Desde os primeiros edifícios de escritório da década de 20 até os dias de hoje, são mais de 90 anos de historia e evolução tecnológica. Ao longo das décadas, foram utilizados diversos materiais e tecnologias na construção dos edifícios, desde os primeiros edifícios de estrutura em concreto, visto na figura 2, com ornamentos em argamassa e acabamentos em mármore ou granito, caixilhos de madeira ou aço, divisões internas e vedações em alvenaria.
Com o surgimento de avanços tecnológicos de uma série de materiais, como estrutura de concreto, estrutura metálica caixilhos de aço e uma enorme variedade de revestimentos, foi possível um considerável aumento nos vãos livres para ocupação, assim como a construção de edifícios mais altos. Outros fatores como a evolução dos elevadores, o surgimento de lâmpadas fluorescentes e as mudanças na tecnologia da fabricação de vidros
6 Setor terciário entende-se pelo setor econômico relacionado aos serviços. Os serviços são produtos não
materiais em que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades. Como atividades econômicas deste setor, podemos citar: comercio, educação, saúde, telecomunicações, serviços de informática, seguros, transporte, serviços de limpeza, serviços de alimentação, turismo, serviços bancários e administrativos, transportes, etc.
em maiores dimensões, somados a outros de menor impacto, favoreceram para que os edifícios a partir do final dos anos 40 e durante os 50 tivessem uma modificação nos sistemas construtivos, permitindo a construção de edifícios mais alinhados aos preceitos da arquitetura moderna, como exemplo o edifício Conde Prates ilustrado na figura 3.
A partir dos anos 60, começaram a aparecer edifícios com pele de vidro, possibilitados pelo uso do alumínio no desenho dos caixilhos e a utilização de produtos com sistemas de fixação dos vidros considerados de alto desempenho para a época, como o edifício Horácio Lafer, mostrado na figura 4. Fica clara esta evolução quando se vê nas construções mais recentes a grande oferta de vidros, em tamanhos maiores e sistemas de caixilhos cada vez mais eficientes, como os utilizados recentemente, e ilustrado na figura 5, no edifício Torre Santander JK.
Figura 2: Edifício Martinelli
Figura 3: Edifício Conde Prates - 1952
Fonte: www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03. 031/722
Figura 4: Edifício Horácio Lafer – 1954 Fonte: Fialho pag. 112
Figura 5: Edifício Torre Santander JK -2010 Fonte: www.alumni.net.br/Obras/obras-JK.htm
Até os finais dos anos 70, o projeto arquitetônico de edifício de escritórios, tinha o objetivo de proporcionar um espaço neutro, praticamente composto pelo desenho do núcleo e a fachada, com sistema de circulação vertical, área molhada, o hall de entrada, a recepção e a fachada do edifício.
Já incorporados nos edifícios nos anos anteriores, os sistemas HVAC7 no fim dos anos 70, passaram a ser os primeiros sistemas de edifícios a serem controlados eletronicamente através de chips de computadores. Esta tecnologia, onde através de sensores era possível controlar e alterar as condições climáticas no edifício levou ao inicio do desenvolvimento da idéia de tornar os edifícios dotados de inteligência, os chamados “smart buildings”.
O conceito de “smart building”, ou edifício inteligente, apareceu nos EUA por volta da década de 80, e é aquele que utiliza a tecnologia para diminuir os custos operacionais, eliminar os desperdícios e criar infraestrutura adequada para aumentar a produtividade dos usuários. Ele deve promover aos usuários, conforto, segurança e, sobretudo
7 Sistema HVAC (Heating, Ventilation and Air Conditioning), sistemas de Aquecimento, Ventilação e Ar
economia em custos diretos como: água, luz, telefone, etc., e em custos indiretos tais como manutenção e operação.
