O estudo demonstrou que os CHF’s têm atraídos moradores principalmente quanto aos seus baixos valores econômicos e suas localizações. Mesmo sentindo-se isolados, os moradores não demonstram grandes preocupações, já que possuem o automóvel particular para desempenhar suas atividades.
O perfil do morador que vive em um CHF é formado basicamente por jovens casados e com filhos, que trabalham e possuem um elevado nível educacional, e que buscam vantagem econômica nos CHF, adotam estes empreendimentos como negócios a curto e médio prazo, servindo como uma forte moeda de troca. Observa-se que a segurança é tão importante como o estilo de vida para esse grupo. Para eles que possuem um tempo limitado para realizar suas atividades, viver em um CHF é buscar diferentes oportunidades para tornar a sua a vida mais privada, contudo tanta privacidade levou a um isolamento, onde a oferta de serviço não satisfaz as necessidades e desejos diários de seu estilo de vida, pois dentro de um CHF não é comum uma estrutura que ofereça escola, saúde, restaurantes, shoppings centeres e etc. Nos últimos anos, a tendência em se viver em um condomínio horizontal fechado tornou-se uma alternativa econômica para a classe média, que está migrando dos centros urbanos em busca de um estilo de vida (sem poluição sonora, visual, violência e etc).
Pode-se verificar que não existem grandes diferenças entre condomínios com a oferta de transporte público e os que não possuem, já que ambos demonstram ter o mesmo comportamento em relação às atividades desempenhadas e o estilo de vida. Assim, podemos dizer que a ausência de transporte público não é a única responsável pelo crescente aumento da dependência por automóveis, mas que as estruturas urbanas acabam favorecendo e fortalecendo os condomínios horizontais fechados resultando em uma dependência automotiva.
O próprio estilo de vida que um CHF suscita o deslocamento de seus moradores, principalmente quanto aos atributos físicos do local, a acessibilidade é um fator importante
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que influencia no comportamento. Os condomínios apresentam-se cheios de empecilhos a serem vencidos, tais como as barreiras de acesso e as distâncias até elas. Assim, estes aspectos estão diretamente relacionados com as tomadas de decisão para o deslocamento, o estudo revelou que quanto mais impedimentos físicos e espaciais existirem no condomínio mais seus moradores vão evitar o trânsito por eles, principalmente a pé e utilização de transporte público para se deslocarem pela cidade.
O estudo aponta que esta realidade levará ao aumento da utilização indiscriminada do automóvel. Portanto, o aumento de carros nas cidades não é culpa exclusiva da falta de transporte público. O setor imobiliário tem uma grande participação sobre essa realidade, tão expressiva quanto a oferta de transporte público, como apontado nos dados da pesquisa. A cada dia surgem novos condomínios, que contam com a falta de fiscalização por parte do governo local e pelos incentivos que o próprio setor estimula. Perante os dados apresentados verifica-se que a dependência por automóvel está intimamente relacionada com os padrões de deslocamentos dos CHF’s.
Além disto, a pesquisa demonstrou que a quase totalidade dos moradores está satisfeita com a vida em um CHF, e que possivelmente continuarão com este estilo de vida, que a cidade tem tornado-se pouco atrativa. No entanto, é claro que os condomínios produzem homogeneização socioeconômica e cultural, bem como uma segregação social e espacial. A realidade aponta que os CHF’s surgem principalmente em áreas periféricas sem o devido planejamento urbano que não estão integrados com a cidade, pois as decisões quanto a localização são independentes de planejamento é são orientadas exclusivamente pelo setor imobiliário, não sendo possível realizar um devido equilíbrio entre a oferta e demanda que eles estão gerando.
Os resultados obtidos sugerem que as características sócio econômicas de seus moradores, juntamente com a adequação (interação do comportamento e espaço) influenciam os deslocamentos diários, que são realizados com a utilização do automóvel particular. O estudo apontou que a utilização do automóvel particular não está ligada somente à falta de oferta do transporte público, mas ao próprio estilo de vida de seus habitantes (classe média) e ao espaço que está inserido, como a localização e as barreiras físicas impostas.
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Como pontos positivos de morar em condomínios estão a privacidade, a segurança e os espaços privados de uso coletivos (somente dos moradores). A análise dos resultados foram de encontro com a afirmativa de Caldeira (2000) que aponta que estas características são a base dos condomínios horizontais fechados.
Os pontos negativos desta forma de empreendimento habitacional demonstrou como a dependência do automóvel particular, de tal forma que seus moradores não declararam estar dispostos a trocar por transporte público, por uma série de questões como privacidade, conforto e praticidade. Assim, observou-se que os deslocamentos realizados por estes moradores para realizar as mais variadas atividades, que se encontram além dos muros dos condomínios horizontais fechados. Deste modo, impacta diretamente as cidades, na medida que aumentam o trânsito, contribuindo para os congestionamentos e a popularização das cidades rodo-dependentes.
A contribuição deste estudo está na utilização de conceitos oriundos de outras ciências que foram relacionadas aos transportes, que por meio de pesquisa qualitativa permitiu evidenciar o padrão de deslocamento com a dependência automotiva, que por sua vez veio contribuir com o caráter multidisciplinar inerente ao Programa de Pós-Graduação em Transporte da Universidade de Brasília.
As teses advindas da literatura foram sistematizadas em um diagrama que pretende servir como guia de compreensão dos processo de dependência. As hipóteses contidas no diagrama foram testadas em uma pesquisa de campo em dois condomínios fechados do Distrito Federal (Brasília), sendo que um condomínio é bem servido de transporte público, e outro, não.
A pesquisa constatou a dependência não apenas em virtude dos valores relacionados à classe média (individualismo, necessidade de segurança, conforto habitacional) bem como ao automóvel como meio individualista de locomoção urbana, mas também em função dos aspectos espaciais dos condomínios, que estão localizados em áreas afastadas dos centros de emprego, comércio e serviço. Os próprios condomínios possuem uma dimensão interna que dificulta o uso do serviço de transporte público que passa à sua porta. Um terceiro fator seria o ritmo de vida desse estrato populacional, que implicaria em deslocamentos circulares de diversos propósitos (casa- trabalho- escola, compras-casa) em um mesmo dia. A simples
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disponibilidade ou não de transporte público não se revelou como um fator decisivo para reduzir a dependência do automóvel, eis que os moradores do condomínio bem servido não se utilizariam dele. Para um melhor compreensão, o diagrama abaixo aponta a relação entre os resultados da pesquisa.
Figura 9.1 – Estrutura representativa das relações estabelecidas na pesquisa
Portanto, percebemos que as atuais cidades fragmentadas têm contribuído para o surgimento dos CHF’s, atraído a classe média, que estão em busca de novos modos de vida. As novas formas de produção e de apropriação do espaço urbano têm acentuado a tendência à segregação, promovendo alterações nas práticas sócio-espaciais. A análise dos dados coletados e a observação do fenômeno apontaram que a atual dependência por automóveis está centrada em outros pontos além da oferta ou ausência de transporte público, existe uma ligação do setor imobiliário que acaba forçando esta realidade, pois seus espaços de instalação alteram as decisões quanto aos deslocamentos que deverão ser realizados por seus moradores.
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