• No results found

Å vere ein «friluftsperson»

In document #liveterbestute (sider 42-47)

O capitão-mor Salvador Pedroso de Campos, segundo Derval, passou quase toda a sua existência na fazenda Palmital sendo o homem mais abastado de seu tempo e, por isso mesmo, exercendo grande influência sobre os seus contemporâneos.

Nessa fazenda, cuja séde ficava situada, como ainda hoje, apenas a dois kilômetros da povoação, e que era um grande núcleo de escravatura, o Capitão- Mór Salvador Pedroso, extrahiu grande quantidade de ouro, a ponto de ter os seus utensílios caseiros, taes como pratos, talheres, chícaras, copos, bandejas, etc., todo desse precioso metal.

O Capitão-Mór que era descendente de índio, falleceu na Capital de Goyaz mais ou menos em 1818, com 67 annos de idade, à Rua Dr. Corumbá, nº 12, próximo da ponte do Carmo, onde dizem ter achado no quintal, junto ao pé de um tamarineiro, dois frascos contendo ouro (CASTRO, 1933, p. 11).

Conforme Derval, a ele cabe a honra de ser o fundador de Itaberaí por ter doado as terras que formaram o patrimônio de Nossa Senhora da Abadia.

No final de seu livro deixa esta pequena biografia:

CAPITÃO-MÓR SALVADOR PEDROSO DE CAMPOS – Descendente de índios goianos, cuja tribu se ignora, foi o fundador de Itaberahy, ou melhor, o seu creador, e o principal factor da sua primordial prosperidade. Era homem abastado e de grande preponderancia sobre a população de seu tempo, em cujo benefício trabalhou. Pela destacada projeção que teve e pelos feitos nobilitantes, grangeou as honras de Capitão-Mór. [...] Não se sabe a época de seu nascimento nem de sua morte. Presume-se que esta se tenha dado em 1818 (CASTRO,1933, p.118).

CURRALINHO NOS CRONISTAS E VIAJANTES

Antes que Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, adentrasse com sua Bandeira o sertão bruto e inóspito, várias expedições já haviam passado pela terra goiana. No século XVI, várias bandeiras saídas de São Paulo aventuraram-se pelo interior do Brasil, impulsionadas pela necessidade de se conseguir braços indígenas para trabalharem nas lavouras.

A primeira destas expedições, que partindo de São Paulo atingiu o território goiano, no leste do Tocantins, foi a Bandeira de Antônio Macedo e Domingos Luís de Grou (1590 - 1593), seguida da chefiada por Sebastião Marinho, em 1592, ambas no reinado de Felipe II de Espanha, época em que Portugal e seus domínios estavam anexados àquele país. Depois, seguiram-se a do sertanista Domingos Rodrigues (1596 - 1600) que atingiu o “Bico do Papagaio”, no encontro dos rios Araguaia e Tocantins; a de Afonso Sardinha (1598 - ?) que também chegou ao Araguaia; a de Belchior Carneiro (1607 - 1609) que seguiu pelo norte do atual Estado do Tocantins; a de Martins Rodrigues (1608 - 1613) que por vários anos se arranchou no sertão do Araguaia; a de André Fernandes (1613 - 1615) que descendo pelo rio Tocantins subiu o Araguaia até as suas cabeceiras, passando depois, por terra, para a bacia do Prata, voltando a São Paulo por via fluvial; a de Pedroso de Alvarenga (1615 - 1618) que fez o mesmo percurso da precedente; a de Francisco Lopes Buenavides (1665 - 1666) que após cinqüenta anos sobre os quais não se encontrou documentação comprobatória de outras incursões, reiniciou as expedições de exploração do interior do Brasil, vindo por terra ao sertão de Goiás; a de Luís Castanho de Almeida e a expedição de Antônio Paes (1671); a de Sebastião Pais de Barros (1673), uma das maiores saídas de São Paulo e que atingiu o sertão de Goiás. Contava com mais ou menos uns 800 membros, tendo se radicado na confluência do Araguaia com o Tocantins onde se dedicou à mineração (PALACÍN, 1972, p. 18).