No Brasil o conceito de edifício inteligente começou a ser utilizado a partir de 1986, com a inauguração do Edifico Citicorp/Citibank em São Paulo, ilustrado na figura 6. Pioneiro na implantação de novas tecnologias foi o primeiro edifico de escritórios a possuir um elevado nível de monitoramento e controle energético, dentre os quais, o controle de iluminação natural por zonas de iluminância, o atendimento dos elevadores por proximidade de chamada, e a produção noturna de gelo para alimentar o sistema de ar condicionado ambiental, aproveitando tarifas de energia mais baixas fora do horário de “pico”.
A partir dos anos 90, o uso dos recursos da informática e a popularização dos microcomputadores, modificaram de maneira irreversível a concepção de espaço de trabalho e as relações quantitativas e qualitativas destes espaços. Ocorreram mudanças na adequação das instalações às novas necessidades de cabeamento, a estruturação de redes para transmissão de dados dentro dos edifícios. Os desdobramentos destas soluções alteraram os projetos tanto em planta, nos “shafts” e dutos, como em corte, com o surgimento de pisos elevados e forros removíveis. Estas mudanças alteraram as dimensões de áreas técnicas de cada andar, assim como a altura do pé direito.
Ainda na década de 90, surgem o que o mercado imobiliário chama de edifícios verdes ou green buildings. Passados 20 anos da grande crise do petróleo (1973), quando os altos preços de energia levaram a busca por sistemas alternativos e mais baratos, aliado a preocupação com a possível escassez de recursos naturais, indicou o rumo dos edifícios de escritórios ecologicamente sustentáveis.
Figura 6: Edifício Citicorp/Citigroup – 1986
Fonte: http://theurbanearth.wordpress.com/2009/01/24/parabens-sao-paulo-455-anos/
Os edifícios eco sustentáveis, procedem dos edifícios de alta tecnologia e caracterizam-se como construções que, desde suas primeiras etapas de projeto, buscam a gestão racionalizada e eficiente dos recursos naturais, a utilização de materiais renováveis, a redução de impacto ambiental, a qualidade ambiental de seus interiores e a gestão de seus resíduos, levando em consideração todo o ciclo de vida do edifício.
Em função do sucesso alcançado com as pesquisas de conceitos de sustentabilidade nas novas construções, surge nos EUA ainda no início da década de 90 a USGBC (United States Green Bulding Council), formada por ambientalistas, arquitetos, engenheiros e outros especialistas. Surge a aplicação de um sistema de avaliação do conforto ambiental e da sustentabilidade dos edifícios, denominado LEED (Leadership in Energy & Environmental), como um sistema de classificação por pontuação que acabou motivando o mercado imobiliário a produzir edifícios certificados com o “selo verde”, que representa um diferencial extremamente rentável e valorizado pelos compradores.
A certificação de um edifício sustentável é obtida após a avaliação e pontuação de pré-requisitos que atendam, entre outros fatores, componentes tecnológicos acoplados a edificação, como sistemas de reutilização de água, gestão de lixo e produção de energia, bem como na adoção de recursos arquitetônicos atribuídos durante a fase de elaboração de projeto. Quanto maior a pontuação da edificação melhor é o nível de selo conquistado. Existem quatro tipos: Selo LEED, LEED Silver, LEED Gold e LEED Platinum.
Ao receber o selo de edifício sustentável (Green Building), confirma-se que ele é um empreendimento com alto desempenho ambiental, com quatro características: Reduz o consumo de energia e os custos operacionais; minimiza o uso de recursos ambientais não renováveis; melhora a qualidade do ar interno dos edifícios; e melhora a qualidade de vida e a saúde de seus usuários, otimizando a qualidade do ambiente construído.
No Brasil a procura por esta certificação vem crescendo consideravelmente, e a expectativa é continuar crescendo. Um dos primeiros edifícios do país a conquistar a certificação foi o Rochaverá Corporate Towers, visto na figura 7, concluído em 2008 é um empreendimento de Categoria “Triple A”, detentor de certificação selo LEED Gold.
Figura 7: Rochaverá Corporate Towers – 2008