5. La defensa del patrimonio a través de un itinerario por el patrimonio industrial
5.5 Ejemplos de elementos para el itinerario
5.5.2 Área de la ría
Guimarães (2010) revela que o início da BR-050 no Triângulo Mineiro é marcado pela rivalidade entre as cidades de Uberaba e Uberlândia. A necessidade de construção de uma rodovia que ligasse as duas cidades ao estado de São Paulo era inegável. Todavia, o traçado dessa rodovia trazia à tona um conflito de interesses no âmbito regional. Entre os anos de 1957 e 1958, dois traçados alternativos estavam em discussão, os quais ficaram conhecidos como traçado 1 e traçado 2.
O traçado 1, que seria um aproveitamento do trajeto Uberlândia – Almeida Campos61, ligando indiretamente Uberlândia a Uberaba, representava um desejo das lideranças uberlandenses. A justificativa para esse traçado era a possibilidade de se reduzir os custos e tornar a construção mais rápida, já que seria possível aproveitar 50 km da estrada já existente. Dentre os interesses implícitos estava o desejo de ampliação dos negócios de Uberlândia com Belo Horizonte, de forma que o acesso fosse realizado por meio do terminal da Rede Mineira de Estradas de Ferro em Almeida Campos sem passar por Uberaba.
O traçado 2, que consistia em uma ligação direta entre Uberaba e Uberlândia, era defendido pelas lideranças uberabenses, sobretudo, por proprietários de terras. Esses alegavam que era possível diminuir a distância em 50 km e, a partir desse traçado, Uberaba poderia representar a única ligação “com Minas”. Nessa perspectiva, Guimarães (2010, p. 150) comenta que: “Por mais paradoxal que pareça, a manifestação do regionalismo triangulino sempre se referiu ao território mineiro como algo externo ao Triângulo Mineiro”.
Em 1959, Bias Fortes, governador mineiro à época, decidiu pelo traçado 2, ou seja, pela ligação Uberlândia-Uberaba e, como “prêmio de consolação”, veio a proposta de se executar a ligação Uberlândia-Araxá. Faltava ainda a garantia de que não haveria o desvio desse trajeto na rodovia Santos-Brasília. Ao final da década de 1950, já estavam definidas a construção da BR-14 (atual BR-153) e a BR-116 (atual BR-050). Os prazos de construção de cada trecho ainda não estavam definidos (GUIMARÃES, 2010, p. 150).
Até meados da década de 1960, a BR-153 funcionava como principal rodovia que possibilitava o transporte, tanto de manufaturados de São Paulo para as regiões Norte e Centro-Oeste quanto da produção agropecuária de Goiás e oeste da região triangulina para os mercados do estado de São Paulo.
61 Em 1926, a Estrada de Ferro Oeste de Minas inaugurou a estação de Almeida Campos, no ramal Ibiá-Uberaba.
A análise da evolução do processo de construção da então BR-116 revela a existência de várias barreiras políticas, haja vista o trecho entre Cristalina (GO) a Uberaba /MG, com extensão de 400 km, ter demorado mais de uma década para ser concluído. Nesse contexto, Guimarães (2010, p. 153) discorre sobre as duas grandes disputas que envolviam a construção daquela que hoje é a rodovia BR-050: “A primeira grande disputa, [...] se deu entre as decisões de se construir esta rodovia ou a BR-14 (hoje BR-153). Depois, [...], ocorreu a disputa pelo traçado entre Uberlândia e Uberaba, que posteriormente acabou favorecendo a premissa do caminho mais curto para Brasília [...]”.
A BR-050 é uma rodovia radial62 e representa um importante eixo viário do país, pois liga o centro econômico (São Paulo/SP) ao centro político do país (Brasília/DF). O trecho paulista da rodovia encontra-se sob jurisdição do governo estadual, tendo a denominação de SP-330 (Anhanguera), no trecho que liga Igarapava/SP à capital, e SP-150 (Anchieta), no trecho entre São Paulo/SP e Santos/SP.
Em Uberlândia, a BR-050 faz entroncamento com outras rodovias federais, também importantes para a cidade e região, como a BR-365, BR-452 e BR-497. A posição de importante entroncamento rodoferroviário, localizando-se entre três polos nacionais (Belo Horizonte, São Paulo e Brasília), possibilita à cidade sediar grandes estabelecimentos atacadistas e distribuidores da produção agrícola e industrial da região triangulina.
A evolução da BR-050, com 1.025,3 km (BRASIL, 2016), passa por diferentes etapas, as quais podem sinteticamente resumidas da seguinte forma: o primeiro trecho da rodovia BR- 050 foi asfaltado no início década de 1960, entre Santos/SP e Uberaba/MG. O ritmo da pavimentação no sentido sul da rodovia acompanhou a dinâmica de expansão da economia paulista. No final de 1962, o trecho entre Uberaba e Uberlândia foi aberto ao tráfego e funcionou de forma precária, pois a pavimentação só foi concluída em 1965. Em 1961, ocorreu a inauguração da ponte que cruza o Rio Paranaíba no sentido Araguari – Catalão. Já o trecho Uberlândia – Araguari só foi totalmente pavimentado no início de 1968, sendo que o trecho da rodovia em território goiano, de Catalão até Cristalina, só foi concluído em 1974, completando, assim, a ligação mais curta entre a capital federal e o Porto de Santos.
A cronologia de implantação da BR-050 no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba pode ser observada no Quadro 6, com os avanços técnicos que foram implantados em cada ano ou período. Todo o processo de ampliação e melhoria da rodovia tinha como objetivo central a
62 Conforme Brasil (2006a), as rodovias radiais são aquelas que partem da capital federal em direção aos
interligação do corredor Santos – São Paulo – Brasília, passando pela região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, no eixo Uberaba – Uberlândia – Araguari/MG.
Quadro 6 - Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba: cronologia de implantação da BR-050 na
região (1960-2015)
Ano Avanço técnico
1960 Pavimentação do trecho São Paulo – Uberaba 1965 Pavimentação do trecho Uberlândia – Uberaba 1966 Pavimentação do trecho Uberlândia – Araguari
1998-2006 Duplicação das pistas no trecho Anhanguera – Uberaba – Uberlândia 2010-2012 Duplicação das pistas no trecho Uberlândia – Araguari
2012-2014 Duplicação das pistas no trecho de Araguari à divisa dos estados de Minas Gerais e Goiás, completando a duplicação de toda a extensão da rodovia em território mineiro.
Fonte: Brasil (2016)
Organização: Flávia Aparecida Vieira de Araújo (2015).
A BR-050, desde Brasília até a divisa entre os estados de Minas Gerais e Goiás, representa importante infraestrutura para a implantação de projetos econômicos de grande amplitude – como o Corredor Rodoviário Centro-Oeste a Santos (Brasília/Goiânia/Triângulo Mineiro/Santos) –, pois o sistema viário viabiliza a circulação de produtos agrícolas e industriais. O corredor, que contempla 1.100 km de extensão, será concluído após a finalização da duplicação de alguns trechos no território goiano. No estado de Goiás, o trecho de 28,6 km, abrangendo os municípios de Cristalina e Ipameri, já foi terminado.
A duplicação entre as cidades mineiras de Uberaba e Uberlândia demorou oito anos para ser finalizado, enquanto que a duplicação entre as cidades de Uberlândia e Araguari foi feita em dois anos. A Foto 4 retrata um trecho da rodovia, sendo possível verificar a duplicação da pista.