deriva seu nome daStoa Poikilé, um pórtico em Atenas, onde lecionava o seu fundador, o filósofo *Zenão de Cicio, sendo também, por vezes, conhecida como filosofia do *Pórtico. O estoicismo desenvolveu-se como um sistema integrado pela lógica, pela física e,pela ética, articuladas por princípios comuns. E, no entanto, a ética estóica que teve

maior influência no desenvolvimento da tradição filosófica, chegando mesmo a influenciar o pensamento ético cristão nos primór- dios do cristianismo. Na concepção estóica, os princípios éticos da harmonia e do equilíbrio baseiam-se, em última análise, nos

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