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Quando se trabalha focando atingir uma aprendizagem significativa nos moldes ausubelianos, a utilização de mapas conceituais se apresenta como uma ferramenta muito salutar. Não que seja obrigatório a sua utilização ou que sem eles o trabalho não consiga atingir seu fim. Não! Mas estes se apresentam como uma ferramenta que torna o trabalho menos árduo, pois o princípio organizacional das evoluções obtidas pode ser visto com maior clareza. Mas o sucesso do trabalho pode ser alcançado sem eles. A propósito, Ausubel nunca falou ou se utilizou dos mesmos para o desenvolvimento de sua teoria. Eles só foram inseridos posteriormente através dos trabalhos desenvolvidos pelo professor Joseph D. Novak e seus colaboradores da Universidade de Cornell, em meados dos anos de mil novecentos e setenta. (MOREIRA, 2010).

Mas o que são mapas conceituais? Segundo Moreira (2010, p. 11) “De um modo geral, mapas conceituais, ou mapas de conceitos, são diagramas indicando relações entre conceitos, ou entre palavras que usamos para representar conceitos”. Eles se apresentam como ferramenta interessante para se atingir uma aprendizagem significativa justamente por isso. A aprendizagem significativa tem como elemento principal a compreensão dos conceitos e suas inter-relações. Os mapas conceituais permitem que estas relações sejam visualizadas mais claramente através de si.

Uma outra vantagem é que não há mapas “certos” ou “errados”. Cada autor cria seu mapa de acordo com os conceitos que são mais relevantes para si.

Como a aprendizagem significativa implica, necessariamente, atribuição de significados idiossincráticos, mapas conceituais, traçados por professores ou alunos, refletirão tais significados. Quer dizer, tanto mapas usados por professores como recurso didático como mapas feitos por alunos em uma avaliação têm componentes idiossincráticos. Isso significa que não existe mapa conceitual ‘correto’. (MOREIRA, 2010, p. 22)

mais gerais vão sendo compreendidos e, a partir deles, vai-se derivando os conceitos mais específicos. Esse encadeamento de ideias favorece a consolidação do aprendizado de forma significativa, pois o aluno não se percebe interagindo com conceitos soltos. A significância do aprendizado faz com que ele vá elaborando seus mapas da forma mais simples para a mais complexa de acordo com o grau de relevância que ele consegue perceber em cada conceito. Quanto menos significativo for o aprendizado, menos complexos serão seus mapas e vice-versa. O fato de se ter um mapa conceitual mais simples não significa que o aluno não aprendeu. Apenas mostra que existem conceitos que não foram representativos em sua estrutura cognitiva e que precisam ser retrabalhados para que possam ganhar seu significado a fim de servir de subsunçor para conceitos vindouros. É nesse sentido que se fala em não haver mapa “correto”, mas sim menos ou mais complexos, pois eles vão mostrando o nível de significância que cada conceito conseguiu atingir na estrutura cognitiva do aprendiz.

[...], nunca se deve esperar que o aluno apresente na avaliação o mapa conceitual ‘correto’ de um certo conteúdo. Isso não existe. O que o aluno apresenta é o seu mapa, e o importante não é se esse mapa está certo ou não, mas sim se ele dá evidências de que o aluno está aprendendo significativamente o conteúdo. (MOREIRA, 2010, p. 22- 23).

Aprender significativamente implica dominar o aprendizado em sua essência, desenvolvendo o poder de fazer conexões com o que foi ensinado e com conceitos derivados. A elaboração de mapas conceituais por parte do alunado permite ao professor verificar se esses requisitos estão sendo atingidos. Isto porque um mapa conceitual não se corrige como se corrige um trabalho qualquer. Uma atividade comum é constituída de um recorte onde o aluno apresenta a cópia de algum tema que o professor procura compreender da forma como foi escrito e atribui uma nota pautada no material mostrado. Essa metodologia de correção não pode ser aplicada a um mapa conceitual, pois eles não são autoexplicativos. Quem os olha isoladamente não os compreenderá em sua essência sem a devida explicação do autor. Mapas conceituais

[...] necessitam ser apresentados ou, no mínimo, acompanhados de um texto explicativo, pois existem diversas maneiras de expor conceitos e suas relações em um mapa conceitual. Ademais, é na explicação de um mapa de conceitos que o autor expressa a sua compreensão sobre o que está sendo apresentado, além de refletir a maneira com a qual as informações estão organizadas na sua estrutura cognitiva (ALMEIDA; MOREIRA; 2008, p. 02-03).

