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Administrative og økonomiske konsekvenser

Dependendo dos contextos comunicativos em que a oralidade surge, podemos distinguir dois modos de oralidade – o oral informal ou espontâneo e o oral formal ou preparado. Possuidores de características distintas, cada uma destas modalidades difere entre si. Importa, na nossa opinião, salientar que cada uma destas modalidades se relaciona com o registo utilizado em cada situação comunicativa. Por registo, segundo o Diccionario de términos clave de ELE, entendemos:

como el uso lingüístico determinado por el contexto inmediato de producción de un discurso. El registro se considera una variedad lingüística funcional – también denominada variedad diafásica – condicionada por cuatro factores contextuales fundamentalmente: el medio de comunicación (oral o escrito), el tema abordado, los participantes y la intención comunicativa. La forma de expresión lingüística – cuidada o informal, general o específica, etc. – que escoge el hablante responde a cada uno de estos factores.

Seguidamente, de maneira sintetizada e objetiva, serão apresentadas os traços característicos que distinguem cada uma destas modalidades.

Oral informal ou espontâneo vs oral formal ou preparado

A fala é resultado de vários processos que ocorrem no sistema nervoso central, no sistema nervoso periférico e no aparelho fonador. Como referido anteriormente, a comunicação pode ocorrer em contextos variados que influenciam as opções do locutor aquando da eleição da forma de expressão linguística. Podemos pensar que o oral informal apenas está presente nas conversas espontâneas, porém podemos encontrar marcas da oralidade em textos menos espontâneos e mais preparados e estruturados, como num discurso político, num programa radiofónico ou televisivo, numa entrevista de emprego ou num congresso.

38 Quando conversamos com amigos, ou em grupo num bar, a conversa é informal. Isto quer dizer que o “conteúdo, ou seja, a informação, é menos importante do que o estabelecimento e a manutenção de uma relação social entre os locutores” (Martins, Maria Raquel & Ferreira, Hugo Gil, 2006: 120). Nestas situações, a fala não é preparada com antecedência e, por isso, é espontânea. Este cariz espontâneo implica que a programação da fala no cérebro e a sua execução ocorram em tempo real, resultando mais difícil para o locutor coordenar os processos envolvidos na fala.

As dificuldades aportadas pela falta de preparação do discurso podem ocorrer a vários níveis: ao nível da organização sintática, ou seja, podem surgir erros de concordância verbal; ao nível da organização semântica que se manifestam em discursos incoerentes ou até mesmo contraditórios; ao nível da organização fonética presente em hesitações, pausas longas e repetições de frases e, finalmente ao nível da organização pragmática nas quais o discurso não se adequa às situações e ao contexto em que ocorre. Deve notar-se, no entanto, que estas “falhas” só o são quando vistas a partir da perspetiva da norma padrão escrita. No discurso oral informal, essas características estão perfeitamente adequadas.

Após uma incursão pelas salas de aula verificamos que, raramente, se pratica ou analisa este discurso espontâneo. Os professores avaliam a oralidade dos alunos apenas quando propõem atividades orais, delimitadas pelas pautas a seguir e, na maioria dos casos, o aluno leva a sua exposição preparada de antemão. Consequentemente, os alunos não desenvolvem a capacidade oral de modo a adquirir fluência e coerência nas intervenções espontâneas. Em LE, o trabalho para se conseguir esta capacidade faz obviamente falta, mas, no que respeita à LM, a fala espontânea é adquirida sem esforço, por sermos um animal dotado com a capacidade de linguagem.

Contrariamente, as intervenções formais ou preparadas são mais frequentes nas aulas e designam todo o discurso que foi pensado e preparado de antemão. Esta preparação implica, não só a escrita do que se vai dizer, mesmo que seja em tópicos, mas também a antevisão de perguntas que poderão surgir por parte dos destinatários, preparando do mesmo modo, as possíveis respostas. Estas situações verificam-se, em contexto escolar, quando propomos aos nossos alunos uma exposição oral sobre determinado tema e lhes proporcionamos tempo para que pesquisem e preparem a sua intervenção.

A importância reconhecida ao modo formal do discurso oral deve-se, talvez, à consciência de que, em situações futuras, o aluno irá ser avaliado pela forma como se

39 expressa, correta e adequadamente, em público. A propósito da importância do ensino- aprendizagem de estratégias que permitam ao aluno adequar o seu discurso a determinadas situações, Maria Raquel Martins e Hugo Gil Ferreira (2006) afirmam o seguinte:

As características do discurso oral na interação com terceiros determinam, em parte, a maneira como se é avaliado. […] É por isso indispensável ser-se capaz de controlar o discurso oral, em cada situação, utilizando estratégias de preparação diversificadas e adequadas a cada situação. (p. 150)

Seguindo esta perspetiva, é essencial que os alunos tomem consciência de que as formas de discurso preparado são de vital importância para o seu futuro, especialmente em profissões que utilizam o discurso oral como instrumento de trabalho. De modo a tornar os alunos autónomos na planificação e adequação do discurso, os professores devem, nas aulas de língua materna e estrangeira, proporcionar momentos dedicados à simulação de situações reais, como por exemplo, uma entrevista de emprego ou um debate. De acordo com Inês Duarte (2000), os alunos são capazes de:

atingir o nível de maestria envolvido na produção de géneros formais e públicos do oral […] desde que a escola lhes dê a oportunidade de aprenderem a refletir sobre os vários géneros do oral, a conhecer as regras sociais que os regulam, a prever as reacções dos interlocutores e a reformular o discurso próprio em função das mesmas. (p. 54)

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