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Ajuste de los parámetros de un modelo neuronal a una salida experimental dada

Seguiam -se então os conselhos consultivos, dos quais o mais importante parece ter sido o Conselho dos Cinquenta (Ahl al -Khamsīn); o número cinquenta consti- tui um ponto de partida sobre o qual a maioria das fontes estão de acordo; todavia,

algumas exibem os números sete, quarenta e setenta50. Como já foi exposto, o con-

selho representava as cabilas afiliadas ao movimento; ora, o movimento de adesão faz supor certa flutuação no número de membros, o que explicaria as cifras de

quarenta a setenta51 encontradas nos documentos. Enfim, os sete, conforme algu-

mas fontes52, constituiriam um subgrupo do Conselho dos Cinquenta, onde repre-

sentariam as três mais importantes cabilas, a saber, os Hargha, os Ahl -TĪnmallal e os Hintāta. Quanto ao número setenta, poderia ter resultado da combinação entre

o Conselho dos Cinquenta e outra instituição almóada53.

46 Ver MUSA, 1969, v. 23, p. 59 e nota 42; LÉVI -PROVENÇAL, 1928a, p. 36; IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?) , p. 102 -3; HUICI MIRANDA, 1956b, v. 1, p. 101.

47 Ver IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 74, 81 e 117; e al -Hulal al -Mawshiyya, trad. fran cesa, 1936, p. 88. 48 LÉVI -PROVENÇAL, 1928a, p. 75; IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 117.

49 LÉVI -PROVENÇAL, 1928a, p. 33; IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, 1949, p. 338. 50 IBN AL -KATTāN, s.d, (1964?), p. 28 -9 e 32.

51 Em 524/1130, mais de dez pessoas foram acrescentadas ao Conselho dos Cinquenta após o expurgo; LÉVI -PROVENÇAL, 1928b, p. 35.

52 IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 30 -1; LÉVI -PROVENÇAL, 1928b, p. 33 -5.

Os grupos majoritários eram os Ahl -TĪnmallal, grupo misto aliado aos Hintāta desde o início do movimento, os Hargha (a cabila do mahdī) e os

DjanfĪsa54. Os Cinquenta eram descritos como sendo as pessoas que Ibn Tūmart

consultava e com as quais se aconselhava (ashab mashwaratihi)55.

As talaba

Essa palavra, cuja origem as fontes não nos revelam, é, ao que parece, inven-

ção almóada56. Na época em que o mahdī ainda estava vivo já havia numerosas

talaba. Em 1121, foi grande o número de talaba enviado ao Sūs57, o que faz pensar

tratar -se de discípulos de Ibn Tūmart formados e instruídos durante as inúmeras discussões e controvérsias animadas pelo mahdī no curso de sua viagem de regresso ao Marrocos. Ao passar por Marrakech atraiu ainda mais seguidores; o ensino que a eles dispensou em ĪgĪllĪz, durante cerca de um ano antes de sua proclamação

como mahdī, deve ter contribuído para consolidar esse corpo de discípulos58.

Al ‑Kaffa

É a palavra que designa o conjunto dos almóadas. Esta instância tampouco permaneceu desorganizada, já que Ibn Tūmart fez da cabila uma unidade polí-

tica e religiosa. Colocou à testa de cada dezena de pessoas um nakīb59, proce-

dendo a constantes revistas ’ard). Entre os almóadas, cada categoria correspondia

a um posto (rutba), que eram em número de 14 segundo Ibn al -Kattān60.

Essas formas de organização permitiram doutrinamento intenso frequen- temente eficaz, cujos propósitos eram, a um tempo, inculcar nos almóadas um sentimento de exclusividade e uma atitude de sistemática e violenta hostilidade em relação aos não -almóadas. Essa dupla atitude deveria assegurar uma perfeita obediência, como a que emanava do sistema de educação. Este fundava -se em três elementos: as ideias de Ibn Tūmart, as fontes e as vias de acesso ao conhecimento

54 Ver MUSA, 1969, v. 23, p. 63.

55 IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 75 e 81; IBN ABĪ ZAR‘, trad. latina, 1843, p. 114. 56 IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, in HUICI MIRANDA, 1965, v. 3, p. 18. 57 1500, segundo IBN ABĪ ZAR‘, trad. latina, 1843, p. 113.

58 Ver IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 87 e 93; LÉVI -PROVENÇAL, 1928b, p. 132; IBN ABĪ ZAR‘ trad. latina, 1843, p. 113; AL -SALāWĪ, 1894, v. 2, p. 92.

59 Ver IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 27; al -Hulāl al -Mawshiyya, trad. francesa, 1936, p. 89, onde se lê que o nakīb era também chamado de mizwãr. Sobre isso, consultar IBN AL -KATTāN, 1316, AH, v. I, p. 93. 60 IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 28 -9 e 81.

que contavam com seu beneplácito e os métodos de aprendizado que ele havia elaborado.

As ideias de Ibn Tūmart não podem ser reduzidas a qualquer outra dou- trina já elaborada. Elas se distinguem por sutil ecletismo doutrinal que parece ter favorecido, entre os almóadas, o sentimento de exclusividade, de unidade e mesmo de isolamento nessa exclusividade – na verdadeira fé – com relação a todos os outros muçulmanos. A doutrina tumartiana rompeu totalmente com

as práticas adotadas pelo maliquismo61. Os almóadas deviam se distinguir dos

outros até no vestir, evitando os lugares onde os homens não acreditassem na

uni cidade de Deus62 e unindo -se aos seus irmãos na verdadeira religião.

Tudo isso foi incansavelmente transmitido pelo mahdī, sob a forma de prele- ções, inicialmente, e depois de tratados abundantemente comentados. Preocupava- - se em unir ciência e ação (‘ilm e ‘amal), utilizando o árabe e o berbere63 e

modulando sua ação formadora em função dos diferentes níveis de intelecção64.

