2. TEORETISK RAMMEVERK
2.5 A SPEKTER VED DESTRUKTIV LEDELSE
As características morfológicas e funcionais de adultos ativos, especialmente de atletas de alto nível, são altamente especializadas. Algumas dessas características são adquiridas com o treino (e.g., aumento da massa muscular), sendo que outras são predominantemente inerentes ao indivíduo (e.g., elevada altura) e podem ser consideradas como “talento” (Bar-Or & Rowland, 2004). As características de atletas
adultos de elite variam entre as diferentes modalidades (Slater et al., 2013), mas também entre atletas da mesma modalidade em função das características da prova (Crielaard & Pirnay, 1981). Por exemplo, os velocistas geralmente são mesomórficos, com uma musculatura mais desenvolvida, mas obtêm uma moderada potência aeróbia máxima, enquanto os atletas de longas distâncias são geralmente ectomorfos, com uma elevada potência aeróbia máxima, mas relativamente baixa taxa de força explosiva (Crielaard & Pirnay, 1981; Bar-Or & Rowland, 2004).
Maglischo (2003) apresenta as características dos nadadores fundistas (longas distâncias) e dos nadadores velocistas (dividindo estes últimos em três tipos, de acordo com a distância de nado em que são especialistas):
os nadadores de longas distâncias possuem uma elevada potência aeróbia e um elevado limiar anaeróbio, apresentando maiores percentagens de fibras musculares de contração lenta;
os nadadores com melhor desempenho nas distâncias de 50 metros possuem uma elevada potência anaeróbia, mas baixa capacidade aeróbia, e geralmente apresentam maior percentagem de fibras rápidas;
os nadadores que obtêm melhores desempenhos nas distâncias de 100 metros possuem uma elevada potência anaeróbia, mas não tão elevada como os velocistas especialistas nas distâncias de 50 metros, e apresentam uma distribuição equitativa (cerca de 50%) de fibras rápidas e lentas;
os nadadores que obtêm melhores resultados nas distâncias de 200 metros, geralmente destacam-se por uma boa potência anaeróbia, mas também devem possuir uma boa capacidade aeróbia, geralmente com uma percentagem de fibras rápidas superiores aos dois tipos de sprinters anteriormente referidos, e podem também obter bons desempenhos nos 400 metros (nadadores de médias distâncias).
Assim, os atletas velocistas e fundistas apresentam uma relação negativa entre a potência aeróbia e anaeróbia, demonstrando essa mesma especialização (Crielaard & Pirnay, 1981).
Bar-Or (1983) expôs pela primeira vez a ideia de que, contrariamente aos adultos, as crianças não são especializadas metabolicamente, ou seja, as crianças que
possuem um melhor desempenho aeróbio também possuem um melhor desempenho anaeróbio. Este conceito foi apresentado com base na observação das características morfológicas e do perfil funcional de crianças (e.g., Mayers & Gutin, 1979), e comprovada em diversos estudos de crianças pré-púberes não praticantes de nenhuma modalidade desportiva (Bar-Or, 1983; Rotstein et al., 1986; Prasad et al., 1995; Bloxham, Armstrong, De Ste Croix, & Welsman, 2001; Bloxham et al., 2005), e praticantes da modalidade de natação (Bar-Or, 1983; Falgairette, Duche, Bedu, Fellmann, & Coudert, 1993). Falgairette et al. (1993) avaliaram crianças pré-púberes praticantes de natação e não praticantes, onde verificaram uma correlação moderada entre o desempenho no teste de potência aeróbia máxima e o teste de potência anaeróbia máxima, independentemente da prática desportiva, permitindo aos autores concluir que não se verificou especialização aeróbia ou anaeróbia e que o treino não induziu alterações significativas nas características bioenergéticas de crianças pré-púberes.
Contudo, alguns autores não comprovaram este conceito (Docherty & Gaul, 1991; Fernandes, 2006; Al-Hazzaa et al., 1998). Num estudo sobre os efeitos da especificidade do treino em crianças praticantes de natação e de futebol, foram observados valores significativamente superiores nos futebolistas na potência aeróbia máxima em passadeira e valores significativamente superiores nos nadadores relativamente ao desempenho na potência anaeróbia máxima num ergómetro para o trem superior (Al-Hazzaa et al., 1998).
Apesar de nem todos os estudos serem consensuais quanto a esta temática, a maturação parece influenciar diretamente o conceito de especialização metabólica (Malina et al., 2004; Rowland, 2002, 2005). Nesse sentido, Falk & Bar-Or (1993), compararam a potência aeróbia máxima em ergómetro com a potência anaeróbia máxima no WAnT, de acordo com o nível maturacional dos participantes não praticantes de nenhuma modalidade desportiva. Os autores encontraram correlações elevadas nos pré-púberes e púberes, concluindo que a especialização metabólica deverá ter início após a puberdade, no entanto, os autores usaram os valores absolutos em vez de valores relativos para analisar essas correlações. Murphy (2001) estudou a relação entre a potência aeróbia máxima e a potência anaeróbia máxima (WAnT) em 10 meninas (média de 10 anos) e 10 mulheres (média de 22 anos) não treinadas. Quando os dados foram ajustados para o peso corporal, verificaram-se correlações
significativamente moderadas em ambos os grupos. Assim, os autores concluíram que o fenómeno da não especialização metabólica foi observável no sexo feminino, em crianças e adultas não treinadas, devido à não influência do treino.
A baixa especialização metabólica nas crianças atletas deverá refletir diferenças na treinabilidade entre as crianças e os adultos, uma vez que os adultos conseguem atingir melhorias significativamente superiores através do treino ao nível da força, potência anaeróbia e aeróbia comparando com as crianças (Rowland, 2002, 2005). Um dos possíveis fatores influenciadores consiste no facto do crescimento e a maturação assumirem um papel importante no desenvolvimento do metabolismo anaeróbio (Falgairette et al., 1991; Van Praagh, 2000).
Por outro lado, as diferenças na composição corporal e o somatótipo são fundamentais na performance aeróbia e anaeróbia. Algumas das características antropométricas que definem as capacidades atléticas nos adultos são desenvolvidas durante a puberdade, com influência das hormonas sexuais (Rowland, 2002, 2005).
A literatura disponível parece sugerir que as crianças atletas pré-púberes e no início da puberdade são menos especializadas do que os adultos, em esforços tipicamente aeróbios ou anaeróbios (Bar-Or & Rowland, 2004), contudo, ainda não se sabe ao certo quando é que acontece a especialização em nadadores de ambos os sexos, nem em que período da época desportiva. Apesar de ser um conceito pouco recente, os investigadores ainda não foram capazes de resolver a questão da especialização metabólica (Rowland, 2005), tornando-se preponderante perceber em que momento esta acontece para potenciar o treino de uma modalidade desportiva em função das capacidades dos seus praticantes (Balyi & Williams, 2009; Balyi et al., 2013).