Diferentemente das atividades comuns, onde na maioria das vezes o aluno não constrói a defesa de suas ideias, apenas copia um tema dado, a elaboração de um mapa conceitual exige que seu autor tenha pleno domínio das relações entre os conceitos e apresente uma boa concatenação de ideias na defesa de seu trabalho. Fica muito mais evidente para o

professor se as ideias defendidas apresentam significância. Se os conceitos estão relacionados de uma forma sólida.

Ao identificar essas limitações, cabe ao professor ressignificar o conteúdo de forma a fazer com que os mapas possam ser enriquecidos através do surgimento de novas relações ou novos conceitos relevantes na estrutura cognitiva do aprendiz. Reitera-se que o professor não irá trabalhar o conteúdo no sentido de fazer com que o aluno decore os conceitos e insira na construção de um novo mapa. Caso isso ocorra o ensino ocorrerá novamente de forma mecânica. Isso significa que a utilização de mapas conceituais não é garantia da ocorrência de uma aprendizagem significativa. Se forem mal utilizados a aprendizagem tornará a acontecer de forma mecânica.

Percebe-se que a utilização de mapas conceituais em sua essência não pode estar associada ao instrucionismo. Sua utilização está voltada para a construção do próprio conhecimento por parte do aluno. Visa a fazer com que o aluno procure aprender os conceitos e relacione-os significativamente com relações derivadas. Nada mais em desacordo com as ideias instrucionistas que defendem apenas que o aluno decore instruções e repita mecanicamente. Em virtude disso Moreira (2010, p. 26) nos diz que “Para aproveitar o potencial facilitador de aprendizagem significativa dos mapas conceituais em sala de aula é preciso usá- los em uma perspectiva construtivista-interacionista”. Se assim não for não se alcançará o objetivo principal da técnica.

São muitas as vantagens da utilização de mapas conceituais no processo de ensino. Souza e Boruchovitch (2010, p. 181), por exemplo, destacam que a utilização dos mesmos evidencia “[..] a ocorrência de uma reorganização cognitiva, porque os conceitos são estendidos em seus significados e as relações proposicionais são alteradas”. Essa é uma das características que favorece a ocorrência de uma aprendizagem proativa, onde o aluno deixa de ser um mero objeto, um apanhador de recortes, e passa a ser cobrado por concatenação de ideias. Os conceitos vão se interligando e complexificando sua estrutura cognitiva, ou seja, cada conceito novo não é simplesmente doado ao aluno, ele é inserido na sua estrutura cognitiva dentro de uma cadeia de conceitos mais amplos. À medida que é compreendido não só ganha um sentido mais amplo por estar concatenado com os conceitos já existentes, como ele mesmo modifica a estrutura cognitiva anterior tornando-a mais complexa. Diferentemente da aprendizagem mecânica, onde se tem apenas uma inserção de elementos soltos sem significado no conjunto, o surgimento de novos conceitos na aprendizagem significativa faz com que o resultado seja bem maior do que uma simples soma aritmética de mais um elemento inserido, pois cada conceito novo aprendido transforma ao mesmo tempo que se transforma. Os mapas conceituais

simplificam a visualização desse processo.

É bom reiterar que nem tudo são flores. A utilização de mapas conceituais não é garantia de que se obterá, a partir deles, sempre resultados positivos. A propósito, Moreira (2010, p. 17) ressalta que “[...] se mal utilizados, mapas conceituais podem também gerar aprendizagem mecânica, puramente memorística, como tantas outras estratégias instrucionais”. Além da má utilização, outros desafios se apresentam, principalmente quando o aluno já passou por outras fases da formação acadêmica e traz uma formação deficitária. Alunos que foram acostumados a só receber informações e não viram despertar a sua capacidade de elaborar conceitos e concatenar ideias. Caberá ao professor ter paciência para que a evolução do aprendizado dos alunos venha a acontecer no ritmo certo.

A utilização de mapas conceituais não é um processo fácil. Existem muitas vantagens, mas muitas dificuldades também surgirão. No entanto como salientam Souza e Boruchovitch (2010, p. 188) estas características “[...] vantagens e dificuldades – complementam-se quando percebidas; aquelas, como possibilidade de ação e, estas, como espaço de superação”.

2.5 Utilização de softwares de modelagem computacional no Laboratório de Informática