Esses métodos de formação pautavam -se por uma severidade muitas vezes exces- siva, a qual assegurava uma obediência cega que podia levar um almóada a exe- cutar seu pai, irmão ou filho, caso isso lhe fosse ordenado. Um tal rigor não raro

traduzia -se por expurgos, que por vezes constituíam verdadeiras carnificinas65.

A organização almóada não permaneceu imutável. Após a morte de Ibn Tūmart, os Ahl al -Djamā‘ e os Ahl al -Khamsīn só são mencionados por ocasião da bay‘ a (compromisso de fidelidade) a ‘Abd al -Mū’min, o que leva a supor que este último tenha suprimido os dois conselhos. De fato, Ibn Tūmart morreu após a grande derrota de al -Buhayra, e sua sucessão parece ter abalado a unidade almóada, ‘Abd al -Mū’min, que ao que parece viu -se bastante isolado, deve ter julgado mais hábil colaborar com indivíduos pertencentes a essas instituições,

sem, no entanto, considerá -las como tais66. É o que poderia explicar o apare-

cimento do conselho dos xeques almóadas, que aparentemente suplantou os conselhos dos Ahl al -Djamā‘a e dos Ahl al -Khamsīn. Essa reorganização tática

61 IBN TūMART, trad. francesa, 1903, p. 258 -64, 266 -7, 290 e 296; IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 42, 46 e 85.

62 IBN TūMART, trad. francesa, 1903, p. 261, 263 -4.

63 IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, 1949, p. 188; IBN ABĪ ZAR‘, trad. latina, 1843, p. 114. 64 IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 24, 29 e 103; IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, 1949, p. 191;

IBN ABĪ ZAR‘,trad. latina, 1843, p. 118 -9. 65 MUSA, 1969, v. 23, p. 71 -2.

Figura 2.4 Minarete da mesquita Hasan (inacabada) em Rabat; belo exemplo da escultura decorativa dos Almóadas. (Foto J. Devisse.)

parece encontrar -se na origem do descontentamento dos dignitários almóadas,

manifestado pela revolta de Ibn Mālwiya em 113367.

Os xeques, cujo papel crescia em importância, tinham tendência a constituir um poder paralelo ao dos califas; isso levou o califa al -Nāsir a desferir rude golpe no prestígio daqueles às vésperas da batalha de Las Navas de Tolosa, o que pode

ter sido uma das causas dessa grave derrota68. O enfraquecimento do califado

almóada deveria lhes dar novo alento; constituíram, então, uma espécie de “clã” cuja pressão tornou -se insuportável para o califa al -Ma’mūn, que terminou por suprimir o credo no mahdī.

A maior parte dos xeques descendiam dos membros dos Ahl al -Djamā‘a e dos

Ahl al -Khamsīn69, em particular dos Hintāta e dos habitantes de TĪnmallal; já

entre os Hargha, ao que parece, não houve nenhum xeque influente, o que teria originado a revolta dos dois irmãos do mahdī. O conselho dos xeques parece ter sido uma estrutura constituída para ampliar a base do movimento almóada; efetivamente, serviu de modelo para a organização de novos setores afiliados.

Assim, aparecem o conselho dos xeques árabes70 e o conselho dos xeques anda-

luzes do Djund71, cujo papel era, entretanto, eminentemente militar.

O corpo dos talaba foi objeto de especial atenção por parte de ‘Abd al -Mū’min. A atuação destes como propagandistas continua importante após a tomada de Marrakech, conforme demonstram as cartas oficiais – entre as quais a missiva enviada por ‘Abd al -Mū’min aos talaba da Andaluzia em 543/1148. Entretanto, eles adquirem outras competências e sua ação se exerce em diversos domínios: educação, ensino, administração e exército. É certo que ‘Abd al -Mū’min os incumbiu parti- cularmente de “ordenar o bem e proibir o mal”, mas, com a ampliação do império, parecem assumir cada vez mais o papel de comissários políticos e “ideológicos”,

principalmente no interior das forças armadas e em particular na marinha72.

67 IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, ed. Lévi -Provençal, s.d. (1929?), v. 3, p. 240 -1; IBN ABI ZAR‘ , trad. latina, 1843, p. 169.

68 IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, ed. Lévi -Provençal, s.d. (1929?) , v. 3, p. 85; IBN SāHIB AL -SALāT, 1964, p. 148, 324 e 399 -400; IBN AL -ATHĪR, 1851 -1876, V. 11, p. 186.

69 IBN KHALDūN, 1956 -1959, V. 6, p. 534, 542, 545 -6.

70 IBN SāHIB AL -SALāT, 1964, p. 218, 399 -400; IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, ed. Lévi - -Provençal, s.d. (1929?), v. 3, p. 85.

71 IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 226.

72 Ver o texto da carta in IBN AL -KATTāN, s.d. (1964?), p. 150 et seq., e LÉVI -PROVENÇAL, 1941b, p. 6, acerca de uma comissão de talaba encarregada de supervisar a cons trução da cidade de Djabal al -Fath; ver IBN ‘IDHāRĪ AL -MARRāKUSHĪ, ed. Lévi -Provençal, s.d. (1929?), v. 4, p~ 43 -4, sobre o papel administrativo dos talaba em Gafsa após a retomada dessa cidade pelos almóadas em 583/1187; ver LÉVI -PROVENÇAL, 1928a, p. 215.

A atitude sectária dos almóadas foi, certamente, mantida por longo tempo73;

entanto, parece ter se ressentido muito cedo do fator de isolamento político74, o

que explicaria o abandono do dogma do mahdismo por al -Ma’mūn75.