Em 168236, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, à frente de uma

numerosa Bandeira, trazendo em sua companhia o filho de mesmo nome que contava 12 anos de idade, atravessou o sul de Goiás e foi ter ao Araguaia. No regresso para São Paulo, procurando o curso do rio Vermelho, chegou às aldeias do índio Goiá (ALENCASTRE, 1979, p. 28).

Já nesta época, porém, ao findar o século XVII, iniciando-se os anos de 1700, foi o ouro o motivo a impelir várias destas expedições a adentrarem o sertão, palmilhando-o em busca da almejada riqueza. Mais tarde, em 1722, Bartolomeu Filho, aventurando-se pelos matos e campos, atravessando rios caudalosos, enfrentando as hostilidades do meio, os silvícolas, doenças tropicais e sofrendo toda sorte de privações, encontra o procurado lugar onde há quarenta anos estivera com seu pai, lugar que se supõe ser o Ferreiro, segundo uns, ou a Barra, segundo outros (AMERICANO DO BRASIL,1982, p. 17).

Assim, descoberta a riqueza e sentindo-se Bueno Filho abalado em sua saúde, resolve tornar a São Paulo, lá chegando em 21 de outubro de 1725. Em 1726, já refeito, volta a Goiás, desta vez com o fito de fundar um povoado e aí estabelecer-se definitivamente. Dá-se, então, a criação do arraial de Santana de Goiás.

Nesses primeiros tempos da febre do ouro goiano, que de passagem por Portugal ia abarrotar os cofres ingleses, foi enorme o movimento de aventureiros em busca do enriquecimento. A flama do vil metal foi responsável pelo rápido crescimento do arraial de Santana de Goiás, que em 173937 era elevado à categoria de Vila, com a denominação

de Boa, em homenagem ao seu descobridor (ALENCASTRE,1979, p. 72 )

Silva e Souza narra que a fama dos descobertos auríferos ressoou ao longe. Correram para cá homens de outras capitanias e do reino, assim em menos de dois anos era grande o povo que se tinha ajuntado. Revezavam-se as tropas de víveres e fazendas e ainda não bastavam ao consumo. Os mantimentos encarecidos pela dificuldade do transporte desde os centros produtores eram vendidos a peso de ouro. O alqueire de milho custava de seis a sete oitavas de ouro, o de farinha dez; o primeiro porco que apareceu custou oitenta oitavas, a primeira vaca de leite duas libras, e tudo o mais nesta proporção (SILVA E SOUZA, 1967, p. 12).

36 Nem todos os autores estão de acordo quanto ao ano dessa Bandeira. Adota-se, aqui, a afirmação

de Alencastre.

As primeiras povoações surgiram em razão dos descobrimentos auríferos, por isso o povoamento era irregular e instável, não existindo preocupação nenhuma quanto ao planejamento da ocupação humana dos territórios a serem devassados. Descoberto o ouro em um local, ali surgia uma povoação. Esgotadas que fossem aquelas minas a povoação definhava, não tardando a desaparecer.

Três zonas povoaram-se assim durante o século XVIII com uma relativa densidade; uma zona no centro-sul, com uma série desconexa de arraiais no caminho de São Paulo, ou nas suas proximidades: Santa Cruz, Santa Luzia (Luziânia), Meia Ponte (Pirenópolis) principal centro de comunicações, Jaraguá, Vila Boa e arraiais vizinhos (PALACÍN et al. 1975, p. 11).

A região de Vila Boa foi uma das primeiras a ser povoada. Em torno da vila surgiram arraiais nos lugares onde o ouro abundava: Barra, Ferreiro, Ouro Fino, Santa Rita38.

Com o esgotamento das minas a população que ali permaneceu viu-se forçada a dedicar-se à agropecuária que era no início muito imperfeita, posto que até os escravos pouco conheciam dela, habituados que estavam à mineração.

Quando a mineração dava seus últimos sopros, não restava outra opção aos mineiros senão a ocupação das áreas próximas aos antigos centros mineradores. Apossaram-se das terras, requereram sesmarias e procuraram legalizá-las – valendo mais a posse do que a lei –, com o intuito de desenvolver uma agricultura básica que alimentasse a si e aos seus (CHAUL, 1997, p. 85).

In document #liveterbestute (sider 42-47)